• Refletindo sobre as observações dos esquemas de orçamento participativo na região andina da América do Sul, este artigo argumenta que as declarações e comportamento daqueles que participam das reuniões do orçamento participativo devem ser compreendidos como forma de desempenho público que frequentemente difere significativamente dos “discursos por trás dos bastidores” dos participantes quando eles não estão mais atuando em público. Acima de tudo, a priorização generalizada de projetos de infraestrutura de pequena escala que envolvem grandes volumes de cimento destaca as maneiras pelas quais os participantes das reuniões de orçamento participativo de maneira silenciosa mas estrategicamente adaptam esquemas externos e políticas para seus próprios objetivos e estratégias.

  • Este artigo examina a natureza do protesto social realizado por uma organização indígena da amazônia contra companhias energéticas internacionais que estão trabalhando no Peru. Ele analisa a resposta de ONGs peruanas e internacionais às atividades do grupo indígena e contesta certos estereótipos a respeito da natureza da ação coletiva indígena e percepções da comunidade. Em particular, ele focaliza a forma como funcionários da ONG tentam explicar o fracasso da organização indígena em mobilizar e sustentar um protesto coletivo. O texto destaca a dissonância entre uma romantização da indigeneidade e a realidade vivida de grupos indígenas. Ele defende o uso de estudos antropológicos e teoria de movimento social para explorar os limites para a mobilização indígena e sugere seu uso para planejamento de iniciativas mais sensível. Como a demanda por petróleo e gasolina cresce em todo o globo e os governos nos países em desenvolvimento buscam aumentar os ganhos com indústrias extrativas lucrativas, os confrontos entre grupos indígenas e companhias energéticas provavelmente aumentarão. A necessidade de um engajamento sensível entre ONGs e grupos indígenas é, portanto, de extrema importância.

  • Em 2003, a Lutheran World Relief (LWR), ONG internacional de alívio humanitário e desenvolvimento, lançou uma iniciativa para construção da paz na Colômbia. Eles promoveram a formação de uma parceria entre igrejas santuárias da paz na Colômbia e seis comunidades de fé da Região Centro-Oeste dos EUA, coordenada por funcionários da LWR. Essa parceria, chamada Sal y Luz (sal e luz) tem o objetivo de educação e advocacy na Colômbia e nos EUA. A Sal y Luz representa um poderoso exemplo de solidariedade transnacional para paz. Existem também implicações e lições desse estudo de caso para a área mais geral do trabalho de construção da paz de uma ONG. O modelo de Sal y Luz de construção da paz traz benefícios em termos de accountability e efetividade de ONGs na construção da paz. A inovação-chave do modelo é como a LWR efetivamente ajudou seu eleitorado dos EUA a compreender e tornar-se mais envolvido no trabalho de construção da paz.

  • Este artigo analisa as práticas de mudança social da Minga Perú, uma ONG da Amazônia Peruana que promove a igualdade de gênero e a saúde reprodutiva por meio de transmissões de rádio e intervenções comunitárias. Essa análise, baseada em métodos de pesquisa participativa, revela uma abordagem feminista e equitativa em termos de gênero, permitindo aos participantes assumir o papel de líder em vez de sujeito de pesquisa passivo. Além disto, tais métodos de pesquisa participativa ajudaram a empoderar os indivíduos e suas comunidades na Amazônia Peruana, incentivando o desenvolvimento de dinâmicas de grupo e liderança mais produtivos.

  • A falta de capital de giro prejudica a comercialização coletiva de recicláveis. A exclusão social e restrições burocráticas impedem que os recicladores tenham acesso a empréstimos bancários oficiais. Como eles continuam a depender de intermediários, o ciclo da pobreza, dependência e exclusão é perpetuada. O artigo discute a comercialização coletiva e o fundo de micro-crédito criado entre 30 grupos de reciclagem na cidade brasileira de São Paulo. Um comitê de oito mulheres recicladoras gerencia este fundo. O artigo contextualiza reflexões sobre empoderamento e desenvolvimento baseado na comunidade, aplicando a estrutura teórica da economia social e solidária. A autora por fim sugere que estruturas de governança inclusivas têm o potencial de gerar uma maior justiça e sustentabilidade.

  • Este artigo discute os desafios éticos enfrentados por antropólogos que estejam trabalhando como especialistas em empresas de mineração e no turismo e soluções alternativas que sejam coerentes com os princípios éticos de sua disciplina.

  • Um seminário foi realizado em fevereiro de 2008 para identificar o papel de organizações da sociedade civil (CSOs) após a agenda de ajuda da Declaração de Paris, antes do Fórum de Alto Nível para revisar o progresso em relação a alcançar harmonização de ajuda realizada em Accra em setembro de 2008. O artigo destaca as várias preocupações sobre o foco nos mecanismos em vez do propósito dos impactos da ajuda; as formas como os doadores forçam suas próprias agendas; e a lacuna contínua entre retórica e prática sobre questões como igualdade de gênero e propriedade local.

  • A experiência de gestão de recursos baseados na comunidade adaptativa sugere que o desenvolvimento da resiliência nos sistemas humanos e ecológicos é uma maneira efetiva de lidar com a mudança ambiental. O fenômeno do El Niño está cada vez mais sinalizado antes de seu início. Argumentamos que é benéfico prestar atenção em alertas de danos em potencial e intervir na sociedade para possivelmente evitar impactos ecológicos e sociais negativos extremos, que podem dar início a stress sócio-político e sofrimento humano generalizado. O El Niño de 2004 na ilha de Bohol nas Filipinas é utilizada como exemplo de intervenção bem-sucedida.

  • Este estudo sobre o impacto do comércio justo baseia-se nos novos dados de área de cooperativas de café e banana no Peru e Costa Rica, incluindo uma avaliação detalhada de seus efeitos de bem-estar social por produtores de Comércio Justo com produtores rurais que não são do comércio justo como um sinal de medida. A atenção é concentrada em três efeitos principais: (a) impacto tangível direto de arranjos de Comércio Livre sobre a renda, bem-estar social e meios de subsistência de famílias rurais; (b) efeitos indiretos do comércio livre para melhorar o acesso a crédito para melhorar o acesso à crédito, estoques de capital, investimentos, e atitudes para o risco; e (c) implicações institucionais do comércio justo para organizações de produtores rurais e externalidades para emprego local e regional, barganhando e negociando condições. Embora os efeitos de renda líquida direta permaneçam bastante modestos, benefícios importantes são encontrados para incluir a capitalização de produtores rurais e está fortalecendo suas organizações.

  • As parcerias podem alcançar resultados, mas elas não se desenvolvem tranquilamente. Os membros devem explorar suas diferenças antes que elas possam ter um bom desempenho juntas. Algumas agências olham internamente para suas próprias prioridades e esperam que seus parceiros as sigam. Isto leva a um misto de cooperação e competição. Outras organizações voltam-se para fora e buscam por parceiros que possam contribuir para resultados compartilhados. Elas se vêem como as outras as vêem. Elas não olham para trás para se certificar de que as outras estão seguindo-as. Isto leva a um misto de respeito mútuo e reciprocidade que é tão importante para o sucesso quanto um acordo de cooperação primorosamente realizado.
     

  • Os efeitos da legislação de combate ao terrorismo sobre organizações da sociedade civil (CSOs) situadas no hemisfério sul receberam pouca atenção na literatura mais geral. Este artigo relata sobre as constatações de uma série de workshops internacionais para examinar os efeitos de tal legislação adotada no Líbano, a Kyrgyz Republic, India e Países Baixos, Reino Unido e os EUA. A evidência apresentada nestes seminários sugere que a legislação contrária ao terror está prejudicando o trabalho da sociedade civil de maneira complexa e interrelacionada.

  • Embora haja quase uma unanimidade sobre a necessidade de participação, não há ainda tal acordo sobre o tipo e grau de participação a serem adotados nos projetos. Algo do qual nunca se duvidou é o fato de que as pessoas locais ainda não receberam o devido reconhecimento e respeito por parte da maioria das agências de intervenção, daí o fracasso de alguns projetos. Assim, como é o desempenho de um projeto que busca abordar questões de cidadania, participação e accountability utilizando uma variedade de metodologias participativas, especialmente em relação ao pano de fundo de uma sociedade multi-étnica, multi-religiosa e politicamente complexa como a Nigéria? Este artigo examina o uso dessas metodologias, destacando questões extraídas e os sucessos e limitações dos resultados para pesquisa futura. Efetivos como os métodos parecem ser, houve muitas perguntas e questões não respondidas além do mandato imediato do projeto que requerem atenção afim de que as comunidades avancem em direção a um desenvolvimento genuíno e acabem com a exposição aberta de agressão inapropriada que às vezes ocorre.

  • Este artigo defende o uso da comunicação participativa na pesquisa. Ele introduz a comunicação participativa como uma abordagem coordenada por cidadãos para criar e expressar conhecimento; dentro da pesquisa isto significa que os pesquisadores não são simplesmente responsáveis por gerar informações e comunicar sobre elas, nem estão eles agindo sozinhos. A partir desta perspectiva, a ênfase da comunicação participativa está na comunicação em vez da extração ou entrega de informações. Métodos participativos podem comunicar resultados de pesquisa de novas maneiras e adicionar profundidade e significado para as articulações do conhecimento. Esse conhecimento pode facilmente “perder-se na tradução” quando os resultados são sintetizados ou comunicados por meio de produtos de pesquisa convencionais apenas.

  • Apesar de sua longa história em diferentes países, a “comunicação dos cidadãos para mudança social” é pouco conhecida nas instituições acadêmicas e sociais espanholas e, assim, poucos profissionais da comunicação sabem como abordar e realizar planejamento profundo de comunicação para o desenvolvimento. Desde a década de 1990, ainda há uma crescente necessidade de se desenvolver uma comunicação participativa verdadeira na sociedade espanhola. Este artigo descreve as razões principais para essa falta de conhecimento generalizada e oferece uma pequena “cartografia” da área para avançar em direção ao reconhecimento completo do setor na Espanha.

  • Os movimentos sociais têm gerado interesse nos círculos de desenvolvimento desde meados da década de 1990 como expressões relativamente independentes da sociedade civil, mobilizando pessoas para definir suas próprias prioridades de desenvolvimento e agendas para questões tão diversas quanto privatização da água, políticas comerciais neoliberais, direitos das mulheres e indígenas e acesso a tratamento com anti-retrovirais para HIV. No caso do HIV e AIDS, iniciativas independentes da sociedade civil têm sido chave para respostas bem-sucedidas. Movimentos sociais de pessoas portadoras do HIV e AIDS, homens homossexuais, mulheres, trabalhadores do sexo e pessoas que utilizam drogas injetáveis têm desenvolvido instituições inovadoras e respostas ao HIV e AIDS e têm se organizado contra o estigma e a discriminação. Ao reunir as pessoas e realizar a advocacy efetivamente, os movimentos sociais têm dado mais voz ativa às pessoas mais afetadas pelo HIV, capacitando-as para que influenciem governos e tomadores de decisões.

  • Em meio aos processos em direção à democratização, tem sido afirmado que a rádio alternativa possui um papel central no desenvolvimento dos pobres enquanto cidadãos. Contudo, é importante analisar detalhadamente quais possibilidades uma rádio alternativa ou de cidadãos possui para fortalecer ideias de cidadania e transformar o espaço público em um público crítico e ponderado em locais urbanos. Este artigo concentra-se em uma estação de rádio católica local em Huaycan, uma favela na periferia de Lima. Ele descreve o trabalho jornalístico da rádio, mostrando exemplos de como eles mobilizam líderes locais e monitoram processos democráticos, tais como eleições municipais e o orçamento participativo do distrito. Além disso, ele mostra como o público utiliza a rádio para canalizar suas reclamações. Ele também identifica os fatores que impedem a rádio de empoderar completamente o público e transformar o espaço público em um espaço mais crítico e democrático.

  • Este artigo busca compreender as restrições que os agentes de mídia enfrentam no seu trabalho do dia-a-dia em Acholiland, norte de Uganda, e identificar as estratégias que eles adotam para manter um espaço para diálogo e debate. Dois estudos de caso revelam que é difícil ver como os agentes de mídia neste ambiente de conflito podem desempenhar um papel significante em manter o governo dominante responsável e promovendo o desenvolvimento da paz quando eles estão enfrentando leis de mídia repressivas, intimidação, falta de informações e apoio gerencial fraco. Este artigo pede por políticas para apoiar as lutas diárias de agentes da mídia, tais como a adoção do Mecanismo Africano de Revisão por Pares – um instrumento utilizado para auto-monitoramento feito por países participantes da Nova Parceria para Desenvolvimento da África. Então, a investigação afasta-se de questões de censura para investigar o que pode ser feito para apoiar as lutas diárias de agentes da mídia que estão constantemente negociando seu caminho em um labirinto de restrições.

  • A mídia de comunidade representa um insumo crucial nos processos de desenvolvimento, desempenhando um papel importante na democratização, lutas sociais e conscientização. Mas ela frequentemente enfrenta dificuldades nos níveis financeiros e legais devido às limitações criadas por leis de mídia nacional. Este artigo mostra a conexão entre a comunicação da comunidade e o desenvolvimento humano. Ele oferece sugestões para defensores e comunidades de desenvolvimento relativas a advocacy para um ambiente de políticas apoiador da mídia da comunidade. Ele reflete sobre o processo de licenciamento e sustentabilidade financeira dos projetos. Para demonstrar como a política de mídia pode ser remodelada de maneira prática para atender às necessidades da sociedade civil, dois estudos de caso são considerados: o Reino Unido, onde o regulador de comunicações abriu um processo para licenciar rádios de comunidade; e o Brasil, onde milhares de estações da comunidade “ilegais” estão enfrentando repressão, mas onde o regulador inaugurou um processo de consulta com praticantes.

  • Telefones celulares já têm sido utilizados amplamente no mundo todo para ativismo, desenvolvimento social e econômico e novas formas culturais e comunicativas. Apesar deste uso generalizado dos telefones móveis, eles permanecem um fenômeno relativamente não-teorizado e não-discutido na mídia da comunidade e do cidadão. Este artigo avalia como os telefones móveis têm sido utilizados pelos cidadãos para criar novas formas de expressão e poder. O enfoque específico é o uso de telefones móveis no desenvolvimento da comunidade, como por exemplo a Grameenphone, agricultura e mercados, a comunidade diáspora filipina, atendimento de saúde para casos de HIV/AIDS e telefones móveis no trabalho de ativismo e enquanto mídia. Argumenta-se que telefones móveis formam uma zona de contato entre conceitos tradicionais de mídia de comunidade e de cidadão, por um lado, e movimentos emergentes em cidadania, democracia, governança e desenvolvimento, por outro lado.

  • Este artigo utiliza o exemplo de uma plataforma móvel de mídia mista – um rickshaw (tipo de carroça puxada por homens e utilizada para transporte de pessoas) conversível de três rodas –no Sri Lanka para explorar se e como as atividades de criação de conteúdo podem permitir que comunidades marginalizadas tenham uma voz ativa. Ele baseia-se em pesquisa sobre atividades de criação de conteúdo participativo conduzida em 15 locais da Índia, Indonésia, Nepal e Sri Lanka. Os principais resultados são: a necessidade de se prestar atenção no contexto quando se está pensando sobre o que poderia ser localmente apropriado, relevante e benéfico em termos de criação de conteúdo participativo; os benefícios que podem ser obtidos através de criativamente se alcançar  e engajar grupos marginalizados e incentivar uma diversidade de vozes; a utilidade do conteúdo produzido localmente para gerar um debate local sobre questões locais e os benefícios de se incentivar a participação em todas as fases da criação do conteúdo, de modo que o conteúdo seja localmente significativo e possa levar a uma mudança social positiva.

  • A comunicação e seu papel no desenvolvimento e mudança social ainda são mal compreendidos e apoiados por grandes agentes de desenvolvimento, apesar de décadas de práticas inovadoras e resultados positivos. A distância entre o discurso e a ação, métodos de avaliação ultrapassados, prazos curtos, burocracia e relações de poder, combinados com modelos de comunicação verticais e externamente orientados, e a confusão entre informação e comunicação, impedem que doadores de desenvolvimento dêem apoio a iniciativas de comunicação participativas e que pertençam e sejam gerenciadas pela comunidade. Com base em décadas de experiência e observação, quatro recomendações-chave são feitas para se transformar a profissão de comunicação em ensino superior e em agências doadoras e de desenvolvimento.

  • Los medios de comunicación e información ciudadanos no se utilizan apropiadamente ni en la política ni en la práctica del desarrollo. Además, estos tienden a desestimar el trabajo relacionado con el desarrollo porque creen que éste no domina de manera adecuada los procesos sociales, culturales y políticos para que puedan contribuir a una transformación real. En la introducción a los ensayos de este número especial, los editores invitados exponen que los medios de comunicación hacen más que permitir que voces diversas se escuchen en esferas políticas plurales. También influyen en los procesos de construcción social y cultural al redefinir normas y relaciones de poder excluyentes. Poseer o controlar los medios locales puede permitir que las personas ganen espacios donde expresar sus voces.

  • Dada a importância da comunicação para a sociedade, que “detém” a mídia, quem consegue falar em nome de quem, e para quais fins são questões cruciais. A regressão da mídia “predominante” dos “cães de guarda” das democracias para empreendimentos de negócios resultando em “refeudalização da esfera pública” Habermasiana é preocupante. A mídia da comunidade torna a engajar as comunidades na periferia, abrindo possibilidades para mudança social. O domínio dos agentes das correntes predominantes na governança da mídia, agravado por preocupações de sustentabilidade das empresas de base, resultam em legislação que impede a potencialidade do acesso à mídia da comunidade e a participação – como mapeado neste artigo com o caso da luta do rádio da comunidade na Índia.

  • As rádios podem ajudar a estimular melhor a governança. Contudo, organizações de radiodifusão administradas pelo estado no hemisfério sul são normalmente despreparadas para seu papel de serviço público em novas democracias. Elas frequentemente são mal financiadas em comparação com suas rivais novas e comerciais e frequentemente são ainda limitadas pelas mesmas “regras do jogo” que as regeram antes da era democrática. As emissoras permanecem tipicamente subordinadas ao governo e não aos seus ouvintes, e promovem os interesses e agendas da elite política. Este artigo concentra-se nas experiências de suporte do DFID a um programa de rádio no norte da Nigéria que buscou melhorar a comunicação e debate entre o governo e o eleitorado. O artigo argumenta que existem circunstâncias legítimas para parceiros de desenvolvimento engajarem-se com veículos de mídia controlados pelo estado, não apenas em áreas rurais onde emissoras comerciais não possuem incentivo financeiro para estabelecer estações e fornecer programas que tenham relevância para os pobres. Os autores examinam criticamente as lições aprendidas com o suporte do DFID e identificam medidas que poderiam ajudar iniciativas semelhantes no futuro.

  • O artigo examina a noção de desenvolvimento como autodeterminação no contexto de politização atual dos assuntos dos indígenas. Ele analisa as conexões entre estudos de desenvolvimento, movimentos sociais indígenas e práticas de mídia da comunidade; e mais especificamente entre visões específicas sobre desenvolvimento, autodeterminação e identidade, e como estes termos tornam-se incorporados em práticas de trabalho de mídia específica (vídeo). O artigo resume dois estudos de caso da produção de mídia indígena em um contexto transnacional: o projeto financiado pela UNESCO sobre Tecnologias de Informação e Comunicações para Diálogo Intercultural: Desenvolvendo Capacidades de Comunicação dos Indígenas (ICT4ID) e a emergência e consolidação da CLACPI, uma rede de produção de mídia indígena na América Latina.

  • Um processo de Aprendizado de Ação integrado com a Abordagem de Capacidade de Sen pode apoiar agências de desenvolvimento a formular intervenções que aumentam a liberdade. Os autores mostram que colocar esta abordagem em prática possui implicações importantes para a maneira como o “desenvolvimento” é realizado como um projeto ideológico. Isto pode ajudar a examinar e desafiar aqueles que detêm o poder no desenvolvimento—os guardiões. Este resultado provém de um processo de Aprendizado de Ação Emergente que foi iniciado aplicando-se os princípios de Sen para entrevistas com enfoque de grupo com mulheres que cuidam de pessoas afetadas pelo HIV e AIDS. Um dos resultados destes grupos de enfoque foi que os participantes valorizaram o processo porque ele abriu um espaço para eles influenciarem o trabalho da ONG implementadora. Essencialmente, eles poderiam manter a agência implementadora responsável. Reflexões sobre este resultado pela agência levaram a mudanças importantes nos processos que são mais apoiadores da liberdade.
  • Este artigo examina as condições variáveis do conhecimento, percepções e atitudes dos moradores de vilarejo em relação às tarefas e relações de gênero no decorrer do tempo. Os dados foram coletados da região leste de Bangladesh por meio de pesquisa e entrevistas aprofundadas. Os resultados mostram que o conhecimento sobre discriminação, empoderamento e violência contra as mulheres e questões maritais aumentou incrivelmente e as atitudes sobre estas questões, inclusive as percepções gerais em relação aos homens e mulheres mudaram positivamente, mas não mudaram tanto quanto era esperado. Normas, valores, cultura e estruturas sociais patriarcais tradicionais ainda foram reconhecidas como barreira à igualdade de gênero.
  • Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa quantitativa/qualitativa sobre as dinâmicas de “aprendizado transformativo” e de “mudança de mentalidade” entre representantes da comunidade rural que estão participando do Programa de Solidariedade Nacional do Governo do Afeganistão [NSP]: uma iniciativa orientada para a comunidade que engloba toda a nação para reabilitar a infraestrutura do país. Baseando-se em estruturas para “aprendizado transformativo” proposto por Mezirow (1990) e Freire (1993), e “mudança de mentalidade” proposto por Gardner (2004), argumenta-se que o NSP catalizou o aprendizado de desenvolvimento transformativo através de (1) sua sensibilidade às necessidades expressas e interesses dos participantes do projeto; (2) engajamento de representantes da comunidade como parceiros de desenvolvimento ativos; (3) delegação da responsabilidade gerencial do projeto durante todas as fases; (4) provisão de espaço social para reflexão e análise crítica; (5) oportunidades para se alcançar resultados de projeto que sejam significativos, atrativos e lucrativos; e (6) características de programa compatíveis com as realidades sociais e culturais da zona rural do Afeganistão.
  • Este artigo examina o impacto da profissionalização das ONGs sobre quem trabalha em ONGs e por quê. Com base em uma pesquisa aprofundada de funcionários de 20 ONGs de advocacy na Jordânia, ele demonstra o impacto da profissionalização em termos de gênero. A maioria dos funcionários de ONGs são mulheres altamente instruídas, frequentemente instruídas no Ocidente, que trabalham em ONGs principalmente devido às oportunidades de carreira e porque são atraídas pelos objetivos das ONGs. Contrastando com a literatura existente, este artigo argumenta que as considerações sobre gênero, tais como flexibilidade de emprego para acomodar os deveres familiares, têm menos influência para determinar por que as mulheres buscam trabalho em ONGs e sua satisfação no trabalho.
  • Este estudo de caso etnográfico aborda a questão de como as mulheres da sociedade patriarcal de Jopadhola no leste de Uganda lembram das três décadas de guerra civil e violência e sobreviveram às suas consequências. Quando a guerra terminou, pouco mudou para estas mulheres, que ainda estão expostas a uma violência contínua baseada na questão de gênero e continuam a utilizar as mesmas táticas que, durante a guerra, permitiram que elas de alguma forma vivessem com seu sofrimento. O Projeto de Mifumi, uma ONG indígena fundada por uma das mulheres cuja história de vida foi registrada para este artigo, começou a ajudar as mulheres de Jopadhola a melhorar sua qualidade de vida atualmente. Ao reconstruir o capital humano e social delas, esta ONG está também criando espaço para as mulheres cicatrizarem suas memórias de guerra.
  • Este artigo examina a experiência de serviços urbanos privatizados de fornecimento de água e esgoto na Turquia, focalizando o caso de três cidades que optaram por tal privatização. O artigo inicia-se com o exame da gestão dos serviços urbanos de água e esgoto na Turquia e explora o desenvolvimento dos serviços de água e as políticas de água em instituições públicas locais. A segunda seção introduz estudos de caso de cidades que transferiram a gestão, operação e manutenção de serviços urbanos de água para operadores privados.
  • Este artigo destaca as lições aprendidas com a pesquisa de campo e análise relacionada, para abordar três aspectos fundamentais do desenvolvimento que são frequentemente omitidos: cultura e governança, desenvolvimento inclusivo, e abordagens baseadas no mercado. Todos os três casos abordam questões da pobreza e desigualdade. Além disto, o papel crucial das instituições na governança e desenvolvimento também é destacado. Finalmente, acabando com a lacuna entre cultura, economia e sociedade através destas abordagens, políticas e programas de desenvolvimento melhores e mais efetivos podem ser formulados e implementados.
  • Este é um estudo de caso de um projeto de desenvolvimento local integral combinando elementos de agroecologia, comércio justo e finanças conservadora em termos de risco operada em parceria entre uma organização de base e uma organização promotora. Concluímos que a confiança é um elemento-chave na transição de uma unidade econômica familiar rural tradicional para uma empresa familiar. Nós refletimos sobre a necessidade e os limites para que os projetos de desenvolvimento atendam à complexidade da pobreza estrutural. O texto conclui com uma exortação à experimentação do valor na prática de desenvolvimento, com responsabilidade ética e em termos que isto possa ser compartilhado na arena pública mais ampla.
  • Este artigo apresenta uma abordagem abrangente para promover a transferência da pesquisa para a prática. Ele abrange três questões principais de importância: as atividades devem ser vistas como parte de um esforço de longo prazo em vez de eventos únicos isolados; existem muitos públicos que podem fazer uso dos resultados de pesquisa de várias maneiras; e existem muitos modos pelos quais o processo pode ser promovido.
  • Compreender a variabilidade local em contexto e mobilizar a participação local para definir as agendas de desenvolvimento são estratégias de desenvolvimento amplamente aceitas. Permanecem, porém, desafios significativos para a sistemática e para a inclusão efetiva de comunidades e famílias locais. O projeto MAPLAN, um projeto-piloto do Ceará, Brasil, é um esforço conjunto do setor público e da sociedade civil destinado a criar um processo de planejamento de desenvolvimento participativo que integra variações contextuais de nível local. Neste esforço, o uso de um Sistema de Informações Geográficas Participativas (PGIS) estimula a participação de membros da comunidade na análise de suas necessidades, objetivos e prioridades. A visualização desses fatores através de mapas facilmente compreendidos promove a comunicação e contribui para um processo de planejamento democrático e transparente, permitindo assim a articulação de prioridades locais com o aparato de planejamento em nível de estado. O MAPLAN representa parte de um paradigma de mudança para o planejamento de desenvolvimento rural no estado e oferece as ferramentas para incluir efetivamente a voz do cidadão na política de desenvolvimento.
  • O Fundo de Alívio da Pobreza do Tibete (TPAF) tem trabalhado na Região Autônoma do Tibete da República Popular da China desde 1998 para aumentar a renda e ativos dos tibetanos rurais. Desde o início o TPAF reconheceu que uma alta taxa de morbidade e mortalidade era uma limitação nos esforços dos Tibetanos rurais para melhorar os meios de subsistência. Intervenções precoces para treinar médicos e parteiras da cidade não foram sustentáveis. Em 2005, em parceria com autoridades de saúde locais, o TPAF lançou uma estratégia de Comunicação de Mudança de Comportamento (BCC) para desenvolver a capacidade de moradores do vilarejo de melhorar as práticas de saúde e higiene e fazer escolhas bem-informadas sobre o uso de serviços de saúde primários e preventivos do governo. Os resultados de países e cidades em três Prefeituras são preliminares mas mostram mudanças significativas no conhecimento e prática sobre saúde e ligações cada vez maiores entre as necessidades do vilarejo e serviços do Governo. Os próximos passos incluem fortalecer a implementação e institucionalizar o apoio do governo para estender e apoiar a abordagem.
  • Este artigo revê experiências de se implementar intervenções de empoderamento na Tanzânia. Os dados estão baseados em visitas de campo a programas, projetos e organizações envolvidas na implementação de intervenções de empoderamento em várias regiões do país. Essas visitas envolveram entrevistas de informantes-chave, levantamentos de amostra e Discussões de Grupo de Enfoque (FGDs) com produtores rurais. A revisão destaca as percepções do empoderamento nos níveis de funcionários de projeto e praticantes /beneficiários, assim como as abordagens utilizadas por várias organizações/projetos na implementação de atividades de empoderamento. Além disto, o artigo discute os fatores percebidos para levar ao empoderamento e também suas consequências.
  • Grandes quantias estão sendo investidas em tecnologia de informação e comunicação (ICTs) tais como telefones celulares e sua infraestrutura de telecomunicações. Agências de desenvolvimento oferecem uma visão convencional sobre o “ambiente” necessário para incentivar tal investimento; particularmente que uma boa governança e segurança são necessários. Nós questionamos esta visão convencional com um estudo de telecomunicações móveis em três estados inseguros que possuem uma pontuação muito ruim em relação aos Indicadores de Governança Mundiais. Os dados são limitados mas sugerem que insegurança e “má governança” podem não ser as barreiras ao investimento que normalmente se supõe. Na verdade, é possível—pelo menos para este tipo de tecnologia digital—que eles incentivem o investimento.
  • No dia 29 de agosto de 2008, o Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO (WHC) e o Banco do Japão para Cooperação Internacional (JBIC) co-organizaram um seminário de um dia de duração chamado “Patrimônio Mundial e Trabalhos Públicos: Cooperação de Desenvolvimento para Redução da Pobreza”, realizado na Universidade das Nações Unidas em Tóquio. O seminário concentrou-se no papel dos Patrimônios da Humanidade no desenvolvimento e redução da pobreza, fazendo o balanço dos trabalhos públicos que sustentam a vida da comunidade e preservação de propriedades do Patrimônio Mundial e o papel do desenvolvimento e cooperação – especialmente organizações financeiras internacionais – em projetos de cultura e desenvolvimento.
  • Este artigo relata sobre o décimo aniversário da conferência da Iniciativa Comercial Ética (ETI), chamando atenção para a ironia de que justamente quando o progresso está sendo alcançado em relação às pessoas que trabalham em seu próprio domicílio, que estão entre os trabalhadores menos protegidos de todos, as duas organizações que têm feito tanto para despertar a conscientização sobre essas questões enfrentam o encerramento de suas atividades por falta de fundos.
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  • Este artigo examina a evolução semântica do termo Desenvolvimento de Comunidade (DC) no final do século vinte. Ele argumenta que o DC tem adquirido diferentes significados, base teórica e aplicação prática, começando com um enfoque nas sociedades tradicionais até a década de 1960, movimentos de direitos sociais e/ou civis até a década de 1980 e a classe média moderna a partir da década de 1990. O ponto principal do argumento é que o conceito não é coeso e unificado, mas representa um repertório de significados que abrangem várias nuances do DC que não são necessariamente mutuamente compatíveis mas refletem as práticas políticas e sociais particulares nos contextos nos quais elas ocorrem.
  • Preocupações quanto à equidade de gênero têm estado à frente de discussões e análises de intervenções e ações de ONGs desde a década de 1970. A equidade de gênero, definida como direitos iguais de acesso, oportunidade e participação para homens e mulheres, tem sido sempre uma característica distinta nos programas da Gram Vikas, ONG importante do estado indiano de Orissa. Esforços conscientes para identificar e abordar estas questões tiveram início em meados de 1980. Diversas iniciativas específicas têm sido tomadas para se criar uma competição justa entre mulheres e homens nas comunidades do vilarejo onde a Gram Vikas trabalha e dentro da organização. Têm havido resistências e desafios a diversas dessas intervenções e, embora algumas delas têm se incorporado para criar impacto duradouro, outras têm tido apenas um efeito limitado.
  • Neste artigo nós discutimos o processo de transformar parcerias a partir de uma estrutura conceitual para uma estrutura prática e operacional para a interação em nível de campo entre organizações humanitárias. Nós abordamos esta transformação a partir da perspectiva dos valores centrais do conceito de parceria e a habilidade dos trabalhadores de campo de exibir um comportamento que seja consistente com estes valores centrais. Nós apresentamos os resultados de um estudo empírico sobre as relações entre o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR) e Organizações Não-Governamentais (ONGs) em um programa de assistência a refugiados no norte de Uganda Nós conectamos a estrutura inter-organizacional com o papel das pessoas que estão aptos na tarefa de fazer a parceria funcionar. Concluímos que as estruturas e contexto no qual os indivíduos operam tornam impossível para eles “representarem” os valores centrais da parceria. Ao identificarmos os principais desafios para a criação de parcerias em nível de campo e operacionais, nós fornecemos lições para iniciativas de desenvolvimento de parcerias atuais e futuras, tais como a Plataforma Humanitária Global.
  • O artigo oferece uma análise de vários problemas encontrados e lições aprendidas na implementação de um programa para melhorar a segurança de meios de subsistência dos pobres da zona urbana de Bangladesh. O estudo está baseado no envolvimento do autor enquanto parceiro de pesquisa de ação externa e uma revisão da literatura. As lições-chave para o sucesso são identificadas como (i) uma compreensão clara por parte de todos os funcionários das ligações entre atividades de projeto e objetivos de projeto; (ii) capacitação de funcionários, que é adaptada de acordo com suas necessidades; (iii) claros critérios de metas e abrangência de programa; (iv) ter todas as orientações operacionais, planos de trabalho e modelo de Monitoramento & Avaliação necessários antes da implementação; (v) garantir “parceria das organizações” e não “parceria das atividades”; (vi) garantir o envolvimento real de beneficiários em todos os aspectos do projeto; (vii) “empoderamento” de funcionários e uma “abordagem flexível” das operações são mais compensadores; (viii) conduzir reflexões de rotina sobre o progresso do projeto, e finalmente (ix) ser suficientemente ousado para realizar as mudanças estratégicas necessárias mesmo que isto signifique desviar-se de atividades pré-estabelecidas e cronogramas hipotéticos fixados nas propostas do projeto.
  • A diversidade genética da cultura agrícola e a pobreza estão ligadas: em primeiro lugar, produtores rurais com poucos recursos frequentemente mantêm a diversidade genética e, em segundo lugar, a diversidade da cultura agrícola, quando adequadamente valorizada pelo mercado, possui potencial para reduzir a pobreza. Este artigo examina esta suposição com base em três estudos de caso da interseção do mercado com a pobreza e diversidade do milho no México. Esses casos sugerem que grande parte do mercado para milho oferece pouco espaço para “maize landraces” (variedade de milho local conhecida como milho crioulo), no sentido de não recompensar a variação qualitativa de grãos de milho mas, em vez disto, apresentar incentivos que tornam o cultivo de germoplasma de milho “melhorado” a escolha econômica racional para os pequenos produtores rurais. Enquanto isto, tentativas de adicionar valor ao milho crioulo via diferenciação de mercado têm obtido sucesso variável. Embora exista potencial para mercados diferenciados contribuírem para modelos de negócios bem-sucedidos e redução da pobreza, estes estudos de caso mostram os prós e os contras entre a consistência do produto, investimento de trabalho e recursos e conservação de diversidade genética.
  • Este artigo relata pesquisa sobre os impactos das microfinanças nas tarefas de gênero, até que ponto fatores sócio-culturais influenciam estas mudanças e como tais mudanças afetam o bem-estar de famílias rurais de Bogoso no Distrito Ocidental de Wassa em Gana. Os resultados indicam que as microfinanças têm mudado o controle das decisões dos homens e mulheres e a alocação de recursos, o que por sua vez afetou as responsabilidades financeiras e a educação das crianças e em grande parte contribuiu para o bem-estar da família. Contudo, o pequeno montante de empréstimos foi uma limitação. O artigo conclui que fatores sócio-culturais podem promover ou inibir a qualidade de vida das famílias rurais e que as microfinanças não são uma ferramenta suficiente por si só para promover a qualidade de vida das mulheres e das famílias. Para que as pessoas da zona rural tenham qualidade de vida, é essencial que haja esforços colaborativos na apreciação, monitoramento e avaliação das iniciativas de microfinanças, com o governo oferecendo liderança.
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  • Este artigo examina o papel dos acordos de livre comércio que integram economias profundamente assimétricas, simultaneamente beneficiando a nação mais poderosa e exacerbando as desigualdades dentro e entre os países envolvidos. O último de uma série de acordos como estes nas Américas, o Acordo de Livre Comércio da República Dominicana e América Central (DR-CAFTA), abre as economias destas pequenas nações aos investimentos e exportações dos EUA, uma vez que empresas multinacionais conseguem tirar vantagem dos custos de produção mais baixos e fraca legislação trabalhista. Na economia global, acordos comerciais Sul–Sul oferecem uma alternativa muito melhor para países com instituições fracas e com pouco poder econômico ou político.
  • Fixar preços adequados para bens ambientais é essencial para a gestão sustentável de recursos naturais. Não é fácil, porém, estabelecer um valor para os recursos naturais pois o problema da exclusão torna difícil proteger os recursos naturais do uso não-pago e exercer os direitos de propriedade sobre eles. Este artigo discute as conquistas e limitações das políticas atuais de recursos naturais a partir da perspectiva da visão de eficiência e equidade. Ele argumenta que um fundo de desenvolvimento operando por meio de transações baseadas no mercado é uma abordagem promissora para ajudar a se alcançar simultaneamente os objetivos de eficiência, sustentabilidade e redução da pobreza, contanto que os direitos de propriedade sobre os recursos ambientais sejam distribuídos de maneira justa dentro das gerações atuais, assim como entre as gerações atuais e futuras.
  • O desenvolvimento de um sistema cadastral para a República da Guatemala foi uma das prioridades do Acordo de Paz de 1997 que acabou com 30 anos de guerra civil. Embora a incerteza da posse da terra e do título da terra sejam questões contenciosas, o desenvolvimento de um cadastro nacional, a distribuição equitativa de terra e o arrendamento de terra são vistos como algo crucial para se manter a paz na Guatemala. Este artigo aborda as barreiras mais importantes para o desenvolvimento de um Sistema Nacional de Informações da Terra utilizado para apoiar a reforma cadastral. Resultados de entrevistas com agências governamentais indicam que embora melhorias técnicas possam ser prontamente implementadas, fatores sociais relativos à interação de ONGs e governos, a difusão de política governamental equitativa em relação a direitos da terra, e os custos do processo de registro da terra prejudicam seriamente a finalização do processo cadastral. Estes resultados são discutidos à luz da política de ajuda internacional e desenvolvimento.
  • Este artigo aborda a situação das favelas na cidade de Daca em relação a mecanismos de governo e ONGs e prioridades para o desenvolvimento e aprimoramento de favelas. Ele conclui com sugestões específicas para uma melhor gestão de favelas urbanas.
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  • Este artigo contesta os termos nos quais as agências doadoras avaliam o sucesso do desenvolvimento, recorrendo a um caso em particular para ressaltar sua idéia. Ele descreve o reassentamento de 60.000 pessoas que estavam ocupando os trilhos de trem em Mumbai, um processo planejado e realizado por uma federação dos próprios residentes da ferrovia, com apoio da ONG SPARC. O artigo argumenta que este esforço, que atendeu aos critérios do doador para um projeto bem-sucedido, foi a ponta de um iceberg. Sem uma avaliação dos anos de aprendizado e inovação que o antecedeu e a base dos princípios e relações construídas durante muitos anos, esta conquista não pode ser adequadamente avaliada ou compreendida—e certamente não copiada. Porém no mundo da avaliação e levantamento formais, tende a haver uma falta de interesse no aprendizado mais profundo sobre mudança social que torna possível tais história de sucesso.
  • Em todo o Distrito de Gaya em Bihar, independentemente da casta ou condição social da pessoa, a irrigação é o tópico predominante de preocupação nas plataformas públicas e conversas privadas. Na ausência de ação governamental adequada, tipos diferentes de esforço comunitário estão emergindo para atender às necessidades, alguns apoiados por movimentos políticos radicais, outros por organizações de uma persuasão religiosa e outros ainda em grande parte por cidadãos locais conhecidos.
  • A Reabilitação Baseada na Comunidade (Community-Based Rehabilitation - CBR) tem sido adotada em vários países para ajudar as pessoas deficientes. Este artigo analisa a interação entre a CBR e a auto-alienação de mulheres deficientes físicas de suas comunidades. Entrevistas aprofundadas com 40 mulheres com deficiência física no norte da Tailândia constataram que a CBR é raramente capaz de capacitar as mulheres com deficiências físicas a realizar seu próprio senso dentro de sua comunidade porque a própria CBR foi incapaz de mudar a falsa impressão da comunidade sobre a deficiência. Apesar de participar de programas da CBR, a auto-alienação de mulheres deficientes físicas de sua comunidade permaneceu devido à forte dependência da CBR da prática médica, ignorando a questão de gênero como um fator colaborador importante. Além disto, trabalhadores de campo da CBR obviamente falharam em captar a magnitude de modelos sociais na reabilitação da deficiência.
  • Este artigo analisa em detalhes o impacto e efetividade de projetos de educação entre colegas implementados no Camboja sob a Iniciativa de Saúde Reprodutiva para a Ásia (RHI), em uma tentativa de oferecer lições importantes para a montagem e implementação de tais intervenções e contribuir para o desenvolvimento da melhor prática. Sob a RHI, que foi o primeiro programa no Camboja planejado especificamente para abordar as necessidades de saúde sexual e reprodutiva dos jovens, a educação entre colegas foi implementada como se fosse um método diretamente transferível, em vez de um processo a ser baseado em contextos sociais e políticos específicos. Conseqüentemente, os conceitos de educação entre colegas relativos a empoderamento e participação entraram em conflito com tradições hierárquicas e relações de poder locais com relação a gênero e pobreza, educadores de colegas foram treinados para transmitir mensagens desenvolvidas por adultos e as intervenções não foram planejadas para refletir as dinâmicas sociais de grupos jovens de colegas.
  • Engajar e ajudar as comunidades marginalizadas permanece sendo um grande desafio para governos de países em desenvolvimento pois várias estratégias de desenvolvimento nacionais tendem na prática a marginalizar ainda mais as comunidades cronicamente pobres. Estratégias de ajuda de desenvolvimento, inclusive iniciativas para redução da pobreza, têm se concentrado principalmente no desenvolvimento econômico e, como resultado, têm contribuído para a erosão da base de bens destas comunidades e em particular seu acesso a recursos naturais. Embora questionando o impacto dos arranjos de ajuda humanitária sobre as comunidades mais pobres e mais vulneráveis da sociedade, este artigo reconhece que os arranjos de ajuda atuais, tais como estratégias nacionais de redução da pobreza, têm criado um ambiente no qual a pobreza crônica pode ser abordada por governos nacionais e outros stakeholders. Os autores destacam a necessidade de uma maior sensibilidade nos processos de planejamento e gerenciamento de estratégias de desenvolvimento nacionais que buscam reduzir a pobreza, assim como um compromisso com arranjos institucionais que incluam grupos marginalizados na economia política do país.
  • O Banco Mundial e o FMI propuseram a estrutura do Documento sobre a Estratégia de Redução da Pobreza (Poverty Reduction Strategy Paper - PRSP) a todos os países pobres como condição para receberem ajuda incondicional com a dívida sob a iniciativa dos HIPCs. Os PRSPs também serão o veículo-chave para o Banco Mundial e FMI e outros doadores para vários pacotes assistenciais, inclusive empréstimos. Assim como seus antecessores, a estrutura do PRSP também impulsiona as idéias de “participação” e “posse”. Este artigo argumenta que a posse de uma estrutura tão grande não pode provavelmente ser de responsabilidade dos países pobres ou de sua população se a idéia toda é produto de pensadores do Banco Mundial e do FMI. Ele discute a participação no desenvolvimento da PRSP de Bangladesh e argumenta que nem a participação nem a posse foi o alvo na preparação de uma estratégia nacional de redução da pobreza, mas foram um componente necessário de um documento requerido para continuar as relações de dívida e empréstimo com o Banco Mundial e FMI.
  • Este artigo examina a implementação inadequada de serviços sociais por parte de governos municipais da Nigéria e identifica três problemas: falta de transparência e accountability na governança, funcionários e administração subqualificados e a relação frágil (uma dicotomia de “nós” versus “eles”) entre os residentes urbanos e governos locais. Não se pode mais argumentar que a falta de fundos é a limitação-chave.
  • Uma boa governança é essencial para sustentar a transformação econômica em países em desenvolvimento. Contudo, muitos países em desenvolvimento atualmente não têm a capacidade, em oposição à vontade, para alcançar e sustentar um ambiente de boa governança. Este artigo aborda, a partir da perspectiva de campo de um trabalhador, os objetivos fundamentais, princípios e áreas-chave que precisam ser abordados para desenvolver a capacidade para uma boa governança. Estas estruturas estão agora começando a ser reconhecidas pois governos e instituições doadoras visam aproveitar a demanda atual e oportunidades para abordar os déficits de governança. Ao buscar o desenvolvimento de capacidade para uma boa governança, países em desenvolvimento devem garantir que tais iniciativas sejam montadas de maneira abrangente para estarem simultaneamente relacionadas com a mudança e transformação nos níveis individuais, institucionais e da sociedade e serem pertencidas e controladas localmente.
  • Grande parte da migração interna na Índia, inclusive nos estados de Rajasthan e Orissa, é guiada pelo sofrimento. Anteriormente, questões relacionadas à gênero eram negligenciadas pois a migração tendia a ser vista como um movimento predominantemente masculino, com as mulheres de fora do processo ou como seguidoras dependentes. A migração atual está ocorrendo em um mundo marcado por uma convicção mais profunda sobre a importância da igualdade da oportunidade entre as divisões sócio-políticas. Este artigo ressalta a necessidade de se analisar a migração por meio de experiências diferenciais de mulheres e de homens no contexto de um mundo altamente marcado pela questão de gênero.
  • Uma abordagem para estabelecer a provisão de serviço de extensão privada para pequenos produtores de horticultura no Quênia foi desenvolvida entre abril de 2003 e dezembro de 2005 pelo Centro Internacional de Fisiologia de Insetos e Ecologia e Instituto de Recursos Naturais no Reino Unido, em colaboração com a EurepGAP FoodPLUS GmbH e a House of Quality-South Africa, ONGs internacionais, empresas de exportação e grupos de produtores rurais de fomento agrícola. A abordagem concentrou-se nas boas práticas agrícolas, segurança alimentar, Regulações da UE sobre os limites máximos residuais de pesticida e o Padrão EurepGAP. A abordagem não é um modelo mas as lições aprendidas são aplicáveis a sistemas semelhantes de produção de pequenos produtores em outros países africanos.
  • Dos círculos de tomadas de decisões mais altos até as organizações locais e de base, todos enfrentam um desafio semelhante: como trabalhar com outros grupos para estabelecer parcerias mais sólidas e chegar a um consenso em relação aos objetivos? Este artigo descreve a Caixa de Ferramentas Net-Map, uma nova ferramenta que constrói e expande abordagens sociais-de trabalho de rede existentes. O artigo destaca a experiência de se utilizar a Caixa de Ferramentas com a White Volta Basin Board em Gana, uma organização com vários stakeholders que é responsável por supervisionar recursos hídricos locais. A discussão inclui como a Caixa de Ferramentas Net-Map pode ajudar os membros de organizações orientadas para o desenvolvimento a compreender melhor e interagir umas com as outras em situações onde vários atores diferentes podem influenciar o resultado.
  • Reconhecendo que a posição de investigadores poderia promover um grande impacto na qualidade e /ou interpretação de resultados de estudo sobre desenvolvimento, uma pequena investigação para explorar as posições e tarefas de pesquisadores foi implementada. Este foi um componente subsidiário de um estudo sobre desenvolvimento de saúde maior que visou explorar a base de evidência para a formulação e implementação de política de saúde físico-social e mental em dois países afetados por conflito e com baixos recursos. Cinco pessoas da equipe de pesquisa foram entrevistadas por um sexto membro em um formato de entrevista e os dados foram analisados tematicamente. O principal aprendizado para a equipe, com implicações mais amplas para outros agentes em pesquisa e prática sobre desenvolvimento, é que para o objetivo produzir resultados críveis de investigações desta natureza, é importante apresentar um alto grau de transparência em relação à função e posição de cada pesquisador e uma tentativa explícita de ser reflexivo em relação aos desafios associados.
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  • A cooperação entre pesquisadores do hemisfério global norte-sul é crucial para a produção de novos conhecimentos que forneçam informações às políticas de desenvolvimento. Contudo, o processo de definição da agenda é um grande obstáculo em várias parcerias de pesquisa sobre desenvolvimento. A primeira seção deste artigo examina como as estratégias de doadores bilaterais afetam os processos de definição de agenda cooperativa. A segunda seção explora as motivações para que pesquisadores estabeleçam parcerias Norte–Sul; os obstáculos que pesquisadores do hemisfério sul encontram nos processos de definição de agenda e as estratégias que eles empregam para garantir que as parcerias de pesquisa respondam às suas preocupações. Essa análise sugere que embora as sólidas organizações de pesquisa do hemisfério sul estejam melhor posicionadas para maximizar os benefícios da colaboração, doadores e pesquisadores estão igualmente bem orientados para reconhecer as limitações dessa abordagem e para utilizá-la prudentemente, uma vez que parcerias Norte–Sul não são necessariamente a melhor maneira de se avançar em agendas de pesquisa enraizadas em prioridades do hemisfério sul.
  • A pesquisa de desenvolvimento tem respondido a várias acusações nas últimas décadas. Quando, por exemplo, a pesquisa tradicional foi acusada de ocorrer “de cima para baixo”, a resposta foi a pesquisa participativa, conectando os “receptores” com os geradores de pesquisa. Como os processos participativos foram reconhecidos como produzindo resultados limitados, surgiu a agenda liderada pela demanda. Com acusações relativas ao fracasso da pesquisa em gerar resultados, o modelo de ”ligação”, que conecta pesquisa com o setor privado, tem se tornado popular. Contudo, utilizando exemplos da pesquisa sobre saúde de animais, esse artigo demonstra que todas as abordagens citadas acima sofrem grandes restrições na geração de resultados que abordem os problemas multi-facetados enfrentados pelas pessoas pobres. O artigo apresenta uma nova abordagem da pesquisa, o modelo Mosaico. Ao combinar diferentes formas de conhecimento e concentrando-as nas lacunas existentes, o modelo visa associar resultados básicos e aplicados com o objetivo de aumentar a eficiência e o valor da pesquisa passada, atual e futura.
  • Parceria tem se tornado uma palavra-chave no jargão do desenvolvimento internacional. Esse artigo apresenta os resultados de uma pesquisa sobre as perspectivas de trabalhadores de ONGs cambojanos e filipinos acerca das condições de levantamento de recursos. Em geral, os praticantes expressaram uma visão de que suas relações com os financiadores não são consistentes com a retórica de compartilhamento de poder e colaboração que freqüentemente acompanha as discussões de parceria, confirmando amplamente a literatura negativa sobre parceria. Apesar disso, os praticantes expressaram um desejo de continuidade das relações colaborativas existentes com organizações do hemisfério norte, idealmente com um maior enfoque sobre o contexto local e as relações pessoais. Os praticantes acreditam que uma parte importante de sua função é mediar o desenvolvimento para torná-lo mais relevante e sensível às demandas.
  • Partindo de uma análise da injustiça social e ambiental, a autora argumenta que o conceito de racismo ambiental é integral ao modelo hegemônico do desenvolvimento capitalista. Ela revela como os mega-conglomerados financeiros, auxiliados pela mídia, exploram tais preconceitos e destaca a relevância do racismo ambiental na luta para combater as desigualdades, valorizar a importância da diversidade e desenvolver a cidadania plena para todos.
  • Este artigo argumenta que a prática do alívio da pobreza é em grande parte limitada por uma visão da pobreza que não consegue capturar as causas localmente específicas das barreiras que se encontram no caminho do bem-estar humano e as soluções para elas. Essa visão problemática da pobreza assume a forma do mundo-real em coisas como os Textos sobre Estratégia de Redução da Pobreza, sendo uma razão-chave desse e de outros esforços de alívio da pobreza atual não mostrarem com freqüência resultados melhores com relação aos esforços anteriores. Ao reformular nosso entendimento dos desafios ao bem-estar humano da pobreza para as “pobrezas”, porém, nós poderíamos visualizar uma nova abordagem para o desenvolvimento de políticas em relação à pobreza que nos faça mover em direção a um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.
  • Os direitos humanos estão atualmente enfrentando um paradoxo: a coexistência de desafios profundos em território familiar (liberdades civis) mais a expansão para novas áreas. As abordagens baseadas em direitos (RBA) são uma parte dessa última corrente em expansão. Este artigo argumenta que quatro tipos de valor agregado podem potencialmente ser apontados. Primeiramente, o valor agregado pode ser buscado por meio de usos diretos, indiretos e estratégicos da lei. Em segundo lugar, recentralizar o Estado e perguntar novamente a questão sobre seu papel adequado no desenvolvimento (implementação, supervisão), bem como realizar estrategicamente o engajamento com o Estado, também agregam valor. Em terceiro lugar, em relação à sua accountability, a RBA agrega valor ao fazer o Estado prestar contas, capacitando aqueles que possuem direitos e deveres e incentivando um novo tipo de propriedade de direitos humanos entre as ONGs. Em quarto lugar, o artigo explora as alegações de que a RBA re-politiza o desenvolvimento, redefinindo-o como desenvolvimento baseado em direitos em vez de benevolência; reivindicando ou politizando novamente os termos-chave (processo) do desenvolvimento; abordando a raiz, as causas estruturais, em vez dos sintomas da pobreza e conflito; e falando a verdade sobre o poder. Nem todas essas contribuições são exclusivas à RBA, porém; e de qualquer maneira, é preciso ainda verificar se a RBA cumprirá sua promessa.
  • O comportamento de ONGs internacionais (ONGIs) continua a impedir a efetividade da ajuda. As razões para isso são identificadas. Seis prescrições são oferecidas que, se adotadas pelas ONGIs, reduziriam o prejuízo que elas causam.
  • Nos últimos 10–15 anos, tem havido um aumento de interesse no assunto de Estudos de Desenvolvimento (DS). Existem agora significativamente mais cursos regulares concentrados em DS e os fundos de pesquisa estão aumentando rapidamente. Contudo, durante o mesmo período, os DS enfrentaram críticas recorrentes sobre sua natureza essencial. Isso tem nos levado a perguntar: O que são Estudos de Desenvolvimento? E o que eles poderiam ou deveriam ser?
  • Este breve artigo destaca algumas das principais contribuições feitas pela ONU ao pensamento e prática de desenvolvimento de 1945 a 2000. O termo desenvolvimento é utilizado aqui amplamente para se referir não apenas aos aumentos no crescimento econômico e renda per capita e à mudança estrutural, mas também refere-se ao progresso na promoção dos direitos humanos, redução da pobreza, geração de emprego, distribuição mais justa dos benefícios de crescimento, participação nas tomadas de decisão em diferentes níveis, igualdade de homens e mulheres, desenvolvimento e bem-estar infantil e justiça social e sustentabilidade ambiental. Há primeiramente uma discussão dos valores que têm apoiado o trabalho da ONU sobre desenvolvimento. Após essa discussão há um sumário de algumas das contribuições-chave feitas pelo sistema da ONU para o pensamento sobre questões de desenvolvimento. O artigo conclui com algumas observações sobre as maneiras pelas quais essas contribuições foram feitas e sobre os pontos positivos e negativos do sistema na criação de idéias e ação de desenvolvimento.
  • A qualidade do trabalho das ONGs depende imensamente da qualidade do pensamento crítico e da análise da pobreza entre todos os níveis de funcionários. Em particular, a qualidade do trabalho na área – entre parceiros e a comunidade – depende de uma compreensão dos processos de desenvolvimento e de sólidas habilidades de facilitação, que dependem de níveis elevados de pensamento crítico. Embora quase todos os tenham naturalmente, a aprendizagem mecânica nos sistemas educacionais e patriarcais e estruturas de poder centralizadas freqüentemente minam seu desenvolvimento. Este artigo sugere algumas maneiras práticas pelas quais as agências de desenvolvimento possam desenvolver um sólido pensamento analítico e sólidas habilidades de facilitação entre seus funcionários. Embora o artigo seja voltado principalmente aos funcionários de linha de frente, a implicação é que tais mecanismos são necessários em todos os níveis para que as organizações desenvolvam suas próprias capacidades.
  • Os vastos recursos naturais florestais da Índia, inclusive em produtos florestais não-madeireiros (NFTPs) como plantas medicinais e aromáticas, animais e produtos animais, bambus, canas e minerais, oferecem empregos que representam até metade da renda de cerca de 25 por cento da força de trabalho rural do país. Contudo, práticas de colheita inadequadas e o excesso de exploração em face da crescente demanda de mercado estão ameaçando a sustentabilidade desses recursos e, assim, os meios de subsistência das comunidades tribais dependentes da floresta. Este artigo analisa o estado dos NTFPs e iniciativas recentes que visaram melhorar sua conservação e gestão sustentável, recomendando políticas para otimizar o potencial dos NTFPs tanto para apoiar os meios de subsistência rurais quanto para contribuir com o bem-estar social, econômico e ambiental da Índia.
  • Muito tem sido pesquisado e falado sobre os impactos da liberalização comercial internacional em nível de país; mas pouco é conhecido sobre seus impactos sociais e ambientais em nível local. Uma vez que as médias nacionais podem mascarar a existência de vencedores e perdedores, estudos no plano nacional podem ser um guia inadequado para abordar as dificuldades dos pobres da zona rural e do meio ambiente, que estão no centro da agenda do movimento social e de conservação. Este artigo compara o debate da liberalização comercial internacional com os resultados encontrados nos estudos de caso locais em zonas rurais de sete países, coordenados pelo WWF e pelo Banco Mundial durante 2004–2006, discutindo ainda algumas ações que o movimento de conservação e o movimento social poderiam adotar para melhorar a discussão e a prática de liberalização comercial, redução da pobreza e conservação ambiental.
  • In English only
  • pp 658-669
  • Este estudo de caso do distrito de Búzi, em Moçambique, investigou se a igualdade de gênero, em termos de participação de homens e mulheres em grupos, leva à eqüidade no compartilhamento dos benefícios do capital social criado por meio do grupo. Explorando a complexa conexão entre gênero, grupos e capital social, nós constatamos que a eqüidade de gênero não é necessariamente alcançada com a garantia de direitos iguais aos homens e mulheres por regras estatutárias, ou lidando com grupos como uma entidade coletiva. Embora não tenham havido diferenças significativas nos padrões de investimento de homens e mulheres em termos de participação nas atividades de grupo e contribuição ao trabalho comunal, o acesso às posições de liderança e aos benefícios do capital social foram distribuídos de maneira desigual. Em comparação com os homens, as mulheres acharam também difícil transformar as relações sociais em direção a um maior acesso à informação, acesso aos mercados ou ajuda em caso de necessidade. pp 650-657
  • Os projetos do Centro Internacional de Melhoria de Milho e Trigo (CIMMYT) relacionados às novas tecnologias de conservação de recursos (TCRs) nas Planícies Indo-Gangéticas do Nepal tiveram por objetivo reforçar a eqüidade de acesso, a redução da pobreza e a orientação de gênero nos processos correntes de mecanização rural – mais especificamente, promover a conservação de recursos com máquinas e tecnologias de redução de trabalho penoso entre os pequenos produtores rurais. Tais projetos, com outros exemplos e outros atores, deram origem a um projeto informal de "coalizão", que utilizou as abordagens de desenvolvimento de tecnologia participativa (DTP), em que produtores rurais, engenheiros, cientistas e outros parceiros trabalharam em favor de um acesso equânime às novas TCRs. Essa experiência mostrou que projetos DTP necessitam ser flexíveis, fazendo uso de abordagens de aprendizado e mudanças. Assim que a adoção bem-sucedida esteja ocorrendo, então o que fazer? Tais projetos precisam assegurar que todos estejam sendo beneficiados em termos de inclusão social e eqüidade; isso poderia requerer novo trabalho não previsto. pp 643-649
  • Avaliações envolvendo stakeholders (partes interessadas) incluem avaliação colaborativa, avaliação participativa, avaliação de desenvolvimento e avaliação de empoderamento – distingüidas pelo grau e profundidade de envolvimento dos stakeholders locais ou dos participantes do programa no processo de avaliação. No monitoramento e avaliação participativos (M&AP) da comunidade, as comunidades definem os objetivos do programa e desenvolvem indicadores locais para traçar e avaliar as mudanças. O M&AP não está livre de limitações, um deles sendo o fato de que os indicadores comunitários são altamente específicos e localizados, o que limita uma ampla aplicação dos indicadores comunitários comuns para a avaliação de programas em espaços sociais e geográficos amplos. Nós desenvolvemos indicadores comunitários com seis comunidades de produtores rurais em Malauí a fim de avaliar um projeto de desenvolvimento comunitário. Para aplicar os indicadores às seis comunidades, nós os agregamos e utilizamos a escala e a pontuação Likert para avaliar a percepção das comunidades quanto à extensão com que o projeto havia atingido seus objetivos. Nós analisamos os dados usando um confronto das médias a fim de comparar os indicadores entre as comunidades e por gênero. pp 633-642
  • Embora a pobreza rural seja endêmica na região andina, os programas de ajuste estrutural têm levado a um desmembramento entre pesquisa agrícola e serviços de extensão, de forma que eles são incapazes de atender às necessidades dos pequenos produtores rurais. A ONG Ação Prática tem trabalhado nos Andes com as necessidades veterinárias e agrícolas dos produtores rurais. O trabalho inclui o treinamento de agentes de extensão de produtor rural para produtor rural, conhecidos localmente como Kamayoq. Os Kamayoq têm estimulado a pesquisa participativa com produtores rurais e os produtores locais os pagam pelos seus serviços em dinheiro ou em espécie. O modelo Kamayoq é em grande medida uma abordagem não subsidiada para a provisão de serviços técnicos adequados e estímulo à participação dos produtores rurais. O modelo também ilustra que, no contexto estimulante de participação dos produtores e inovação, as ONGs possuem vantagens em relação às organizações de pesquisa devido a sua presença de longo prazo, capacidade de estabelecer a confiança com produtores locais e suas ênfases nos processos sociais e comunitários. pp 627-632
  • O PETRRA foi um projeto de gestão e pesquisa agrícola que utilizou uma abordagem baseada em valores no desenho, planejamento e implementação de projetos. Mediante um processo de aprendizagem baseado na experiência, institutos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) agrícolas, ONGs, agências privadas e organizações comunitárias redescobriram e aperfeiçoaram o conhecimento de seus pontos fortes no atendimento dos compromissos do desenvolvimento. O projeto mostrou de maneira bem-sucedida como a pesquisa baseada em valores pode significativamente ser implementada e como um impacto em favor dos pobres sustentável pode ser alcançado. pp 619-626
  • As mulheres exercem um papel importante na oferta de alimentos nos países em desenvolvimento, mas muitas vezes sua capacidade de alimentar as famílias adequadamente vê-se comprometida; o resultado são os altos níveis de doenças oriundas dos alimentos e o conseqüente acesso limitado aos mercados de mais alto valor. Nós argumentamos que as abordagens de risco – a atual melhor prática para gestão da segurança alimentar nos países desenvolvidos – requerem uma adaptação ao difícil contexto dos mercados informais. Nós sugerimos a pesquisa participativa e a análise de gênero como mecanismos de ampliação de fronteiras, juntando comunidades e implementadores de segurança alimentar para analisar problemas de segurança dos alimentos e desenvolver soluções viáveis. Os exemplos utilizados mostram como essas metodologias podem contribuir para operacionalizar as abordagens de risco em ambientes urbanos e para desenvolver uma nova abordagem para avaliação e gerenciamento da segurança alimentar em países pobres, que nós chamamos de “análise participativa de risco”. pp 611-618
  • Os reais especialistas em pobreza são as pessoas pobres, contudo a incidência e as tendências da pobreza são geralmente medidas pelo uso de indicadores econômicos oficiais que são assumidos como sendo relevantes pelos pesquisadores. As famílias pobres fazem distinção entre renda monetária e de subsistência. Em um exercício de “auto-avaliação de pobreza”, moradores pobres de vilarejos rurais da China especificaram e avaliaram o peso de indicadores-chave de pobreza. Oito indicadores centrais descrevendo três tipos básicos de pobreza foram separados e utilizados para construir um índice de pobreza participativo (IPP), cujos componentes oferecem uma idéia a respeito das causas básicas da pobreza. Além disso, o IPP permite uma comparação direta da incidência de pobreza entre os vilarejos – a despeito das diferenças nas características sociais, culturais e ambientais de cada uma delas. Como resultado, o IPP oferece um método objetivo de condução do monitoramento da pobreza, independentemente de características físicas e sociais. Este artigo apresenta uma breve descrição do IPP e dos dados necessários para a construção de um IPP que seja específico dos vilarejos. pp 599-610
  • Este estudo avaliou a extensão com que métodos participativos tinham sido usados pelo CIMMYT, e como os cientistas os viram. Os resultados sugerem que as abordagens participativas no Centro foram amplamente "funcionais" – isto é, voltadas a melhorar a eficiência e relevância da pesquisa – e tinham na verdade agregado valor aos esforços de pesquisa. A maioria dos projetos avaliados também deram ênfase à formação da consciência dos produtores rurais. É compreensível que nós pensemos que o fator limitante nos intercâmbios entre cientistas e produtores rurais seja a limitada base de conhecimento dos produtores. Assim, em condições tais como as existentes nas áreas marginais e na pequena propriedade rural, a exposição a novos genótipos e a melhores opções gerenciais possíveis seria um requisito inicial para interações efetivas e implementação das abordagens participativas. pp 590-598
  • Até recentemente, as abordagens participativas e convencionais da pesquisa agrícola eram vistas como mais ou menos antagônicas. Este artigo apresenta evidência de três sub-projetos de um programa cooperativo de pesquisa Tailandês-Vietnamita-Alemão sobre "Uso Sustentável do Solo e Desenvolvimento Rural em Regiões Montanhosas do Sudeste da Ásia", em que elementos participativos foram integrados com sucesso na pesquisa agrícola convencional na forma de atividades complementares. Em todos esses três sub-projetos os custos de estudar o conhecimento local ou promover as experimentações dos produtores rurais consistiram em pessoal local adicional, custos de oportunidade do tempo dos produtores participantes e custos de viagens. Contudo, esses elementos participativos dos projetos de pesquisa constituíram somente uma pequena fração dos custos totais. É possível então concluir que uma pesquisa agrícola convencional pode ser complementada por componentes participativos de maneira efetiva em termos de custos, enquanto produz benefícios significativos na forma de criação de sinergias ao combinar conhecimento científico e local, aperfeiçoar dados no nível micro e enfatizar as limitações dos produtores rurais que afetam a adoção de tecnologia. pp 576-589
  • A popularidade das abordagens de pesquisa participativa é amplamente impulsionada pelos benefícios esperados com a ponte realizada entre as instituições formais da ciência agrícola e as comunidades rurais locais, tornando a pesquisa agrícola mais relevante e efetiva. Não há, contudo, certeza de que essa abordagem, que tem sido principalmente baseada em projetos, será bem-sucedida em transformar a pesquisa agrícola nos países em desenvolvimento em direção a instituições mais sensíveis aos clientes e orientadas para impacto. Os gerentes de pesquisa devem considerar estratégias apropriadas para tal transformação institucional, incluindo: (1) cuidadoso planejamento de processos e interações sociais entre os diferentes participantes, documentando como ela poderia resultar em sucesso ou fracasso; (2) objetivos claros que influenciem os métodos participativos utilizados; (3) claras trajetórias de impacto e hipóteses de impacto desde o início, especificando os produtos, resultados, impactos e beneficiários esperados; (4) desejo de adotar aprendizagem institucional, onde as práticas e culturas existentes possam ser mudadas; e (5) compromisso de financiamento de longo prazo para sustentar o processo de aprendizagem e mudança. pp 564-575
  • Este estudo explora o impacto intra-familiar do feijão-de-corda melhorado de duplo propósito (IDPC no original) a partir de uma perspectiva de gênero, em termos de produtividade e disponibilidade de alimento, forragem e renda, cujo impacto é associado à renda que vai para as mãos das mulheres. O excedente de renda é importante para os lares em termos dos benefícios alimentares e nutricionais, particularmente nos períodos de risco. Mais importante, a renda gerada por meio das variedades de feijão-de-corda melhorado passou a fazer parte de um domínio amplamente feminino, em que as transferências de rendas foram repassadas para mulheres de diferentes idades, com um impacto significativo em temos de desenvolvimento econômico e social. Entretanto, a tecnologia tem reforçado a separação das esferas de trabalho entre homens e mulheres. As futuras tecnologias deveriam, desde o início, explorar as possibilidades existentes na rubrica local, a fim de se concentrar nas mulheres com o objetivo de expandir sua participação na agricultura com os benefícios associados para suas famílias. pp 551-563
  • A necessidade de aumentar a sustentabilidade agrícola tem levado ao governo da Índia a promover a adoção do gerenciamento integrado de pragas (PIG). Uma avaliação dos sistemas convencional e de agricultura PIG foi conduzida na Índia (2002-2004). Os produtores rurais que administravam as fazendas PIG haviam participado do treinamento ecológico baseado em descoberta, nominalmente as Escolas de Campo Rurais (ECR). A avaliação incluiu cinco áreas de impacto: (1) a matriz ecológica e (2) riscos ocupacionais da produção de algodão; e os efeitos da adoção do PIG sobre (3) alocação de trabalho; (4) práticas gerenciais; e (5) meios de vida. A análise mostrou que uma combinação de abordagens aumentou a profundidade e a relevância das descobertas. Métodos participativos e convencionais foram complementares. O estudo também revelou impactos diferentes sobre os meios de vida de mulheres e homens, assim como entre produtores rurais ricos e pobres, e demonstrou que o valor da experiência pode ser capturado também em termos das próprias estruturas de referência dos produtores rurais. O processo de avaliação consumiu recursos consideráveis, indicando que há necessidade de distribuições orçamentárias adequadas. pp 539-550
  • O debate sobre o empoderamento abrange um discurso mais antigo sobre o valor intrínseco do empoderamento e um discurso mais recente sobre os seus benefícios instrumentais; e o conceito de agência é útil no entendimento dessa distinção. No desenvolvimento agrícola, os esforços do empoderamento são muitas vezes instrumentalistas, vistos como uma forma avançada de participação que irá aumentar a efetividade dos projetos, com taxas de adoção que promovem o cumprimento de metas em vez do empoderamento intrínseco. Entretanto, é possível que os projetos aumentem os meios para o – e a facilitem o processo do – empoderamento intrínseco. Com relação ao processo, a pesquisa e a extensão podem utilizar uma abordagem construtivista antes de behaviorista para apoiar mudanças no conhecimento, comportamento e nas relações sociais. Ao avaliar o empoderamento, tanto os desenvolvedores como os "desenvolvidos" necessitam buscar evidências de que as pessoas estão assumindo o controle de suas vidas. Estudos de caso – tais como aqueles usados pelo Programa Indonésio de Gerenciamento Integrado de Pragas (PIG) – ajudarão a capturar o contexto e a cronologia, com comportamentos não planejados tornando-se indicadores particularmente úteis. pp 524-538
  • Este artigo baseia-se na pesquisa de desenvolvimento participativo conduzida no distrito de Soroti em Uganda, com o objetivo de avaliar o impacto do desenvolvimento agrícola entre produtores rurais pobres. O argumento central é que uma combinação de empoderamento dos produtores rurais e inovação por meio de aprendizagem a partir da experiência em grupos da escola de campo rural (ECR) mudanças na estrutura de oportunidade mediante a transformação dos funcionários locais, o estabelecimento de novas instituições locais administradas por produtores rurais e a emergência de um provedor privado de serviços te sido bem-sucedida na redução da pobreza global. Baseado em um estudo empírico da adaptação bem-sucedida e da difusão de tecnologias em favor dos pobres, o estudo avalia o impacto no bem-estar por parte do desenvolvimento da tecnologia agrícola no distrito de Soroti. O estudo conclui que a difusão baseada no mercado das tecnologias agrícolas em favor dos pobres requer um contexto institucional que combina o empoderamento dos produtores rurais com um ambiente de política capacitador. pp 506-523
  • Este artigo traça a história da pesquisa agrícola participativa, amplamente baseada na experiência pessoal do autor. A pesquisa participativa na década de 1970 foi liderada principalmente pelos cientistas disciplinares e caracterizada por atividades inovadoras e debate acadêmico aberto, com algum reconhecimento de que a política e a prática do desenvolvimento eram um processo político. Os anos 1980 presenciaram uma mudança para o aprendizado a partir da experiência passada, de modo que foi desenvolvida uma corrente dominante participativa, buscando métodos de intensificação. Enquanto isso, outros procuraram entender e influenciar as políticas e a mudança institucional em seus contextos políticos e culturais, assim como manter abertos os debates acadêmicos. O autor vê os anos 1990 como "anos perdidos", durante os quais os praticantes participativos da corrente dominante tornaram-se generalistas de desenvolvimento voltados para si mesmos, não tão interessados em aprender com outros que estavam fora desse paradigma. O final da década de 2000 oferece uma chance para reconhecer a inserção política e cultural da ciência e da tecnologia; para reintroduzir disciplinas fortes e amplas; e para aprender com as atividades do passado que resultaram em conseqüências positivas de desenvolvimento (planejados ou não planejados). pp 489-505
  • Este artigo faz uma resenha, por meio de referências à literatura publicada, de algumas das questões-chave sobre a pesquisa participativa. Quando a pesquisa participativa pode ser usada? Como a pesquisa participativa pode ser utilizada? E a qualidade da ciência na pesquisa participativa? Há questões institucionais associadas com o uso da pesquisa participativa? O artigo não corresponde a uma resenha detalhada da literatura, ele não pretende estabelecer padrões para a pesquisa participativa, nem definir o que constitui a "boa" pesquisa participativa, mas antes disso pretende resumir as realidades da implementação da pesquisa participativa, como discutida e debatida por diversos autores já publicados, e oferecer uma base de referência útil para este número especial. pp 479-488
  • As abordagens de pesquisa participativa têm se tornado crescentemente populares entre os cientistas que trabalham para a diminuição da pobreza, o desenvolvimento rural sustentável e a mudança social. Esta introdução oferece uma visão geral do número especial do Desenvolvimento em Prática sobre o tema "operacionalizando a pesquisa participativa e a análise de gênero". O objetivo deste número especial é agregar valor à discussão das questões metodológicas, práticas, filosóficas, políticas e institucionais envolvidas no uso de métodos participativos sensíveis ao gênero. Baseados em 16 artigos, nós colocamos alguns dos principais debates, questões e experiências da pesquisa participativa e do desenvolvimento da tecnologia participativa no contexto da implementação, avaliação e institucionalização das abordagens de avaliação e pesquisa participativa. pp 467-478
  • In English only
  • Na tentativa de reconstruir Estados enfraquecidos pós-conflito, a comunidade internacional tem se inspirado fortemente em paradigmas de desenvolvimento neoliberais. Contudo, a construção do Estado neoliberal tem se mostrado ineficaz para estimular o desenvolvimento econômico em Estados pós-conflito, destruindo perspectivas de consolidação do Estado. Este artigo apresenta o Estado desenvolvimentista como um modelo alternativo para a construção do Estado internacional, mais adequado para superar os desafios de desenvolvimento que os Estados pós-conflito enfrentam. Com base na experiência do leste asiático, a construção de Estado desenvolvimentista buscaria a capacitação do Estado para intervir na economia e assim orientar o desenvolvimento, compensando o fracasso do crescimento liderado pelo setor privado em tornar-se realidade em vários Estados pós-conflito. O artigo conclui que tal abordagem exigiria, em primeiro lugar, que a comunidade internacional aceitasse mais honestamente suas responsabilidades de desenvolvimento quando decidisse intervir para reconstruir Estados enfraquecidos. pp307-318
  • Na era emergente “pós-Consenso de Washington”, o neoliberalismo está buscando alternativas que novamente enfatizem o Estado. Porém, nem a Dependência latino-americana nem o desenvolvimentismo do leste asiático – dois modelos de desenvolvimento realmente praticados “na base” – compartilham os pressupostos básicos do Estado liberal e racionalista. Primeiramente, persiste uma divisão ontológica significativa acerca do propósito do Estado. Desenvolvimentistas e dependentistas defendem uma agência estatal profunda e dinâmica em vez de um Estado sem intervenções, liberal, mínimo. Em segundo lugar, a teoria do desenvolvimento tem se desenvolvido dentro de uma estrutura liberal moderna de ciência, democracia, interesses da política externa americana e com um comprometimento cada vez maior com o alívio da pobreza. Dependência e desenvolvimentismo rejeitam estas referências neoliberais no interesse da consolidação e autonomia do Estado. A persistência das visões dependentistas e desenvolvimentistas do Estado impede uma reversão uniforme, pós-neoliberal na teoria de desenvolvimento de volta para o Estado. pp319-332
  • Este artigo oferece estratégias para o empoderamento de mulheres em ambientes conservadores, tribais e religiosos, com base em um programa inovador no Paquistão. A Integração Sistemática da Questão de Gênero e Desenvolvimento (MGD) incentivou os participantes a aproveitar as vantagens de suas comunidades, minimizou a resistência entre familiares e comunidades incluindo-os no processo de desenvolvimento e conseguiu desenvolver um quadro de mulheres ativistas. Com base em sua experiência, a autora questiona a importância da ação coletiva, sugere que a seleção de participantes deve ser baseada em aptidão em vez de condição sócio-econômica e destaca o potencial para o empoderamento de mulheres em ambientes desafiadores. pp333-344
  • Um número crescente de teóricos e profissionais da área de desenvolvimento vê as ONGs como catalisadores do desenvolvimento sustentável. As ONGs têm sido consideradas defensoras da democratização e promotoras de novas formas de engajamento na política, com influência considerável no desenvolvimento da sociedade civil e novas parcerias na defesa de direitos ambientais e sociais. Este artigo analisa as formas pelas quais as ONGs Ambientais (ONGAs) costa riquenhas engajam-se na política, tratando suas percepções de seus papéis na governança ambiental e na representação da sociedade civil. Os resultados deste estudo sugerem que as formas das ONGAs engajarem-se na política diferem pouco das formas tradicionais de governança, embora suas concepções de engajamento na política, mesmo não sendo políticas, são novas. Ainda que a maioria das ONGAs não possuíssem uma concepção clara das partes envolvidas que elas supostamente estavam representando, a noção da representatividade é complexa e deve ser revista. pp345-356
  • Este artigo discute a história e evolução das agências internacionais de envio de voluntários e a história e evolução dos voluntários internacionais como resposta não apenas aos sintomas mas também às causas da pobreza global e desigualdade. Ele avalia como os voluntários internacionais poderiam ser definidos, o que torna a função deles diferente de outras formas de assistência ao desenvolvimento no exterior (particularmente sua contribuição para o desenvolvimento de capacidade) e os pontos positivos e negativos que podem acompanhar estas diferenças. O artigo também analisa a adequação de voluntários internacionais enquanto colaboradores na transição para um Estado mais ecologicamente sustentável globalmente, apresentando algumas idéias de voluntários e outras partes envolvidas. pp357-370
  • Este artigo explora os esforços de se associar a pesquisa multidisciplinar e o engajamento de política para lidar com a pobreza infantil nos contextos de países em desenvolvimento, com base nas experiências de Young Lives, um projeto de políticas-pesquisa longitudinal internacional. Ele focaliza um estudo de caso envolvendo a aplicação de evidência de pesquisa sobre pobreza na infância para influenciar debates de políticas a respeito do Documento de Estratégia de Redução da Pobreza de segunda geração da Etiópia (2006–2010). A discussão é situada dentro da literatura teórica na interface entre conhecimento, política e prática, que apóia a conceituação de formulação de política enquanto processo dinâmico não-linear. Observa-se em particular a importância de serem compreendidos os contextos políticos e de políticas de países do hemisfério sul em vez de supor que eles deveriam simplesmente importar modelos de defesa de direitos provenientes do norte. O artigo conclui identificando lições gerais para transformar a pesquisa em mudança política-social. pp371-384
  • Embora haja concordância internacionalmente de que as piores formas de trabalho infantil devam ser eliminadas para se promover o bem-estar das crianças, o consenso termina quando se tenta definir o que constitui “trabalho leve”. Este artigo busca mostrar por que é difícil obter a concordância de todos quanto a essa questão, concentrando-se na definição de trabalho infantil proposta pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). pp385-394
  • A governança pós-conflito é um aspecto cada vez mais importante da assistência ao desenvolvimento estrangeiro na África subsaariana (AS), onde o enfraquecimento e desintegração do Estado destróem o desenvolvimento humano sustentável. Um grande desafio na reconstrução pós-conflito na AS diz respeito à incorporação de estruturas não estatais subnacionais e instituições informais no instrumento de governança pós-conflito. Para lidar com este aparente hiato na construção da paz sustentável, é preciso haver mais pesquisa teórica e empírica sobre o(s) papel(éis) sutil(is) e contribuição(ões) do Estado pós-conflito na reconstituição da governança e reabilitação das comunidades. Este artigo discute o pós–Consenso de Washington (PWC), uma abordagem de desenvolvimento emergente que busca reintroduzir o papel do Estado nos estudos de desenvolvimento e pós-conflito. A proposta central do artigo é a de que, diferentemente da premissa anti-estatista do Consenso de Washington, Estados, estruturas não-estatais e instituições informais desempenham um papel importante na promoção da conciliação institucional, interpenetração e integração entre estruturas governamentais de nível macro e instituições sociais subnacionais. pp395-402
  • O mundo encontra-se em um momento importante pois a humanidade contempla como nossa própria atividade está contribuindo para mudanças na terra e na atmosfera. Desafios terríveis exigem que se levantem questões fundamentais e que se aprenda a partir de fontes improváveis. Baseando-se na pesquisa de campo conduzida na província zambiana de Copperbelt, este artigo explora como as conversas públicas a respeito de visões diferentes da realidade podem informar idéias relacionadas ao desenvolvimento sobre o meio ambiente. Enumerando exemplos práticos em que palavras e imagens transportaram e moldaram pontos de vista conflitantes no ambiente das minas, o artigo afirma que se pode aprender muito com os pontos de vista práticos dos mineiros que trabalham nos túneis subterrâneos. A formulação de políticas poderia beneficiar-se, por exemplo, com a redução de sua dependência de pensamentos econômicos dominantes e cada vez mais basear-se em idéias históricas, culturais, filosóficas e teológicas quando se está planejando políticas, projetos e procedimentos. Questões de poder, controle e auto-concepção da humanidade em relação ao mundo físico também são explorados. pp403-411
  • As mulheres planejadoras da África não constituem uma massa importante: o número delas continua insignificante e seus resultados sem reconhecimento, enquanto conselheiros e modelos funcionais ainda tendem a ser masculinos. As experiências das mulheres são desprezadas e seu conhecimento é freqüentemente excluído de políticas, planejamento de projeto e implementação. Este artigo é resultado não de pesquisa acadêmica sistemática, mas de pesquisa confessional, meditativa e de pesquisa-piloto com base na experiência pessoal e nas experiências relatadas por 25 mulheres planejadoras entre 1999 e 2004. Ele deliberadamente busca quebrar a monotonia de basear-se em resultados de pesquisa, que freqüentemente estão desconectados de encontros práticos e emocionais. Utilizando material de depoimentos do Quênia, Nigéria, África do Sul, Uganda e Zimbábue, o texto examina o treinamento e ambiente profissional das "planejadoras" e discute as emoções, expectativas e experiências de mulheres planejadoras em encontros do dia-a-dia. pp412-419
  • Embora menos do que esperado, há recursos para intervenções simples e baratas que podem acelerar o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O gerenciamento baseado em resultados tem sido a chave para aumentar o acesso à educação e ao serviço de saúde, mas faz pouco para mudar as condições políticas, sociais e econômicas que tornam as pessoas pobres. A menos que haja um melhor equilíbrio entre o direcionamento para se alcançar impacto mensurável, investimentos em medidas de erradicação da pobreza de longo prazo e a criação de espaço onde pessoas pobres podem discutir e desenvolver estratégias para alcançar igualdade e justiça social, não será tão fácil tornar a pobreza um fato da história, como muitas pessoas pensam. pp420-423
  • Embora haja freqüentemente uma forte ênfase na resposta a desastres, a preparação para desastres e mitigação de desastres estão, corretamente, recebendo mais atenção. Ao examinar o estado da preparação na Indonésia, este artigo está dividido em três seções. Primeiramente, ele revê os riscos presentes no país, tais como conflito, terremotos e tsunamis. Em segundo lugar, ele examina alguns dos esforços atuais em andamento por parte do governo e da comunidade internacional. Finalmente, o artigo afirma que o processo de preparação para desastres ainda não está completo. Os principais desafios permanecem: melhorar a coordenação entre organizações diferentes, criando uma cultura de gestão dos riscos de desastres, implementando métodos apropriados e mantendo o ímpeto em relação a esta questão no futuro. pp424-429
  • O desenvolvimento traz mudanças na vida das pessoas e suas formas de compreender e lidar com seu mundo. É possível distingüir entre dois tipos de intervenção de desenvolvimento: (a) melhorias na situação externa, principalmente por meio da provisão de bens públicos; e (b) fortalecimento da capacidade interior das pessoas, um esforço que depende de processos cognitivos. O artigo conecta conceitos básicos da teoria cognitiva com a prática de desenvolvimento e propõe caminhos para mais pesquisa para estudar a forma pela qual as pessoas desenvolvem suas capacidades e encontrar maneiras de apoiar tais processos. Uma compreensão mais ampla da mudança cognitiva como um fator-chave poderia aumentar enormemente a sustentabilidade dos projetos de desenvolvimento. pp430-436
  • Este artigo relata um estudo para explorar os fatores e motivações que contribuem para a participação de voluntários de comunidade em um projeto de alimentação em creches em Malauí. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com voluntários da comunidade em 15 dos 32 locais do programa. Os resultados apontaram para uma mescla de motivações pessoais, especialmente uma profunda preocupação com órfãos e crianças vulneráveis, uma obrigação moral de ajudar e um amor declarado pelo trabalho realizado, e também para fatores externos como espiritualidade, relações de reciprocidade e desenvolvimento de capital social. Compreender o que motiva voluntários a participar em ambientes com poucos recursos é crucial para reconhecer, promover e apoiar o trabalho que eles realizam. Pesquisas adicionais sobre trabalho voluntário no hemisfério sul são crucialmente necessárias. pp437-445
  • O boom na indústria de construção da África do Sul tem chamado atenção para a necessidade de desenvolvimento de habilidades. Este artigo relata uma avaliação do programa de treinamento “People at the Gate” iniciado pela Group Five nas províncias de Gauteng e Mpumalanga. O programa visa empoderar membros da comunidade local desempregados em áreas onde a empresa opera. O programa é voltado para mulheres e homens que vêm às unidades da empresa buscando vagas para trabalhar e não conseguem emprego devido à sua falta de qualificação. O estudo avaliou as dificuldades que os participantes enfrentam durante e após o projeto; oportunidades de emprego que são criadas e as habilidades mais necessárias em diferentes negócios e províncias. pp446-449
  • In English Only pp161-163
  • Os governos dos países em desenvolvimento necessitam programas efetivos para avançar as políticas públicas e melhorar o bem-estar social. Freqüentemente as ONGs possuem programas bem testados e resultados de pesquisas que são relevantes para tais necessidades; contudo, a ampliação da abrangência de programas-piloto para o nível nacional é difícil de ser alcançada e fracassa muitas vezes. Este artigo apresenta um caso bem-sucedido de ampliação de alcance com um programa de saúde sexual e competências psico-sociais para adolescentes no México, por meio de uma parceria ONG-governo envolvendo o IMIFAP, uma ONG mexicana. O caso ilustra como uma ONG pode criar uma parceria bem-sucedida com governos para ampliar a abrangência de programas efetivos, de forma que atendam às necessidades da população atingida e ao mesmo tempo protejam os valores centrais da ONG. pp164-175
  • O HIV ameaça a sobrevivência de muitas organizações da sociedade civil (OSCs) na África. Embora conheçamos o conjunto de custos potenciais para tais grupos, nós não possuímos um quadro detalhado da extensão do impacto. Este artigo trata de importantes resultados de uma pesquisa exploratória em Malauí. As pessoas que responderam à pesquisa perceberam que o desempenho geral nas quatro OSCs estudadas declinou 20% em média porque eles estavam trabalhando em um contexto de alta incidência do HIV. Porém, a resposta vinda da base das OSCs a essa ameaça foi muito limitada, de forma que elas continuam altamente vulneráveis a impactos futuros. Nós discutimos porque as CSOs não têm sido mais pró-ativas e recomendamos que a política dos doadores deveria ajudar os parceiros a responder à epidemia e habilitá-los a permanecer efetivos. pp176-189
  • Este artigo analisa a resposta humanitária internacional ao terremoto em Jogjakarta, Indonésia em maio de 2006. O texto também compara essa experiência com uma pequena mais muito bem-sucedida iniciativa local. O artigo identifica fraquezas inerentes no sistema internacional e defende a possibilidade de estender as lições aprendidas de um exemplo local. pp190-200
  • A prática de desenvolvimento é informada por teorias de mudança, mas indivíduos e organizações podem não deixar isso explícito. Os ativistas podem não ter consciência da extensão com que escolhas estratégicas e debates são informados por idéias divergentes acerca de como a história se desenrola e do papel da intervenção consciente para uma mudança social progressiva. Nos últimos anos, alguns funcionários da Oxfam GB têm criado processos para debater suas teorias de mudança como parte de um esforço para aperfeiçoar a prática. Nesse contexto, os autores introduzem quatro conjuntos de idéias sobre a mudança, com uma discussão de como elas têm sido exploradas em duas situações, além de alguns desafios que emergem desse processo. Por meio do debate explícito das teorias de mudança, os processos de tomada de decisão organizacional podem ser melhor informados e as decisões estratégicas tornar-se mais transparentes. pp201-212
  • As ONGs de países asiáticos muitas vezes enfrentam flutuações em seus fundos financeiros devido às prioridades em constante mudança de seus doadores internacionais. Sem recursos domésticos, as ONGs asiáticas são forçadas a realinhar suas prioridades de acordo com os interesses dos doadores a fim de competirem por recursos. No caso das ONGs dedicadas à advocacy, a assimetria resultante nas relações doador-receptores freqüentemente leva a uma crise de legitimidade e efetividade declinante da ONG. Devido à natureza política do trabalho de advocacy, essas ONGs devem preservar uma reputação de independência e legitimidade se elas quiserem ser influentes no processo político. Este artigo analisa o impacto da assistência de doadores internacionais às ONGs de advocacy no Camboja, Filipinas e Tailândia, além de oferecer recomendações para os doadores. Ainda que os doadores tenham gasto recursos significativos construindo a capacitação das ONGs de advocacy no sudeste da Ásia, as tendências dos fundos normalmente minam a efetividade dos receptores muito antes do financiamento ser concluído. pp213-222
  • Este artigo realiza uma reavaliação crítica de um projeto financiado pelo DFID na África do Sul entre 1998 e 2001. A avaliação buscou testar se o desenvolvimento de indicadores voltados à comunidade melhoraria a governança. Desde que o projeto terminou, uma série de textos foi publicada que são críticos de tais métodos participativos, argumentando particularmente que eles são apolíticos e adotam uma abordagem tecnocrática. À luz destas críticas, este artigo reavalia o projeto do DFID, dando prosseguimento à avaliação inicial realizada pelo autor em 2001. Sobantu, uma cidade negra em Pietermaritzburg, foi um dos locais do projeto original. Este foi o tema escolhido de nossa pesquisa porque a agência implementadora local foi uma instituição politicamente astuta e bem-conectada, que compreendeu a natureza política do processo requerido para se desenvolver os indicadores. Embora o projeto tenha alcançado alguns resultados positivos, o compromisso de longo prazo com os indicadores tem sido desde então comprometido. Isto se deveu em grande parte à incapacidade dos membros da comunidade engajarem-se significativamente com provedores-chave de serviços municipais. Contudo, mudanças recentes no regime de planejamento sul-africano poderiam oferecer oportunidades para que os indicadores se tornassem mais úteis novamente. pp223-234
  • Este artigo investiga a interação entre os processos de construção de teorias de desenvolvimento e práticas de desenvolvimento, argumentando que a teoria deve começar com a prática – e não deve ser de cima para baixo, começando com “o olhar exterior” de um acadêmico ou formulador de políticas supostamente imparcial. As questões levantadas levam a críticas das narrativas de desenvolvimento da corrente dominante e das noções de inovação por meio da difusão de novas tecnologias. Os autores sugerem que os pressupostos inseridos nos processos de desenvolvimento da corrente dominante conduzem ao acesso desigual a mercados globais e locais e que quando eles são impostos de fora sem uma compreensão real do contexto, o projeto de desenvolvimento está fadado a fracassar. Parâmetros para avaliar e analisar os resultados também precisam estar baseados em uma compreensão próxima do contexto – e isso freqüentemente surge por meio do envolvimento ativo em seu interior e não através de sermos “imparciais” de fora. O pressuposto de que um olhar de fora é “objetivo” está baseado em um discurso implicitamente colonizador, enquanto construir a teoria pelo envolvimento na prática produz melhores metodologias para ação e desenvolvimento. pp235-244
  • Ao mesmo tempo em que passam de uma abordagem de resposta às necessidades e demandas para uma abordagem mais baseada em direitos, algumas ONGs francesas estão repensando suas áreas de trabalho e suas maneiras de trabalhar. “Empoderamento” tem se tornado um conceito-chave neste contexto em mutação, embora às vezes seja difícil saber qual a melhor forma de aplicá-lo e compreender o que ele realmente significa em um cenário de ONG. Este artigo compartilha algumas das idéias sobre empoderamento, analisando seu “objeto” (indivíduos, organizações, redes ou movimentos) e o “processo” pelo qual ele é realizado. Utilizando a própria experiência do autor e uma breve revisão da literatura, o conceito é ilustrado pelos exemplos de movimento de deficientes internacionais e do movimento gay americano. pp245-257
  • O artigo explora o conhecimento e práticas de planejamento familiar entre a população tribal do sul de Gujarat. Os autores examinam as razões pela descontinuidade e não utilização de vários métodos contraceptivos modernos pelas tribos e esboça contrastes com práticas da população urbana. Eles consideram os papéis das mulheres, membros da família, líderes locais e comunicação efetiva, juntamente com ONGs e o setor privado e fazem recomendações para aumentar o acesso e o uso de vários métodos de planejamento familiar pelas comunidades tribais. pp258-266
  • Abordagens tradicionais para lutar contra a pobreza têm produzido resultados insatisfatórios em alguns países africanos e têm sido claramente/diretamente prejudiciais em outros. Crescimento econômico e gastos sociais por parte de governos nacionais e doadores internacionais têm sido ineficientes em alguns países, enquanto em outros eles têm exacerbado a pobreza. O autor considera que isso se deve à ausência de uma governança participativa. A partir de uma perspectiva teórica, o apoio à governança participativa baseia-se na abordagem de Amartya Sen para entender a pobreza, que conceitualiza esta última como ausência de capacidades (capabilities), levando à exclusão social. A falta de tal governança tem levado ao fracasso de abordagens tradicionais na luta contra a pobreza na África Subsaariana. Finalmente, o autor propõe uma ferramenta para avaliar a qualidade da governança e sua aplicação em Camarões. pp267-272
  • Com uma população crescendo rapidamente e recursos limitados, a accountability tem assumido uma importância crescente, especialmente na área de gestão pública. Para avaliar a efetividade dos gastos públicos em educação no Caribe, este artigo compara o desempenho de cinco nações caribenhas, examinando indicadores básicos, como a taxa professor–aluno, gasto por aluno, número de professores adequadamente treinados como uma proporção do total dos professores e comprometimento público com a educação. Ele analisa seu impacto nos indicadores de resultado, inclusive desempenho em inglês e matemática, taxa de repetência e taxa de sobrevivência na nota final da escola. O artigo conclui que os níveis de eficiência no desenvolvimento de capital humano no Caribe são muito desiguais e que países caribenhos enfrentam sérios desafios quando eles buscam maximizar os retornos de seu investimento na educação. pp273-279
  • Comparado com as visões divergentes do passado, o pensamento integrativo tem caracterizado recentemente o debate metodológico sobre a pobreza. "Qualitativo versus quantitativo" tem dado lugar para "qual–quant"; "inter-disciplinaridade" tem substituído "economia versus antropologia". Este artigo pretende avaliar esta mudança. Ele se inicia com uma visão geral histórica da abordagem econômica pura da pobreza e suas críticas. As críticas, tanto de dentro da economia quanto das disciplinas participativas e antropológicas, são examinadas e as tendências recentes são consideradas. A atual abordagem "qual–quant" é ilustrada com exemplos e o autor conclui que o futuro poderá assistir a emergência de uma abordagem "qual–quant participativa". pp 280-288
  • Valores são um importante tema nas discussões das ONGs internacionais (ONGIs), ajudando a criar as condições para a solidariedade entre os funcionários. Mas ao mesmo tempo, eles são também freqüentemente uma fonte de desmoralização e conflito destrutivo. Isto porque as percepções de valores que prevalecem como instrumentos de gestão ou como elementos em alguns conjuntos místicos incipientes tornam a relação de poder entre funcionários e gerentes difícil. Os valores precisam não ser pensados como um instrumento de gestão, e eles estão acima de todas as idealizações. Uma teoria alternativa de valores é a de que eles são um fenômeno emergente e intensamente social que surge diariamente entre pessoas engajadas em uma iniciativa coletiva. Eles são idealizações, mas devem ser discutidos no contexto cotidiano. O conflito é inevitável, mas a exploração da natureza deste conflito na prática diária é a única maneira de garantir que a discussão sobre valores seja um processo alentador. pp 5-16
  • Baseado em um estudo de dois anos, multi-método, sobre o “desenvolvimento” em uma pequena comunidade na área rural de Manitoba, Canadá, o artigo examina como as razões da comunidade e das pessoas viverem lá têm mudado e permanecido consistentes desde o início do povoamento da área pelos imigrantes ucranianos no final do século dezenove. A comunidade tem muito em comum com áreas marginalizadas do hemisfério sul, em termos de seu tratamento nas mãos daqueles no centro e daqueles que promovem o “desenvolvimento”. A autora argumenta que o conceito de “engajamento comunitário” (“place-making”) permite uma maior compreensão das dinâmicas na comunidade e mais possibilidades para se construir locais sustentáveis e habitáveis do que permite o conceito ou prática de “desenvolvimento”. pp 17-29
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  • Este artigo é uma tentativa de examinar um dos mais conhecidos fracassos de desenvolvimento comunitário no Reino Unido – o Projeto Barrowfield em Glasgow (1986-1996) – e compará-lo e contrastá-lo com outras tentativas de desenvolvimento comunitário, especialmente alguns associados ao trabalho de Mohammad Yunus e o Banco Grameen, bem como o legado de Paulo Freire. Concluímos que tanto Freire quanto Yunus supuseram a pré-existência de um tipo de comunidade que limitasse o impacto potencial de suas idéias em uma área como Barrowfield, onde anomia e apatia eram disseminadas. Concluímos, além disso, que assim como ações que pretendem ser liberadoras podem reforçar a hegemonia dominante, o oposto pode ocasionalmente ser verdadeiro também. Nos últimos anos, o Projeto Barrowfield tem ressurgido das cinzas de seu fracasso anterior, de forma que o presente trabalho precisa ser visto em tal contexto. pp 30-39
  • Para os propósitos de accountability e uniformidade, e como uma forma de dar idéias para seu capital intelectual relacionado às práticas de desenvolvimento, as agências doadoras requerem que as ONGs na África do Sul descrevam suas atividades em termos muito claros e precisos. Esses requisitos podem incluir a expressão de abordagem teórica, o desenvolvimento de esquemas lógicos, objetivos claros, indicadores de sucesso, critérios para desenvolvimento sustentável, e relações com políticas governamentais. Entretanto, a relação entre realidade, de um lado, e esses instrumentos e medidas planejados, de outro, na maioria das vezes estabelecida sem a contribuição das comunidades que eles terão de servir/atender, produz um quadro muito mais confuso, dinâmico e envolvente do processo de desenvolvimento. Apesar disso, exige-se das ONGs ainda assim que sejam transparentes e acessíveis, tendo por base os seus planos e propostas originais. O autor apresenta exemplos desse fenômeno e discute os desafios que um avaliador enfrenta quando lida com princípios conflitantes de accountability, autonomia e autenticidade. pp 40-52
  • Em 1993, o Banco Mundial deu assistência ao Ministério de Águas e Irrigação do Jordão na revisão de uma avaliação do setor de abastecimento de água, tendo então se iniciado o processo de participação privada (PSP) na provisão de serviços para melhorar a eficiência do setor de água e esgoto. Neste artigo, a privatização dos serviços de água e esgoto é examinada a partir das perspectivas dos colaboradores (insumos) e consumidores (produto). O objetivo é avaliar as mudanças que ocorreram até o momento em relação aos princípios de boa governança. Os resultados das entrevistas com as partes envolvidas e dos questionários aos consumidores mostram que o processo de privatização têm apresentado até agora somente uns poucos sinais de “boa” governança. A despeito do conjunto das partes envolvidas, o Estado permanece responsável pelo desenho de uma abordagem de boa governança que seja sensível às preocupações e aos interesses de todos as partes envolvidas. pp53-65
  • Como nos movemos da identificação de princípios éticos para o aperfeiçoamento da prática de desenvolvimento? Como os doadores e as ONGs podem ir além do relato de resultados técnicos e explorar aspectos menos tangíveis de seus projetos de saúde: contribuições para reconstruir a confiança, promover a coesão social e aperfeiçoar a governança no nível comunitário? Este artigo considera essas questões em relação às atividades de saúde e construção da paz em contextos de conflito. São descritas as dificuldades enfrentadas pelos praticantes e doadores que se empenham em trabalho de saúde e paz, dando ênfase em particular à ausência de ferramentas apropriadas para pesquisa, monitoramento e avaliação de projetos. O artigo critica o esquema lógico, uma ferramenta comumente utilizada no planejamento, monitoramento e avaliação de projetos, e o compara com uma nova ferramenta, o Filtro de Saúde e Construção da Paz, que foi elaborado para refletir a programação de saúde em contextos frágeis e conflituosos. Os autores argumentam que tais ferramentas podem ajudar a nos levar para além da concentração em recursos e produtos e em direção ao exame dos processos, relações e conseqüências indiretas dos programas de ajuda. pp 66-81
  • O entusiasmo pela sociedade civil que surgiu no final dos anos 1980 e 1990 com o colapso do Muro de Berlim e a disseminação de regimes democráticos tem sido substituído nos últimos anos por uma reação contra a sociedade civil em vários níveis e frontes. Isto intensificou-se particularmente após os ataques de 11 de setembro de 2001 e a guerra global ao terror que se sucedeu. Este artigo examina as causas desta reação dentro do contexto da “Longa Guerra ao Terror”, descreve as manifestações explícitas e implícitas da reação e reflete sobre as implicações para o futuro. Ele avalia como o crescente aumento de preocupações com a segurança e a concomitante expansão de medidas contra-terroristas em todo o mundo ameaçam os espaços para a sociedade civil prosperar e agir. Ele argumenta que embora as manifestações da reação, tais como as decisões sobre as ONGs na Rússia e a domesticação de ONGs promovida por agências bilaterais e multilaterais, possam parecer fenômenos distintos e desconectados, analisando-os mais minuciosamente, fica claro que eles estão intrinsecamente interligados. pp 82-93
  • O recente interesse nas remessas dos migrantes como um recurso de desenvolvimento chama a atenção para uma questão mais profunda: a relação entre migração e desenvolvimento. As remessas podem ser uma fonte significativa de entrada de recursos para os países e regiões pobres, mas seu impacto real sobre o desenvolvimento (positivo ou negativo) está ligado aos processos migratórios que o geram. A atenção à migração por sua vez cria uma oportunidade para pensar acerca do contexto mais amplo da política e prática de desenvolvimento, e para repensar as fronteiras que nós colocamos ao redor de nosso trabalho. pp 94-99
  • No início de 2007, o governo da Indonésia decidiu retirar suas amostras do vírus da influenza aviária (“gripe aviária”) dos centros que colaboram com a OMS, aguardando um novo mecanismo global para o compartilhamento de vírus que ofereceria melhores termos para os países em desenvolvimento. Em seguida, a 60a Assembléia Mundial de Saúde ocorrida em maio de 2007 resolveu estabelecer um estoque internacional de vacinas de influenza aviária e formular mecanismos para o acesso justo a tais vacinas. O artigo pergunta se existem oportunidades análogas para voluntários de estudos ou doadores de materiais biológicos exercerem uma pressão correspondente para avançar a eqüidade em saúde. pp 100-109
  • Notícias sobre os planos da Noruega de criar um “cofre do fim dos dias” na região congelada do arquipélago de Svalbard no Ártico, como uma reserva de garantia para os bancos genéticos convencionais, chegaram à imprensa mundial em 2006. A idéia de um Cofre de Sementes Global, que hoje é considerado uma “Arca de Noé” para sementes, foi inicialmente recebida com desconfiança e considerada irrealista. Em 1989/90 o governo norueguês ofereceu-se para construir um depósito internacional para sementes na área congelada, mas a iniciativa foi deixada de lado nos debates agitados entre países desenvolvidos e em desenvolvimento sobre o acesso aos recursos genéticos das plantas e o seu controle. A realização pela FAO do Tratado Internacional sobre Recursos Genéticos das Plantas para Alimentos e Agricultura (2004) resolveu algumas das mais difíceis questões e tornou possível o lançamento de uma nova iniciativa norueguesa para proteger alguns dos mais importantes recursos genéticos de plantas do mundo para o futuro. pp 110-116
  • Instituições nacionais e internacionais de formulação de políticas têm reconhecido a contribuição das ONGs no alívio da pobreza, por meio do empoderamento dos pobres e da continuidade ao apoio de suas atividades. Em Bangladesh, as ONGs estão trabalhando em níveis locais e nacionais, mas muito poucas estão trabalhando com os grupos mais pobres e vulneráveis que vivem em áreas de rios e costeiras, conhecidas como terras queimadas. Essas áreas são diferentes de outras partes do país em termos de suas estruturas físicas, econômicas e sociais, e elas requerem uma abordagem diferente a fim de lidar com o conjunto único de problemas que enfrentam os que lá vivem. Utilizando programas experimentais e inovadores, um pequeno número de ONGs locais começou a causar impacto em uma área onde as intervenções e sucessos governamentais são raros. pp 117-124
  • O Patronato de Nutrición introduziu um conjunto de 18 tecnologias agrícolas opcionais na comunidade indígena de Chalite, Panamá. Três das tecnologias foram adotadas por mais da metade dos agricultores pesquisados, enquanto oito tecnologias adicionais foram adotadas por 20 por cento a 50 por cento dos agricultores. Os agricultores tenderam a adotar tecnologias associadas a culturas familiares, implementadas previamente por outros grupos ou que requeressem quantidades de trabalho ou recursos financeiros limitados. O artigo mostra como os grupos de desenvolvimento podem rapidamente reduzir o número de tecnologias oferecidas a fim de ofertar serviços mais efetivamente. pp 125-130
  • Este artigo discute duas organizações que oferecem atualmente seguros privados de saúde voluntários em Uganda e considera suas contribuições para superar a lacuna no atendimento do serviço público de saúde do país. pp 131-135
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  • Esta introdução apresenta os conceitos centrais que dão forma a esta edição especial sobre o impacto da violência e os processos de desenvolvimento na América Central e na América do Sul. O entendimento do desenvolvimento é considerado em termos mais amplos do que o contexto econômico isolado para avaliar aspectos sociais e políticos mais gerais. Com um escopo igualmente amplo, são abordadas formas de violência que vão desde lesões físicas diretas e ataques corporais até as agressões freqüentemente mais sutis de abuso racial ou a pressão das forças de mercado dominantes sobre a produção baseada na comunidade. Nestes contextos, a violência, iniciativas econômicas e lealdade política formam redes de conseqüência não intencionais e freqüentemente perigosas para as questões de desenvolvimento. Todos os artigos neste volume exemplificam mais os ambientes espaciais da violência e “paisagens de medo” diversas que moldam nossa existência e ajudam a definir nossas ações, territórios e compreensão do que acontece ao nosso redor. pp 713-724
  • A partir de uma análise de pesquisa empírica recente na República Dominicana, este artigo aborda as maneiras pelas quais o racismo influencia o elemento de governança e explora respostas organizacionais e individuais diante da discriminação racial iniciada pelo Estado. O contexto é oportuno, dado os relatos de aumento constante de ataques racistas e violentos contra pessoas que são presumidamente de origem haitiana na República Dominicana nos últimos cinco anos. O governo tem intensificado as batidas militares e policiais de migrantes e colonos suspeitos de serem de origem haitiana e este artigo avalia as respostas coletivas e individuais frente a estas ações lideradas pelo Estado, analisando intervenções formais e informais, sua evolução, manutenção e impacto. pp 725-738
  • Embora cada vez mais se reconheça que a violência, o crime e o medo associado estejam desafiando a governança democrática na América Latina, tem-se dado menos atenção às maneiras pelas quais as respostas do Estado ao crime contribuem para o problema. Analisando El Salvador como um estudo de caso, este artigo aborda três questões-chave interconectadas neste debate. Primeiramente, ele explora a dinâmica da violência. Em seguida, o texto identifica as gangues de jovens como atores violentos dentro deste contexto. Finalmente, o artigo aborda a resposta do Estado para o fenômeno crescente de gangues de jovens. Argumenta-se que as estratégias atuais, apelidadas de Mano Dura – Mão de Ferro – empregadas pelo governo salvadorenho servem para revelar a fragilidade do projeto democrático, revelando o lado do autoritarismo que permanece central na vida política salvadorenha no processo de transição da guerra civil para a paz. pp 739-751
  • Uma parte da legislação progressiva de 1993 concedeu direitos à terra coletivos para comunidades negras da Colômbia que vivem nas áreas rurais da região costeira do Pacífico. Esta medida visou em parte apoiar estratégias de desenvolvimento sustentável na região por meio do empoderamento territorial de comunidades locais. Porém, 14 anos depois, a escalada dos conflitos internos do país na região do Pacífico tem criado níveis sem precedentes de deslocamento forçado entre as comunidades negras rurais. Antes conhecida como “refúgio da paz”, a costa Pacífica Colombiana é atualmente caracterizada por novos espaços de violência e terror, impostos por guerrilhas em luta e grupos paramilitares, assim como as forças armadas. Este artigo examina a natureza da violência externamente induzida na região e mostra como interesses econômicos específicos, em particular no setor de Palmas Africanas, estão conspirando com grupos ilegais que são utilizados para disseminar o medo e o terror entre residentes locais, para os fazer obedecer aos requisitos destes atores econômicos. pp752-764
  • Embora as formas cotidianas de resistência não sejam novas na Argentina, a espontaneidade que caracterizou a insurreição em 19 e 20 de dezembro de 2001 foi sem precedentes. Ela mostrou como a ausência de liderança, coordenação e perspectivas podem abrir as portas para formas poderosas de mobilização e práticas radicais na democracia direta. A autora sugere que ao se desafiar o capitalismo e os paradigmas sociais que ele gera, os valores e práticas de contra-poder, auto-afirmação, coletividade e multiplicidade podem todos desempenhar um papel vital no sucesso e sobrevivência da democracia radical. O artigo é em grande parte inspirado pelos trabalhos da “Colectivo Situaciones”, uma coletivo autônomo de pesquisa em Buenos Aires, e recorre ao exemplo do Movimiento de Trabajadores Desocupados (MTD) Solano. Este movimento de trabalhadores desempregados luta contra o capitalismo e a violência do Estado, praticando constantemente uma espiral renovada de rebelião e criatividade. O artigo avalia seus sucessos, desafios e limitações no desenvolvimento do pensamento e prática democrática radical a partir da perspectiva de um observador participante. pp 765-774
  • O artigo examina a advocacy internacional relativa à exploração de reservas de gás em uma área habitada por um grupo de indígenas isolados no Peru, o Machigengua. Uma considerável atividade de advocacy internacional concentrou-se principalmente em Washington, DC. Uma comunicação ruim entre aqueles diretamente afetados e ONGs ambientais internacionais ilustraram agendas muito diferentes e nem sempre compatíveis. O artigo conclui que este fracasso em adaptar o lobby internacional com as visões da população indígena e com as realidades políticas no Peru enfraqueceu severamente o impacto do trabalho de advocacy internacional. pp 775-783
  • As traduções levantam dilemas éticos e epistemológicos inerentes na pesquisa inter-cultural. O processo de comunicar as palavras dos participantes de pesquisa em um idioma e um contexto diferentes pode impor um outro esquema conceitual em seus pensamentos. Isso pode reforçar os termos hegemônicos que os Estudos de Desenvolvimento deveriam buscar desafiar. O artigo explora a idéia de que uma abordagem reflexiva para a tradução não pode apenas ajudar a superar as dificuldades envolvidas na pesquisa inter-cultural, mas também ser uma ferramenta para desconstruir a teoria hegemônica. São abordados os problemas epistemológicos e políticos nas traduções, técnicas de tradução e o impacto da tradução na própria pesquisa do autor, que é utilizada para ilustrar algumas das maneiras pelas quais a tradução pode apoiar a desconstrução e destacar a importância do desenvolvimento de uma estrutura para se falar com, antes do que para os participantes da pesquisa. pp 784-790
  • As fronteiras nacionais com ecossistemas que passam por rápidas mudanças impõem difíceis desafios para contribuições científicas a processos democráticos para a governança ambiental. Descrevemos um modelo inovador de divulgação, a “caravana de compartilhamento de conhecimento”, que combina divulgação educacional com mecanismos de capacitação para ampliar a participação do público no planejamento para o desenvolvimento sustentável. O esquema envolveu uma equipe internacional de cientistas e profissionais da área prática de organizações de conservação e desenvolvimento, que viajou por uma área de fronteira entre três nações no sudoeste da Amazônia para compartilhar descobertas recentes com líderes locais e comunidades interessadas de diversos municípios. A caravana de compartilhamento de conhecimento ampliou rapidamente a conscientização pública em diversos lugares e ofereceu uma maneira de ampliar a participação no planejamento e governança. Este modelo apóia o planejamento para o desenvolvimento sustentável e pode ser adaptado para outros contextos e assuntos geográficos. pp 791-799
  • Embora a ênfase no pensamento atual sobre o trabalho com crianças de rua tenha mudado, passando da dependência de ajuda para o protagonismo de jovens, muitas organizações ignoram o papel das famílias das crianças em suas intervenções. Ao fazerem isto, elas reproduzem tradições de bem-estar obsoletas e também violam os direitos garantidos pela Convenção sobre os Direitos da Criança e a legislação nacional. Este artigo ilustra a importância da ligação criança–família, tanto para as crianças quanto para as famílias, e argumenta que as intervenções que carecem de envolvimento dos pais e famílias servem para reproduzir imagens de famílias mal-sucedidas e mães inadequadas. O autor apresenta uma abordagem alternativa a partir do Brasil que respeita os direitos e as necessidades das crianças e famílias por meio do empoderamento familiar. pp 800-806
  • Este ensaio concentra-se nos pontos mais cruciais na evolução da contribuição de Celso Furtado para o pensamento econômico e político em relação ao desenvolvimento, na esperança de que um maior número de leitores apreciarão a importância de suas idéias para o “desenvolvimento” da América Latina durante as décadas de 1960 e 1970, e talvez até mesmo enxergarão o valor de revivê-las. Ela inicia com uma descrição do cenário para o crescimento da economia de desenvolvimento, destacando aspectos da disciplina que este notável economista brasileiro confrontou e transformou. Em seguida há uma descrição de seu período como teórico do desenvolvimento ou ‘vendedor de reformas” (Hirschman 1963) e seu exílio posterior (1964–1975). O artigo conclui com uma discussão de alguns dos trabalhos produzidos em seu retorno ao Brasil. pp 807-819
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  • Apesar de seu uso generalizado, o significado do termo 'desenvolvimento' permanece vago, tendendo a se referir a um conjunto de crenças e pressupostos sobre a natureza do progresso social em vez de algo mais preciso. Após apresentar um breve histórico do termo, o autor argumenta que não apenas o desenvolvimento falha em enfrentar a pobreza ou diminuir a distância entre ricos e pobres como, na verdade, ele amplia e aprofunda esta divisão e em última instância cria a pobreza, uma vez que recursos naturais e seres humanos estão cada vez mais sendo mobilizados para a busca de consumo e lucro. A sobrevivência do planeta dependerá do abandono da idéia enraizada de que o crescimento econômico pode promover a justiça social, o uso racional do meio ambiente ou o bem estar humano e de se abraçar a noção de que haveria uma vida melhor para todos se fossemos além do 'desenvolvimento'.
  • Uma análise de palavras de seis documentos de políticas governamentais (White Paper) do governo do Reino Unido (selecionados entre 1960 e 2006) compara as 20 principais palavras e palavras-chave equivalentes utilizadas em cada documento. Compõem-se sentenças características das 20 palavras principais para representar o espírito de cada documento. Os resultados iluminam as mudanças no conteúdo dos White Papers sobre ajuda e apontam para tendências na história da abordagem do Reino Unido sobre o desenvolvimento internacional. Uma sentença característica para ilustrar a Declaração de Paris de 2005 sobre a Efetividade da Ajuda é contrastada com uma sentença de palavras que não apareceram naquele documento. Os leitores são convidados e desafiados a identificar palavras que eles gostariam que fossem utilizadas e servissem de base para mais ação no desenvolvimento.
  • A idéia de redução da pobreza naturalmente atrai todos os tipos de indivíduos bem-intencionados – em ONGs, departamentos de governo e instituições financeiras internacionais – mas suas recomendações são frustradas por muitos obstáculos. Entre eles estão a maneira estreita e estática que os economistas definem os pobres; o distanciamento dos pobres, sua invisibilidade social e ambigüidade para as principais formas de se definição de metas e a ausência de vontade política para que haja engajamento em políticas de redução da pobreza. A resposta bem-intencionada a esses obstáculos tem sido a de alardear uma campanha global de redução da pobreza com metas do milênio, alvos de ajuda internacional e textos sobre estratégias de redução da pobreza. Seria melhor redescobrir a linguagem do risco, vulnerabilidade e seguro social. A mensagem da associação entre o risco e a recompensa e a necessidade coletiva de mecanismos sociais que permitirão que os indivíduos suportem maiores riscos sem exposição a prejuízos irreversíveis é uma mensagem que realmente necessita ser transmitida.
  • O termo 'proteção social' tem sido amplamente utilizado em todo o mundo e é freqüentemente tratado como sinônimo de 'previdência social', o que é errôneo. Este artigo considera os numerosos termos que têm se tornado parte da linguagem da proteção social, indicando que a imagem expressa pelo termo é muito diferente daquela que o artigo considera.
  • O termo 'globalização' é amplamente utilizado para descrever uma variedade de mudanças econômicas, culturais, sociais e políticas que têm influenciado o mundo nos últimos 50 e poucos anos. Por ser um fenômeno complexo e multifacetado, a globalização tem sido associada a uma ampla série de poderes e efeitos. Seus proponentes reivindicam que ela é um resultado 'natural' e inevitável do progresso tecnológico e cria uma positiva convergência econômica e política. Os críticos argumentam que a globalização é hegemônica e antagônica às economias locais e nacionais. Este artigo argumenta que a globalização é uma forma de expansão capitalista que acarreta a integração de economias locais e nacionais em uma economia de mercado global e desregulado. Embora econômica em sua estrutura, a globalização é igualmente um fenômeno político, influenciado por negociações e interações entre instituições de capital transnacional, Estados nacionais e instituições internacionais. Suas principais forças condutoras são instituições de capitalismo global – especialmente corporações transnacionais – mas ela também necessita de mãos firmes dos Estados para criar ambientes favoráveis para que ela se aprofunde. A globalização é sempre acompanhada por democracia liberal, que promove o estabelecimento de um Estado neo-liberal e políticas que permitem à globalização florescer. O artigo discute a relação entre a globalização e o desenvolvimento e destaca que alguns dos pressupostos mais comuns promovidos por seus proponentes são contraditórios frente à realidade da globalização; e que mais da metade da população do globo resiste à globalização porque ela não é capaz de cumprir suas promessas de bem-estar econômico e progresso para todos.
  • Este artigo questiona o uso crescente do termo 'baseado na fé' em políticas e práticas de desenvolvimento. Argumenta-se que ele homogeniza as pessoas em migrantes minoritários e contextos de países em desenvolvimento e exclui muitos que estão trabalhando por direitos humanos e justiça social a partir de perspectivas seculares, fornecendo assim uma base analítica infundada para políticas. Em relação ao cenário da 'guerra ao terrorismo', a autora também examina as diferenças entre as políticas de desenvolvimento dos EUA e da Grã-Bretanha que surgem do termo 'baseado na fé'.
  • A participação era originalmente concebida como parte de uma abordagem contra-hegemônica para uma transformação social radical e, como tal, representou um desafio ao status quo. Paradoxicalmente, durante as décadas de 1980 e 1990, a 'participação' ganhou legitimidade dentro do mundo de desenvolvimento institucional até o ponto de alcançar o status de modismo. As manipulações precisas necessárias para transformar uma proposta radical em algo que poderia servir à ordem mundial neoliberal levaram à decapitação política da participação. Reduzida a uma série de pacotes e técnicas metodológicas, a participação perdeu lentamente seu significado filosófico e ideológico. Para fazer com que a abordagem e a metodologia auxiliem o processo contra-hegemônico da resistência e transformação de base, esses significados precisam imensamente ser recuperados. Tal resgate demanda que a participação seja rearticulada dentro de processos mais amplos da luta social e política para promover a recuperação da transformação social no mundo do capitalismo do século vinte e um.
  • Este artigo discute os diferentes significados que a cidadania tem assumido na América Latina nas últimas décadas. Seu principal argumento é que, na perversa confluência entre os projetos neoliberais e projetos participativos democráticos, a referência comum à cidadania, utilizada por diferentes atores políticos, projeta uma aparente homogeneidade, obscurecendo as diferenças e diluindo o conflito entre aqueles projetos.
  • Este artigo traça a evolução por séculos do conceito e prática do empoderamento, sua adoção por movimentos sociais radicais, especialmente movimentos de mulheres a partir da década de 1970, e sua conversão, no final da década de 1990, em um modismo. Situando a análise no contexto de intervenções de empoderamento de mulheres na Índia, o artigo descreve a dinâmica da despolitização e subversão de um processo que desafiou as estruturas mais profundas do poder social. A 'redução' e limitação do conceito dentro da política do Estado, o diminuição do financiamento de estratégias de empoderamento genuínas de base e a substituição do empoderamento por microfinanças e quotas políticas são examinados e analisados.
  • Em paralelo com a globalização e como complemento a ela, o 'capital social' tem apreciado uma ascensão meteórica nas ciências sociais nas últimas duas décadas. Como era de se esperar, ele tem sido particularmente notório entre os estudos de desenvolvimento, inclusive por meio da forte promoção feita pelo Banco Mundial. Como conceito, porém, como tem sido argumentado persistentemente por uma literatura crítica minoritária, o capital social é fundamentalmente equivocado. Embora capaz de abordar quase tudo designado como social, ele tem tendido a negligenciar o Estado, as classes, o poder e o conflito. Como um modismo, ele tem fortemente limitado a presente ruptura progressiva em relação aos extremos do neoliberalismo e pós-modernismo em uma época de ataques extremamente agressivos do imperialismo econômico. O capital social não deve ser ignorado mas contestado – e rejeitado.
  • Este artigo baseia-se em entrevistas com diversos funcionários de ONGs localizadas em San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, México, a respeito de parcerias entre elas e suas fontes de financiamento, tais como fundações ou agências do hemisfério norte que realizam ou apóiam trabalho de desenvolvimento no hemisfério sul. O motivo por trás das entrevistas era um interesse na palavra 'parcerias', em particular as parcerias estratégicas. Existem parcerias agora e, em caso afirmativo, o que significa para as ONGs ter uma parceria com uma fonte financiadora? A conclusão geral foi a de que as parcerias estratégicas existiram realmente no passado e podem novamente surgir no futuro, mas que atualmente elas existem apenas esporadicamente, dadas as maneiras distintas de ver e realizar o trabalho de desenvolvimento dentro de ONGs, de um lado, e das fundações ou agências, de outro.
  • Este artigo reflete sobre o vocabulário comumente utilizado dentro de organizações de desenvolvimento para comunicar sobre 'gênero e desenvolvimento'. Argumenta-se que a terminologia relevante, embora freqüentemente utilizada, permanece problemática. Alguns termos estão quase totalmente ausentes, enquanto outros sejam usados de maneira livre e inapropriada – freqüentemente sem a precisão de conceitos cuidadosamente desenvolvidos e bastante debatidos. Termos como 'empoderamento', 'gênero' e 'gender mainstreaming' (integração sistemática da questão de gênero), que se originaram no pensamento e ativismo feministas, têm perdido suas origens e se tornado despolitizados. Apesar destes problemas, existem indicações de que os debates e a linguagem podem estar tomando um rumo mais radical com o reconhecimento das falhas das práticas de integração sistemática da questão de gênero, o aprofundamento do interesse na noção de empoderamento e a adoção explícita de uma linguagem de direitos humanos.
  • Como um 'termo de fronteira' totalmente efetivo, capaz de conectar grupos desiguais com base em uma ampla agenda comum, a 'sustentabilidade' tem avançado um longo caminho desde sua associação técnica com a gestão florestal na Alemanha no século dezoito. Nas décadas de 1980 e 1990, o termo definiu – para um momento histórico em particular – um debate-chave de importância global, trazendo com ele um coalizão de atores – entre governos, grupos civis, academia e negócios – em talvez uma moda sem paralelo. Se esses atores concordem com tudo (ou mesmo se conhecem muitas vezes alguma coisa das definições técnicas do termo) não é o ponto. O trabalho de fronteira realizado em nome da sustentabilidade criou um momento importante para a inovação de idéias, mobilização política e mudança de políticas, particularmente em conexão com a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) realizada no Rio em 1992. Tudo isso logicamente não resultou em tudo que os defensores no centro de tais redes tinham imaginado, e hoje o debate avançou, com diferentes questões de prioridade e novos atores e redes. Mas, o autor argumenta, essa mudança não diminui o poder da sustentabilidade como um modismo: enquanto um ponto de encontro de idéias e políticas continuamente poderoso e influente.
  • Este artigo oferece uma genealogia intelectual de como o conceito de direitos humanos foi inserido no discurso sobre desenvolvimento—desde a formulação de um 'direito ao desenvolvimento', a incorporação retórica de direitos dentro do discurso predominante, até a articulação de uma 'abordagem baseada em direitos' para o desenvolvimento. O texto conclui com algumas propostas sobre o papel importante que um enfoque nos direitos poderia desempenhar na prática de desenvolvimento internacional.
  • A idéia de sociedade civil tem se mostrado muito evasiva, fugindo de enquadramentos conceituais e esquivando-se da definição firme do próprio conceito. Ressurgido em um cenário histórico muito definido, de Estados autoritários, o conceito de sociedade civil passou a significar um conjunto de práticas sociais e políticas que buscaram engajar-se com o poder do Estado. A ligação próxima entre a re-emergência do conceito e o colapso dos Estados ditatoriais tornou a sociedade civil atrativa para uma variedade de agentes políticos buscando agendas diferentes: expandindo o mercado às custas do Estado, transitando das políticas de massa para campanhas limitadas a uma questão e exclusivas, destruindo a confiança em modelos aceitos de representação como partidos políticos e em geral reduzindo o domínio do Estado e do modelo aceito de política. Que o conceito de sociedade civil possa adequar-se a tal variedade de projetos políticos diferentes é motivo de um certo alarme, pois ele pode muito bem significar que a sociedade civil passou a significar tudo para todos remotamente interessados nela.
  • A advocacy pública e a centrada nas pessoas são influenciadas pala cultura política, sistemas sociais e estrutura constitucional do país no qual elas são praticadas. É a prática de advocacy que determina a teoria e não vice-versa. Se a advocacy não estiver enraizada em realidades de base e for praticada apenas no nível macro, a voz dos marginalizados cada vez mais, provavelmente, será apropriada por elites profissionais. Contudo, a própria credibilidade dos praticantes da advocacy depende de seu relacionamento com movimentos de massa e percepções de base sobre o que constitui uma mudança social desejável.
  • As associações que o termo 'ONG' tem adquirido no discurso de desenvolvimento precisam ser criticamente analisadas em relação a práticas de base. Recorrendo a uma análise do crescimento de ONGs na Palestina, o autor sugere que o desenvolvimento do movimento de ONGs serviu para desmobilizar a sociedade civil palestina em uma fase de luta nacional. Por meio da profissionalização e dependência de projetos ocasionadas por tentativas financiadas por doadores para promover a 'sociedade civil', um processo de 'ONGuização' tem ocorrido. A progressiva despolitização do movimento de mulheres que a 'ONGuização' tem promovido tem criado um vácuo cada vez mais preenchido pela militância do Movimento Islâmico (Hamas). Como mostra esse caso, as 'ONGs' podem ser um modismo de desenvolvimento, mas elas não são um pó mágico. Em vez de tomarem como dados os efeitos positivos e democratizantes do crescimento e disseminação de ONGs como se elas representassem a própria 'sociedade civil', esse artigo afirma que uma abordagem mais crítica é necessária, uma abordagem que leve mais em conta as políticas de contextos específicos e das dinâmicas da institucionalização.
  • Este artigo focaliza o papel que as ONGs de desenvolvimento possuem na capacitação institucional, argumentando que várias práticas de ONGs convencionais visam no fundo reter poder em vez de empoderar seus parceiros. Isso leva a uma visão limitada e a uma accountability que olha para cima em vez de uma que mire de cima para baixo ou horizontalmente, baseada no pressuposto de que a transferência de recursos é um processo de uma via. Na pior das hipóteses, isso prejudica em vez de fortalecer as capacidades das organizações que as ONGs estão tentando ajudar. Compartilhar responsabilidades e riscos, accountability mútua e dedicação no longo prazo em vez de projetos de curto prazo são provavelmente mais capazes de criar parcerias que possam resistir às vicissitudes e contribuir para mudanças duradouras.
  • A harmonização dos esforços de doadores é um dos modismos atuais no mundo da ajuda oficial. Contudo, embora essa seja uma idéia atrativa em teoria, enquanto os doadores não reconhecerem e enfrentarem as operações de poder nas relações da ajuda humanitária, a harmonização provavelmente será countraprodutiva na promoção de respostas iniciadas localmente aos desafios de desenvolvimento.
  • O termo 'propriedade nacional' (country ownership) refere-se a uma propriedade da condicionalidade anexada a programas, processos, planos ou estratégias envolvendo uma parte 'doméstica' (geralmente um Estado-nação) e uma parte estrangeira (geralmente o FMI, o Banco Mundial, os Bancos de Desenvolvimento Regional e outras instituições multilaterais e bilaterais). Sob quais circunstâncias e como pode o conceito de propriedade de uma nação ser relevante a um país com uma miríade de visões e interesses heterogêneos e freqüentemente conflitantes? Ou a um país cuja legitimidade representativa do governo ou credenciais democráticas estejam em questão? O autor argumenta que o termo tem sido abusado a tal ponto que ele, na melhor das hipóteses, tornou-se sem valia e na pior das hipóteses, tornou-se pernicioso: um termo cujo tempo já se foi.
  • Nesta breve crítica da idéia de 'melhor prática', o autor argumenta que a boa prática não é reproduzível ou uniforme; ela não pode ser reduzida a suas partes componentes para a reprodução em algum outro local. Além disto, os critérios para o que constitui a 'melhor prática' são, na melhor das hipóteses, não-científicos e tendem a desincentivar a diversidade e as experimentações locais.
  • O conceito de construção da paz (peacebuilding) é um modismo da abordagem dominante sobre a política e as práticas de desenvolvimento. A recente introdução de ferramentas gerenciais e o enfoque na medição da 'efetividade' da construção da paz têm marginalizado e despolitizado questões críticas sobre as causas de conflitos violentos e têm substituído-as por noções confortantes para doadores de que a paz pode ser construída e medida sem contestar o entendimento ocidental da economia, governança e aspirações sociais das pessoas.
  • Os conceitos de transparência e accountability estão intimamente ligados: transparência supostamente gera accountability. Este artigo questiona este pressuposto amplamente aceito. A transparência mobiliza o poder da vergonha, embora a falta de vergonha possa não estar vulnerável à exposição pública. A verdade freqüentemente falha em conduzir à justiça. Após explorar definições e dimensões diferentes das duas idéias, a questão mais relevante passa a ser: quais tipos de transparência levam a quais tipos de accountability e sob quais condições? O artigo conclui propondo que o conceito pode ser desagregado em termos de duas variantes distintas. Transparência pode ser tanto 'clara' quanto 'opaca', enquanto accountability pode ser tanto 'suave' quanto 'rígida'.
  • Este artigo trata das formas com que a corrupção tem ocupado o centro das atenções em muito da formulação e da retórica das políticas de desenvolvimento. Argumenta-se que há necessidade de desestabilizar pressupostos 'assumidos como óbvios' sobre o que é corrupção e como ela opera. Isso significa gerar uma compreensão de como os significados variam, e com essa variação é determinada pelas características sociais daqueles engajados na conversa sobre corrupção. Isso também significa examinar como os discursos de corrupção e anti-corrupção são traduzidos dos níveis internacionais para os nacionais e locais – da 'elite' anti-corrupção para as realidades de encontros burocráticos em contextos diversos.
  • O conceito de boa governança originou-se entre acadêmicos africanos em relação às relações Estado-sociedade na África, expressando a preocupação que essas fossem em favor do desenvolvimento, democráticas e socialmente inclusivas. O termo tem sido desde então assimilado pelas organizações de desenvolvimento internacionais – em particular o Banco Mundial – e usado como um novo título para a condicionalidade da ajuda humanitária, em particular o ajuste estrutural em todas as suas manifestações.
  • Este artigo examina os vínculos entre desenvolvimento e 'segurança', situando esses conceitos dentro de seus contextos filosóficos e políticos, particularmente em relação às guerras contemporâneas, incluindo a 'guerra ao terrorismo' e a assim chamada 'influência da segurança' no desenvolvimento. A segurança de Estados não necessariamente assegura que a segurança de seus cidadãos e o próprio conceito de segurança é complexo e contestado. O autor oferece um sumário das várias interpretações de segurança – dos Estados, coletividades e indivíduos – mostrando como cada uma é ambivalente e possui dois lados.
  • Desde a década de 1990, os Estados que não possuem capacidade de realizar suas funções normais e promover o desenvolvimento têm sido chamados de 'Estados frágeis'. Este artigo trata da África, que não somente reúne a maior concentração de protótipos de Estados frágeis como também tem sido o foco de atenção de acadêmicos, agências internacionais de desenvolvimento e ativistas. O autor resenha as análises divergentes do Estado na África pós-colonial e conclui que suas características de instituições frágeis, desigualdades sociais, corrupção, conflito social, conflitos armados e guerra civil não são condições originais, mas antes enraizadas em contextos históricos específicos. É essencial entender tanto os fatores externos quanto os internos da fragilidade, se tais Estados forem receber a assistência e o empoderamento que necessitam – não somente para o benefício dos cidadãos pobres, mas também para a causa da paz global, prosperidade e segurança. Em última instância, são os cidadãos dos países envolvidos que são responsáveis por determinar quando os Estados deixam de ser frágeis – não doadores 'benévolos' e a comunidade internacional, cujo motivação primária para as intervenções, supostamente para fortalecer o Estado, é para assegura que os Estados frágeis encontrem seus lugares 'certos' na ordem hegemônica global.
  • Este artigo examina a 'gestão de conhecimento', utilizando um estudo de caso do departamento de pesquisa do Banco Mundial, localizado em sua Vice-Presidência de Economia do Desenvolvimento. A despeito do Banco apresentar seu ramo de pesquisa como conduzindo um trabalho 'rigoroso e objetivo', o autor sustenta que a 'gestão de conhecimento' do Banco Mundial envolve pesquisa que tem tendido a reforçar a agenda dominante de políticas globalizantes neo-liberais. O artigo discute alguns dos mecanismos pelos quais o departamento de pesquisa do Banco assume um papel central no que Robert Wade denominou 'manutenção de paradigma', incluindo incentivos na contratação, promoção e publicação, bem como cumprimento seletivo de regras, desestímulo de vozes dissonantes e manipulação de dados. A análise do autor é baseada em entrevistas extensas com profissionais antigos e atuais do Banco Mundial e na análise da literatura relevante.
  • Este artigo apresenta alguns dos resultados-chave do Projeto de Reconciliação Sul-Africano (SARP). O SARP foi um projeto de pesquisa colaborativa envolvendo cinco ONGs sul-africanas em Malauí, Moçambique, Namíbia, África do Sul e Zimbábue. Ele examinou como o conceito de reconciliação foi entendido em contextos políticos e da comunidade no sul da África e investigou as formas pelas quais políticas governamentais nacionais e a participação da sociedade civil nas iniciativas de reconciliação têm criado e/ou executado oportunidades de reconciliação, justiça de transição e a promoção de uma cultura de direitos humanos. O autor resume o contexto histórico da reconciliação no sul da África, apresenta iniciativas de reconciliação em cada país e identifica debates emergentes sobre reconciliação e princípios da reconciliação que emergiram no trabalho das organizações da sociedade civil (CSOs) na região.
  • Nos últimos anos, tem havido um interesse renovado no conceito de sociedade civil nos círculos de desenvolvimento e governança. Geralmente entendida como o espaço na sociedade onde ocorre ação coletiva dos cidadãos, a sociedade civil tem, na verdade, se mostrado um conceito extremamente difícil de se definir e operacionalizar. Este artigo propõe uma estrutura e metodologia para medir e comparar o estado das diferentes sociedades civis em todo o mundo. Ele conclui com uma discussão das questões e desafios de destaque, recorrendo a idéias preliminares dos esforços atuais para aplicar a abordagem em mais de 50 países.
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  • Este artigo propõe uma estrutura teórica, o Paradoxo da Capacitação, que define o trabalho de relacionamento individual como a base para a capacitação. Ele explica por que a capacitação tem sido até agora, em grande parte, mal-sucedida. O “trabalho de relacionamento” é central para as funções dos que trabalham na área prática. Ele consiste em “trabalho dependente” e “trabalho de amizade”, sendo o trabalho de amizade sinônimo de capacitação. Para realizar o trabalho de relacionamento, os atuantes na área prática requerem poder para superar os obstáculos ambientais. Recursos financeiros surgem como a influência ambiental predominante, freqüentemente estimulando os atuantes na área prática a utilizarem o trabalho dependente em vez do trabalho de amizade. Isto resulta em uma redução da capacidade e não contribui para o desenvolvimento sustentável. A maior parte da literatura atual oferece ferramentas organizacionais e institucionais para capacitação. Embora exista um crescente reconhecimento da centralidade dos relacionamentos pessoais neste trabalho, não existe ainda uma estrutura teórica dentro da qual alocá-lo. O artigo apresenta uma pesquisa original das experiências das pessoas sobre o trabalho de capacitação em um contexto de desenvolvimento e propõe um modelo conceitual que pode ter implicações importantes para a prática de capacitação.
  • Este artigo apresenta idéias baseadas na aplicação da técnica de Mudança Mais Importante (MSC) como um método de monitorar mudança social resultante de uma intervenção de desenvolvimento. A documentação desta inovadora técnica de monitoramento qualitativo está lentamente crescendo, mas está principalmente limitada à literatura cinzenta. Em particular, existe uma falta de investigação rigorosa para avaliar as complexidades e desafios de se aplicar a técnica com integridade no contexto de desenvolvimento. Os autores empregam um modelo conceitual de práticas de monitoramento e avaliação (o “Ciclo de Dados de M&E”) para um exame sistemático dos desafios da aplicação bem-sucedida da técnica de MSC e os seus componentes-chave. Eles oferecem uma análise detalhada de como a MSC foi empregada em dois projetos em Laos, extraindo as lições aprendidas e idéias geradas. Esta informação baseada na prática pode servir de base para o emprego futuro da técnica de MSC e contribui para o seu desenvolvimento.
  • Este artigo extrai lições preliminares a partir da experiência de engajamento de elites do vilarejo em apoio a um programa da BRAC para mulheres ultra-pobres na zona rural de Bangladesh. Ele descreve as origens, objetivos e operação deste programa, que oferece apoio abrangente de meios de subsistência e bens produtivos aos extremamente pobres. Com base na pesquisa de campo na zona rural do noroeste do país, o artigo examina as condições sob as quais as elites podem apoiar as intervenções para os ultra-pobres e os riscos e benefícios de tal engajamento. Ele descreve o impacto de comitês enviados para apoiar participantes do programa de ultra-pobres e tentativas de entender o sucesso de um certo modo paradoxal desta intervenção. As conclusões e lições desta experiência envolve o reexame dos pressupostos que dominam bolsas de estudo e programas relativos às políticas de pobreza na zona rural de Bangladesh.
  • Os mercados e negócios estão passando por grandes mudanças conforme a globalização se aprofunda. A pressão de diversos grupos sociais, tanto ambiental quanto econômica, está mudando o ambiente operador. Muitas corporações estão interessadas em criar estratégias de responsabilidade social, tanto como resposta a pressões externas quanto em função de seus próprios interesses. Contra este pano de fundo, o artigo considera o caso da Inditex, companhia baseada na Galícia, e o “assédio” ao qual ela foi submetida pela Setem, representante espanhola da Campanha Roupas Limpas (CCC). A revisão das reivindicações da Setem leva a uma melhor compreensão das repercussões para os sistemas sociais que são agora cada vez mais informados por atores externos. Os autores argumentam que tanto as corporações quanto as organizações não-governamentais devem prestar conta pelo impacto social de suas atividades.
  • O Camboja embarcou em um processo de descentralização e democratização, inclusive com o estabelecimento de Conselhos eleitos das Comunas no início de 2002. Dada a falta de uma tradição de incentivar a participação cívica em assuntos públicos, contudo, houve inicialmente uma pequena conscientização geral de como se engajar com esses Conselhos. Os autores descrevem um projeto apoiado pelo Ministério do Desenvolvimento Rural e a agência bilateral alemã, GTZ, e realizado com organizações locais não-governamentais, para identificar e apoiar grupos de comunidade ativos e melhorar sua capacidade de interagir com os Conselhos das Comunas, ao mesmo tempo buscando formas dos Conselhos das Comunas apoiarem os diferentes grupos.
  • Os bancos de arroz estão cada vez mais sendo utilizados no sudeste da Ásia como uma forma de abordar crises de alimentos sazonais que as comunidades pobres enfrentam. Apesar da visão geral da efetividade dos bancos de arroz gerenciados pela comunidade em melhorar a segurança alimentar, não tem havido quase nenhuma pesquisa sobre a sua efetividade em alcançar os mais pobres ou os prospectos da sustentabilidade conectada a pagamentos regulares do arroz. Em relação a Laos, buscou-se responder estas questões através da mobilização da comunidade, formando regras e regulamentos para incentivar a participação dos mais pobres, desenvolvendo ferramentas e procedimentos simples em linha com a capacidade existente da comunidade e desenvolvendo maior capacidade da comunidade. Outros desafios permanecem, tais como a mudança da mentalidade de 'alívio' que prevalece, garantindo a participação das mulheres e estabelecendo esquemas de poupança regulares para aumentar a efetividade e sustentabilidade dos bancos de arroz.
  • Este artigo descreve as Plataformas de Aprendizado, um esforço estruturado da agência holandesa SNV para incentivar seus consultores especialistas a engajarem-se na leitura e análise de pesquisa acadêmica relacionada ao contexto no qual eles trabalham e realizar suas próprias pesquisas. Embora a habilidade dos atuantes na área prática de aplicar sua pesquisa à sua prática diária e a habilidade da organização de absorver os resultados da pesquisa como parte de suas próprias formas de trabalhar terem sido parciais ou limitadas, a abordagem possui o potencial de reunir esforços acadêmicos e baseados na prática de maneira que sejam mutuamente benéficas.
  • A gestão baseada em resultados (RBM) está bem estabelecida como ferramenta de desenvolvimento para a prática de desenvolvimento internacional. Embora após uma década de uso, muitos agentes da área prática do desenvolvimento viram a RBM sob uma luz negativa, considerando-a como um requisito de doador que desvia tempo, energia e recursos do trabalho de desenvolvimento que realmente está sendo feito. Este artigo oferece algumas reflexões amplas sobre a RBM a partir de um ponto de vantagem distinto: a perspectiva do avaliador do projeto (ou programa). O artigo reflete sobre os desafios associados à RBM e extrai destas reflexões várias estratégias sugeridas para melhorar seu uso. Ele conclui que os atuantes na área prática do desenvolvimento precisam ser mais agressivos na implementação da RBM.
  • O artigo identifica desafios e oportunidades para a robusta indústria de café de Uganda no contexto da crise do café global. Ele apresenta uma avaliação qualitativa e quantitativa de estratégias de desenvolvimento através das quais a Uganda poderia promover sua maior commodity de exportação. É sugerido que a Uganda se beneficiaria do aumento moderado da produção robusta, embora um maior declínio na produção poderia prejudicar seu próprio preço atual no mercado. Pode também haver benefícios importantes associados com o aumento do valor da robusta indústria ugandense através de melhorias na qualidade.
  • Limitados em grande parte pela falta de recursos – técnico, financeiro, legal e/ou administrativo – governos em países em desenvolvimento freqüentemente criam estruturas de gestão de várias camadas para regularizar e monitorar recursos protegidos.Tais estruturas são criadas quando organizações não-governamentais são dadas a autoridade para monitorar e /ou gerenciar certos aspectos de um recurso indígena ou natural protegido. Outros aspectos, freqüentemente regulatórios, permanecem sob a gestão do governo. Utilizando estudos de caso de Belize e Malásia, a pesquisa relatada aqui sugere que as estruturas de gestão de várias camadas criadas entre ONGs e governos nos países em desenvolvimento freqüentemente incentivam um monitoramento caótico, políticas reativas e conflitos sobre jurisdição, assim como recursos de dependência sobre recursos técnicos, financeiros e/ou recursos legais de ONGs.
  • Este artigo baseia-se na pesquisa que explorou e analisou o papel em potencial das diásporas na ajuda de desenvolvimento nos Países Baixos. A pesquisa adotou a hipótese de que as agências de desenvolvimento poderiam beneficiar-se do conhecimento, habilidades e visões das diásporas enquanto “agentes de desenvolvimento” e assim tornar a ajuda mais efetiva e sustentável. Os dados foram derivados de entrevistas semi-estruturadas com representantes de diásporas residindo nos Países Baixos; ONGs holandesas selecionadas pelo governo holandês por seus programas de capacitação; doadores oficiais, a saber: Ministério Holandês de Relações Exteriores (Ministerie van Buitenlandse Zaken); e organizações internacionais, tais como a Organização Internacional de Migração (IOM). Dados secundários derivaram-se de uma revisão da literatura.
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  • Este artigo descreve a fase exploratória e preparatória de um projeto de pesquisa destinado a utilizar uma pesquisa cooperativa como método para pesquisa de ação transformadora e participativa nas relações entre doadores e recebedores em dois países em desenvolvimento, Bolívia e Bangladesh. O texto descreve as origens de nossa idéia, os desafios conceituais que enfrentamos na busca por financiamento e o que aprendemos com essa primeira fase. Analisamos por que os pesquisadores, assim como os sujeitos em potencial da pesquisa, não estavam à vontade com a metodologia proposta, inclusive os desafios surgidos de nossas próprias posições e a natureza altamente sensível do tópico. Explicamos por que decidimos abandonar o projeto e chegamos a algumas conclusões preliminares a respeito das opções para aprendizado e pesquisa sobre ação participativa na prática de desenvolvimento.
  • Superando desafios para as demandas da saúde do ecossistema para se acabar com as barreiras disciplinares e profissionais. Através de reflexão sobre um projeto de pesquisa e desenvolvimento para abordar preocupações relacionadas a pesticidas no norte do Equador, esse artigo apresenta os desafios enfrentados e as acomodações feitas, que vão desde o recrutamento de funcionários até avaliações, atividades educacionais com a comunidade e mobilização para mudança de política. Ao fazer isso, ela expõe problemas subjacentes a paradigmas e processos que surgem ao reunirem-se pesquisadores e praticantes de desenvolvimento, assim como o papel problemático da defesa de direitos que está associado com iniciativas conjuntas envolvendo agricultura, saúde, pesquisa e desenvolvimento.
  • O chiclete natural representa apenas 3.5 por cento do total do mercado de chicletes, que é dominado por chicletes sintéticos feitos a partir de hidrocarbonos. Contudo, um interesse recente em estratégias de meios de subsistência sustentáveis tem criado oportunidades para intensificar a comercialização de chiclete para um mercado que é ainda pequeno, de nicho. A produção de chiclete pode ajudar a aumentar a conservação da floresta e oferecer emprego regular àqueles dependentes de recursos florestais, como parte de uma série de atividades sustentáveis. Contudo, a produção e comercialização do chiclete natural têm enfrentado diversos problemas sérios: produtores no México têm se organizado sob formas que os levam a ser explorados por instituições intermediárias e estatais, e os processos de certificação para o comércio orgânico e comércio justo são difíceis de manejar e caros. Este artigo sugere várias maneiras de lidar com esses problemas.
  • Entre 1994 e 2003, o Acordo TRIPS (Acordo sobre Aspectos de Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio) da OMC foi refinado para permitir flexibilidade no uso de licenças compulsórias para importar e exportar variedades “genéricas” de produtos farmacêuticos, inclusive drogas antiretrovirais para o tratamento de HIV/AIDS. Após resumir esse processo e avaliar suas implicações práticas para os países em desenvolvimento, o artigo insere brevemente o regime atual em um contexto de mais longo prazo da proteção institucional de patentes na Grã-Bretanha e Europa datando do século dezenove. O trabalho mostra como tal modelo, que beneficia grandes detentores de patente, continua a estar presente nos TRIPS. O artigo prossegue para demonstrar a continuidade da influência corporativa sobre o Estado como expresso nas condições “TRIPS-plus”, que estão aparecendo nos acordos de livre comércio bilaterais entre os EUA e países em desenvolvimento individuais ou grupos regionais. Esse conjunto de medidas que constitui obstáculos institucionais à disponibilidade sustentável de drogas baratas, no momento e no futuro, apresenta sérios problemas para operações futuras da cadeia de abastecimento para diversos medicamentos importados e, no caso do HIV/AIDS, com implicações negativas para a efetividade clínica de longo prazo das drogas mais amplamente utilizadas.
  • Esse artigo revê metodologias atuais para a elaboração de projetos de desenvolvimento e identifica razões básicas para conflito entre propostas e métodos participativos. Várias abordagens alternativas para os modelos de intervenção em sistemas sociais são examinadas e explora-se a aplicação potencial de algumas dessas novas idéias dentro de um processo que é baseado na racionalidade comunicativa. Concluímos que existem diversos problemas s serem superados antes de descrever uma metodologia de modelo completo que se move a partir da base objetivista de sistemas existentes. Sustenta-se também que a nova abordagem precisará abordar as relações de poder e os problemas conseqüentes e inter-relacionados de accountability e confiança.
  • A accountability das ONGs de desenvolvimento internacional (ONGIs) tem atraído muito interesse de acadêmicos e praticantes do desenvolvimento. A accountability das ONGIs enquadram-se em duas categorias: accountability prática (para o uso de contribuições, a forma como as atividades são desempenhadas e para resultados) e accountability estratégica para a forma como as ONGIs estão atuando em relação à sua missão. Esse artigo apresenta uma estrutura conceitual para explorar a accountability das ONGIs. Ele está baseado em informações coletadas através de uma revisão da literatura e entrevistas com representantes de 20 ONGIs situadas no Reino Unido. A pesquisa descobriu que as ONGIs tendem a utilizar vários mecanismos de avaliação de qualidade para alcançar accountability “prática”. Contudo, a pesquisa sugere que esse tipo de accountability não necessariamente permitirá que as ONGIs alcancem suas metas de aliviar a pobreza e eliminar a injustiça. Além disto, o uso predominante de accountability prática tem levado a várias lacunas na accountability das ONGIs. Sugere-se que, como o período de participação antes dela, a accountability tem sido cooptada por seus benefícios instrumentais para o desempenho e gerenciamento de projeto das ONGIs. Argumenta-se que para as ONGIs alcançarem sua missão, exigir-se-á mais formas “estratégicas” de accountability adequadas para modificar de maneira fundamental as estruturas sociais, econômicas e políticas que promovem a pobreza.
  • Andries Du Toit (2004) argumenta que o conceito de exclusão social tem uso limitado no campo dos estudos de desenvolvimento, uma vez que a pobreza crônica resulta freqüentemente da incorporação sob termos particularmente desvantajosos (incorporação adversa) em vez de qualquer processo de exclusão. Du Toit, portanto, clama para irmos além da visão da “exclusão” e “inclusão” em termos binários e analisarmos mais de perto como os diferentes tipos de poder são formados e mantidos. Este artigo argumenta que o pensamento sobre exclusão social já ultrapassou uma simples dicotomia incluído /excluído e que o uso da estrutura analítica de Sen ajuda os pesquisadores a desenredar os fatores complexos e interconectados que estão por trás da pobreza crônica, tais como aqueles enfrentados por trabalhadores agrícolas do distrito de Ceres, do Cabo Ocidental da África do Sul.
  • Neste breve Ponto de Vista, o autor argumenta que o entendimento comum sobre a expectativa média de vida em qualquer país não é uma medida apropriada em relação ao desenvolvimento. pois entre a população afetada pela AIDS, ela não consegue diferenciar entre períodos de vida significativamente diferentes dependendo se uma pessoa contrai a doença ou não.
  • As redes internacionais para mudança social estão crescendo em número e influência. Embora elas precisem ser capazes de avaliar até que ponto elas alcançam seus objetivos e determinar maneiras de serem mais efetivas, os métodos de avaliação convencionais não são destinados a formas organizacionais tão complexas, ou para os tipos diversos de atividade aos quais elas são caracteristicamente dedicadas. Baseando-se em uma versão anterior do artigo, os autores apresentam um conjunto de princípios e abordagens participativas que são mais apropriadas para a tarefa de avaliar tais redes.
  • Este artigo discute o papel dos animais em sistemas de pequena escala na produção de culturas agrícolas/animais na Ásia. Ele examina como os animais podem ser utilizados geralmente em vários propósitos em vez de um único ou de um duplo uso, sendo a segurança também um elemento importante. Produtores rurais podem ser estimulados a produzir mais carne e leite quando outras formas de segurança, como bancos, são considerados igualmente confiáveis. A multicultura é o sistema predominante da produção de plantas na região, com a plantação de leguminosas complementando plantações de não-leguminosas. Isso também traz benefícios para o solo. Sistemas multiculturais são intensivos em mão-de-obra, mas em um contexto em que o trabalho não é um problema, dispositivos que economizam mão-de-obra não oferecem solução. Os animais na agrofloresta são discutidos em detalhes, com ênfase em pastagem de animais em plantações de coco e óleo de palma. Cientistas de animais asiáticos deveriam dedicar mais tempo explorando os papéis da multicultura e de animais na agrofloresta.
  • A morbidade e a mortalidade relacionadas à AIDS afetam não apenas os indivíduos e suas famílias, mas estão rapidamente destruindo a capacidade de luta para o desenvolvimento de Estados africanos. Deter os impactos da pandemia, então, tem se tornado uma grande preocupação. Isso exige abordar as questões de cuidado e suporte àquelas pessoas afetadas e ampliar o acesso de pessoas que vivem com o HIV/AIDS a um tratamento efetivo. A provisão de tal medicação complexa em cenários de recursos limitados é um fenômeno bastante recente. Neste contexto, o artigo baseia-se em experiências emergentes do campo na identificação de questões e desafios que precisam ser abordados para facilitar a intensificação do tratamento de HIV/AIDS na África.
  • Neste estudo, o Perfil do Estilo de Vida de Promoção da Saúde foi utilizado para comparar comportamentos que promovem a saúde em três grupos de pessoas cronicamente doentes sendo tratadas como pacientes não internos em clínicas e hospitais em Fiji, Nauru e Kiribati. Diferenças significativas foram observadas entre homens e mulheres e entre grupos no que diz respeito a práticas e atitudes quanto à responsabilidade com a saúde, atividade física, nutrição e gestão de stress. Profissionais da saúde e educadores devem desenvolver formas de transmitir a mensagem de estilos de vida saudáveis a populações que não dão muita atenção a métodos de educação em saúde convencionais.
  • Este relatório resume um projeto de ação-pesquisa participativa combinando conceitos da área de gestão de desenvolvimento com a prática em saúde mental internacional. A pesquisa foi conduzida na Estônia, Quirguistão e Romênia. O modelo de política-como-processo é central para a compreensão da gestão de desenvolvimento mas não é familiar para organizações que estão trabalhando com saúde mental, mesmo aquelas que atuam a partir de em um nível comunitário, de uma perspectiva de baixo para cima para influenciar a política de saúde mental. Ao mesmo tempo, a prática e aprendizado do campo de saúde mental e modelos radicais de empoderamento de usuário têm recebido pouca atenção dos gerentes de desenvolvimento. A pesquisa relatada aqui descobriu que o modelo de política-como-processo foi útil para ativistas de saúde mental e que ele forneceu uma estrutura alternativa aos conceitos de políticas mais tradicionais, de cima para baixo e prescritivos, possibilitando assim que as perspectivas múltiplas, os conflitos resultantes de valores diferentes e as dinâmicas de poder que caracterizam entendimentos e práticas em saúde mental fizessem sentido. Entre as recomendações do texto está uma campanha para ligações mais próximas entre o ativismo em saúde mental e a gestão de desenvolvimento, assim como uma transferência de conhecimento, entendimento e experiência entre as duas disciplinas.
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  • Existe praticamente um consenso de que a pobreza é multidimensional. Contudo, medidas “econômicas” ou de renda/despesa/monetária da pobreza ainda possuem um status mais elevado nos indicadores e políticas-chave de desenvolvimento: A Meta de Desenvolvimento do Milênio número um (MDG) é a de um dólar-por-dia; o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de Desenvolvimento de Gênero (IDG) do Programa de Desenvolvimento da ONU (UNDP) utilizam pesos que favorecem muito fortemente o PIB per capita. Além disso, a renda per capita de pobreza é geralmente o foco principal nos Documentos sobre Estratégia de Redução de Pobreza. Este artigo preocupa-se com essa aparente contradição entre o consenso sobre o significado da pobreza e a escolha de métodos com os quais medir a pobreza na prática. Apresenta-se um breve histórico do significado e da medida da pobreza e argumenta-se que, embora o determinismo “econômico” tenha gradualmente retrocedido de seu lugar central no significado da pobreza, ele continua a dominar a medida da pobreza. Em seguida, há uma seção que contrasta os méritos relativos das medidas “econômicas” e “não econômicas” da pobreza. A questão é colocada: por que as medidas “econômicas” da pobreza ainda têm um status mais elevado do que as medidas não-econômicas?
  • A desigualdade de gênero é agora amplamente reconhecida como um importante fator na disseminação e enraizamento da pobreza. Esse artigo examina o Relatório de Desenvolvimento Mundial 2000/01 como o anteprojeto do Banco Mundial para abordar a pobreza no século vinte e um, juntamente a vários documentos mais recentes sobre Estratégia de Redução da Pobreza (PRSPs), visando analisar a maneira pela qual o gênero é incorporado no processo de realização de política e se constitui numa nova abordagem para o gênero e pobreza. Argumenta-se que é improvável que a abordagem do Banco Mundial sobre a pobreza implemente justiça de gênero porque continua havendo grandes discrepâncias entre as políticas econômicas e sociais que ela prescreve. Mais especificamente, afirma-se que o Banco emprega uma abordagem integracionista que aprisiona as questões de gênero dentro de paradigmas de desenvolvimento existentes sem tentar transformar uma agenda de desenvolvimento geral cujo objetivo principal é o crescimento econômico como algo oposto à eqüidade. Estudos de caso do Camboja e Vietnã são utilizados para ilustrar esses argumentos.
  • A pobreza e a forma pela qual ela é pesquisada são grandes preocupações para diversos cientistas sociais. Este artigo apresenta maneiras diferentes de pesquisar a pobreza urbana na África Subsaariana (SSA), concentrando-se em métodos qualitativos e nas diferentes formas com que eles podem ser utilizados para colher dados. Foram extraídos exemplos de pesquisa de campo realizada em áreas urbanas da República Democrática do Congo (antigamente Zaïre) para ilustrar as formas pelas quais métodos e técnicas diferentes de pesquisa são utilizados no campo e como um pesquisador poderia organizar a coleta de dados.
  • A preocupação que orienta o debate atual sobre a extensão agrícola concentra-se cada vez mais naquilo que pode ser feito para ajudar os produtores rurais a aprender como lidar com o mundo complexo ao redor deles de maneira responsável e lucrativa de tal forma que o trabalhador de extensão seja um auxiliar. Esse artigo busca desconstruir e oferecer uma avaliação mais fundamentada dos serviços de extensão agrícola através de uma reflexão sobre paradigmas de desenvolvimento, educação de adultos, empoderamento individual e pluralismo institucional. Questionando as dimensões éticas subjacentes da extensão agrícola, é possível desenvolver um paradigma alternativo e assim gerar novas idéias sobre o tema. O artigo conclui que a razão de ser da extensão agrícola hoje em dia deve ser a de criar uma base ética que garanta que as práticas de extensão sejam mais inclusivas e assim mais sensíveis às necessidades dos produtores rurais e de outras populações rurais, integrando expectativas individuais ao ambiente sócio-econômico, cultural, político e geográfico mais geral.
  • Esse artigo revê estratégias de prevenção iniciadas e implementadas por ONGs em todo o globo para abordar o tráfico sexual feminino. Ele apresenta as bases conceituais para medidas anti-tráfico em geral e medidas de prevenção em particular antes de apresentar um conjunto representativo de programas e abordagens sendo implementados atualmente. As autoras identificam algumas das lacunas aparentes nessas respostas e fazem recomendações para melhorar a implementação de estratégias de prevenção. O artigo conclui que as medidas de prevenção anti-tráfico devem ser habilmente integradas a práticas atuais de desenvolvimento comunitário e que, por essa razão, planejadores de desenvolvimento local e global devem tornar-se mais cientes dessa questão e das ações estratégicas necessárias para abordá-la.
  • Afirma-se freqüentemente que as ONGs e o contexto mais geral de desenvolvimento são intrinsecamente diferentes de outros contextos organizacionais dentro dos quais acredita-se que o Desenvolvimento de Recursos Humanos (DRH) desenvolve um papel importante. Neste artigo, o autor apresenta os conceitos básicos que sustentam o desenvolvimento humano dentro das organizações e desenvolvimento organizacional e aponta os argumentos para um maior investimento nas pessoas. Embora isso possa suscitar questões éticas e práticas nas organizações que dependem de fundos externos em vez de gerar sua própria renda, o fracasso em desenvolver os funcionários dos quais uma organização de desenvolvimento em última instância depende gera muito mais riscos. A gestão e especificamente o DRH não são atividades de escritório que podem ser buscadas através da aplicação de protocolos e sanções, mas requerem visão, liderança e engajamento prático.
  • Este artigo discute o papel que as ONGs desempenham, não em sua função tradicional de prestadoras de serviço, mas como empregadoras no mercado de trabalho egípcio. Durante as duas últimas décadas, as ONGs têm oferecido oportunidades de emprego atrativas a profissionais da classe média que estão desiludidos com o setor privado e não estão mais interessados em fazer parte da burocracia estatal. As condições de trabalho de um número cada vez maior de empregados das ONGs e como as ONGs se saem como empregadoras não têm sido investigadas pela substancial literatura acadêmica e de políticas relativas a ONGs, que até agora tem se preocupado quase que exclusivamente com o relacionamento das ONGs com seus “beneficiários” em vez de sua posição enquanto agentes ativos em um mercado de trabalho em mutação.
  • Este artigo discute o significado do desenvolvimento a partir de uma perspectiva pós-desenvolvimento, baseada em um estudo de caso de um projeto de criação de cabras envolvendo uma pequena comunidade de produtores rurais de uma cidade rural no nordeste do Brasil. O projeto de desenvolvimento estava repleto de visões conflitantes de desenvolvimento quando buscou impor uma visão intervencionista, etnocêntrica e modernista do que era melhor para a comunidade, até mesmo estipulando como os produtores rurais deveriam trabalhar juntos. A interpretação modernista tem sido criticada sob vários ângulos, mas mesmo assim continua a condicionar a maneira como a “indústria de desenvolvimento” define seus valores e enxerga sua missão.
  • O projeto político de igualdade de gênero na África tem tido destaque e obtido muitas conquistas. Contudo, tais conquistas têm se limitado em grande parte ao trabalho de “grandes” mulheres nos contextos burocráticos públicos e privados nos quais existe um comprometimento maior com a igualdade de gênero. Argumenta-se que no contexto de Camarões, enquanto essas “grandes” mulheres não renovam seu compromisso com suas irmãs de base, a experiência de igualdade de gênero permanecerá em grande parte desigual. Apenas uma ligação forte entre trabalhadores de escritório e mulheres menos privilegiadas vencerá esse abismo.
  • Este artigo argumenta que os esforços para o desenvolvimento da África podem ser imensamente expandidos tanto por um aumento em seu poder de barganha quanto por uma demonstração mais sincera de generosidade por seus parceiros comerciais, em particular os países desenvolvidos. Essa generosidade implica não colocar condições ou restrições nos produtos da África, particularmente nas exportações agrícolas, e eliminar subsídios rurais em países desenvolvidos. A menos que isso seja realizado, as concessões feitas a países africanos permanecerão meramente simbólicas.
  • Este artigo oferece um estudo de caso sobre uma substituição temporária de funcionários de uma ONG do hemisfério norte (Trócaire) para um parceiro do hemisfério sul, a Comissão Católica de Desenvolvimento (CADECOM) de Malauí, como um possível modelo para capacitação. A abordagem descrita foi tentada no contexto de um programa de emergência mas poderia também ser utilizada em um contexto de desenvolvimento. O artigo analisa a adequação do modelo em termos de sua estrutura administrativa, foco e impacto e tentativas de extrair lições para funcionários da área prática para a sua aplicação bem-sucedida.
  • Embora não fazendo parte do currículo nacional até 2004, a educação sobre HIV/AIDS tem sido ensinada há algum tempo em escolas secundárias de Uganda através de várias formas extracurriculares, inclusive através da mídia, grupos de jovens, teatro, música e Associações de Pais e Mestres. Este artigo identifica e avalia a integração de informações sobre HIV/AIDS no currículo nacional em escolas secundárias de Uganda entre 2002 e 2004, com base nos pontos de vista de professores administradores e estudantes de 76 escolas.Embora a maioria das escolas não inclui a questão do HIV/AIDS como parte do currículo nacional formal nesse período, as informações foram disseminadas através de uma série de medidas alternativas. O artigo identifica a mais efetiva delas, discute as reações percebidas dos vários participantes (stakeholders) em relação ao HIV/AIDS sendo ensinado em escolas secundárias e faz recomendações sobre reforma curricular.
  • Esse artigo descreve as experiências de uma pequena ONG de Bangladesh no uso de ferramentas orientadas para atores com o fim de concentrar-se em pessoas e parcerias-chave no planejamento, monitoramento e avaliação de projeto. A abordagem tem ajudado a identificar intervenções que são específicas ao contexto, aproveitando agentes locais e redes indígenas e sensíveis às limitações enfrentadas pelos mais pobres. Como resultado, a ONG tem mantido afastada de uma agenda orientada externamente para se tornar uma organização mais atenciosa e sensível. Ao desenvolver a abordagem, a ONG encontrou alguns problemas devido à sensibilidade política a respeito da representação de conexões. Isso destaca a importância do uso dessas ferramentas de uma forma politicamente ciente, positiva e reflexiva.
  • O cultivo flutuante tem se mostrado uma maneira bem-sucedida de produção de colheitas agrícolas em diferentes áreas pantanosas do mundo. Em lagos de água fresca e pântanos de Bangladesh, vegetais, flores e mudas são plantadas utilizando-se essa técnica de cultivo flutuante, sem nenhuma irrigação adicional ou fertilizante químico. Nenhum estudo detalhado dessa técnica de cultivo indígena foi publicada até o momento, embora o método de laboratório, hidropônico, seja documentado na literatura profissional. Nosso estudo está concentrado na natureza e características do sistema de Bangladesh, onde produtores rurais locais têm demonstrado o potencial do uso sustentável de tais recursos hídricos locais de propriedade comum. Buscamos estabelecer um ponto de referência para pesquisa adicional sobre essa técnica para o seu possível refinamento e uma avaliação de sua adequação para sua reprodução.
  • Baseado no interesse contemporâneo de desenvolver novos programas de alfabetização de adultos com base na “alfabetização para meios de vida”, este artigo examina alguns estudos de caso da Nova Zelândia, Bangladesh e Egito sobre a alfabetização sendo utilizada em meios de subsistência e relaciona-os ao tipo de alfabetização que está sendo ensinada em diversos programas de alfabetização de adultos atualmente. O artigo destaca que as pessoas freqüentemente modificam seus meios de vida e que cada meio de subsistência possui práticas de alfabetização inseridas nele. O artigo sugere que o uso dessas práticas de alfabetização inseridas nas atividades dos meios de vida poderia ser um melhor ponto de partida para a alfabetização de adultos do que um livro-texto escolar.
  • Parte da ajuda da Nova Zelândia às nações da Ilha do Pacífico ocorre na forma de bolsas de ensino superior. Os estudantes que recebem as bolsas estudam em instituições de ensino superior em todo o Pacífico, inclusive na Nova Zelândia. Mas o que acontece quando eles retornam para casa, adequando-se novamente à sua cultura e à vida familiar e encontrando emprego? A pesquisa descrita neste artigo explorou essa questão em relação às mulheres graduadas de Vanuatu quando elas retornaram após estudar no exterior por três anos ou mais. Algumas se adaptaram facilmente e encontraram emprego rapidamente, outras enfrentaram um profundo choque de cultura ao retornar e demoraram muitos meses para encontrar um emprego adequado. Para que Vanuatu faça o melhor uso possível das qualificações dessas mulheres no ensino superior e para que os doadores alcancem os objetivos de seu esquema de bolsas de estudo, são necessárias algumas mudanças, entre elas um suporte mais coordenado e estudos de acompanhamento regulares.
  • Este artigo oferece uma visão geral das questões relativas ao uso do conhecimento por organizações de desenvolvimento. Ele começa explorando as várias definições de conhecimento que existem em um mundo de diversas culturas e tradições intelectuais e o papel da linguagem. O artigo considera seus relacionamentos uns com os outros e com os diversos e variados “desenvolvimentos de informação” – mudanças relativas à informação no trabalho, cultura, organizações e tecnologia em todo o mundo. Argumenta-se que essas questões impõem vários desafios estratégicos fundamentais para o setor de desenvolvimento. A segunda parte examina onde, na prática, as organizações de desenvolvimento obtêm suas informações e conhecimento e identifica áreas problemáticas com muitos dos canais utilizados. Sua conclusão é que a prática mais corrente consistentemente milita contra o tipo de relação e tipo de comunicação que são essenciais se a política de desenvolvimento e prática for algo que não se constitua em uma imposição de idéias externas, ainda que bem intencionadas.
  • Este artigo trata do desenvolvimento dos Estudos Africanos, principalmente na Europa e América do Norte pós-1945, e sua contrapartida na África pós-independência. Os Estudos Africanos possuem uma conexão cada vez mais estreita com a cooperação de desenvolvimento bilateral e multilateral, fornecendo pesquisa e pesquisadores (mais suas próprias estruturas e preocupações conceituais) para ajudar a definir e oferecer direção para ajuda humanitária e políticas relacionadas. Isso está levando a práticas não saudáveis, em que a pesquisa africana é ignorada na formulação de políticas internacionais destinadas ao continente, enquanto africanistas externos assumem a função de interpretar o mundo para a África e vice versa. Essa dinâmica reforça assimetrias existentes em capacidade e influência, especialmente tendo em vista a crise da educação universitária na maioria dos países africanos. Ela também prejudica a comunidade de pesquisa da África, em particular a abrangência para trocas entre nações e internacionais e o engajamento em debates de desenvolvimento mais amplos, com o resultado que aqueles cientistas sociais que não têm sucumbido ao mercado de consultoria ou buscado oportunidades profissionais em outros lugares, são incentivados a concentrar-se em estudos empíricos limitados. Essa divisão política do trabalho intelectual necessita ser substituída por uma outra que permita a livre expressão e troca de idéias não apenas por africanos sobre a África, mas com a comunidade internacional mais ampla que compartilha das mesmas preocupações temáticas amplas e/ou preocupações teóricas que os acadêmicos africanos com os quais eles estão em contato.
  • Utilizando experiência autobiográfica relativa à pesquisa sobre madeira como combustível em dois locais no oeste da África, esse artigo ilustra como os processos de conhecimento influenciam o que pode ser produzido como conhecimento; como tal conhecimento é realmente produzido; e o que no final é produzido como conhecimento. Contudo, embora ele explore os vários papéis que o conhecimento desempenha nas relações sociais em momentos históricos particulares do desenvolvimento pessoal e profissional de um único indivíduo, as questões que essa experiência subjetiva suscita são de significado mais amplo: o conhecimento de quem é importante? Como certos conhecimentos são suprimidos ou negados, enquanto outros são privilegiados? Por sua vez, isso suscita outras questões relativas às formas pelas quais as pesquisas e práticas são mediadas através de prismas da pesquisa, política e desenvolvimento locais. De uma maneira geral, o artigo diz respeito à forma pela qual as filosofias, metodologias e práticas da madeira como combustível são construídas, modificadas e mantidas enquanto conhecimento; e a um lembrete de que tais processos de conhecimento não podem ser verdadeiramente entendidos isoladamente, mas precisam estar situados dentro de contextos complexos e diversificados de agendas individuais, estratégias de grupo, etc, assim como em múltiplos locais de produção.
  • Este artigo argumenta que aquelas pessoas dispostas a caracterizar e aproveitar o potencial empoderador da Tecnologia da Informação e Comunicações [ICT] para projetos de desenvolvimento têm de entender que a própria existência dessa tecnologia cria modelos alternativos de cooperação e colaboração. Esses próprios modelos precisam romper com modelos de gestão “tradicionais” de comando-e-controle. Uma alternativa é persuadir os participantes, ou participantes em potencial, a coordenar seus esforços seguindo a linha mostrada pelo movimento de software livre e pelos colaboradores da Wikipedia: modelos de coordenação que poderiam não funcionar, mas que parecem estar funcionando. O artigo apresenta esse argumento e então sugere formas pelas quais ONGs em particular poderiam tentar incorporar essas idéias em suas estratégias. Isso é particularmente crucial para organizações dependentes de oportunidades de financiamento sob pressão cada vez maior e que também buscam desenvolver e enfatizar a questão de gênero a partir de dentro e entre grupos-alvo específicos.
  • O artigo examina se o conceito de capital social pode facilitar nosso entendimento de redes online nas questões de desenvolvimento. Muito da geração de conhecimento e aprendizado social em desenvolvimento ocorre em redes, que estão cada vez mais online. Embora presuma-se que essas redes sejam uma força positiva na questão do desenvolvimento, existe muito desconhecimento em relação a elas, em parte porque ainda estão em sua infância. O conceito de capital social tem sido tradicionalmente aplicado para examinar o funcionamento de grupos e sociedades. Mais recentemente, ele tem sido aplicado também ao desenvolvimento e a redes online fora do desenvolvimento. São revisadas no artigo três abordagens que não são de desenvolvimento que tratam do capital social em redes e comunidades online. Elementos dessas abordagens, combinados com aspectos relacionados a desenvolvimento, são utilizados para produzir uma estrutura para promover a análise do capital social em redes online em um contexto de desenvolvimento.
  • Neste artigo, os autores refletem sobre o estabelecimento e rápida evolução de um boletim eletrônico africano, o Pambazuka News, que é uma iniciativa fundada na relação entre as tecnologias de informação e comunicação (TICs) de um lado, e a luta contra o empobrecimento e as injustiças, de outro lado. Entre os principais pontos de aprendizado está o de que a publicação eletrônica é um compromisso de longo prazo devido à confiança estabelecida entre a organização que esteja fornecendo o serviço e aqueles que o estejam usando. A proximidade do meio permite que as informações se movam em uma série de caminhos diferentes e viabiliza novas formas de transparência mútua. Permanece, contudo, a questão crítica de como garantir os recursos para manter tal serviço sem comprometer o conteúdo ou dissolver o objetivo.
  • O conhecimento no desenvolvimento tem sido visto como uma mercadoria de mão-única que as nações desenvolvidas poderiam “rebaixar” até o nível dos “países em desenvolvimento”. Compartilhar conhecimento é geralmente visto como uma operação Norte–Sul. Essa abordagem vertical do conhecimento em desenvolvimento ecoa a abordagem vertical do desenvolvimento em geral, através da qual o conhecimento é visto como um ingrediente da assistência técnica oferecida por aqueles que a possuem para aqueles que não a possuem. Contudo, nenhuma organização pode oferecer transformação social ou compartilhamento de conhecimento se ela mesma não estiver engajada em um processo de aprendizado interno que sistematicamente questione certezas, autoridades e tomadas de decisões. O aprendizado é um processo complexo de adquirir conhecimento tanto dentro da organização que promove a mudança social quanto entre os temas de e parceiros na mudança social.
  • Este artigo detalha, explora a motivação e traça o desenvolvimento da estratégia distintiva que molda a Iniciativa de Comunicação (IC), que é uma rede de usuários da comunicação que visa promover mudanças econômicas e sociais em comunidades do mundo todo. Membros da rede acessam informações e colaboram uns com os outros através de um dos três websites sobre conhecimento – um com uma visão e enfoque mundial, o segundo com uma visão mundial e enfoque na América Latina e outro com um enfoque na África – e seus boletins eletrônicos associados. Esses espaços online são componentes de um processo mais amplo que a autora chama de “comunicação horizontal”, que é central para fornecer uma plataforma sem julgamento e nivelada de acesso às informações e interações que sejam importantes àqueles que estejam realmente praticando a comunicação para o desenvolvimento. Recorrendo a essa abordagem, a IC envolveu 50.000 pessoas de mais de 184 países no decorrer dos últimos sete anos; a autora apresenta os elementos que têm sido centrais para esse sucesso.
  • As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) têm criado novas oportunidades econômicas e sociais no mundo todo. Seu uso, porém, continua a ser governado por relações de poder existentes em que as mulheres freqüentemente enfrentam uma desvantagem relativa. Em meio a essa desigualdade estão indivíduos e organizações que estão trabalhando para utilizar TICs para promover a igualdade de gênero. Essas são as questões abordadas pelo Kit Cutting Edge da BRIDGE sobre Gênero e TICs. Essa seção é formada por trechos extraídos da parte sobre o Relatório Geral. O primeiro, consiste na maior parte da seção “TICs como ferramentas para combater a desigualdade de gênero e promover o empoderamento das mulheres” (uma seção sobre mulheres e e-governos foi omitida) descreve maneiras pelas quais as mulheres têm sido capazes de utilizar as TICs para apoiar novas formas de troca de informações, organização e empoderamento. O segundo foi extraído da caixa de texto “Telecentros”: Alguns Mitos descrevem três afirmações que freqüentemente levam a problemas em todas as formas de investimento em trocas de informações relativas a desenvolvimento com grupos pobres ou menos poderosos, não apenas aqueles relativos a telecentros e mulheres.
  • Sugerimos que pesquisadores de doutorado e de pós-doutorado são um recurso forte, inexplorado, com o potencial de dar uma contribuição real para a pesquisa sobre saúde global (GHR). Contudo, levantamos algumas questões éticas, institucionais e de financiamento que desestimulam novos pesquisadores a entrar nessa área de pesquisa ou reduzem sua capacidade para contribuir. Oferecemos várias recomendações às instituições e financiadores canadenses acadêmicos e não-acadêmicos, visando promover discussão entre eles sobre como superar essas limitações. Precisamos de mudanças na forma como a pesquisa de pós-graduação é organizada e financiada, existindo oportunidades de se trabalhar colaborativamente dentro de parcerias estabelecidas entre países de baixa–média renda (LMIC)/projetos de pesquisa canadenses. Nós reivindicamos mudanças na forma com que as instituições financiam, reconhecem, valorizam e apóiam a GHR, de forma que pesquisadores estabelecidos sejam incentivados a desenvolver relações de LMIC de longo prazo e tornarem-se mentores de novos pesquisadores canadenses/de países LMIC. Solicitamos aos financiadores que reconsiderem atividades de GHR adicionais para receberem apoio, inclusive iniciativas de treinamento estratégico e disseminação de resultados de pesquisa. Nós também incentivamos o desenvolvimento de instituições alternativas que possam fornecer treinamento e oportunidades de ajuda. A GHR enfrenta vários desafios. Se enfrentarmos aqueles que reduzem nosso potencial para contribuir, podemos nos tornar parceiros reais em GHR, trabalhando em favor de uma saúde global justa e de soluções para questões de saúde prioritárias.
  • Este breve artigo apresenta uma série de recursos e novos progressos em serviços de rede e de Internet. Embora muitas das aplicações estejam sendo utilizadas para publicação, diálogo, pesquisa e feedback em desenvolvimento, permanece a pergunta sobre o quão profundamente o desenvolvimento das comunicações, e em particular a Internet, está mudando a comunidade de desenvolvimento internacional e a forma como ela funciona.
  • Esta resenha examina as idéias teóricas que surgem de dentro do Movimento da Justiça Global e Solidariedade, também conhecido como o Movimento Anti-Globalização, ou Movimento dos Movimentos, e também revê a literatura que se concentra nesse fenômeno de autoria daqueles envolvidos de maneira próxima e também de outros observadores. A preocupação central é entender a natureza e significado do movimento dos movimentos conforme ele opera através das fronteiras locais, nacionais e globais e avaliar sua capacidade de representar e mobilizar milhões de pessoas no mundo inteiro que se posicionam para ganhar pouco ou nada mas que podem perder muito com a globalização neoliberal.
  • Este artigo apresenta algumas reflexões iniciais sobre as características distintivas dos Estudos de Desenvolvimento (ED). O objetivo é promover mais debate em vez de tentar “encerrar” a discussão. A discussão sobre a natureza dos DS é oportuna devido à expansão dos cursos oferecidos em vários níveis na última década; devido às críticas recorrentes aos ED nos últimos anos e porque o ED entrou em um período de “busca da alma” – ilustrado por diversos números especiais de revistas e eventos – para identificar suas características. O artigo argumenta que o ED é um esforço compensador (como uma preocupação em reduzir a pobreza global não poderia ser?) mas o campo de investigações precisa refletir sobre como isso aborda a heterogeneidade no “Terceiro Mundo” e abre espaço para “vozes” alternativas.
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  • Esse artigo examina as experiências de capacitação de duas equipes de pesquisa nas províncias de Yunnan e Guizhou no sudoeste da China que utilizaram o monitoramento e avaliação participativa (MA&P) para fortalecer suas ações de pesquisa de desenvolvimento, particularmente na área de gerenciamento de recursos naturais (GRN). Os autores descrevem seus esforços para incorporar as práticas de MA&P em seu trabalho. O processo mostrou-se desafiador apesar das mudanças políticas e econômicas na China que visam permitir mais espaço para as vozes locais e para o poder de tomar decisões no gerenciamento de recursos naturais e outros assuntos do vilarejo. A institucionalização do MA&P ainda tem um longo caminho a percorrer e precisará de mais prática de campo, mais integração nos processos de desenvolvimento organizacional e conexões mais fortes com agendas de mudanças políticas.
  • O argumento central deste artigo é o de que muitas das ferramentas desenvolvidas para fortalecer negócios com fins lucrativos podem ser aplicadas a ONGs para torná-las mais efetivas e transparentes. O artigo aborda uma lacuna na literatura sobre desenvolvimento ao definir e descrever como as ferramentas empresariais podem ser efetivamente transferidas para ONGs. Ele examina a implementação do Padrão de Qualidade ISO 9000 por uma ONG, a Cambodia Trust. As experiências da Cambodia Trust demonstram que as ferramentas empresariais têm espaço no gerenciamento de ONG. O artigo também questiona até que ponto a experiência cambojana pode ser vista como a melhor prática para ONGs.
  • Os programas de Serviços de Desenvolvimento de Negócios (BDS) têm se tornado uma questão central para doadores internacionais e ONGs. Concentrando-se em pequenas empresas em países em desenvolvimento, a abordagem de BDS atual gira em torno da idéia de que o desenvolvimento dos mercados é a chave para o sucesso. Contudo, muitos desses programas continuam a ter um impacto limitado. Uma revisão de teorias modernas de inovação e gerenciamento de marketing de serviços sugere que isso pode ocorrer porque a atual prática de suporte de BDS reflete um entendimento um tanto limitado sobre como novos mercados realmente se desenvolvem. Recorrendo às idéias que essas teorias oferecem, os autores sugerem que a prática de BDS deve desenvolver uma abordagem mais evolucionária, reconhecendo que inovações de serviço desenvolvem-se através de uma interação ativa e contínua entre fornecedores e clientes. O artigo conclui com orientações de políticas práticas e uma discussão sobre ferramentas que poderiam ajudar o BDS a adotar essa abordagem mais bem-sucedida.
  • As atividades do Comércio Justo no Hemisfério Sul têm tendido a ser estudadas em relação aos objetivos internos das próprias organizações de comércio justo. Esse artigo argumenta que é também importante considerar-se a “arena” mais geral do comércio justo ou o conjunto de interações. Os autores focalizam as “arenas” de café comércio justo da Tanzânia e Nicarágua e estudam o papel de quatro atores-chave – os pequenos produtores, as cooperativas, os parceiros de desenvolvimento e as autoridades públicas. Utilizando dados comparativos de estudos de campo conduzidos em 2002-2003, o artigo extrai questões-chave nacionais e internacionais que estejam afetando produtores locais. Ilustrando como o comércio justo desenvolve-se diferentemente de acordo com o contexto, o artigo examina como o movimento cooperativo na Nicarágua tem sido fortalecido pela produção do comércio justo, em contraste com a situação na Tanzânia. Ele conclui examinando alguns dos desafios enfrentados pelo comércio justo, inclusive como conciliar as demandas do mercado com o desenvolvimento da solidariedade.
  • Este artigo destaca alguns fatores-chave que influenciam o setor de microempresa na zona urbana do oeste da África francês. Baseando-se em entrevistas com microempresários e praticantes de microfinanças em Benin, Burkina Faso, Nigéria e Togo, esse estudo explora as necessidades, características, motivações e fatores de sucesso para as microempresas na região, juntamente com alguns dos obstáculos para o crescimento e sucesso dos empreendimentos da microempresa. Verificou-se que aqueles que operam microempresas na economia informal são empresários principalmente por necessidade e que suas necessidades mais básicas tendem a orientar suas atividades e comportamento empresarial. Observou-se também que seu sucesso foi limitado por várias barreiras, inclusive o acesso limitado ao capital, treinamento ruim e aversão geral ao risco. Como resultado, o desenvolvimento do setor de microempresa na zona urbana do oeste francês da África tem sido sub-ótimo e o artigo conclui que essa situação pode persistir a menos que as barreiras econômicas e sociais mais gerais sejam abordadas.
  • Sumário: O uso permutável dos termos microcrédito e microfinanças cria sérias confusões e mal entendidos nos discursos acadêmicos e políticas. Os programas de microcrédito fornecem principalmente um tipo de serviço, isto é, distribuição de empréstimos e coleta, enquanto os programas de microfinanças fornecem diversos serviços financeiros e organizacionais, inclusive crédito, poupança, seguro e desenvolvimento da comunidade. A partir da perspectiva funcional, as diferenças parecem ser mais semânticas do que substantivas. Contudo, as diferenças conceituais são fundamentais porque elas envolvem os motivos subjacentes e a forma como os dois tipos de empreendimento operam na prática. O microcrédito é essencialmente uma abordagem não-lucrativa do desenvolvimento e depende de suporte externo, enquanto que os programas de microfinanças buscam um retorno de lucro suficiente para se auto-financiar. Os dois programas, então, precisam ser tratados separadamente em relação ao seu papel no alívio da pobreza do Terceiro Mundo.
  • Os Ministérios das Finanças (MF) não podem ignorar o grande desafio imposto pelo HIV/AIDS ao desenvolvimento. Para lidar com a epidemia, uma nova abordagem abrangente e consistente é necessária: o HIV/AIDS deve ser enfatizado sistematicamente. Este artigo investiga os instrumentos que os MF empregam, podem empregar e devem empregar para se tornarem ativos e efetivos na integração sistemática da questão do HIV/AIDS através de suporte da implementação dos “três Uns”, promovida pela UNAIDS e outros parceiros – Uma estrutura estratégica, Uma Autoridade e Um Sistema de Monitoramento e Avaliação (M&A). São sugeridos caminhos estratégicos e também iniciativas específicas para explorar as vantagens comparativas dos MFs ao garantir a implementação de planos estratégicos nacionais, reposicionando autoridades nacionais e oferecendo a base para um sistema de M&A sólido.
  • Através de uma análise de exemplos práticos e literatura-chave, esse artigo avalia o que promoverá um melhor aprendizado em ONGs e parceiros de desenvolvimento e entre eles. Os autores exploram como os tipos e a qualidade de relacionamento atualmente em vigor no setor de desenvolvimento afetam o aprendizado, utilizando predominantemente experiências de relacionamento entre ONGs do hemisfério norte e sul. O artigo identifica aqueles aspectos de relacionamento que fomentam o aprendizado e aqueles que o inibem e apresenta recomendações para fortalecer o aprendizado. Os autores destacam a relevância do trabalho de parceria, os desafios impostos por ele e o seu potencial, assim como o impacto das demandas, procedimentos e processos de accountability nos relacionamentos organizacionais e no aprendizado.
  • Produzida pelas mulheres da zona rural do oeste da África e desejada por consumidores abastados de produtos de beleza naturais do hemisfério norte, a manteiga de karité parece ser uma forte candidata ao comércio justo, embora até o momento tenha havido pouco estudo da indústria. Esse artigo analisa as oportunidades e limitações do desenvolvimento das exportações comércio justo da manteiga de karité de Burkina Faso, levando em conta o contexto no qual a manteiga de karité é produzida e vendida localmente e internacionalmente, o conceito de comércio justo e o impacto das relações de gênero sobre a produção da manteiga de karité. Embora uma conclusão positiva ou negativa definitiva não possa ser tirada, tendo-se em vista os fatores complexos e divergentes que afetam o mercado internacional em potencial e o processo de produção, a autora conclui que o desenvolvimento da indústria de manteiga de karité do comércio justo em Burkina Faso possui um grande potencial. Contudo, tal desenvolvimento deve ocorrer com moderação e análise de possíveis desafios e limitações para se manter sustentável e viável para as mulheres produtoras rurais.
  • Sumário: Microcrédito é uma forma de fornecer serviços financeiros a pessoas que não têm acesso a fontes de crédito convencionais. Novos programas no Hemisfério Norte estão tentando repetir experiências bem-sucedidas no Hemisfério Sul. Mas tais programas têm suas próprias características que os diferenciam daqueles do Hemisfério Sul, como ilustrado em um estudo de caso de experiência na Espanha.
  • Graças a uma série de recursos naturais e riqueza de capital humano, o Vietnã está bem colocado para desenvolver seu setor de aquacultura. Embora seja um dos maiores produtores de mariscos, o Vietnã enfrenta problemas ambientais e de segurança alimentar e, portanto, um planejamento adequado é fundamental para que a aquacultura seja desenvolvida de forma sustentável. No Vietnã, os esforços estão sendo redobrados para melhorar as condições físicas em que a aquacultura é conduzida, fornecer condições técnicas, organizacionais, financeiras e de treinamento àqueles dependentes de tais atividades e promover o desenvolvimento do setor em geral.
  • Relatando sobre a Conferência Anual de 2005 da AccountAbility, Hyatt observa que a “indústria de accountability (transparência e responsabilidade)” voltada para o hemisfério norte está mais preocupada em prever os resultados e controlar recursos e, assim, está perdendo em grande parte a natureza moral e política da accountability em termos da promoção da eqüidade e integridade, estando pouco preocupada com o fracasso em se aprender e incentivar o aprendizado.
  • In English only
  • Este artigo discute a defesa de direitos humanitários no mundo contemporâneo dentro de uma crise mais geral da visão política. A defesa de direitos humanitários nos últimos 15 anos tem chamado a atenção para como as crises têm sido precipitadas por políticas do Estado e tem buscado a intervenção internacional para proteger as pessoas. Essa intervenção tem conseqüentemente se tornado associada com o desafio à soberania do Estado em desenvolvimento. O artigo afirma que o problema é o Estado fraco e sugere que o paradigma existente da defesa de direitos humanitários ajuda a legitimar a erosão da igualdade entre os Estados soberanos e a reafirmação das desigualdades internacionais.
  • A guerra crônica da Colômbia é uma das piores crises humanitárias do mundo. Em meio a grupos armados, violência difundida e crescente militarização, diversos cidadãos enfrentam hostilidade de todos os lados. Essa violência preserva a marginalização histórica dos afro-descendentes, indígenas e comunidades campesinas e é intensificada pela Guerra Global ao Terror. Neste contexto, as agências humanitárias são desafiadas em sua chamada para atender às necessidades daqueles que sofrem. Mas algumas comunidades de “paz” estão rejeitando a violência e buscando caminhos para sobreviver dentro da guerra — tornando-se protagonistas em sua própria proteção. Isso é arriscado; isso atrai acusações, ameaças e ataques de todos os grupos armados. No decorrer do tempo, a falta de meios de subsistência sustentáveis, a fraca coesão interna e as dinâmicas externas antagônicas testam a determinação das comunidades de paz. Este artigo examina quatro comunidades deste tipo e explora fatores que geram e sustentam o protagonismo de base, levando a sugestões sobre como as organizações de desenvolvimento podem aumentar a proteção em nível comunitário e reforçar os processos de paz locais para contribuir para a construção de paz mais ampla.
  • Este artigo ressalta a importância de fundamentar a análise sobre ajuda humanitária no entendimento da prática diária, apresentando e discutindo vinhetas etnográficas sobre três aspectos da resposta de ajuda humanitária no Sri Lanka após o episódio do Tsunami em 2004. O primeiro aspecto lida com a natureza dos atores humanitários, o segundo explora como diferentes tipos de políticas se entrelaçam e o terceiro discute a questão das parcerias humanitárias. Cada vinheta aponta a necessidade de análises detalhadas das práticas diárias como o ponto inicial para se compreender a ajuda humanitária. Isso iria requerer uma mudança nas abordagens acadêmicas atuais, em que discussões sobre ajuda humanitária normalmente iniciam-se a partir dos princípios em vez da prática. Argumenta-se que os relatos das práticas diárias e dilemas enfrentados pelas ONGs ajudam a contrabalançar expectativas limitadas, a expor admiração acrítica e a colocar críticas irrealistas em perspectiva.
  • Por que o mundo humanitário já se esqueceu das pessoas de Ruanda? E por que os sobreviventes do genocídio ruandês continuam a ser deixados de lado, particularmente aquelas mulheres que foram estupradas e intencionalmente infectadas pelo HIV/AIDS em uma campanha de violência sexual sistemática? O enfoque das organizações humanitárias deixou de ser Ruanda após 1994 e essas mulheres – a maioria delas tem de manter sozinhas a sua família – estão morrendo desnecessariamente porque não têm acesso a tratamento. Os esforços humanitários e de desenvolvimento não alcançarão benefícios duradouros sem que haja uma melhor coordenação e habilidade para agir conforme as lições aprendidas.
  • As Tony Vaux points out in his Guest Editorial in this issue, the concept of humanitarianism applies to both war and general disaster, and is based on the principle that ‘in extreme cases of human suffering external agents may offer assistance to people in need, and in doing so should be accorded respect and even “rights” in carrying out their functions’. However, policy makers in humanitarian agencies, and aid workers on the ground, face a bewilderingly complex set of challenges in determining such ‘rights’. Gone are any comfortable certainties about what in the commercial sector is known as ‘the licence to operate’, and claims to the moral high ground of ‘neutrality’ have an increasingly hollow ring. Perhaps more to the point, such assumptions are of little practical use to frontline workers who may risk ambush, abduction, deportation, or even their lives as the result of their professional activities. Nor do outdated road maps help relief agencies to orient their decisions on whether to withdraw or continue providing material assistance in the knowledge that a proportion of it is fuelling the violence or lining the pockets of conflict profiteers. There are no standard ‘off-the-peg’ answers, because each situation must be considered on its own merits. And of course no aid agencies share an identical mandate, or have precisely the same expertise or history of involvement with the affected population – all factors that must be weighed up in deciding what is the appropriate course of action. For reasons of space, we have not sought to cover the areas of early warning, prevention, and mitigation associated with ‘natural’ disasters, although of course the two are always linked, as became very clear in wake of the Asian tsunami in Aceh and Sri Lanka. It has long been recognised that since catastrophic events disproportionately affect the poor and marginalised, they expose and may intensify existing social divides and structural injustice. For instance, in his seminal work on the 1943 Bengal famine, Poverty and Famines: An Essay on Entitlement and Deprivation (OUP, 1984) Amartya K Sen argued that such food shortages do not occur in functioning democracies. Similarly, Roger Plant's, Guatemala: Unnatural Disaster (Latin America Bureau, 1978) showed how the 1974 earthquake triggered an intensification in state violence that was to result in the death or disappearance of 200,000 Guatemalans and create ‘a nation of widows and orphans’. In accordance with the focus of this issue, we have given priority to publications and organisations that reflect on some direct involvement in humanitarian endeavour, rather than giving priority to more policy-oriented or scholarly works or academic institutions. We have included literature on the 1994 genocide in Rwanda, since this was such a defining event for humanitarianism; and some recent publications concerning the US-led invasions of Afghanistan in October 2001 (‘Operation Enduring Freedom’) and Iraq in March 2003 (‘Operation Iraqi Freedom’), since these have significantly redefined the global landscape of policy and practice within which humanitarian agencies operate. Inevitably we can offer only a glimpse of the growing literature in these fields, but we hope in so doing that readers, and particularly those directly involved in humanitarian endeavours, will be encouraged to explore the issues further.
  • Seria compreensível que alguém concluísse a partir do debate atual que a “proteção de civis” é algo “feito para” os destinatários passivos da generosidade internacional. Seja nas intervenções em nível macro do Conselho de Segurança da ONU ou nas tentativas em nível micro de se reduzir os efeitos negativos da ação de alívio humanitário, as pessoas necessitadas de proteção raramente são vistas como atuantes centrais em relação ao seu próprio futuro. Embora esse tipo de intervenção externa possa ser valioso, ele está longe de ser o cenário completo de como as pessoas agem para sobreviver frente aos efeitos dos conflitos. Essa visão de proteção subestima seriamente a capacidade das pessoas que não têm escolha e, com isso, perdem-se oportunidades de ajudar as comunidades uma vez que elas são forçadas a adaptar-se às suas novas realidades. Uma ação efetiva humanitária, então, não apenas deverá concentrar-se nas ações daqueles com responsabilidade de proteger, mas deverá também apoiar e fortalecer as decisões racionais que as próprias pessoas tomam para ter “segurança” no conflito.
  • O artigo documenta lições aprendidas a partir de um estudo sobre parcerias de ajuda no desenvolvimento pós-conflito e construção da paz em Bougainville. O artigo examina como as agências doadoras, neste caso a Agência Australiana para o Desenvolvimento Internacional (AusAID), através da Agência Internacional de Desenvolvimento das Mulheres (IWDA), contribuiu para os sucessos e fracassos da Agência de Desenvolvimento de Mulheres de Leitana Nehan (LNWDA). Embora os doadores tenham contribuído para o desenvolvimento e capacidade organizacional da LNWDA, o balanço de poder permanece enviesado. Além disto, o emprego de um organismo intermediário na parceria exerce uma considerável pressão na LNWDA, uma vez que ela tem de lidar com múltiplas responsabilidades, afetando então o impacto de seu próprio trabalho na base. Argumenta-se que para aumentar o impacto de sua assistência, as agências doadoras precisam desenvolver uma estrutura na qual as parcerias são sustentadas através de responsabilidades mútuas e menos demandantes.
  • O humanitarismo e as políticas são mais freqüentemente considerados distintos do que semelhantes, apesar da crescente complexidade dos conflitos contemporâneos. Em alguns casos, a separação é muito grande e leva a conseqüências indesejadas. Esse artigo destaca o caso específico da fuga de um soldado renegado e 300 de seus homens para Ruanda, enquanto a comunidade internacional estava planejando o roteiro para uma solução ideal a que todos pudessem subscrever. O acordo não aconteceu e o artigo estuda o que fez com que as partes envolvidas não conseguissem chegar a uma solução, além de fazer recomendações sobre como melhorar a coordenação e complementaridade nas operações internacionais envolvendo uma série de atores.
  • Esta resenha explora a necessidade de tornar os papéis das mulheres e homens visíveis para se entender as formas diferentes pelas quais eles estão envolvidos com o conflito armado e como são por ele afetados, além de examinar as formas pelas quais os papéis de gênero, as relações entre mulheres e homens, são alterados durante tais conflitos e em conseqüência deles. A autora revê a literatura atual sobre a economia política dos conflitos e textos feministas sobre as mulheres nos conflitos, observando que a literatura atual sobre economia política dos conflitos tende a não enxergar a questão de gênero enquanto que os textos feministas geralmente falham em levar em conta um entendimento da Realpolitik mais geral. A autora concentra-se em cinco trabalhos feministas recentes que têm tentado fazer isto e, assim, têm contribuído para levar adiante o debate.
  • O setor de ajuda humanitária enfrenta uma crescente escassez de qualificações, em um momento em que ele aspira expandir a escala, a qualidade e o impacto de sua resposta às necessidades humanitárias. A rápida rotatividade de funcionários tem sido apontada como uma das principais limitações da capacitação de funcionários e aprendizado organizacional. Um estudo realizado para a Oxfam GB (OGB) confirma resultados anteriores de que práticas tradicionais de recursos humanos no campo humanitário, com diversos funcionários empregados sob contratos de curto prazo, têm impedido o desenvolvimento de qualificações e também o aprendizado de programa e o aprendizado organizacional.
  • A descentralização, ou a transferência do poder de tomar decisões e de fundos do governo central para governos locais é um dos mais importantes movimentos de reforma na América Latina. Mudanças constitucionais recentes no Equador têm contribuído para a democratização e empoderamento de governos municipais. Estudos de caso de três municípios de região montanhosa do Equador examinam novas oportunidades para a colaboração entre ONGs e governo municipal. As ONGs possuem uma considerável experiência em trabalhar localmente e podem ajudar os municípios com planejamento e capacitação. Os municípios oferecem às ONGs a legitimidade e responsabilidade locais que elas podem não ter, assim como as maneiras de expandir as atividades de projeto para fora das comunidades isoladas e manter os resultados quando a assistência da ONG terminar.
  • A intensificação de inovações locais na gestão de recursos naturais (NRM) envolve aprendizado que é centrado em três temas: promover inovação em nível local, entender por que inovações locais funcionam em contextos específicos e refletir sobre sua relevância em outros contextos geográficos e sociais. A intensificação bem-sucedida depende em parte das relações entre os stakeholders em diferentes níveis a respeito desse aprendizado. As experiências de pesquisadores que recebem apoio do Centro de Pesquisa sobre Desenvolvimento Internacional (IDRC) fornecem idéias sobre quatro questões: O que é intensificação? Por que intensificação? O que deve ser intensificado? E como intensificar? Os autores propõem que a intensificação é um processo que envolve vários stakeholders e que consiste em cinco componentes, incluindo: enquadramento do contexto, promoção da participação, fomento do aprendizado, fortalecimento das instituições e disseminação de experiências bem-sucedidas. Obstáculos importantes para a intensificação são a ausência de uma comunicação aberta e o reconhecimento mútuo entre os stakeholders dos direitos, responsabilidades e tarefas uns dos outros.
  • Evidências epidemiológicas combinadas com evidências de experiências de comunidades podem produzir resultados importantes e às vezes surpreendentes nas relações de gênero, para informar políticas que abordam necessidades variáveis. O CIET padronizou um modelo cruzado baseado na comunidade para coleção e análise sensíveis em relação à questão de gênero de três tipos de evidência: impacto, cobertura e custos. Cinco passos ajudam a garantir que as vozes das mulheres sejam ouvidas no planejamento. A análise estratificada por gênero dos dados existentes é um ponto inicial. A estratificação de todas as respostas por sexo dos respondentes evita uma distorção numérica em favor dos homens que se converta em uma distorção de gênero na análise. Grupos femininos focalizados geram informações ao modelo do questionário, interpretação e estratégias adequadas para mudança. Gênero é um fator na análise de risco e resistência. Por fim, uma logística sensível à questão de gênero garante uma participação igualitária das mulheres. Resultados de primeira ordem incluem dados sobre gênero que podem ser utilizados para advogar em favor das mulheres. Os resultados de segunda ordem incluem um ambiente capacitador para um desenvolvimento eqüitativo, desafiando os padrões de gênero da marginalização econômica.
  • O Comércio Justo tem se tornado uma dimensão dinâmica e bem-sucedida de uma contra-tendência emergente ao regime de globalização neoliberal. Este estudo explora alguns dos dilemas enfrentados pelo movimento Comércio Justo conforme ele busca ampliar e aprofundar seu impacto entre os pobres da zona rural do setor de café da América Latina. Argumentamos que os esforços para ampliar o impacto econômico do Comércio Justo entre os produtores de pequena escala e pobres estão criando desafios para aprofundar o impacto político de um movimento que está baseado na justiça social e sustentabilidade ambiental. O estudo baseia-se em uma pesquisa de dois anos e sete estudos de caso de cooperativas de pequenos produtores do México e da América Central que produzem café para o mercado Comércio Justo.
  • Este artigo descreve a metodologia de pesquisa seguida no “Projeto sobre Meios de Subsistência dos Extremamente Pobres”, um projeto de pesquisa colaborativa em Bangladesh entre a PROSHIKA (uma grande ONG nacional) e o DFID (Departamento para o Desenvolvimento Internacional do governo do Reino Unido). O objetivo duplo desse projeto foi aprender sobre os meios de subsistência das pessoas pobres e treinar a equipe de pesquisa da PROSHIKA no uso de métodos de pesquisa qualitativos. Os resultados da pesquisa eram para ser utilizados diretamente na formulação de políticas e no planejamento de novas intervenções de desenvolvimento para as pessoas mais pobres de Bangladesh. O artigo oferece uma avaliação do que a abordagem utilizada alcançou em termos de capacitação de funcionários e influência sobre políticas, concluindo que ela tem sido muito bem-sucedida no alcance de seus objetivos.
  • Following the Renamo/Frelimo conflict and the 1992 Rome Accord ending hostilities, the Christian Council of Mozambique undertook to remove arms from the civilian population by trading them for development tools. The weapons were given to artists associated with a collective in the capital, Maputo. The weapons were cut into pieces and converted to sculptures that subsequently focused international attention on the Tools for Arms project, or TAE (Transformação de Armas em Enxadas). While succeeding in drawing attention to the proliferation of arms among civilians, and collecting a considerable number of arms and munitions, the project encountered difficulties in relating the production of art to the overall initiative. This paper examines the aspect of the project that produced art from weapons, with insights and observations based on fieldwork conducted for CUSO and the Canadian International Development Agency (CIDA).
  • Este artigo critica a visão de desenvolvimento “centrada na liberdade” argumentando que embora o desenvolvimento deve dizer respeito à expansão da liberdade das pessoas, a dinâmica de poder entre os “desenvolvedores” e os “desenvolvidos” não deve ser ignorada. Existe pouca análise das implicações de um sistema político multipartidário (aparentemente equiparado à democracia) na promoção do desenvolvimento e da liberdade. Utilizando Malauí como ilustração, o autor argumenta que a liberdade e o desenvolvimento estão intrinsecamente ligados, a tal ponto que um não pode funcionar sem o outro. O acesso a serviços básicos sociais, o direito à participação democrática de todos os cidadãos e o direito de agir como atores econômicos livres não podem ser alcançados a menos que essa liberdade seja apoiada por estruturas de governo descentralizadas genuínas, sólidas parcerias entre o governo, partidos políticos de oposição e organizações da sociedade civil e uma boa governança apoiada por bons programas de educação cívica sobre os dois temas.
  • A integração sistemática da questão de gênero foi estabelecida na Plataforma para Ação de Beijing, de 1995, como uma grande estratégia para a promoção da igualdade de gênero. Como estratégia de desenvolvimento, a integração sistemática da questão de gênero requer atenção às perspectivas de gênero, tornando-as visíveis e mostrando as conexões entre a igualdade de gênero e a conquista de objetivos de desenvolvimento. Para se avaliar a integração sistemática da questão de gênero nos projetos e programas de desenvolvimento, é necessário o aperfeiçoamento dos critérios de avaliação, tais como relevância, efetividade, eficiência, impacto e sustentabilidade, com indicadores da integração sistemática da questão de gênero tanto no nível de projeto quanto de programa. Este artigo sugere uma estrutura para avaliar as intervenções de desenvolvimento a partir de uma perspectiva de integração sistemática da questão de gênero, com uma visão favorável à integração das perspectivas de gênero em todas fases do ciclo de projeto.
  • O setor industrial extrativo, cada vez mais dinâmico nos países em desenvolvimento, está cada vez mais ciente das questões ambientais e da comunidade envolvidas na mineração, incluindo questões relativas a gênero. Contudo, o enfoque principal consiste nos impactos da mineração sobre as “mulheres” na comunidade, deixando de lado questões práticas relativas aos processos de integração sistemática da questão de gênero dentro da companhia, no próprio local de trabalho. Quais ferramentas e abordagens seriam úteis para aqueles que estão abordando as questões de gênero no setor minerador, um setor que ainda é visto como uma área de trabalho masculino? Este breve artigo relata um estudo prático realizado em uma mina de carvão administrada privadamente na Indonésia. Através desse exemplo, o artigo sugere maneiras pelas quais é possível dar um primeiro passo em direção à integração sistemática da questão de gênero no setor de mineração.
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  • Embora a cooperação para o desenvolvimento possa causar ou exacerbar conflitos, a não oferta de ajuda não é a solução. A questão é como oferecer ajuda de maneira a evitar conflitos, de forma que se alcance a paz sustentável. Essa Nota Prática examina como as ONGs têm evitado e gerenciado conflitos surgidos de projetos hídricos na Etiópia. A estrutura legal e as definições institucionais na Etiópia deixam pouco espaço para manobra para as ONGs e, assim, o escopo delas para adotar uma abordagem que evite conflitos concentra-se principalmente em serem mais sensíveis e não partidárias do confronto, embora mantendo-se firmes em seu estilo de comunicação. Diferentes condições de financiamento e uma estrutura legal mais adequada são fundamentais para aumentar a efetividade das ONGs na prevenção de conflitos.
  • Uma visita a Gana, com os anfitriões interessados em desenvolver líderes e o convidado interessado em países em desenvolvimento, levou ao questionamento de ambos. Três abordagens do desenvolvimento foram discutidas. A abordagem de cima para baixo do planejamento governamental, desacreditada com a queda do comunismo, tem sido substituída por uma abordagem da “globalização” de fora para dentro, que é agora promovida como a forma de desenvolver uma economia. Mas alguma nação já se desenvolveu lançando-se de maneira aberta a companhias, capital, especialistas e crenças estrangeiras? As notáveis histórias de sucesso, incluindo a dos EUA, apontam para uma terceira abordagem, desenvolvimento local de dentro para cima, que tem operado com intervenção estatal. A globalização, assim, nega aos países em desenvolvimento a própria base com a qual outros países se desenvolveram. Esse argumento é elaborado com um outro correspondente acerca do desenvolvimento de líderes, que deve também ocorrer domesticamente, a partir da experiência de vida de indivíduos, e não programas que se proponham a criar líderes. Nós já tivemos destruição o bastante em nome de lideranças heróicas assim como tivemos o bastante de especialistas externos pretendendo desenvolver os países “em desenvolvimento”.
  • A colaboração tornou-se uma palavra comum para praticantes e teóricos do desenvolvimento. Contudo, a colaboração e as parcerias entre acadêmicos, de um lado, e pesquisadores e ativistas baseados na comunidade, de outro, têm freqüentemente se mostrado difíceis. Isso é particularmente verdadeiro no caso de parcerias com pesquisadores comunitários de base e de menor dimensão, que possuem geralmente menos recursos do que seus parceiros acadêmicos. Este artigo concentra-se em tais parcerias no caso da pesquisa sobre gênero, com o objetivo de refletir sobre problemas e sucessos antigos a fim de desenvolver estratégias para tornar tais projetos realmente mais colaborativos, em vez de um campo minado de promessas não-cumpridas e ressentimentos silenciosos (e às vezes explícitos).
  • Este artigo examina as lições que emergem de uma abordagem específica para associar ativismo e academia – a parceria em pesquisa colaborativa entre acadêmicos e ativistas. O que essas lições compartilham é um foco em reconhecer a diferença a fim de unir as pessoas.
  • Décadas de prática de desenvolvimento sugerem a importância fundamental de aperfeiçoar os sistemas de distribuição de ajuda e a competência dos envolvidos [stakeholders] a fim de melhorar o bem-estar das pessoas pobres. Entretanto, é questionável que o sistema de ajuda humanitária seja capaz de transformar suas atitudes e valores através de tais parcerias em uma maneira que vá realizar esse aperfeiçoamento. Este artigo sugere que para essa mudança ser possível, processos de aprendizagem individual, organizacional e inter-organizacional devem ser encorajados, de uma forma que não sacrifique o conhecimento adquirido pelos trabalhadores de ajuda humanitária nos processos de gestão global. O artigo examina procedimentos em projetos de educação comunitária financiados bilateralmente em Gana, com o objetivo de oferecer idéias sobre o funcionamento de esquemas de parceria como um meio de contribuir para a redução da pobreza global. Exemplos críticos de projetos de estudos de caso revelam as formas pelas quais o aprendizado é facilitado, utilizado, ignorado e bloqueado conforme as relações organizacionais desenvolvem-se.
  • Este artigo trata do papel da agricultura urbana no enfrentamento das necessidades práticas e estratégicas das mulheres africanas e examina as implicações em termos de gênero resultantes da incorporação da agricultura urbana como uma estratégia de intervenção no desenvolvimento. Evidências empíricas de Botsuana e Zimbábue apontam para o papel multi-facetado da agricultura urbana à medida que algumas mulheres utilizam essa atividade para dar apoio às suas famílias no dia-a-dia, enquanto outras a utilizam como um caminho para o empoderamento social e econômico no longo prazo. Com o objetivo de beneficiar em vez de sobrecarregar as mulheres, a promoção e o apoio da agricultura urbana devem incorporar uma agenda emancipatória, que dê suporte a metas individuais práticas e estratégicas e que, em última instância, desafie as condições estruturais que dão origem ao envolvimento das mulheres naquela atividade em primeiro lugar.
  • Existem diversos desafios éticos e problemas sérios relacionados à condução da pesquisa de desenvolvimento em um país pobre. Argumenta-se aqui que a melhor maneira de garantir que a pesquisa seja ética é aplicar três princípios básicos. Ao focalizar a auto-determinação, legalidade, justiça e beneficência, é possível evitar os riscos de uma abordagem aética e formal. Este artigo discute os desafios particulares de aplicar orientações tradicionais da universidade sobre ética em pesquisa na condução de pesquisa social no Uzbequistão, onde a observância de todas essas orientações impediria que a pesquisa ocorresse. Contudo, aplicando os princípios éticos mais básicos, foi possível elaborar um projeto de pesquisa ético.
  • Este artigo examina diferentes usos de rendas extraídas da floresta por comunidades locais em Camarões. Acompanhando a legislação florestal de 1994, as comunidades locais tiveram a oportunidade de gerar renda a partir das florestas na forma de taxas anuais sobre companhias madeireiras e através da criação de florestas comunitárias. Atualmente, várias comunidades nas vilas estão se beneficiando desses mecanismos financeiros, que devem possibilitá-los reduzir sua pobreza crônica e desenvolver-se. Porém, este estudo – realizado no vilarejo de Congo – mostra como essas rendas são geralmente mal administradas e desviadas pelas elites locais. Essa descoberta entra em conflito com o objetivo de redução da pobreza subjacente ao desenvolvimento de florestas comunitárias e à alocação de uma parte da taxação das florestas para as populações locais. Uma mudança profunda é necessária, através da instituição de governança local democrática.
  • O Balanço de Pesquisa relata sobre a fase piloto do “Desafiando as Fronteiras da Redução da Pobreza/Focalizando o Programa dos Ultra-Pobres” (DFRP/FPUP) do BRAC, que foi inicidado em três dos mais pobres distritos do norte de Bangladesh (Nilphamari, Rangpur e Kurigram) em Janeiro de 2002. Os autores encontraram um estreita relação entre as condições iniciais dos participantes do programa e o grau de mudança que eles têm experimentado em suas vidas desde o início do mesmo, com os mais vulneráveis relatando as menores mudanças. Algumas modificações no DFRP/FPUP são recomendadas.
  • O melhor uso de evidências baseadas em pesquisa na política e prática do desenvolvimento pode salvar vidas, reduzir a pobreza e melhorar a qualidade de vida. Mas para isso ocorrer mais efetivamente, os pesquisadores necessitam fazer três coisas. Primeiramente, eles necessitam desenvolver uma compreensão detalhada de (a) o processo de tomada de decisões – quais são os fatores centrais de influência e como eles se relacionam entre si?; (b) a natureza das evidências que eles possuem ou esperam obter – são confiáveis, práticas e operacionalmente úteis?; e (c) todos os outros participantes [stakeholders] envolvidos na área de formulação de políticas – quem mais pode ajudar a difundir a mensagem? Em segundo lugar, eles necessitam desenvolver uma estratégia geral para seu trabalho – identificar apoiadores políticos e oponentes; ficar atentos e ser capazes de reagir a janelas de oportunidade nas políticas; assegurar que as evidências são confiáveis e úteis na prática e construir coalizões com grupos com visões semelhantes. Em terceiro lugar, eles necessitam ser empreendedores – conhecer e trabalhar com os formuladores de políticas, construir programas de pesquisa de longo prazo confiáveis, comunicar efetivamente, utilizar abordagens participativas, identificar pessoas capacitadas em vendas e contatos e utilizar redes paralelas. Baseado em cinco anos de pesquisa teórica e em estudos de casos, o programa de Pesquisa e Políticas em Desenvolvimento da ODI desenvolveu um esquema analítico simples e ferramentas práticas que podem ajudar os pesquisadores a realizar isso.
  • Esta Nota Prática examina a elaboração e implementação de programas de Desenvolvimento Orientado pela Comunidade (DOC), utilizando o Programa de Desenvolvimento Kecamatan (PDK) e o Programa de Pobreza Urbana (UPP) na Indonésia como estudos de caso. Lançados em 1998, ambos têm sido elogiados como dois bem-sucedidos pilotos do DOC, possibilitando que grupos comunitários ganhem controle sobre recursos financeiros e processos de decisão. Apesar das similaridades, o artigo chega à conclusão de que diferentes abordagens DOC foram adotadas, por várias razões. Explorando a racionalidade e as escolhas envolvidas nas diferentes abordagens, o artigo oferece idéias mais profundas acerca de como os princípios DOC podem ser traduzidos em práticas locais.
  • Este artigo descreve uma técnica utilizada para avaliar um projeto de suporte e desenvolvimento de uma ONG no Nepal. O projeto está operando desde 2000 ou antes em cinco Distritos do Nepal e tem o objetivo principal de dar apoio às ONGs para que trabalhem mais próximas com as pessoas mais pobres e em desvantagem em suas áreas de atuação. A metodologia de avaliação de impacto utilizada é participativa e qualitativa, mas chega a um conjunto de estimativas quantitativas de valor adicionado do projeto em termos de estágios de empoderamento. Os resultados sugerem que o projeto foi bem-sucedido em desenvolver as capacidades internas das ONGs e melhorar as relações entre pessoas pobres e em desvantagem, mas que o impacto sobre os seus meios de sobrevivência é mais limitado mesmo após três anos ou mais de auxílio intensivo.
  • As agências de ajuda humanitária oferecem financiamentos significativos para pesquisa dirigida ao desenvolvimento sócio-econômico. Essas agências tipicamente requerem pesquisadores de fora do país (FP) para trabalharem com pesquisadores de dentro do país (DP) em tais projetos. Além do mais, a construção de capacitação em pesquisa para pesquisadores DP é freqüentemente um objetivo importante. Este artigo foi escrito a partir da perspectiva de um pesquisador FP engajado na construção de capacitação em pesquisa para pesquisadores DP.
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  • Este artigo defende uma combinação de engajamento de longo prazo no fornecimento de segurança, culminando em treinamento e planejamento de novas forças de segurança; uma abordagem abrangente para reintegrar ex-combatentes que também beneficiam comunidades receptoras de civis e ajuda a garantir que os meios de subsistência agrícolas tornem-se viáveis; e a abertura de um espaço para discussão sobre questões de governança e distribuição de renda que é apoiada por uma curadoria de coleta de renda, que toma algumas das principais áreas de pilhagem econômica do limite de atividade do estado e deposita rendas do estado de forma transparente nos cofres públicos, deixando isto para uma nova cultura de políticos liberianos que vai surgir.
  • Desde o início da década de 1990, a comunidade internacional tem se tornado cada vez mais envolvida nos esforços de (re-)construir estados que foram devastados pela guerra e conflitos violentos. Hoje, somente as Nações Unidas já está engajada em mais de dez missões políticas e de construção da paz em todo o mundo. O trabalho mais recente de Roland Paris, At War's End: Building Peace after Civil Conflict (2004) examina 14 das principais missões de construção da paz da ONU lançadas entre 1989 e 1999. Em particular, Paris questiona se os modelos predominantes de manutenção da paz, com sua ênfase na rápida democratização e liberalização de mercado, são apropriados para os frágeis contextos pós-conflito. Nesta entrevista, Roland Paris compartilha o que pode ser aprendido com o registro da construção da paz sobre sua efetividade como forma de prevenir a recorrência da violência nas situações pós-conflito.
  • Uma revisão crítica de cinco publicações contrastantes sobre a construção da paz, incluindo o relatório da ONU de 2004 "Um Mundo Mais Seguro".
  • Esta lista anotada destaca algumas das 70 publicações recentes e organizações que focalizam primariamente o que acontece após o conflito em vez do antes ou durante o conflito armado. Entre as questões abrangidas estão os aspectos políticos, econômicos e sociais da reconstrução do pós-guerra e questões relativas à justiça de transição e reconciliação pós-conflito e temos buscado oferecer uma amostra da crescente literatura teórica e empírica, analisando os desafios contemporâneos envolvidos na construção da paz e reconstrução do pós-guerra.
  • O grande desafio enfrentado por um número crescente de intervenções para construção da paz internacional é alcançar a paz sustentável. Este artigo ilustra esta proposição através de uma breve investigação da situação em Timor Leste, quando a missão da ONU retira-se após os cinco primeiros anos de reconstrução, e no Haiti, quando uma nona missão da ONU é estabelecida. Adotando a visão de que uma governança democrática participativa será o melhor para se garantir a paz no longo prazo, o artigo afirma que a construção da paz sustentável requer transformações em três frentes inter-relacionadas: (a) transformação da sociedade, que passa de uma sociedade que recorre à violência para uma que recorre a formas políticas de solucionar o conflito, requerendo que a elite negocie, e de que deve haver um amplo diálogo social e reconciliação; (b) reforma da estrutura de governança para buscar garantir que um arranjo de governança negociado entre as partes evite conflitos futuros e a adoção de uma governança democrática básica; e (c) a criação de instituições sérias que serão sustentáveis após a missão partir. Essas instituições não podem ser impostas de fora, mas devem ser órgãos que sejam capazes de desempenhar suas funções centrais e estejam comprometidas a fazer isso.
  • Um relatório recente do Banco Mundial reitera a visão amplamente sustentada de que as agências doadoras comprometem grande volume de fundos na fase imediata do pós-conflito, apenas para voltar a níveis mais "normais" quando a crise acaba. O Banco Mundial critica este fenômeno, conhecido como "sobrecarga frontal", afirmando que ele prejudica as perspectivas de crescimento econômico, que por sua vez prejudica a paz. Este artigo argumenta que a análise do Banco é incorreta pois ela não faz distinção entre comprometimentos e desembolsos, nem leva muito em conta outros fatores que influenciam modelos de ajuda no decorrer do tempo e em diferentes cenários. Além disto, a conexão entre ajuda oficial e desempenho econômico de pós-guerra possui apenas significado marginal. Qualquer crítica das políticas de ajuda precisa estar baseada em uma análise detalhada do que é implementado em vez do que é prometido e do impacto da assistência dos doadores na base.
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  • Este artigo explora três temas principais em comparação com os processos de transição no Afeganistão e Iraque: (i) a clareza das estruturas de transição e a necessidade de separar discussões sobre tais estruturas de debates sobre novos arranjos constitucionais; (ii) o grau de representação nas instituições de transição e a disponibilidade de canais para consulta política nos processos de transição; e em terceiro lugar, a participação massiva da sociedade civil e do público nos processos de transição.
  • Este artigo concentra-se no debate sobre o impacto de desenvolvimento da migração nos países remetentes. Durante todo o período do pós-Segunda Guerra Mundial, a migração de força-de-trabalho temporária tem sido promovida como um caminho de desenvolvimento. As remessas monetárias têm crescido até o nível ou até mesmo ultrapassado o nível da assistência ao desenvolvimento oficial e têm elevado o padrão de vida nos países que exportam trabalho. Contudo, as evidências no decorrer do tempo são as de que as remessas não levam ao desenvolvimento ou até mesmo a rendas mais altas que são sustentáveis sem migração adicional. Alguns esquemas de migração de força-de-trabalho temporária parecem promissores. Mas onde o modelo de migração e remessa monetária fica preso a um arranjo semi-permanente (a linha padrão é "Não há nada mais permanente do que a migração "'temporária'"), isso pode ser uma armadilha de desenvolvimento para o hemisfério sul, embora em um semi-permanente "Acordo de 3 D's", o hemisfério sul renuncia ao auto-desenvolvimento em favor de ser uma comunidade dormitório de longo-alcance para fornecer a mão-de-obra para empregos sujos, perigosos e difíceis no hemisfério Norte.
  • Esta Rodada de Pesquisa resume os resultados do Relatório sobre `Controle de Armas de 2004: Armas ou Crescimento?' Avaliando o Impacto da Venda de Armas sobre o Desenvolvimento Sustentável', publicado pela Anistia Internacional, IANSA e Oxfam International, em associação com a Ploughshares e Saferworld.
  • Este artigo relata um projeto de pesquisa colaborativa que mostra como a pesquisa social participativa pode ser utilizada como uma estratégia para combater a exclusão social. O Projeto de Parceria de Prevenção do Crime reuniu grupos dominantes e desempoderados para explorar questões sociais de preocupação mútua e identificar soluções em potencial. Estudantes australianos indígenas de graduação desempenharam um papel central neste projeto, trabalhando com a polícia como aprendizes no serviço para clientes e com a universidade como membros de um grupo de pesquisa. Este projeto tornou-se uma oportunidade de treinar e empoderar novos pesquisadores que, como pessoas de grupos em desvantagem, trouxeram seus conhecimentos, preocupações e visões mundiais para um processo de pesquisa que eles próprios ajudaram a montar e realizar. O resultado foi um processo de aprendizado para todos os envolvidos, referido aqui como empoderamento multidirecional. Esse processo levou à construção de uma ponte tangível entre instituições do mainstream e poderosas e a comunidade em desvantagem. O processo do projeto oferece um modelo para utilizar a pesquisa participativa como uma estrutura com que abordar questões de desenvolvimento.
  • Como ferramenta para pesquisa e para estruturar a interação no nível-comunidade, a PRA está agora bem inserida na prática de desenvolvimento. Este artigo, contudo, argumenta que para desempenhar um papel capacitador em direção à ação da comunidade, os promotores precisam oferecer muito mais do que a abordagem da PRA tradicional. Baseada no trabalho com grupos de mulheres e de homens em Bengala do Norte, o artigo descreve como políticas locais e as estratégias dos promotores interagem e complicam o uso das abordagens de planejamento como a PRA. O artigo enfatiza a necessidade de estratégias de promoção efetivas e de longo prazo que levem em conta considerações organizacionais, metodológicas e contextuais e argumenta que as organizações precisam investir muito mais do que normalmente ocorre para garantir a qualidade dos promotores.
  • O Quênia ainda não é um grande país de emigração mas a emigração de profissionais e técnicos quenianos está aumentando em importância. Os quenianos e aqueles com conexões com o Quênia vivendo no exterior são um recurso potencialmente importante para o desenvolvimento nacional. É útil, então, examinar as várias formas pelas quais esse potencial pode ser mais efetivamente realizado. O artigo primeiramente discute os modelos e impacto da emigração antes de explorar as diferentes maneiras pelas quais a contribuição dos quenianos no exterior pode ser aumentada. O artigo, então, lança propostas para ação prioritária com vistas a implementar as iniciativas sugeridas.
  • O Banco Mundial e as religiões do mundo todo são duas das forças mais poderosas nos países em desenvolvimento. O Banco Mundial possui acesso a vastos recursos financeiros, enquanto a fé possui um grande acesso social e credibilidade. A parceria entre o Banco e grupos religiosos poderia ter um impacto significativo nos esforços de desenvolvimento, mas um diálogo entre eles parece ser impotente. Esta situação é decepcionante. O diálogo surge da mudança de longo prazo do Banco Mundial em direção à redução da pobreza e à participação popular. Contanto que o Banco continue a abordar essas questões, suas ações o levarão ao contato com grupos religiosos. Apesar de suas limitações, o diálogo entre Banco e fé tem promovido uma maior abertura a grupos de fé entre funcionários do Banco, que por sua vez tem resultado em tarefas específicas sendo concedidas a grupos de fé em diversos programas sólidos do Banco e aberto a porta para parcerias futuras.
  • As remessas monetárias dos trabalhadores globais têm crescido notadamente nos últimos anos. As remessas são agora um fator-chave macroeconômico em diversos países em desenvolvimento, representando um significativo e crescente percentual de fluxo monetário interno. Para diversos países em desenvolvimento, as remessas monetárias são comparáveis ou mesmo superior ao total dos ganhos com exportação, da assistência oficial ao desenvolvimento (ODA) e do investimento estrangeiro direto (FDI). Os fluxos de remessa são também mais progressistas do que estes outros fluxos internacionais, uma vez que eles são distribuídos de maneira mais igualitária. O volume relativo destes recursos e seu rápido crescimento na última década tornam as remessas monetárias cada vez mais significativas em termos de desenvolvimento. Concentrando-se na Nicarágua, este artigo revê a importância crescente das remessas e examina seu potencial para promover resultados de desenvolvimento positivos para os países em desenvolvimento.
  • Baseado em pesquisas primárias sobre a aplicabilidade das estruturas de exclusão social para as experiências de pessoas com hanseníase em Bangladesh, este artigo compara duas maneiras de intervenção: educação da sociedade sobre saúde e reabilitação sócio-econômica de pacientes individuais. Essas intervenções comumente permanecem distintas mas conclui-se que apenas integrando as duas abordagens o preconceito profundamente enraizado pode ser removido, promovendo o diagnóstico precoce e a eliminação da hanseníase. Os processos de inclusão são mais efetivos quando eles envolvem os mesmos atores que promoveram a exclusão e quando eles criam pontes entre divisões rígidas que separam os excluídos da sociedade excluidora ou do grupo excluidor.
  • As remessas totais de trabalhadores migrantes (US$80 bilhões em 2003) ultrapassaram significativamente o montante total de assistência ao desenvolvimento do exterior (US$55 bilhões no mesmo ano). Muitos concluem que tais remessas oferecem uma contribuição positiva para o desenvolvimento no hemisfério sul global. Contudo, as experiências de mulheres trabalhadoras da área de saúde e migrantes contradizem os pressupostos fáceis e esperançosos sobre os efeitos positivos da migração. Além disto, as análises mais economicistas dos benefícios da migração não subtraem seus custos em termos de gênero e sociais quando são calculadas as economias de trabalho no hemisfério norte ou a renda das remessas no hemisfério sul.
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  • A educação não-formal freqüentemente representa uma última chance para meninas adolescentes que não freqüentam a escola de ter acesso a alguma educação para melhorar sua saúde antes de tornarem-se mães. Este artigo descreve o desenvolvimento de um currículo de alfabetização e educação sobre saúde para meninas adolescentes no sul de Malauí que nunca terão acesso a escolas formais. O currículo foi redefinido à luz dos comentários dos participantes e observações dos provedores. As mensagens sobre saúde poderiam resultar em mudanças mas teriam tido impacto limitado nas práticas de saúde de meninas sem a participação da comunidade mais geral. A visibilidade inata do currículo "sob as árvores" foi um fator-chave para promover o envolvimento dos moradores dos vilarejos e o aprendizado exponencial.
  • Poucas questões no processo de desenvolvimento são tão polêmicas quanto o papel do setor privado internacional na forma de corporações transnacionais (TNCs) e investimento direto estrangeiro (IDE). Esse artigo revê a pesquisa mais recente sobre o impacto do IDE no crescimento econômico e redução da pobreza nos países em desenvolvimento. Um breve histórico do IDE é oferecido. Esse histórico é seguido por uma discussão dos mecanismos de transmissão conceitual conectando IDE, crescimento e pobreza. As evidências empíricas disponíveis são então discutidas. Argumenta-se que não se trata de uma questão sobre se o IDE é bom ou ruim para o desenvolvimento social e econômico, mas que seu impacto é determinado pelos termos nos quais o IDE é aceito. Embora no geral a evidência sobre IDE, crescimento e pobreza não seja conclusiva, a pesquisa tem seguido uma tendência de sugerir que os benefícios do IDE estão ligados ao regime de política do IDE e que a ortodoxia atual de manter-se em regime de política de IDE altamente liberal leva a uma situação em que os países em desenvolvimento possuem um precário trade-off (opção conflitante) entre atrair o IDE e manter instrumentos de política para extrair os benefícios de qualquer influxo de capital.
  • Este artigo investiga como, por que e quando as estratégias baseadas na comunidade são efetivas para promover a responsabilidade e transparência corporativa (RTC) para os pobres. Argumenta-se que as abordagens da corrente dominante sobre a responsabilidade social corporativa (RSC) subestimam a importância do poder na relação entre corporações e as comunidades nas quais eles investem, o que limita sua aplicabilidade para diversos contextos de países em desenvolvimento em particular. Ao abordar essa negligência, o artigo recorre à literatura sobre poder, responsabilidade e transparência e participação dos cidadãos para analisar 46 casos onde as comunidades têm tentado manter as corporações compromissadas com suas responsabilidades sociais e ambientais. O artigo argumenta que mais atenção deveria ser prestada a vários fatores ligados ao Estado, corporações e comunidade, que são vistos como cruciais para a efetividade de estratégias que visam levar a RTC aos pobres.
  • Embora o conceito de que as corporações são responsáveis não apenas por seus acionistas mas também pelos impactos sociais e ambientais de suas atividades tenha entrado agora na corrente dominante, ainda é necessário haver pressão para garantir que as companhias honrem seus compromissos públicos. Esse artigo descreve o trabalho do Conselho Ecumênico para Responsabilidade Corporativa em aproveitar o poder dos acionistas individuais e investidores éticos para manter as companhias responsáveis, com particular referência às atividades da Shell na Nigéria e na República da Irlanda. Argumenta-se que as companhias não existem para promover o desenvolvimento comunitário e assim devem ser julgadas não nesses termos, mas quanto ao impacto de como eles conduzem suas atividades centrais.
  • Questões econômicas associadas à pobreza são complexas e requerem respostas holísticas para realizar as metas de desenvolvimento sustentável. Embora as próprias empresas já possam ter significativos impactos econômicos, a conexão entre o comportamento no nível da empresa e aspirações de desenvolvimento no nível macro não está clara. Ao desenvolver uma sólida compreensão sobre como as companhias entendem e gerenciam esses impactos, estamos melhor posicionados para entender como aglomerados de responsabilidade corporativa, organizações da sociedade civil e governos podem utilizar os impactos do setor corporativo para alcançar resultados de desenvolvimento sustentável qualitativamente melhores no nível macro.
  • Enquanto a responsabilidade social corporativa (RSC) aumenta nas grandes organizações empresariais, uma abordagem genuína para o desenvolvimento sustentável é freqüentemente melhor alcançada através da cadeia de abastecimento. Isso é aplicável diretamente às interações nas cadeias de abastecimento dos hemisférios Norte-Sul (organizações do setor privado, ONGs e doadores). A RSC tem adotado técnicas utilizadas no setor de "desenvolvimento", porém um fluxo inverso não tem sido observado em direção ao setor de "desenvolvimento". Isso é lamentável. Organizações do setor privado e ONGs (especialmente as maiores) são bem posicionadas para aproveitar o aumento na RSC relacionada aos países em desenvolvimento. Ainda mais importante, os doadores de todos os tipos teriam aumentado sua influência se eles tivessem assumido os princípios da RSC. Os custos de oportunidade não são altos e o potencial de advocacy é enorme. Este artigo revisa as técnicas de RSC e argumenta em favor de que os doadores aceitem o desafio de incorporá-los em suas operações para que influenciem mais eficientemente o processo que eles buscam transformar.
  • Uma corporação tem apenas habilidade limitada para criar capital social através da atividade filantrópica e, em um contexto de declínio da ajuda oficial, o setor corporativo está assumindo crescentemente um papel efetivo no desenvolvimento. A presença do capital social apóia as comunidades na sua mudança para o desenvolvimento sustentável e pode contribuir para os argumentos em favor das parcerias entre corporações e comunidades. Embora não seja papel das corporações distribuir serviços sociais, sua habilidade de elevar o capital social através de parcerias com organizações comunitárias pode tanto contribuir para o desenvolvimento quanto atuar para sua própria vantagem econômica. Tais parcerias, se filantrópicas ou econômicas, serão mais efetivas se estabelecidas por meio de relações equilibradas e transparentes com as organizações comunitárias que ajudem a criar capacidade social no nível local.
  • O pensamento dominante sobre desenvolvimento, com a exceção de umas poucas áreas como microcrédito, tende a favorecer o tamanho em detrimento do conteúdo. Este artigo tem por objetivo desafiar a crença de que empresas, mercados e instituições de grande porte são os meios mais efetivos de "promover o desenvolvimento". Nós argumentamos que, definindo instituições que atendam diferentes necessidades em diferentes escalas, resultados de longo prazo em termos de desenvolvimento sustentável são mais prováveis. Através de uma análise do pensamento da "nova economia", nós olhamos especificamente como o conceito de subsidiaridade poderia ser aplicado ao pensamento sobre desenvolvimento nos níveis comunitário e empresarial, ao mesmo tempo em que utilizamos alguns exemplos de onde o conceito já é manifesto na prática, tal como na produção de energia e mercadorias.
  • No mundo corporativo, o desenho tem recebido crescente atenção ao longo dos últimos 50 anos e é atualmente firmemente inserido em quase todos os aspectos da atividade corporativa. Este artigo explora o papel do desenho no desenvolvimento. O desenho é amplamente utilizado e compreendido, dentro de economias capitalistas, como forma de indicar um conjunto diverso de instrumentos, utilizados para maximizar a participação acionária, vendas, lucros e para apoiar a diferenciação de mercado e a identidade de marca dos produtos. O progresso de dois caminhos convergentes relacionados ao desenho são brevemente tratados: o crescimento, desde 1950, de uma visão de que o desenho possui uma contribuição real a ser oferecida à responsabilidade e sustentabilidade social; e a crescente evidência de habilidades relacionadas ao desenho sendo utilizadas em contextos de desenvolvimento. O artigo revê os vários modelos alternativos que estão sendo desenvolvidos e conclui com um grande número de estudos de casos curtos, que ilustram esses modelos e iluminam o potencial de suas metodologias largamente baseadas em processos para a atividade do setor privado em um contexto de desenvolvimento.
  • Muitos governos e agências de ajuda acreditam que pequenas empresas podem contribuir para promover desenvolvimento mais eqüitativo, bem como elevar a competitividade de indústrias locais dentro de uma economia global. Embora pequenas, micro e médias empresas (PMEs) possam ter um papel na criação de empregos e na geração e distribuição de riqueza, elas necessitam superar vários obstáculos. Este artigo enfatiza a importância de compreender o contexto específico, estabelecendo prioridades entre metas de política concorrentes e distinguindo entre os papéis reais e potenciais de distintos tipos de empresas (por setor, tamanho e localização geográfica). Somente em tal base é possível identificar os recursos e políticas mais adequadas para cada meta e cada tipo de empresa. Esses argumentos são ilustrados com a África do Sul, cujo governo tem procurado simultaneamente promover o desenvolvimento baseado em PMEs, Empoderamento Econômico Negro e competitividade global.
  • Desde meados da década de 1980, as agências de ajuda têm endossado a necessidade de apoiar o desenvolvimento da empresa privada em países de baixa renda como um instrumento de desenvolvimento econômico geral e redução de pobreza. A colaboração facilitada entre firmas em países industrializados e em desenvolvimento tem se tornado uma das mais populares formas de assistência neste empreendimento. Embora tais colaborações variem em forma, todas elas envolvem terceiras organizações que identificam parceiros e patrocinam os primeiros passos no estabelecimento de uma plataforma empresarial para a cooperação. Este artigo discute os mecanismos envolvidos em tal facilitação e avalia a efetividade das instituições catalizadoras em cultivar a colaboração entre companhias nos países industrializados e em desenvolvimento. A discussão é ilustrada com estudos de caso extraídos de Gana.
  • O microcrédito, definido como pequenos empréstimos para pessoas que não possuem acesso regular ao crédito, é uma estratégia inovadora na luta contra a pobreza. As instituições de microcrédito podem obter fundos dos Investidores Institucionais Privados (IIPs) que canalizam recursos de doadores, emprestadores privados e investidores socialmente responsáveis. O financiamento privado da ajuda de desenvolvimento provavelmente se tornará mais importante e o microcrédito apresenta uma oportunidade de investimento dentro deste contexto. As instituições de microcrédito (IMCs) necessitam tornar-se mais transparentes, contudo, e exigir mais incentivos para buscar fundos privados em vez de depender de subsídios. Com melhor informação sobre as MCIs, os PIIs poderiam conseguir maior impacto com seus investimentos.
  • Desde a década de 1990, as agências de desenvolvimento e instituições internacionais têm promovido o envolvimento do setor privado na infra-estrutura, assumindo que isso injetaria investimento e eficiência no setor público com baixo desempenho. Nos setores de fornecimento de água e energia, essas expectativas não têm sido atendidas. O investimento do setor privado nos países em desenvolvimento está caindo, as companhias multinacionais não têm feito retornos sustentáveis em seus investimentos e o processo de privatização no fornecimento de água e energia tem se mostrado amplamente impopular e encontrado forte oposição política. Esse artigo examina o papel dessa oposição no atraso, cancelamento ou reversão da privatização do fornecimento de água e energia. A sociedade civil local tem mobilizado de maneira bem-sucedida uma atividade política altamente efetiva, sua oposição sendo baseada nos conflitos percebidos entre privatização e eqüidade e sobre o papel do Estado e comunidade nesses setores. Tal oposição tem envolvido interações dinâmicas com partidos políticos e estruturas existentes, inclusive o uso de mecanismos eleitorais e judiciais existentes. Seu sucesso impõe desafios à comunidade multilateral e doadora, às ONGs, às próprias campanhas de oposição e ao futuro dos sistemas nacionais de eletricidade e água.
  • A recuperação e o desenvolvimento pós-conflito é objeto de atenção atual e um importante desafio é o desenvolvimento econômico pós-conflito, que é fundamental para reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida locais. A este respeito, muitos planos de desenvolvimento pós-conflito colocam uma alta prioridade no desenvolvimento do setor privado. Este artigo examina o papel do setor privado nas situações pós-conflito e discute possíveis intervenções para a recuperação econômica, baseado em uma resenha da literatura e do trabalho de campo no Timor do Leste. O artigo identifica fatores-chave essenciais para o desenvolvimento do setor privado pró-pobres em situações pós-conflito, com particular referência ao Timor do Leste; considera alguns dos principais obstáculos e sugere políticas públicas para identificar produtos de exportação potenciais e reforçar pequenas e micro empresas que poderiam ajudar o país a alcançar uma recuperação e um crescimento econômico pró-pobres.
  • Este artigo trata da questão de se a participação na economia global leva ao crescimento sustentável da renda. O texto examina a indústria de móveis de Java Central, que tem crescido rapidamente desde a crise financeira de 1997. O artigo mostra que pequenas e médias empresas exportadoras geraram substancial crescimento do emprego e da renda. Contudo, esse crescimento não é sustentável, visto que a viabilidade das exportações tornaram-se dependentes de madeira que é derrubada ilegalmente e está sujeita ao esgotamento. Projetos governamentais e de doadores dirigidos para pequenas empresas correm o risco de jogar tais empresas em uma situação ainda mais grave. O artigo então discute formas de evitar isso, enfatizando a necessidade de uma coalizão de atores públicos e privados dentro do eixo local-global.
  • O Projeto de Empoderamento Comunitário e Governança Local (PEC) do Banco Mundial foi o programa doador central a dar assistência com reconstrução comunitária em um novo Timor Leste independente. Iniciado em 2000, o projeto de US$ 18 milhões destinou fundos a mais de 400 conselhos locais de desenvolvimento que tinham acabado de ser criados para atender a suas necessidades de desenvolvimento comunitárias. Em vez de criar estruturas participativas genuínas, os prazos rígidos de desembolso dos fundos e normas burocráticas de projeto reduziram os conselhos a pouco mais do que linhas de transmissão dos dólares controlados pelo Banco Mundial. Ao deixar de lado as estruturas de governança, incluindo aquelas do novo governo, os conselhos também deixaram de lado fontes de legitimidade e conhecimento técnico locais, o que resultou em conflito na comunidade, indiferença e baixa sustentabilidade de projeto. O mal-administrado esquema de microcrédito do PEC levou a uma proliferação de quiosques comercialmente inviáveis ( evidenciando a insensatez de tentar construir às pressas uma economia de mercado a partir de uma economia de subsistência profundamente marcada pelo medo.
  • Nas últimas duas décadas, o setor privado tem sido colocado sob crescente pressão para assegurar que ele opera de uma maneira ambiental e socialmente responsável. As empresas têm passado por várias fases de resposta, começando com uma posição de "negar e defender", indo para uma de "pagar penitência" através de donativos e filantropia, e atualmente dedicando-se à gestão de risco por meio da mitigação dos impactos negativos de suas operações comerciais. Apoiando-se em pesquisa realizada pela Oxfam Internacional principalmente com o setor de varejo, bem como com os setores de café e farmacêutico, este artigo argumenta que a abordagem atual é, ainda, inadequada. Simplesmente mitigar os impactos negativos via castigo dos intermediários ou fornecedores não contribui para soluções sustentáveis. Para o setor privado atender às demandas de responsabilidade social corporativa, as empresas necessitam perseguir modelos empresariais alternativos que forjem conectividade, coerência e interdependência entre suas atividades empresariais centrais e seus compromissos éticos e ambientais.
  • Uma vez que varejistas no hemisfério norte crescentemente adotam códigos de prática contendo provisões sociais e/ou ambientais nas cadeias de oferta global, há uma necessidade de avaliação rigorosa de seus impactos sociais. Indo além da retórica, é importante estabelecer o impacto real de tais códigos sobre trabalhadores pobres, suas famílias e outros envolvidos (stakeholders) locais. Este artigo trata das questões metodológicas e conceituais centrais que surgem em tal avaliação, conforme identificadas em um estudo de três anos sobre a produção de vinho na África do Sul. O trabalho revê as diferentes motivações e abordagens empregadas por organismos que definem códigos, doadores, acadêmicos e praticantes, bem como chama a atenção para a ausência da voz dos trabalhadores no debate sobre a responsabilidade corporativa e para algumas conclusões de pesquisas anteriores. Por fim, o artigo explica como as desigualdades inerentes de poder nas cadeias de fornecimento globais tornam mais difícil adotar uma abordagem verdadeiramente empoderadora para avaliar o impacto dos códigos.
  • O debate entre ativistas de ONGs e de sindicatos sobre como melhorar as condições de trabalho e os direitos trabalhistas tem sido dominado pelos proponentes de abordagens específicas, argumentando de várias maneiras que a melhor rota é através dos códigos de empresas, legislação, organização dos trabalhadores ou campanhas como as feitas contra o trabalho exploratório. Este artigo descreve uma campanha realizada por ONGs e sindicatos que integra essas abordagens para melhorar os direitos trabalhistas e condições de trabalho dos trabalhadores domésticos no Reino Unido. Seu "modelo de mudança" é buscar efetuar mudanças no comportamento das empresas como parte de uma estratégia para fortalecer a legislação, ao mesmo tempo que explora as oportunidades e mecanismos para alavancar a mudança em práticas (empresariais) e políticas (governamentais): a suscetibilidade das empresas com marca estabelecida às campanhas cria uma oportunidade de alavancar mudanças em suas práticas; a campanha (ameaça ou real) estimula, e deveria dar suporte, ao engajamento com varejistas e companhias com marca estabelecida na implementação de códigos voluntários; e o estabelecimento de um "nível de atuação" dinâmico significa que as companhias que atendam a padrões elevados podem tornar-se aliadas na defesa de melhores práticas corporativas e legislação trabalhista. ONGs de desenvolvimento internacional, com sua habilidade de promover campanhas, de engajar-se com companhias com marca estabelecida e de trabalhar com sindicatos e organizações de trabalhadores por todo o hemisfério norte e sul, são especialmente bem posicionadas para facilitar tais estratégias integradas.
  • O comércio ético, através de códigos de prática, forma uma parte importante das cadeias de valor para produtos da horticultura adquiridos da África pelos grandes compradores europeus. Este artigo explora a relação entre cadeias de valor no setor de horticultura, o padrão de emprego dos produtores africanos e o processo de implementação de códigos a partir de uma perspectiva de gênero. O trabalho pergunta se, no contexto de uma economia dividida em gênero, apenas os códigos podem melhorar as condições de trabalho de todos os trabalhadores. Utilizando estudos de caso das flores quenianas, frutas sul-africanas, flores e vegetais da Zâmbia, o artigo chama a atenção para as implicações das estratégias flexíveis de emprego para os trabalhadores e mostra que códigos sociais não têm necessariamente alcançado resultados melhores para as mulheres e trabalhadores informais, devido à economia dividida em gênero. Em última instância, é somente enfrentando a economia local dividida em gênero que as condições de emprego de todos os trabalhadores, incluindo aquelas dos trabalhadores marginais e mulheres, podem mudar.
  • A indústria global de vestuário confrontará mudanças significativas a partir de 2005, quando o sistema de cotas estabelecido sob o Acordo Multi-Fibras chega ao fim. Essas mudanças representam uma séria ameaça aos empregos nas plantas de montagem da América Central, as empresas maquiadoras. Uma possibilidade, contudo, é que o consumo "politicamente correto" poderia oferecer um nicho para as firmas que fossem comprometidas com a responsabilidade social corporativa e o respeito pelos direitos humanos; e que isso poderia mesmo ser uma forma de melhorar as condições de trabalho na região. Neste sentido, a despeito dos graves riscos que representa para os muito pobres, o mercado poderia servir para levar a efeito mudanças favoráveis para os trabalhadores.
  • O comércio justo representa uma abordagem inovadora para fazer as regras do comércio global atuar em favor dos produtores em desvantagem no Sul e do desenvolvimento sustentável. Mas quem são os reais beneficiários do comércio justo? O comércio justo tem resultado em melhorias perceptíveis nas vidas dos pequenos produtores de café e suas comunidades? Este artigo examina a efetividade do comércio justo como uma ferramenta de desenvolvimento e a extensão de sua contribuição para o alívio da pobreza nas regiões produtoras de café da Nicarágua. O artigo argumenta que é crucial analisar as experiências e problemas dos pequenos produtores de café e organizações de produtores envolvidos no comércio justo para assegurar que os objetivos e reivindicações do comércio justo sejam alcançados na prática. O estudo conclui que há limites à extensão em que o comércio justo pode elevar significativamente o padrão de vida dos pequenos produtores de café devido aos fatores como o problema das dívidas enfrentadas pelas cooperativas, ausência de apoio governamental e preços internacionais do café voláteis.
  • O movimento para promover o café produzido sustentavelmente é um dos vários esforços que têm por objetivo vincular responsabilidade social e capitalismo de mercado. Na onda de uma crise mundial do café, em que os preços têm caído a níveis que não sustentam a produção em pequena escala ou salários de sobrevivência para os trabalhadores das fazendas, as organizações não-lucrativas de certificação e classificação estão trabalhando para desenvolver um mercado que seja sustentável para os trabalhadores e o meio-ambiente.
  • Esse artigo discute a privatização dos serviços públicos na Argentina à luz da crise severa que afetou o país entre 1999 e 2002. Uma estrutura reguladora inadequada e a ausência de agências reguladoras efetivas resultaram no exercício do poder monopolístico nas taxas de serviço público. A emergência de uma série de choques externos, iniciando em 1997 com a crise do sudeste da Ásia, enfraqueceu as contas externas do país. No contexto de um regime estrito de taxa fixa de câmbio, as crescentes taxas do serviço público e as obrigações externas contraídas pelas firmas privatizadas impuseram uma pressão cada vez maior no balanço de pagamentos. Embora as firmas privatizadas não tenham sido diretamente responsáveis pela recessão de quatro anos ou pela crise do balanço de pagamentos, suas ações contribuíram para o início e prolongamento das dificuldades enfrentadas pela Argentina.
  • Esse artigo aborda a introdução de uma parceria pública-privada (PPP) para o abastecimento de água na área urbana do Congo. Ele descreve o contexto organizacional de antes e depois da PPP e discute os vários resultados da parceria, tanto positivos quanto negativos. Apesar de alguns resultados iniciais animadores, os arranjos da PPP não se desenvolveram como planejado e as empresas privadas enfrentaram problemas financeiros. O papel do ambiente político em comprometer os benefícios em potencial da PPP foi importante e o artigo encerra com algumas recomendações de política à luz das negociações em andamento do Congo com as instituições financeiras internacionais para assegurar sua assistência para novas reformas econômicas.
  • Esse artigo avalia os mecanismos em potencial para promover um maior engajamento do setor privado na pesquisa agrícola para o desenvolvimento e transferência de tecnologia (ARDTT), com ênfase em particular na Bolívia. Ele revê os resultados mistos dos esforço, nos países em desenvolvimento e também nos países em desenvolvimento, para descentralizar o ARDTT e incentivar o investimento do setor privado. Mecanismos em potencial para a Bolívia são considerados dentro de três categorias amplas: esquemas de taxação, arranjos de co-financiamento e abordagens baseadas em resultado. As limitações à participação no ARDTT pelo setor privado que surgiram das preocupações com os altos custos de transação, direitos de propriedade intelectual e o ambiente legal e regulador são também avaliados. O artigo conclui que um esquema de controle do cumprimento, ou um esquema híbrido de controle do cumprimento e um esquema de co-financiamento competitivo, são o mais adequado às necessidades da Bolívia. Uma abordagem flexível para os sistemas de direitos de propriedade intelectual é necessária, embora permaneça um desafio de identificar os regimes de tributação apropriados.
  • Abordagens radicais para introduzir parcerias pública-privada (PPPs) para a provisão de infra-estrutura no sul da Ásia têm sido altamente mal-sucedidas. Porém, a região é sede de um setor privado informal em expansão e diversas ONGs regionais têm se engajado em esforços para envolver comunidades em melhores provisões de infra-estrutura. Muitas agências e autoridades locais têm devolvido algumas responsabilidades para a implementação do serviço ao setor privado através de serviço de curto prazo e contratos de gerenciamento. Esse artigo explora as possibilidades para expandir e desenvolver essas atividades, tendo em mente fatores institucionais, incluindo estruturas organizacionais e as atitudes e pressupostos dos vários participantes. Particular atenção é dada às opções para regular o setor privado e o balanço a ser estabelecido entre competição incentivadora e promoção de uma maior cooperação dos participantes. Opções para se mudar para formas mais "elevadas" de PPP são consideradas e os breves comentários finais resumem os resultados cruciais e sugerem algumas direções possíveis para o futuro.
  • Desde que o Vietnã introduziu sua política de reforma Doi Moi, em 1986, o desenvolvimento do setor privado tem sido uma grande preocupação de política para o governo e para o Partido Comunista dominante. O principal desafio de desenvolvimento para o Vietnã é como sustentar o crescimento econômico e reduzir a pobreza, uma vez que a força de trabalho continua a expandir. É previsto que o setor privado assumirá um grande papel a esse respeito. Esse artigo analisa a questão de se o setor privado pode atender às expectativas generalizadas. Um alto e estável crescimento econômico indica que as reformas têm sido consistentes mas também que as iniciativas do setor privado têm ido além das mudanças institucionais formais. O desenvolvimento do setor privado é novo no Vietnã e inicia-se a partir de um baixo nível. O setor público e o de investimento estrangeiro são grandes atores em comparação com o setor privado doméstico, que compreende diversas firmas pequenas. A redução da pobreza tem sido impressionante mas é somente agora que o desenvolvimento do setor privado está se tornando um importante auxiliar. Estancar o crescimento na desigualdade permanece um desafio onde a contribuição do setor privado para a crescente receita pública tem ainda de se materializar.
  • O diálogo, a participação e a parceria dos envolvidos (stakeholders) têm se tornado conceitos da corrente dominante da política de desenvolvimento internacional, em particular na área de responsabilidade social corporativa (CSR). Contudo, a transparência das iniciativas de multi-envolvidos na CSR para seus beneficiários pretendidos no Sul global é cada vez mais questionada. Este artigo analisa como as agendas de algumas iniciativas nas áreas de comércio ético e registros de sustentabilidade são orientadas por aquilo que as ONGs ocidentais pressionam, o que grandes companhias consideram factível e o que os consultores e contadores buscam promover. O texto descreve como as práticas e os discursos resultantes limitam a mudança e marginalizam as abordagens alternativas desenvolvidas pelos envolvidos do hemisfério sul. Argumenta-se que o entusiasmo para o diálogo, participação e parceria dos envolvidos em questões de CSR e além dela, precisa ser concebido novamente com princípios democráticos em mente. A "democracia dos envolvidos" é oferecida como uma estrutura conceitual para essa tentativa e algumas recomendações são feitas para ONGs, empresas e governos.
  • A agenda da responsabilidade social corporativa (CSR) tem avançado desde a década de 1980, com a sociedade civil e atores organizacionais envolvidos na mobilização. Este artigo examina as razões para a mobilização da sociedade civil sobre questões da CSR, os tipos de organizações envolvidas e suas diferentes formas de ativismo e relações com as empresas. O texto então identifica as maneiras pelas quais as grandes empresas estão se engajando com a agenda da CSR e moldando-a, mas questiona se essa agenda pode efetivamente contribuir para o desenvolvimento. O artigo argumenta que a agenda da CSR pode lidar com alguns dos piores sintomas de desenvolvimento ruim, tais como condições de trabalho precárias, poluição e relações precárias entre fábrica-comunidade, mas que ela não lida com os mecanismos políticos e econômicos fundamentais através dos quais as companhias transnacionais prejudicam as perspectivas de desenvolvimento dos países pobres. Uma seção final avalia como essa agenda pode desenvolver-se com base nos desenvolvimentos recentes no ativismo e regulação da CSR.
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  • Este artigo identifica a necessidade de uma metodologia apropriada para avaliar o Comércio Justo (Fair Trade), tendo em vista que a maioria das avaliações até o momento tem sido revisões domésticas ou comissionadas e, portanto, não tem seguido uma abordagem consistente. Concentrando-se nos aspectos de desenvolvimento do Comércio Justo, o artigo resenha uma série de métodos de avaliação de impacto e apresenta uma metodologia detalhada para analisar o Comércio Justo que incorpora critérios de avaliação de projeto padrão e está baseada em uma série ampla de métodos comprovados para coletar e analisar dados, principalmente qualitativos mas também quantitativos. Essa estrutura é um pacote modular a partir do qual profissionais da área prática podem selecionar de acordo com suas necessidades e objetivos, enquanto ainda mantendo uma lógica abrangente. O artigo ilustra seu uso com avaliações realizadas na Costa Rica, Gana, Nicarágua e Tanzânia. A abordagem permite um entendimento abrangente de programas do Comércio Justo e permite que eles sejam comparados a projetos de desenvolvimento convencionais.
  • Este artigo discute a área emergente dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG), com um enfoque particular nas oportunidades para sua aplicação como parte da agenda internacional sobre mulheres e desenvolvimento. Discutimos os desenvolvimentos teóricos recentes em SIGs críticos e a teoria feminista que têm criado essa oportunidade, assim como os problemas inerentes ao utilizar-se o SIG em pesquisa sobre gênero. Focalizamos os obstáculos criados por fontes inadequadas de dados sobre gênero e a capacidade do SIG de representar as questões das mulheres.
  • O artigo discute a metodologia e aplicação da ferramenta de Monitoramento de Informantes-Chave (KIM) como utilizada pelo Projeto de Maternidade mais Segura do Nepal (NSMP). O NSMP visa alcançar um maior entendimento sustentável sobre o trabalho de parteira e serviços de atendimento obstétricos essenciais ao abordar, entre outras coisas, limitações no acesso a tais serviços. Os dados coletados pelos Pesquisadores Informantes-Chave comunitários (KIRs) são resumidos e utilizados pelo NSMP e parceiros de projetos fundamentais com o propósito de monitoramento e planejamento. O NSMP tem utilizado os resultados do KIM para modificar suas principais intervenções no nível local. ONGs internacionais e nepalesas têm adotado o KIM em seus projetos de maternidade segura e outros projetos de desenvolvimento. Os Comitês de Desenvolvimento do Vilarejo, com apoio de ONGs e NSMP, têm respondido a questões levantadas pelo KIM ao organizar campanhas de conscientização sobre saúde materna, trabalhando com curandeiros tradicionais, melhorando a qualidade do serviço, promovendo transporte emergencial local e financiando esquemas. Os KIRs têm se mostrado efetivos como fonte de informação e como agentes de mudança, disseminando mensagens sobre maternidade segura para promover uma mudança de comportamento.
  • Produtores rurais andinos têm tradicionalmente adotado e selecionado variedades de quinoa e batatas para reduzir sua vulnerabilidade a uma série de riscos ambientais. Os dados sugerem que essa estratégia está sendo prejudicada. Pressões do mercado, particularmente em relação aos requisitos de consistência e quantidade, mais a importação de produtos subsidiados do trigo, estão levando ao deslocamento da quinoa e de variedades indígenas de batata. Este artigo explora a viabilidade de se manter a diversidade da colheita garantindo ao mesmo tempo que os produtores rurais se beneficiem das oportunidades do mercado. Para a batata, a abordagem mais promissora é a da `conservação através do uso' pela qual os profissionais da área prática identificam os nichos de mercado para variedades locais em vez de variedades cosmopolitas. Enquanto isto, a produção e consumo da quinoa têm sido ampliados através de iniciativas patrocinadas pelo governo que utilizam a quinoa em programas de apoio alimentar. O sucesso desses esforços para aumentar a segurança dos meios de subsistência requer um ambiente de políticas capacitadoras que incentive abordagens de extensão, em que a ênfase concentra-se na participação ativa dos produtores rurais e apóia intervenções públicas e privadas em áreas rurais remotas.
  • Com a inabilidade da integração econômica internacional de criar oportunidades para segmentos importantes da sociedade, diversos mexicanos estão buscando maneiras de promover suas próprias alternativas. Essas estratégias são as manifestações concretas da percepção de que o caminho `principal' da busca por emprego proletário não é mais viável e que o retorno a formas tradicionais de cooperação, organizado em torno de mecanismos para o gerenciamento do ecossistema, poderia oferecer uma maior segurança e uma melhor qualidade de vida. As pessoas estão encontrando formas de fortalecer suas comunidades, para garantir que suas famílias possam permanecer nas áreas rurais como parte de comunidades dinâmicas buscando uma nova relação para suas regiões e para a nação da qual elas desejam continuar a fazer parte. O artigo ilustra esse processo com a análise de um projeto que se concentra na criação de um novo produto - carne de porco com baixa quantidade de gordura - que pode obter um preço especial nos mercados e, como resultado, contribuir para o fortalecimento de uma comunidade, oferecendo novas oportunidades para mulheres e melhorando o gerenciamento ambiental.
  • O HIV/AIDS está tendo impactos profundos nos meios de subsistência da África Subsaariana. Entre esses impactos estão as mortes de adultos em idade produtiva, o desvio de recursos para cuidados de saúde e a ruptura de cadeias tradicionais de transmissão de conhecimento. As ONGs estão respondendo através do fornecimento de assistência a comunidades afetadas pela epidemia nas áreas de agricultura, treinamento de habilidades e microfinanças, assim como oferecendo atendimento e suporte em casa. Uma característica-chave de tais iniciativas é o enfoque em grupos anteriormente negligenciados, tais como o de mulheres, alunos que abandonam a escola e órfãos. Fatores de sucesso incluem o uso de processos participativos para identificar grupos-alvo e o envolvimento de líderes políticos locais e adultos nos quais os jovens nas atividades de projeto confiam. Entre os desafios estão uma melhoria nos sistemas de monitoramento, disseminação efetiva de lições aprendidas e persuasão dos doadores, cujas respostas à epidemia estão atualmente concentradas em serviços de saúde preventivos e de cura, para que apóiem as intervenções nos meios de subsistência como uma questão de urgência.
  • Cada vez mais ONGs estão dedicadas à erradicação da pobreza, enquanto vários órgãos de governo estão também comprometidos com o progresso moral e material da chamada `família humana'. Contudo, os dados são desanimadores. O comércio de armas constitui um crime contra a humanidade em relação ao qual as ONGs podem fazer pouco progresso. Pelo contrário, campanhas com uma única questão, como por exemplo sobre minas terrestres, podem de fato distraí-los das questões mais gerais. Similarmente, através de seu envolvimento em missões humanitárias, freqüentemente montadas para apaziguar as consciências de cidadãos de países ricos, as ONGs podem involuntariamente estar ajudando a manter a ordem mundial profundamente injusta. Precisamos refletir sobre o que as ONGs na verdade fazem, em vez de refletir sobre os caminhos para se aumentar sua eficiência, tendo em vista que as ações das ONGs sozinhas não podem assegurar os direitos humanos. Se as ONGs não se engajarem em reflexões auto-críticas, os pobres sempre estarão conosco, assim como as ONGs, e o sistema não mudará para melhor.
  • Baseando-se nas reflexões realizadas com membros de uma parceria entre uma ONG e comunidades Adivasi (habitantes originais) no estado indiano de Orissa, este artigo examina as várias conexões entre ONGs (internacionais, estatais, distritais ou locais) e organizações de base em termos de suas perspectivas de avançar o ativismo Adivasi para promover uma mudança social. As ONGs internacionais raramente trabalham diretamente com redes de ONGs e organizações de base em nível de vilarejo mas, supondo que a participação das pessoas, agência e ativismo transcendem seu significado retórico para algumas ONGs, tal envolvimento colocaria as ONGs internacionais em contato direto com direitos corporativos (freqüentemente a causa do empobrecimento dos Adivasis) e potencialmente faria com que o poder fosse tratado de uma maneira mais democrática.
  • O Reino do Butão não apenas possui um ambiente nacional exclusivo mas também oferece aos pesquisadores uma oportunidade de observar o desenvolvimento efetivo em um sistema relativamente descomplicado e controlado, que é liderado pelo governo em vez de ser direcionado pelos doadores. Esse artigo analisa o progresso recente no desenvolvimento do Butão e vê dois inibidores dessa situação aparentemente `ideal': primeiramente, tensões internas entre os grupos étnicos Drukpa e Nepali e, em segundo lugar, o impacto da própria abertura do Butão à influência externa através da mídia e da Internet, apoiada por uma comunidade interessada de doadores. Desenvolvimentos futuros no Butão poderiam agir como um útil barômetro para eventos globais.
  • A metodologia da Investigação Apreciativa (Appreciative Inquiry - AI) tem sido utilizada há muito tempo como uma metodologia para se entender o aprendizado e a mudança organizacional. Este artigo discute suas aplicações para pesquisa de campo baseado em entrevistas dentro do contexto de desenvolvimento. Embora a AI comece analisando o melhor da experiência de uma organização ou indivíduo, ela pode ajudar os pesquisadores a obter um entendimento nuançado e detalhado dos maiores sucessos e mais sérios obstáculos de seus assuntos. Baseado em pesquisa organizada por diretores de ONGs de toda a África, o artigo oferece evidência casual de que utilizando-se a AI em entrevistas, cria-se um ambiente confortável e estimulante para os entrevistados que pode render informações de qualidade excepcional.
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  • A reconstrução do sistema de saúde no Afeganistão está em sua fase inicial e os doadores têm proposto Acordos de Parceria com Base no Desempenho (APBDs) para subcontratar a implementação de serviços de saúde de organizações privadas, tanto com fins lucrativos como não. Além dos debates ideológicos, esse artigo pretende explicar o modelo que serve de base para a iniciativa ABPD e esclarece dados empíricos a respeito dos supostos benefícios de tal abordagem. O artigo estuda a privatização e a contratação de serviços de saúde, embora ainda não haja informações que possam demonstrar a superioridade do fornecimento privado em relação ao fornecido publicamente. Da mesma maneira, a adequação da subcontratação permanece não provada e tais arranjos levantam diversas questões éticas. Quando os APBDs forem tentados, é importante permanecer tendo cuidado e garantir que as operações sejam organizadas de forma a permitir uma comparação adequada. O artigo conclui com recomendações para as organizações envolvidas ou que estejam avaliando os méritos dos APBDs.
  • Reformas legais são cada vez mais vistas como algo essencial no combate a várias limitações que as mulheres enfrentam em relação à propriedade e à herança. Esses esforços são reforçados por compromissos que os países têm assumido ao adotar tais tratados como a Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres (CEDAW) e pela incorporação em suas constituições de vários projetos de lei que reconhecem os direitos das mulheres. Espera-se que tais compromissos reduzam as práticas discriminatórias e promovam a sustentação dos direitos das mulheres. Baseado nos resultados de um estudo sobre direitos de propriedade e herança das mulheres em Malauí, esse artigo discute o papel de Assembléias Distritais na administração e julgamento das reivindicações de herança das mulheres. Ele mostra que o sistema todo é uma base fértil para oportunismo e contribui significativamente para destruir tais direitos. O artigo ilustra que embora a legislação de direitos humanos exerça um papel importante na sustentação dos direitos das mulheres, a realização desses direitos requer que uma atenção crítica seja tomada para as instituições e sistemas administrativos que sejam responsáveis pela implementação. É através dessas operações do Estado que as pessoas vivenciam a lei na prática.
  • Embora seja reconhecido que as mulheres possuem papéis fundamentais no desenvolvimento sócio-econômico de suas comunidades, elas são freqüentemente excluídas dos processos de tomada de decisão porque suas opiniões não são solicitadas e seus interesses não são levados em conta na formulação de programas de desenvolvimento local. Baseado em estudos de caso em Gana, este artigo identifica os benefícios para as comunidades do maior envolvimento das mulheres nas decisões e avalia as restrições e oportunidades para as mulheres que buscam assumir funções de liderança comunitária. Estratégias para promover um "envolvimento mais construtivo" com as mulheres nos processos de tomada de decisão em comunidades rurais são discutidas.
  • O artigo compartilha algumas idéias acerca de programas comunitários de gerenciamento de recursos naturais (CBNRM, em inglês), que se concentra em três áreas: desenvolvimento rural, conservação da natureza e reforço da governança local. Argumentando que os pré-requisitos de um programa CBNRM bem-sucedido são um contexto legislativo favorável, uma comunidade auto-definida e a ausência de necessidades básicas não-atendidas, o artigo discute as experiências iniciais de tal programa em Moçambique. É mostrada a resposta bastante lenta de uma comunidade no interior do país que possui alguns recursos naturais, mas que tem se concentrado em ganhos econômicos com o mínimo engajamento próprio. Em contraste, uma comunidade de pescadores foi imediatamente inspirada pelo programa, organizando-se em comitês de gestão cooperativa e começando a usar seus recursos já sobre-utilizados de maneira sustentável. Os dois casos mostram que os programas CBNRM não são esquemas universais mas devem ser adaptados a cada situação específica.
  • Este trabalho analisa as tendências e principais temas nos campos da economia doméstica (EH) e gênero e desenvolvimento (GED), concentrando-se nas diferentes regiões do mundo e nas mudanças no curso da história recente. A relação desses dois campos de educação e prática são abrangidos pelo trabalho de uma ONG, a Federação Internacional de Economia Doméstica (IFHE, em inglês). A IFHE pode facilitar a renovação de relações estagnadas, desafiar estereótipos e construir novas parcerias para fortalecer as mulheres e melhorar sua qualidade de vida. As autoras sugerem implicações para educação, prática e pesquisa.
  • Desde março de 2000, em parceria com o Centro de Montreal das Mulheres e outras unidades das universidades de Montreal, o Centro de Estudos na Área de Desenvolvimento da Universidade de McGill tem conduzido um programa de pesquisa-ação sobre questões de gênero e segurança humana no contexto de guerra e reconstrução. Nossa equipe interdisciplinar de pesquisadores e ativistas tem trabalhado localmente com mulheres refugiadas, pessoas em busca de exílio e imigrantes de vários países que enfrentaram conflitos armados e, internacionalmente, com organizações de mulheres principalmente da região dos Grandes Lagos na África. A combinação de segurança humana - a proteção de civis através das fronteiras - e gênero - as distintas formas em que mulheres e homens são afetados -- nos permite analisar o impacto da desigualdade de gênero em sociedades afetadas pela guerra. Nossa pesquisa-ação em uma aliança entre comunidade e universidade trata das necessidades pessoais (especialmente trauma não tratado clinicamente) e direitos das mulheres, ao mesmo tempo em que examina o contexto sócio-econômico e político dos conflitos violentos.
  • A sociedade civil é vista cada vez mais como um elemento necessário para o desenvolvimento humano sustentável. Algumas ONGs do hemisfério norte esperam contribuir para o desenvolvimento da sociedade civil através de parceria com ONGs do hemisfério sul. Pesquisas recentes, porém, mostram que as parcerias são freqüentemente dominadas pelas ONGs do hemisfério norte, inibindo assim o estabelecimento de organizações da sociedade civil que sejam vibrantes, além de mantidas e gerenciadas localmente. Esse artigo explora algumas das razões práticas por esse fracasso e sugere estratégias para se trabalhar dentro do que Alan Fowler chama de "parcerias autênticas". Tais parcerias evitam que as ONGs do hemisfério norte dominem e assim ajudam a criar um ambiente mais receptivo ao crescimento da sociedade civil. Estratégias sugeridas para promover parcerias autênticas abordam financiamento, relações de trabalho, retirada por etapas, advocacy e avaliação da própria parceria. O artigo baseia-se em um estudo de caso do trabalho de parceria do Christian Reformed World Relief Committee (CRWRC), ONG religiosa da América do norte.
  • Esse artigo examina a tarefa do estado no programa de Gerenciamento Florestal Conjunto (GFC) na província do norte de Haryana, na Índia. Nas duas última décadas, desenvolvimentos significativos relativos a reformas institucionais na promoção de parcerias entre comunidade - estado na proteção e gerenciamento de florestas têm sido tomados na província. Ao revisar as experiências em gerenciamento hídrico - estruturas de culturas agrícolas e de arrendamento da área florestal a comunidades locais, o artigo demonstra que a adoção da retórica "gerenciamento conjunto" não garante parcerias bem-sucedidas na realidade do trabalho de campo. A implementação do programa requer uma redefinição radical do papel do estado para estabelecer compromissos confiáveis com as comunidades locais em termos de políticas e práticas.
  • Os pastoralistas são marginalizados na região do Chifre da África e recebem serviços veterinários inadequados. Sob os programas de ajustes econômicos estruturais, os serviços veterinários públicos tornaram-se cada vez mais inefetivos e, em resposta, programas comunitários de ONGs foram criados em algumas áreas pastoris. Embora esses programas fossem freqüentemente considerados efetivos, com poucas exceções eles eram programas de pequena escala, isolados do governo central e baseados em sistemas subsidiados de distribuição de medicamentos. Conseqüentemente, sua sustentabilidade era questionável. Os governos agora têm incentivos para melhorar os serviços veterinários para os pastoralistas devido às novas possibilidades de aumentar a exportação de gado juntamente com novas preocupações sobre proteger os consumidores de doenças relacionadas ao gado. A atual reforma de políticas e reformas institucionais estão incentivando uma maior função para o setor privado na oferta de serviços, mas isso tem se desenvolvido lentamente, particularmente em áreas pastoris onde a provisão futura provavelmente envolverá parcerias públicas - privadas.
  • Esse artigo explora a implementação da Convenção 182 sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil no setor de mineração em Burkina Faso. Ele destaca lições-chave de um projeto financiado pelo DFID e pela organização Save the Children do Reino Unido e implementado pela COBUFADE, uma ONG de Burkina Faso. As crianças foram identificadas como agentes importantes e capazes na luta contra o trabalho infantil, notavelmente em pesquisa e lobby e o artigo explora o papel que a sociedade civil pode ter em levar os interesses locais para os formuladores de políticas nacionais e em conectar os agentes diferentes envolvidos na Convenção 182.
  • O governo britânico tem assumido cada vez mais o papel de árbitro e pacificador internacional, seja com ou sem um mandato da ONU. O seqüestro de princípios morais elevados e a afirmação repetida do consenso global - até mesmo na presença de esmagadora oposição - revela uma desconsideração pela integridade da diversidade cultural e de opinião. Preocupações "humanitárias" freqüentes têm sido utilizadas para justificar intervenções militares e a promessa de ajuda é utilizada para desviar dissensão. Baseada em suas experiências como funcionária de ajuda humanitária em Kosovo no pós-conflito, a autora ressalta dois pontos centrais. Primeiramente, que o caos social, cultural e institucional causado por conflito é altamente previsível e constitui um poderoso argumento contra as soluções militares. Em segundo lugar, de que a ajuda não é uma panacéia universal. Ela é um último recurso e freqüentemente, mesmo com as melhores intenções, é feita de forma inadequada. Ela nunca deve ser utilizada para mascarar imperativos políticos.
  • Para assumir o desafio de responder às idéias instigantes encontradas no The Selfish Altruist (Vaux 2001), a autora reúne algumas das questões do livro e combina-as com suas próprias abordagens psicológicas para aumentar a auto-conscientização para levar adiante sugestões específicas sobre como o desenvolvimento pessoal e a auto-conscientização poderiam ser melhorados tanto para os gerentes de agências de ajuda humanitária quando para trabalhadores de linhas de frente.
  • Em 2002, o Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, criou um Painel sobre as Relações da Sociedade Civil com a ONU, para o qual foram indicadas mais de uma dúzia de "pessoas eminentes". A criação desse Painel foi um sinal de que a ONU em seus níveis hierárquicos mais altos reconhece, corretamente, que estava perdendo uma oportunidade de trabalhar mais efetivamente com a sociedade civil e uma oportunidade para levar em conta as visões da sociedade civil na busca pelo desenvolvimento humano.
  • Esse artigo examina os excessos da "cultura de auditoria" nas relações de parceria de ONGs de desenvolvimento do hemisfério norte-sul. Ele argumenta que o enfoque na documentação precisa ser reduzido e uma maior confiança deve ser colocada na interação pessoal e julgamento entre as ONGs parceiras de desenvolvimento do hemisfério norte e sul. Em algumas circunstâncias, essa é uma estratégia que pode incentivar um monitoramento e práticas de accountability mais rigorosos, que sejam capazes de ir além de um enfoque problemático em metas quantificáveis. O artigo chama atenção para debates similares no setor público do Reino Unido e os problemas associados com o micro-gerenciamento em uma cultura de desconfiança.
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  • Nessa entrevista, Rosemary Thorp, especialista em economia política da América Latina e atualmente Coordenadora dos Curadores da Oxfam GB, discute o impacto que as reformas de descentralização têm tido em promover o desenvolvimento e aprofundar a governança democrática na região. Concentrando-se em particular nas experiências do Chile e Colômbia, Thorp argumenta que, embora o processo de descentralização democrática seja promissor, ele precisa superar desafios múltiplos para explorar todo seu potencial. Alguns dos fatores-chave que ela identifica para a descentralização ser bem-sucedida são uma liderança política engajada, partidos políticos fortes e capacidade no nível local - todos freqüentemente não presentes no contexto latino americano.
  • Esse artigo revê as lições da descentralização democrática em Madhya Pradesh (MP), um estado indiano pobre e semi-feudal que emergiu como um líder e audacioso experimentador no modelo institucional na década de 1990. Apesar de um início pouco promissor, a liderança política em MP definiu que iria utilizar a descentralização como uma alavanca para expandir e melhorar a implementação de serviços básicos. Os arquitetos da estratégia de MP estavam totalmente cientes das limitações sociais e econômicas, mas acreditavam que através de uma montagem cuidadosa, suporte adequado para desenvolver capital social e a conquista dos primeiros avanços, a iniciativa poderia destravar forças poderosas para o desenvolvimento da comunidade. Esse artigo concentra-se em duas iniciativas: uma para aumentar o acesso a escola e outra para promover a democracia direta no nível dos vilarejos. Os autores concluem que, enquanto a primeira fase de descentralização resultou em alguns avanços significativos, especialmente na área da educação, a segunda fase tem sido muito menos bem-sucedida.
  • A promoção da democracia tem sido freqüentemente um processo de cima para baixo caracterizado por políticas de assistência que visam o nível macro. Quando políticas da base para cima foram experimentadas, elas também tenderam a abordar as ONGs profissionalizadas com pouca adesão e contato da base. Apenas nos últimos anos os doadores começaram a implementar programas que visam desenvolver aquilo que pode ser chamado de "micro-assistência" à democracia, definida como assistência da democracia dirigida a pequenas organizações na área, freqüentemente com base na comunidade. Esse artigo descreve a micro-assistência da UE à democracia na África do Sul após 1994. Os dados reunidos são provenientes de entrevistas conduzidas com encarregados de projetos e entrevistas semi-estruturadas com todos os diretores das Organizações Baseadas na Comunidade que têm recebido fundos da UE. Alguns resultados preliminares sugerem que a micro-assistência à democracia na África do Sul responde a problemas específicos que estejam afetando a sociedade civil local, mesmo que a maioria dessas organizações permaneçam raramente sustentáveis e suas habilidades de influenciar políticas locais sejam limitadas.
  • Desde que o processo de descentralização de Gana começou no início da década de 1990, oficiais do governo e também agências e ONGs internacionais de ajuda têm se engajado em esforços para chamar atenção para as preocupações das mulheres e aumentar a sensibilidade quanto às questões de gênero nos processos de desenvolvimento no nível local. Esse artigo analisa três projetos colaborativos entre organizações de desenvolvimento internacional e assembléias de distrito em toda Gana para promover a sensibilidade quanto à questão de gênero e aumentar a representação das mulheres na governança local. Embora, como a autora sugere, ainda seja muito cedo para avaliar se tais iniciativas têm sido bem-sucedidas, está também claro que os esforços de descentralização precisam ser acompanhados por recursos adequados e suporte institucional apropriado e capacitação para que façam uma diferença.
  • Esse artigo analisa um projeto-piloto de liderança transformadora descentralizada lançado pelo UNDP para combater a crise crescente do HIV/AIDS no Nepal. O projeto visa fortalecer a liderança da região e o planejamento participativo multisetorial, esclarecer a resposta do governo na região e criar redes regionais, nacionais e internacionais para responder efetivamente ao HIV/AIDS. A meta é criar líderes que prevejam possibilidades e visualizem oportunidades previamente inimagináveis e levem voz àqueles que antes não eram ouvidos. Mapeando os relatórios e comentários de participantes do projeto, os autores concluíram que o projeto tem fornecido a eles ferramentas valiosas e habilidades para agirem de acordo com o seu compromisso de deter a doença e tem contribuído para aprender lições a partir de uma perspectiva global sobre o que tem funcionado e o que não tem funcionado nas respostas ao HIV/AIDS até o momento.
  • Esse artigo utiliza trabalhos teóricos e empíricos selecionados para explorar as conexões entre a descentralização e a democracia e seu impacto na participação e empoderamento no nível local. Entendendo a descentralização como um fenômeno complexo e multifacetado, o autor argumenta que seus benefícios em potencial podem ser percebidos apenas quando políticas complementares e condições nacionais ou locais específicas estiverem em vigor. Além disso, é também importante ter uma abordagem equilibrada entre os níveis locais, regionais e nacionais de governo de modo a proteger a autonomia local enquanto também promovendo um nível razoável de uniformidade em todas as regiões. O ensaio recorre ao trabalho de campo do autor em Moçambique assim como as experiências de descentralização em outros países em desenvolvimento.
  • Esse ensaio de revisão analisa três trabalhos recentes sobre a relação entre democracia e descentralização, com um enfoque na participação e empoderamento local: Democracy and Decentralisation in South Asia and West Africa: Participation, Accountability and Performance [Democracia e Descentralização no sul da Ásia e oeste da África: Participação, Responsabilidade e Desempenho] (Richard Crook e James Manor), Good Government in the Tropics [Bom Governo nos Trópicos] (Judith Tendler) e uma edição temática do European Journal of Development Research sobre `Democratic Decentralisation through a Natural Resource Lens: Experiences from Africa, Asia and Latin America' [Descentralização Democrática através de uma Lente de Recursos Naturais: Experiências da África, Ásia e América Latina], editado por Anne M. Larson e Jesse C. Ribot.
  • Crianças com menos de 18 anos representam o maior grupo de pobres na Uganda (62 por cento). Sua perspectiva não tem sido, até hoje, incorporada em muitas análises que têm sido realizadas. A pesquisa relatada nesse artigo perguntou a crianças entre 10 e 14 anos suas opiniões sobre a pobreza e também sobre a efetividade dos governos locais em tratar de questões relacionadas a elas. A pesquisa descobriu que as crianças possuem uma perspectiva sobre a pobreza diferente daquela dos adultos consultados em nossa amostra. As crianças têm uma visão positiva sobre seu papel potencial na redução da pobreza e são altamente críticas do desempenho atual do governo local.
  • Os autores examinam o papel das ONGs religiosas internacionais na ajuda externa e desenvolvimento para a África, com especial referência ao Comitê Central Menonita (MCC). O MCC é bem-sucedido em sua contribuição ao desenvolvimento e empoderamento nos 20 países africanos em que opera devido ao seu enfoque filosófico e programático na transparência, sua abordagem holística dos direitos básicos e uma abordagem de "ouvir e aprender" que abrange empoderamento e justiça social. Embora a filosofia "ser pequeno é maravilhoso" não necessariamente inspira os métodos de "ajuda rápida" associados à Agenda de Novas Políticas, ela continua sendo a forma mais efetiva, eficiente, transparente e de resposta rápida à base para se tratar das questões do desenvolvimento.
  • O autor trata das contribuições de quatro pensadores e ativistas latino americanos quanto à comunicação para mudança social. Argumenta-se que as atividades de desenvolvimento referem-se à comunicação em vários níveis e estão profundamente enraizadas nas culturas dos engajados, envolvendo significativas questões inter-culturais. O autor baseia-se em sua própria experiência abrangente nessas áreas e apresenta uma série de princípios e lições de aplicação mais ampla.
  • Esse artigo trata da importância, complexidade e ambigüidade do terreno simbólico, tanto no cotidiano quanto na luta social. Tomando a roupa ou traje tradicional das mulheres Maias como um texto, a autora reflete sobre os múltiplos e contestados significados evocados por eles, argumentando que as mulheres Maias estão ocupando um papel que não tem recebido análise suficiente ou reconhecimento dentro da luta do movimento Maia pela identidade indígena e por direitos. Iniciando com uma breve introdução teórica, o artigo analisa os diferentes significados em disputa e como esses últimos são relacionados a questões mais amplas, concluindo com uma reflexão quanto aos desafios enfrentados pelas relações inter-étnicas e o reconhecimento dos povos indígenas na Guatemala.
  • ONGs e ativistas sociais correm o risco de seguir as diretrizes de política favorecidas por agências doadoras internacionais em detrimento de sua própria capacidade organizacional e moral de agir solidariamente com aqueles cujos interesses eles dizem apoiar. Com referência específica à Tanzânia, o texto argumenta que embora as ONGs ajam prontamente para proteger seus próprios interesses, elas não defendem consistentemente as liberdades básicas dos trabalhadores. Em uma época unipolar, em que se diz que a era da política e da solidariedade internacional já passou, é vital para as ONGs e outros ativistas sociais manter viva a crença de que uma alternativa ao mundo atual é tanto necessária como possível.
  • A medição de impacto é difícil no trabalho de desenvolvimento uma vez que ela implica atribuir mudança social, pessoal e comunitária de longo prazo às intervenções relativamente de pequena escala e de curto prazo na vida de uma comunidade. Esse artigo examina a experiência da ONG australiana Oxfam Community Aid Abroad em medir seu impacto em duas de suas regiões operacionais, Índia e Sri Lanka. Os resultados destacam a importância de mecanismos de participação e responsabilidade para "baixo", bem como de conectar-se às atividades no nível local com um amplo contexto regional, nacional e global.
  • O papel das organizações da sociedade civil do hemisfério norte tem passado por mudanças dramáticas nos últimos anos. Em particular, seu papel principal como agências "redistributivas" atuando no hemisfério sul tem sido criticado, levando-as a procurar novas formas de definir sua parcela na redução da pobreza. Uma estratégia amplamente adotada tem sido a de ênfase crescente na defesa por justiça social; uma outra é a criação de parcerias com atores não-estatais e estatais, incluindo o setor privado. Tais parcerias levantam algumas questões difíceis relacionadas aos valores básicos e a legitimidade cívica da ação, em particular das ONGs de desenvolvimento baseadas no hemisfério norte. Este trabalho examina a questão das parcerias entre organizações da sociedade civil e empresas, através de um estudo de caso da "Economia da Comunhão", um projeto global que reúne pequenas empresas o organizações de entidades de igreja cujo objetivo comum é o de erradicar a pobreza.
  • As questões relativas à restruturação democrática e à cidadania no nível municipal na América Latina têm sido objeto de crescente interesse e debate entre acadêmicos e praticantes do desenvolvimento em anos recentes. Este estudo investiga como a cooperação internacional pode facilitar a participação ativa dos cidadãos nas decisões locais da região, ao examinar um projeto específico de ligação patrocinado pelo Canadá envolvendo as cidades de Charlesbourg, Quebec (Canada) e Ovalle (Chile). O estudo apresenta uma abordagem relativamente otimista do papel que as inovações transferidas como resultado desse projeto têm exercido no estímulo ao envolvimento dos cidadãos no governo local. Ao mesmo tempo, o texto sugere que quaisquer ganhos podem ser limitados, devendo ser vistos dentro de um contexto político-administrativo mais abrangente na América Latina e dos fatores que restringem o estabelecimento de uma ampla cultura democrática no plano local.
  • Existe uma grande sinergia em potencial proveniente da colaboração entre uma organização de pesquisa e uma organização operacional, tais como uma ONG, mas colaborações explícitas entre elas não são comuns. Essa Nota Prática examina a parceria institucional entre o Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas de Alimentos (IFPRI) e a CARE-USA como uma ilustração concreta das dificuldades e benefícios em potencial de tal colaboração. Ela oferece exemplos de lacunas na orientação organizacional que podem levar a problemas, oferece idéias sobre como reduzir as distâncias e destaca quais choques devem ser esperados no caminho para desenvolver uma colaboração produtiva.
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  • Corrigir as desigualdades herdadas do apartheid tem criado um contexto complexo e desafiador na tentativa de enfrentar as necessidades básicas na África do Sul contemporânea. Dada a segregação física e política do apartheid, atender a demanda por habitação tem sido um desafio central ao desenvolvimento desde 1994. Mas mesmo que o governo local tenha sido levado a uma maior responsabilidade nessa área, ele deve fazer isso enquanto gerencia relações complexas com atores do setor privado buscando acesso aos serviços básicos anteriormente associados ao setor público. O resultado é que não somente a estrutura dos governos locais tem sido dramaticamente reformada desde 1994, mas também os governos têm adquirido uma nova responsabilidade de capacitar os mercados para trabalharem em nome da redução da pobreza.
  • O monitoramento e avaliação de projetos na África têm tradicionalmente dependido do conhecimento "especializado" de avaliadores "profissionais" para desenvolver os chamados indicadores "SMART". Mas esse conhecimento especializado não tem sido difundido nas várias agências implementadoras - que incluem as próprias comunidades. O resultado tem sido alguns dados esporádicos e não-confiáveis e esquemas frágeis de monitoramento e avaliação. No Zimbábue, essas dificuldades têm inibido o desenvolvimento e o estabelecimento de um banco de dados de estatísticas sociais. Uma área frágil de estatísticas sociais é a de informações sobre crianças. Desde 1995, o UNICEF Zimbábue tem trabalhado com comunidades para produzir estatísticas relevantes e atualizadas através de projetos como o Sentinel Site Surveillance Survey e mais recentemente o desenvolvimento de um sistema de registro de vilarejos que conterá indicadores simples, mas vitais. Este artigo procura documentar e iluminar o pensamento sobre esses exercícios e os desafios enfrentados pelo UNICEF e pelas comunidades até agora.
  • Dentro da Austrália, os programas de emprego do Estado são uma forma essencial de tentar reparar as desvantagens substanciais sociais e econômicas enfrentadas pelo povos indígenas australianos, particularmente no nível comunitário. Embora tais programas despendam grandes quantidades de dinheiro, os resultados sociais e econômicos para os indígenas australianos permanecem muito inferior ao dos não-indígenas. Esse artigo argumenta que uma importante limitação para o desenvolvimento humano indígena surge como resultado do racismo institucional dentro de uma série de agências do setor público responsável em todos os três níveis de governo dentro do sistema federalista australiano. Os resultados de uma avaliação do Programa de Emprego para o Desenvolvimento Comunitário (CDEP) dentro de uma remota comunidade indígena são apresentados. Isso serve para ilustrar como a exclusão dos indígenas das fases de montagem e implementação de programas cruciais do governo tem o potencial de resultar em uma substancial alocação ruim de financiamento com propósitos de auxiliar a redução da desvantagem econômica e social dos indígenas.
  • Em todo o mundo, barreiras entrincheiradas de forma profunda excluem as mulheres de uma participação significativa nas atividades sócio-econômicas e políticas. Isso não é apenas uma questão de justiça e igualdade. Tem se argumentado que ao serem expandidas as oportunidades das mulheres, a sociedade como um todo seria simultaneamente fortalecida e isso ampliaria as perspectivas de desenvolvimento. Recentemente, uma ampla variedade de iniciativas internacionais tem sido desenvolvida para expandir as oportunidades das mulheres. Um desses programas é o financiamento de projetos com bezerros para mulheres. Utilizando dados da Cruz Vermelha, esse estudo examina o potencial dos projetos com bezerros para expandir as oportunidades das mulheres na África subsaariana.
  • De meados de 1999 até meados de 2001, os autores realizaram um estudo qualitativo na zona rural do Vietnã para explorar as relações entre eqüidade de gênero e saúde reprodutiva. Um dos objetivos do estudo foi desenvolver indicadores culturalmente adequados de empoderamento de mulheres, específicos para o contexto vietnamita. Esse artigo descreve o processo de desenvolver, testar e refinar os indicadores de empoderamento, apresentar alguns dos resultados e discutir os desafios metodológicos acarretados. O artigo conclui recomendando uma série de campos específicos do Vietnã para avaliar o empoderamento das mulheres nas esferas sociais e econômicas da vida e na saúde reprodutiva.
  • Esse artigo examina os processos participativos em um pacote de assistência técnica do Banco de Desenvolvimento Asiático (ADB) no setor de recursos hídricos da Tailândia. As autoras analisam vários níveis de interação social na comunidade local, em consultas aos participantes no nível intermediário e em oposição aos programas ambientais do ADB expressos por organizações da sociedade civil. Embora as abordagens participativas sejam empregadas para promover mais regimes de gerenciamento de baixo para cima dos recursos hídricos, as autoras concluem que as diferenças de poder e gênero local têm sido negligenciadas. Instituições em evolução de governança de recursos são constituídas por gênero, reproduzindo desigualdades de gênero, tais como em relação à água voltada para o uso agrícola como um recurso "masculino". Finalmente, o artigo argumenta que entendimentos e práticas de participação legitimizam agendas particulares, especialmente em uma arena politicamente polarizada.
  • Desde os ataques do dia 11 de setembro de 2001 nos EUA, os debates relativos à situação das mulheres no mundo muçulmano têm tendido a focalizar até que ponto elas são vítimas de dogma religioso. Como qualquer outra religião, o Islamismo pode ser opressivo para as mulheres. Contudo, as mulheres trabalhadoras não são afetadas apenas por fatores religiosos. Esse artigo revê as experiências das mulheres na Indonésia e Irã, países nos quais os movimentos islâmicos têm tido um papel de destaque no governo. Na Indonésia, a crise econômica asiática do final da década de 1990 acelerou os conflitos civis e levou um governo islâmico ao poder. Desde então, o emprego das mulheres na Indonésia parece ter sido mais afetado pela crise econômica do que pelo movimento islâmico, sendo ele próprio um subproduto da crise. No Irã, poderia se esperar que o emprego formal das mulheres declinasse após duas décadas de Islamismo mas na verdade ele tem crescido. Uma revisão desses dois casos mostra que o impacto do surgimento do Islamismo político é complexo e não pode ser capturado por simples estereótipos.
  • O golpe de estado que ocorreu em Fiji em maio de 2000 provocou uma saída de capital da indústria de roupas do país. Como os trabalhadores perderam seu emprego, a atenção das pessoas distanciou-se das melhorias de salário e condições para se concentrar na manutenção dos empregos nas fábricas de roupas do país. De que maneira os pesquisadores feministas podem contribuir em um clima de grande mobilidade de capital que proíbe organizar-se por um salário de subsistência? Esse artigo aplica a idéia de Amartya Sen das "alternativas" das mulheres em relação a seus maridos em uma análise do "casamento" das mulheres com o capital. Uma análise sobre a vida das mulheres trabalhadoras nas fábricas de roupas que vá além do local de trabalho revela o potencial para se aumentar o poder de negociação das mulheres em relação aos seus empregadores - estimulando os ativos individuais e coletivos das mulheres, seu acesso ao suporte do estado e ONGs, até outras formas de obtenção de renda e sistemas de suporte social sob o qual solicitar assistência.
  • Esse artigo concentra-se no desafio e efeitos de se aderir à participação da comunidade como um princípio de desenvolvimento comunitário e a questão relativa de refletir a representação diversificada na prevenção e planejamento da promoção da saúde. Como requisito das agências financiadoras, são exploradas as conseqüências de sustentar esses princípios à luz dos recursos colocados à disposição. As informações são baseadas em um estudo de caso de um comitê consultivo com participação diversificada. Uma avaliação participativa desse comitê ilumina as dificuldades encontradas quando uma agência comunitária iniciou um projeto de promoção da saúde para abordar as necessidades das mulheres que não se expressam verbalmente e sob risco de agressão sexual. Sugestões são feitas sobre como essas dificuldades podem ser superadas. O comitê consultivo é um instrumento comum para o desenvolvimento comunitário mas também possui potencial para ser um modelo para uma maior comunicação e entendimento.
  • A ênfase sistemática na questão do HIV/AIDS não diz respeito apenas a adaptar os programas das ONGs, mas também envolve a adaptação das parcerias. Trabalhar em um contexto de elevada incidência de HIV/AIDS exerce um impacto organizacional significativo sobre as ONGs que implementam projetos. Assim que funcionários, ou parentes de funcionários, ficam doentes, há mais faltas no trabalho, desempenho declinante, elevação de custos médicos e custos extras de treinamento e recrutamento. Simplesmente para manter a capacidade existente, as ONGs terão de investir em mudanças nos programas de planejamento, treinamento e cuidados voltados aos funcionários, políticas de saúde e gestão financeira. Isso necessariamente exigirá mais dinheiro para se obter os mesmos resultados do trabalho e essas atividades terão menos impacto (uma vez que uma proporção dos beneficiários poderá estar também doente ou em estado terminal). Portanto, oferecer apoio efetivo para as ONGs parceiras afetadas pelo HIV/AIDS leva a implicações importantes e difíceis para os doadores, particularmente numa época em que seus próprios colaboradores estão exigindo "dinheiro bem aplicado". A ênfase sistemática em parcerias requer que ambos os parceiros mudem - poderemos lançar esse desafio profissional e moral?
  • Em 1993, a comunidade internacional reconheceu pela primeira vez que a violência contra as mulheres (VCM) é uma questão de direitos humanos, ao mesmo tempo em que a VCM tem se tornado cada vez mais uma questão de saúde pública global e uma barreira ao desenvolvimento sustentável. Contudo, mesmo quando há o compromisso para se reduzir a VCM através de seus programas e atividades de advocacy, as pessoas que trabalham com o desenvolvimento na área prática às vezes ficam incertas sobre se essa questão enquadra-se na agenda de redução da pobreza. Esse artigo tenta situar a VCM no discurso da pobreza, baseando-se em uma série de fontes documentais para apresentar as conexões conceituais entre a VCM, pobreza e desenvolvimento humano. O artigo, então, analisa questões sobre a avaliação de impacto dos programas que visam reduzir a VCM e oferece exemplos de como programas específicos têm sido avaliados.
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  • This essay reviews the often heated controversies unleashed by the 2002 publication of Globalization and its Discontents by Joseph E. Stiglitz, former Chief Economist of the World Bank and recipient of the2001 Nobel Prize for Economics. His critique of IMF policies and other economic orthodoxies, particularly in Russia and South Asia, has since come to be accepted more widely among mainstream economists. The author argues, however, that while Stiglitz is sympathetic to some of the arguments made by the so-called `anti-globalisation' movement, his views are far from the radical end of the spectrum.
  • Abordagens participativas têm se tornado cada vez mais populares no desenvolvimento internacional. Embora tradicionalmente associadas a pequenos projetos não governamentais, elas são cada vez mais utilizadas por organizações governamentais e internacionais, tais como o Departamento para Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID) e o Banco Mundial. Esse artigo - concentrando-se em um pequeno projeto de agente de saúde no Amazonas, Brasil - desafia o pressuposto de que a participação inexoravelmente empodera e argumenta que a participação culturalmente inapropriada pode ser utilizada para legitimizar a intervenção prescritiva.
  • Esse trabalho apresenta uma metodologia de desenvolvimento de produto para ser usada com trabalhadores rurais indígenas. Ela é baseada no renascimento de valores culturais e sociais, com um enfoque na conservação de recursos naturais. Ilustrado pelo caso das artesãs de Mixtec no México, esse artigo mostra como os grupos pobres podem melhorar suas condições de vida através da inovação e diversificação de seus produtos. O processo combina técnicas de desenvolvimento de produto baseadas no marketing, com um enfoque participativo e de avanço contínuo, para desenvolver um produto exclusivo e de alta qualidade que possa ser melhor comercializado. As artesãs são agora capazes de planejar sua produção e podem avaliar e comercializar seus produtos.
  • O Proyecto Tequisquiapan (PT) oferece serviços de microfinanças protetores em uma pequena região rural do México, incluindo, de maneira importante, o acesso aberto a instalações de depósito. Os autores relatam a nova pesquisa que examinou os registros do PT na capacitação de pessoas com diferentes graus de vulnerabilidade para desenvolver ativos e proteger-se tanto de choques repentinos quanto de demandas mais previsíveis por quantias de dinheiro. O PT foi considerado relativamente mais útil para as famílias mais vulneráveis. Seu sucesso depende de sua pequena escala e no compromisso de seus funcionários, cujos salários são subsidiados, com a inovação e experimentação a fim de permanecer relevante às realidades financeiras variáveis e diferenciadas de seus membros. Isso vai contra a tendência atual em direção às microfinanças comercializadas em grande escala. O Banco Mundial, observam os autores, deveria prestar atenção a isso.
  • Esse artigo explora a questão de desenvolvimento da democratização a partir de uma perspectiva de gênero, enfatizando a necessidade de se buscar as bases para a construção da democracia dentro dos setores da sociedade civil onde as mulheres desempenham um papel-chave. As mulheres chilenas e argentinas são um importante exemplo para o desenvolvimento político sustentável através de suas tarefas como Mães, particularmente na década de 1980 nos movimentos de protesto contra desaparecimentos políticos. A autora busca demonstrar como o esforço prático dessas mulheres as têm tornado ingrediente indispensável na conquista de desenvolvimento democrático real no nível de base e como elas servem de modelo para os formuladores de políticas em outros países em desenvolvimento.
  • As avaliações das ONGs de desenvolvimento raramente consideram seu impacto sobre o capital social e aprendizado organizacional local. Profundamente vinculados, ambos são dimensões-chave do impacto de longo prazo das intervenções de desenvolvimento. Estudos têm destacado o sucesso relativo de ONGs na redução da pobreza mas têm sido críticos da sustentabilidade dos benefícios e do fracasso das ONGs de fortalecer as instituições. Esse artigo analisa a experiência de um projeto de gerenciamento de recursos naturais sustentável coordenado pela CARE em Villa Serrano, Bolívia, entre 1993 e 2000. O artigo compara o resultado de uma avaliação tradicional com o de uma avaliação de impacto, que nos permite identificar falhas significantes. O artigo conclui refletindo sobre as limitações de abordagens de intervenção tradicionais e sobre a necessidade de se repensar o papel estratégico das ONGs.
  • Pesquisadores sociais continuam a identificar fatores importantes que promovam ou impeçam o desenvolvimento do capital social. Esse artigo destaca alguns desses fatores, baseado em uma investigação de um assentamento urbano de baixa renda na Guatemala. Ativistas e líderes comunitários, representantes eleitos, fornecedores de serviço do governo regional, residentes locais, diretores e funcionários de ONGs e outros informantes-chave vivendo e trabalhando dentro do local designado indicaram um conjunto complexo e diverso de questões sociais, culturais, políticas e econômicas que contribuíram para os baixos níveis de capital social de "ampla base". O temor durante muito tempo em relação à violência e corrupção dentro de um Estado historicamente de "cima para baixo" e autoritário foi o fator mais significativo que impediu o capital social, a organização social e a participação cívica. As ONGs do hemisfério norte provedoras de serviços na área também freiaram o capital social de "ampla base" ao promover a dependência através de estratégias de intervenção que eram externas, de cima para baixo, não-participativas e não baseadas na comunidade.
  • Os doadores enfrentam muitas questões quando estão tentando apoiar metas de desenvolvimento em grandes regiões como a América Latina. Em suas tentativas de canalizar assistência a usuários finais apropriados, eles também têm de buscar coerência com a estratégia nacional, equilibrar oferta e demanda de recursos técnicos e garantir transparência a seus contribuintes de impostos. A solução dessas questões requer um considerável foco e uma clara compreensão de todos os fatores relevantes. Isso ocorre particularmente, mas não exclusivamente, no caso de pequenos doadores. Esse artigo oferece às agências um modelo de avaliar o envolvimento regional e criar uma estrutura de tomadas de decisões para investimentos futuros. Ele coloca a qualidade da ajuda acima da quantidade de doação.
  • Embora as metodologias de pesquisas participativas estejam sendo amplamente defendidas, a maioria dos projetos não envolve a reversão radical da abordagem relacionada. Embora definida na teoria, a pesquisa participativa é difícil de ser implementada e, portanto, uma descrição mais precisa é necessária no nível prático. Aqui, nós descrevemos um projeto de pesquisa participativa sobre domesticação de árvores de agrosilvicultura realizada na área de Meru do Quênia. A interação contínua entre participantes permitiu que o projeto evoluísse de um teste de adequação de espécies de árvore para um estudo de saturação de espécies e finalmente para um levantamento da diversidade de espécies de árvore. Ao permitir a evolução através da interação, os resultados de pesquisa mais relevantes às necessidades reais dos produtores rurais foram obtidos.
  • Na virada do século vinte e um, o PNUD (UNDP) havia encampado uma nova forma de financiamento baseada no "compartilhamento de custos", sendo essa fonte responsável por 51 por cento das despesas totais da organização no mundo todo em 2000. Diferentemente da relação tradicional doador - destinatário, tão comum nos projetos de desenvolvimento, a nova modalidade de compartilhamento de custos tem criado uma situação na qual os escritórios locais do PNUD têm se tornado "subcontratantes" e as agências dos países destinatários têm se tornado "clientes". Esse artigo explora essa transição no contexto do Brasil, concentrando-se em como a nova modalidade pode ter comprometido a capacidade do PNUD de promover Desenvolvimento Humano Sustentável, como estabelecido em seu mandato. O grande entusiasmo por essa modalidade dentro do sistema da ONU e sua aplicação em potencial em outros países em desenvolvimento aumentam a importância de uma avaliação sistemática de seu impacto e de suas conseqüências desenvolvimentais.
  • The abrupt closure of the WTO Summit in Cancún in September 2003 without any formal agreement dealt a powerful blow to what had been designated as the ‘development round’ in Doha in 2001—and with it to the promise that the concerns of most interest to developing countries would for the first time take precedence in international trade discussions. In this interview, Adrian Lovett, Campaigns and Communications Director of Oxfam GB, talks about the collapse of the summit and about what the future of international trade negotiations may hold. While in many ways Cancún was a missed opportunity, Lovett also argues that the enhanced assertiveness of developing countries may mean that there is now a better chance that the failed negotiations lead to rules that work for the poor as well as the rich.
  • O desenvolvimento das mulheres tem estado e muito provavelmente continuará a estar comprometido com políticas, planos e programas insustentáveis em relação a arranjos humanos. As desigualdades de gênero prejudicam o bem-estar e atrapalham o desenvolvimento. As mulheres e garotas, especialmente as pobres, arcam com a maior parte dessas desigualdades. Para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável de satisfazer as necessidades e atingir as metas de desenvolvimento, com os quais a comunidade internacional tem repetidamente se comprometido, a própria sustentabilidade tem de ser gerada através da ênfase sistemática na questão de gênero.
  • The pro-poor agenda sees the dissemination of research findings as fundamental to ensuring that research helps contribute to poverty alleviation. In recent years this has led to a substantial growth in intermediary services, such as ‘infomediaries’ (1), networks and websites. Yet the pathway to, and actual uptake by, the ‘poor’ continues to elude practitioners, researchers and policy-makers alike. This article draws out the key lessons of recent dissemination experience, and sets out a new challenge to maximise research impacts: the support of the poor in exerting their own perspectives (and demand) for knowledge-based services.
  • Since July 1999, the International Organisation for Migration (IOM), at the request of the United Nations Mission in Kosovo (UNMIK) and the Kosovo Force (KFOR), has undertaken the implementation of the Information Counselling and Referral Service (ICRS, which aimed to provide support mechanisms for demobilised Kosovo Liberation Army (KLA) combatants in their return to post-conflict society. This Practical Note is based on the findings of a research project funded by the United States Institute of Peace (USIP) to assess the initial impact of this reintegration process.
  • Concebida por enfermeiras em um hospital do campo de refugiados palestino em Beirute e inspirada pela Norwegian People's Aid, a agência de ajuda internacional dos sindicatos australianos foi desenhada para oferecer uma base material autêntica para solidariedade com lutas de libertação nacional. Transpondo a difícil divisão na política trabalhista australiana entre a Direita Católica, os Social-Democratas e esquerda pró-Moscow, a agência Australian People for Health, Education and Development Abroad (agora conhecida como Union Aid Abroad, APHEDA) foi capaz de canalizar fundos dos sindicatos e do governo australiano para a agricultura, saúde e projetos de treinamento vocacional no sul da África, Eritréia, Palestina, Vietnã, Camboja e Kanaky. Ao contrário da maior parte de organizações similares na Europa e EUA, seus parceiros anteriores raramente eram sindicatos. Na última década, a ênfase tem sido trabalhar com sindicatos: em relação a igualdade de gênero, alfabetização, cooperativas, HIV e saúde ocupacional e ambiental. Apenas recentemente a APHEDA tem apoiado diretamente o treinamento de sindicatos no Camboja, Timor Leste e Indonésia, sob pressão dos sindicatos australianos, que vêem os direitos dos trabalhadores em países vizinhos como algo crucial para o seu próprio destino. Contudo, os sindicatos de países capitalistas desenvolvidos não compreendem espontaneamente as necessidades humanitárias e de desenvolvimento de países como Papua Nova Guiné, onde trabalhadores assalariados são uma pequena minoria da população. A sindicalização é apenas parte da solução. O congresso em Durban de abril de 2000 da ICFTU reivindicou que os sindicatos "organizem o desorganizado", tais como trabalhadores de setores informais, e construam alianças com ONGs e com a sociedade civil em relação a valores compartilhados. Como uma ONG sindical, a APHEDA está localizada no meio de uma interseção desafiadora. Tendo como objetivo educar trabalhadores australianos sobre questões de globalização, a APHEDA freqüentemente é mais partidária do que outras ONGs de desenvolvimento internacional na Austrália, às vezes mais circunspecta. Com governos nacionais reacionários desde meados de 1990, ataques aos direitos dos sindicatos e o crescente compartilhamento do orçamento de ajuda australiano implementado através de empresas altamente lucrativas, a APHEDA enfrenta decisões sobre sua independência, alianças, direção e sustentabilidade.
  • Fundada em 1951, a War on Want é uma ONG baseada no Reino Unido comprometida com o combate à pobreza, com fortes raízes no movimento trabalhista. O programa da War on Want relativo ao Local de Trabalho Global oferece aos sindicalistas uma série de qualificações e conhecimentos práticos sobre questões de desenvolvimento internacional. Parte do programa envolve um "Fórum de Trabalhadores Locais", que leva ativistas de base dos sindicatos do Reino Unido a um setor semelhante ou até mesmo a uma planta pertencente ao mesmo empregador no hemisfério sul. A meta é aumentar o entendimento dos participantes em relação ao impacto da globalização sobre as indústrias nas quais eles trabalham, estabelecer relacionamentos que possam agir como ponto de partida para ação global e incentivar os participantes a divulgar a mensagem dentro de seus próprios sindicatos. Existe também um website que desperta a conscientização sobre a economia global e incentiva os ativistas a fazer conexões e realizar ações conjuntas. É essencial que hoje em dia, mais do que nunca, os sindicalistas trabalhem juntos como uma força internacional para desafiar a globalização e lutar pelo reconhecimento dos direitos dos trabalhadores. O Local de Trabalho Global sugere que demonstrar solidariedade global aos trabalhadores do mundo todo pode ajudar os sindicalistas a despertar para esse desafio.
  • Esse artigo argumenta que a posição das ONGs sobre direitos trabalhistas globais está equivocada. A preocupação das ONGs em relação às desigualdades de raça e gênero e sua rejeição da primazia de classe na economia global e capitalista de hoje em dia têm frustrado o projeto de incorporar direitos trabalhistas no regime de livre comércio global. Os sindicatos, enquanto isso, são uma das poucas agências dedicadas a combater as desigualdades de classe, especialmente entre trabalhadores do hemisfério norte e sul. Até que as ONGs repensem sua posição sobre classe, os sindicatos são a única agência capaz de forçar a inclusão das questões sobre direitos trabalhistas na agenda.
  • Esse artigo analisa os problemas da sobrevivência organizacional, inovação e parcerias inter-organizacionais de sindicatos e organizações comunitárias de imigrantes. A análise concentra-se no Projeto de Cidadania, um projeto que visa ajudar e organizar os imigrantes mexicanos, lançado em 1995 pela Teamsters Local 890 em resposta à violação dos direitos dos imigrantes na Califórnia. A análise conclui que novas organizações parceiras comunitárias financiadas por sindicatos podem ser uma resposta efetiva a esses problemas se os participantes estabelecerem e sustentarem um balanço adequado de autonomia e accountability. O artigo também traça o desenvolvimento de uma noção radical e ampliada de cidadania através do Projeto de Cidadania e um conjunto relacionado de métodos que integram organização com implementação de serviço chamado de "trabalho de cidadania". Ele recomenda que centros sem fins lucrativos e isentos de impostos sejam estabelecidos em centros de trabalho, conselhos de trabalho e sindicatos internacionais para baixar os custos de tal inovação para os sindicatos locais.
  • No início da década de 80, o apoio a sindicatos era um componente significativo dos programas da Oxfam GB em várias partes do mundo, principalmente na América Central e África do Sul. Na América Central, isso foi motivado porque o trabalho organizado teve um papel importante nos movimentos populares que estavam pressionando por arranjos políticos justos para as guerras que estavam devastando a região e porque os sindicatos, assim como seus membros e líderes, foram o alvo de repressão e violência política. Esse artigo analisa o cenário geral para o crescimento do financiamento de sindicatos em Honduras, reflete sobre essa experiência e discute alguns dos fatores que poderiam mudar uma relação de doador-recipiente potencialmente difícil para uma relação de diálogo e solidariedade.
  • Entre 1991 e 2002, o movimento internacional anti-trabalho exploratório apresentou um significativo crescimento. Uma série de redes internacionais interconectadas desenvolveu-se, envolvendo sindicatos e ONGs em campanhas para persuadir determinadas Corporações Transnacionais (TNCs) a garantir que os direitos trabalhistas fossem respeitados na produção de seus bens. Embora a forma solta e interconectada da organização que caracteriza o movimento tem a ajudado a crescer e progredir apesar de sua formação diversa, possivelmente a falta de coordenação tem prejudicado sua habilidade de alcançar mudança de políticas. Existe a necessidade de se desenvolver novas formas de cooperação global para evitar fraturas dentro do movimento e a perda de ímpeto.
  • Reviewed by Luz María de la Mora, Trade Representative of the Mexican Ministry of Economy at the EU, Brussels
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  • Os desafios resultantes da globalização econômica tornam imperativo que as organizações da sociedade civil superem as barreiras que as têm tradicionalmente dividido para garantir que os direitos daqueles que se encontram marginalizados ou vulneráveis sejam mantidos firmemente na agenda internacional. Em particular, a globalização renova a necessidade de se promover alianças entre o movimento sindical e ONGs preocupados com o desenvolvimento social e econômico. Embora haja muita evidência de cooperação bem-sucedida, grandes problemas, medos, suspeitas e às vezes hostilidades permanecem entre eles. Algumas dessas diferenças de políticas são substanciais e marcantes, mas outras são a conseqüência de culturas políticas ou organizacionais conflitantes, preconceitos, competição financeira e uma mútua falta de entendimento sobre as respectivas tarefas e objetivos. Debates a respeito da organização de trabalhadores na economia informal, incluindo a discussão da OIT em junho de 2002, oferecem um útil estudo de caso.
  • Os sindicatos da Índia operam principalmente com trabalhadores com empregos formais, particularmente no setor público. Contudo, a maioria das pessoas na Índia trabalha na economia informal e suas necessidades são atendidas principalmente por agências voluntárias ou ONGs. A globalização econômica e as políticas associadas a ela estão resultando na crescente informalização do trabalho. Como representante dos trabalhadores, os sindicatos e agências da mesma forma estão sendo marginalizados. Paradoxalmente, essa situação está incentivando essas organizações a superar a desconfiança mútua que tem caracterizado as relações entre elas no passado e a unir forças para combinar suas vantagens. Esse artigo descreve o cenário geral e a situação atual em termos gerais antes de apresentar um estudo de caso do National Centre for Labour (NCL), um órgão de funcionários comerciais de organizações trabalhistas de todos os tipos de trabalho no setor informal da Índia. Seus membros incluem sindicatos e agências ativas entre trabalhadores da construção, assim como da silvicultura, pesca e trabalho doméstico. Tal colaboração não apenas melhorou a efetividade dos sindicatos e das agências como também tem aumentado o caráter representativo dos sindicatos.
  • Esse artigo descreve um projeto de ação-pesquisa que possui os objetivos múltiplos de mapear o conjunto de trabalho realizado em domicílio em diferentes países, investigando os modos pelos quais tal trabalho é incorporado em cadeias de produção local ou internacional e desenvolver uma metodologia que facilitará o estabelecimento de organizações sustentáveis de trabalhadores baseados em casa. O artigo concentra-se principalmente na América Latina e Europa Oriental, embora o projeto também esteja ativo na Índia e tem começado a explorar as possibilidades de trabalho na China.
  • As fábricas de roupa e produtos têxteis e as plantas de montagem nas zonas de livre comércio da América Central, conhecidas como indústria maquiladora, têm originado novos atores no cenário trabalhista, uma vez que organizações de mulheres e grupos de monitoramento local agora trabalham juntamente com o setor sindical tradicional. Além disso, algumas dessas novas organizações estão conectadas com redes baseadas em outros locais, principalmente nos EUA e Europa, e estão ativamente envolvidas em campanhas transnacionais para melhorar as condições de trabalho nas empresas maquiladoras. Até o momento, tentativas de colaboração entre sindicatos e esses novos atores trabalhistas têm sido decepcionantes e freqüentemente marcadas por conflito. Desafiando a idéia de que sindicatos e ONGs estão em competição pelo mesmo "espaço" limitado, ao analisar as relações entre sindicatos e organizações de mulheres esse artigo pergunta se tais conflitos são inevitáveis e sugere maneiras pelas quais os dois tipos de organizações poderiam trabalhar conjuntamente para melhorar as condições de trabalhadores na América Central.
  • A preocupação quanto às condições de trabalho em uma cadeia de abastecimento global tem feito com que sindicatos e ONGs do hemisfério norte sentem-se à mesma mesa. Iniciativas de colaboração incluem campanhas como a Campanha de Roupas Limpas (CCC) em toda a Europa e fóruns sobre comércio ético, como a Iniciativa de Comércio Ético (ETI) do Reino Unido. As relações nem sempre têm sido fáceis. Os Sindicatos e ONGs possuem diferentes modos de trabalhar e tem havido insensibilidade de ambas as partes. O que observamos emergir, contudo, são novas formas de internacionalismo do trabalho que podem responder de forma efetiva à ameaça que a produção globalizada impõe aos direitos dos trabalhadores.
  • O autor descreve a evolução do setor manufatureiro de vestuário no distrito de Totonicapán nas terras altas da Guatemala, uma área há muito tempo associada com tecelagem e atividades relacionadas. Os produtores têm sido perspicazes em encontrar maneiras de aproveitar as mudanças na economia global, como por exemplo importando tecidos mais baratos da Ásia para reduzir o custo dos produtos finais. Os produtores têm sido então capazes de explorar o nicho de mercado doméstico e regional para roupas de custo mais baixo do que as que estão disponíveis nas lojas de departamento, adaptando seu resultado para responder às modas e às tendências. Essa adaptabilidade, por sua vez, tem gerado mais emprego local e riqueza entre trabalhadores baseados em domicílio e trabalhadores das vilas, assim como entre pessoas da cidade e comerciantes e um alto nível de auto-emprego. Paradoxalmente, um fator que tem contribuído para essa situação - em oposição a tornar-se envolvido na produção das maquiladoras - é que o fracasso dos sindicatos em organizar os trabalhadores nos anos 1960 finalmente promoveu relações mais justas entre a elite tradicional e seus antigos empregados e um nível mais alto de dependência mútua do que existe na indústria maquiladora.
  • Esse artigo explora a implementação da Convenção 182 sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil em Honduras. Ele destaca lições-chave aprendidas com um projeto conjunto do Fundo Save the Children - Reino Unido e Ministério do Trabalho. Essas lições são relevantes para projetos similares que abordem a aplicação da legislação sobre trabalho infantil e para projetos que tratem do fortalecimento institucional e participação das crianças. O artigo examina a centralidade da parceria e propriedade e o valor das abordagens centradas na criança. Ele também analisa a capacidade das ONGs de se engajar no governo no nível nacional e regional e a importância de serem conectadas iniciativas no nível nacional, regional e local.
  • O debate sobre códigos de conduta do local de trabalho tem criado tensões entre sindicatos e ONGs de direitos humanos. Essas tensões resultam das diferenças estruturais inerentes entre sindicatos orientados por interesses e ONGs de direitos humanos guiadas por ideais. As diferenças levam a diferenças na forma como esses agentes buscam a justiça social em uma economia globalizada. As ONGs de direitos humanos tendem a ver os códigos de conduta como um método para se evitar violações, similar ao seu trabalho tradicional sobre reforma legal e monitoramento de direitos humanos. Os sindicatos avaliam os códigos por seu potencial em ajudar a dar poder aos trabalhadores, especialmente em garantir a liberdade de associação, que levará à realização de direitos participativos. Em nosso entendimento sobre direitos humanos como uma forma de empoderamento de grupos vulneráveis, argumentamos que a perspectiva dos sindicatos sobre direitos humanos é uma boa abordagem de longo prazo. Os sucessos de curto prazo, tais como melhoria das condições de trabalho através de patrocínio externo, parecem úteis apenas até o ponto em que eles servem a esse objetivo de longo prazo.
  • No contexto da globalização, a regulação social transnacional é cada vez mais o produto de ONGs interferindo na esfera do comércio global. Utilizando uma pesquisa empírica no sudeste da Ásia, o autor afirma que o que importa tanto quanto os códigos de conduta são os efeitos de transbordamento cuja força vai além de realizar conexões com a sociedade mais ampla do país anfitrião. A base para uma legislação trabalhista efetiva encontra-se dentro dos Estados e o ativismo deve se concentrar em melhorar as condições legais, políticas e sociais para trabalhadores nos países anfitriões em vez de tentar afetar o comportamento corporativo através da pressão do consumidor.
  • A proliferação de códigos de conduta corporativos gera aliança e tensão entre os sindicatos e ONGs que trabalham com direitos dos trabalhadores na economia global. Aliança, porque os sindicatos e ONGs compartilham um desejo comum de acabar com o comportamento abusivo de companhias multinacionais e um objetivo mais amplo de pôr em cheque o poder das corporações na economia global. Tensão, porque os sindicatos e ONGs possuem diferentes interesses institucionais, diferentes análises dos problemas e soluções potenciais e diferentes modos de pensar e falar sobre justiça social na economia global. Existe o medo de que os códigos de conduta possam ser utilizados para prejudicar o cumprimento de leis trabalhistas efetivas por parte de autoridades de governo e reduzir o poder dos trabalhadores nos sindicatos. A essência por trás da retórica sobre essa nova geração de códigos de conduta corporativos está certamente aberta a questões. Contudo, esse artigo argumenta que, dada a presença fraca dos sindicatos na linha de montagem global e a capacidade de resposta rápida de diversas ONGs, tais códigos são um valioso bem. Os sindicatos e ONGs ainda possuem mais em comum uns com os outros do que qualquer um deles possui com as corporações, governos ou organizações internacionais que vêem o comércio livre e a livre circulação de capital como a solução para os baixos níveis de direitos trabalhistas. Mas ambos precisam ter clareza sobre suas diferenças e suas tarefas apropriadas enquanto enfrentam as oportunidades e desafios à frente.
  • Os trabalhadores enfrentam grandes desafios em sua luta para se organizar, tanto em termos de risco pessoal como pelo número elevado de obstáculos. Superar tais desafios requer estratégias múltiplas e colaboração abrangente. Nesse artigo nós começamos revisando a repressão que os trabalhadores enfrentam. Nós então analisamos como os códigos do local de trabalho voluntário poderiam ajudar os trabalhadores a se organizar. Utilizando o padrão SA8000 como exemplo, nós analisamos alguns dos elementos que poderiam ser mais úteis para organizar os trabalhadores. Finalmente, nós analisamos um projeto colaborativo entre a International Textile, Garment and Leather Workers' Federation e a Social Accountability International para desenvolver um programa de treinamento que não apenas ajuda os trabalhadores a entender como usar os códigos em seu benefício como também desenvolve sua organização atual e estratégias de educação.
  • Tentar construir alianças que unam a divisão existente entre sindicatos e ONGs, assim como a divisão entre o hemisfério norte e sul, poderia parecer uma tarefa utópica. Mas isso é exatamente o que uma nova geração criativa de organizadores de movimentos dos trabalhadores e ONGs do hemisfério ocidental estão tentando fazer. Esse artigo analisa dois esforços muito diferentes visando fazer a ponte entre essa "dupla divisão". O primeiro é uma combinação de organizações, incluindo sindicatos e ONGs no hemisfério norte e sul, que estão tratando de violações gritantes da dignidade de trabalhadores nas zonas de processamento de exportação de roupas no hemisfério sul. Esse "complexo de direitos básicos" tem resultado em importantes vitórias. Um segundo complexo de organizações, também envolvendo sindicatos e ONGs no hemisfério norte e sul, tem levantado questões gerais no nível macro sobre governança, enfatizando particularmente o caráter anti-democrático de propostas atuais para uma área de livre comércio das Américas. Nenhum desses complexos está isento de defeitos, mas cada um deixa claro que promover a ponte entre as divisões existentes não deve ser visto como um sonho utópico mas sim como um trabalho em andamento.
  • As ONGs de direitos humanos foram a vanguarda da luta pela democratização na Nigéria, mas elas tiveram de forjar alianças com sindicatos e outros grupos para galvanizar esse processo efetivamente. Esse artigo explora as alianças entre sindicatos e ONGs na luta contra a ditadura militar na Nigéria para analisar de que forma as relações horizontais têm desempenhado em trocas dentro da sociedade civil. Ele argumenta que as exigências da luta política sustentada levanta conflitos sobre questões de participação, accountability e igualitarismo, que por sua vez promovem o capital social dentro da sociedade civil ao mitigar hierarquicamente os padrões estruturados e assimétricos da troca entre seus membros.
  • Esse artigo examina a relação entre trabalhadores no setor de saúde e usuários dos serviços de saúde vista através de dois estudos de caso de sindicatos e ONGs trabalhando juntos, um na Malásia e outro na África do Sul. Apesar de uma história de tensões entre esses dois tipos de organização, quando eles trabalham juntos efetivamente os resultados podem ser significativos. A Iniciativa de Saúde dos Cidadãos da Malásia (Malaysia Citizens'Health Initiative) criou uma organização em separado e agora possui o poder de mediar diferenças entre sindicatos, ONGs e o governo. A parceria entre a Campanha de Ação no Tratamento e o Congresso dos Sindicatos Sul Africanos (COSATU) na África do Sul está oferecendo uma voz unificada exigindo a ação do governo em relação ao HIV/AIDS.
  • Com a aprovação da Lei de Asilo e Imigração de 1999 no Reino Unido, um sistema de vales para todas as novas pessoas que buscam asilo deveria ter sido introduzido a partir de abril de 2000. Esses vales foram amplamente vistos como injustos ao discriminar um setor da sociedade já vulnerável. Uma coalizão única entre duas ONGs (Oxfam GB e Conselho de Refugiados) e um sindicato (Trade and General Workers' Union - TGWU) levou a uma campanha sincronizada contra o esquema de vales que incluiu uma série de trabalhos de mídia, lobby político e conscientização do público. O esquema de vales foi finalmente descartado. Esse artigo utiliza várias lições práticas sobre como desenvolver relações colaborativas bem-sucedidas em todos os setores sociais diferentes. O autor conclui que a principal lição não é a de que as ONGs devem trabalhar com os sindicatos mas a de que ao se trabalhar com outros agentes, unidos por um objetivo comum, pode-se combater a injustiça efetivamente e fazer uma diferença na vida das pessoas.
  • Uma comparação de sindicatos e ONGs no Irã demonstra a natureza diversa de suas atividades. Nos últimos 90 anos, os sindicatos têm desempenhado tarefas importantes na mudança do sistema político nesse país. Contudo, os sindicatos são em grande parte organizações dominadas por homens, o que explica por que algumas mulheres têm começado a organizar sindicatos de mulheres. Esse artigo concentra-se, porém, nas atividades de ONGs de mulheres, que estão engajadas em melhorar as condições sócio-econômicas dos setores da sociedade mais marginalizados. Suas atividades são limitadas e elas não estão engajadas em mudanças estruturais. Contudo, elas estão desafiando o acesso específico do gênero e influência sobre o poder institucional, questões que são cruciais para o processo de democratização. É argumentado que, uma vez que diversos sindicatos e ONGs no Irã estão fortalecendo instituições baseadas nas comunidades em diferentes formas, sua colaboração teria um impacto mutuamente transformador que tornaria essas organizações em forças mais poderosas no processo de democratização.
  • Os sindicatos são tipificados como tendo "duas faces"--a da justiça social e a do interesse. Esse artigo examina as tensões e dificuldades enfrentadas por movimentos sindicais no Pacífico Sul, buscando equilibrar as "duas faces" do sindicalismo durante um período de instabilidade política e econômica na região. Ele analisa as escolhas difíceis que os movimentos sindicais em Papua Nova Guiné, Ilhas Fiji e Ilhas Solomon têm de fazer para preservar seus interesses em resposta a reformas microeconômicas radicais e como eles têm buscado trabalhar com as organizações da sociedade civil para restaurar a estabilidade política e social. O artigo recorre a algumas lições provisórias que podem permitir que os sindicatos do Pacífico Sul respondam melhor a esses difíceis desafios.
  • Esse artigo descreve as estruturas legais que estão governando os sindicatos e ONGs na Ucrânia, com as ONGs definidas em grande parte como organizações trabalhando para o benefício de seus membros e outros cidadãos compartilhando os mesmos interesses em vez de organizações filantrópicas cuja missão é ajudar outros agentes. Os sindicatos e ONGs são incentivados a colaborar em áreas onde seus interesses coincidem, e o artigo descreve dois programas recentes - um para promover mais o esporte e as atividades físicas entre a população ucraniana afim de combater as estatísticas de saúde declinantes e o outro para tratar das necessidades de um número crescente de pessoas com deficiência no país - em que tal colaboração tem sido central.
  • Em 1987-1988, um debate nacional surgiu no Canadá sobre a necessidade de se estabelecer um acordo de livre comércio com os EUA e seu efeito potencial sobre a cultura, sociedade e soberania canadense - assim como sua economia. Uma coalizão nacional de sindicatos e grupos da sociedade civil surgiu para se opor a tal acordo com os EUA e mais tarde à sua expansão para o México na forma do Acordo de Livre Comércio Norte Americano (NAFTA). A coalizão foi saudada pelos membros como uma aliança marcante entre sindicatos e sociedade civil, assim como um novo desafio de base para as políticas econômicas neoliberais do governo no momento. A experiência levou a um modelo de colaboração de mais longo prazo entre sindicatos e ONGs no Canadá, mas a coalizão também enfrentou dificuldades em reconciliar as diferentes abordagens e objetivos dos participantes, que foram solucionadas com graus diferentes de sucesso. O artigo discute a coalizão em relação a atitudes e práticas de gênero; questões de representação e accountability; diferentes abordagens da organização, hierarquia, liderança e tomadas de decisões; conflitos de recursos; visões baseadas em classe versus novas visões de desafio e movimentos sociais; e visões dentro do movimento dos trabalhadores canadenses sobre o trabalho de coalizão com os grupos da sociedade civil.
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  • Os autores analisam a experiência de Tostan, uma ONG senegalesa, com o abandono da Mutilação Genital Feminina (MGF) no Senegal, Sudão e Mali. A Tostan utiliza metodologias informais e participativas para apoiar uma mudança social com base nos vilarejos, especialmente nas áreas de direitos humanos e saúde da mulher. Ao participarem do programa educacional da Tostan, algumas comunidades declararam uma moratória na prática de MGF e têm mobilizado suas famílias e vilarejos para interromper o seu uso. Esse artigo descreve o processo utilizado, analisa questões que têm surgido conforme o conceito é divulgado e disseminado para fora do Senegal e revê as implicações para as iniciativas de políticas de base.
  • Esse artigo recorre a cinco estudos de caso para explorar os benefícios e as barreiras em potencial para a rede horizontal promover o monitoramento e avaliação de impacto da microfinança. Sua principal meta é estimular mais discussões sobre essa questão, mas ele também apresenta conclusões exploratórias sobre fatores que provavelmente contribuem para o sucesso. Em particular, a experiência de Honduras sugere que as organizações de rede podem trabalhar mais efetivamente quando promovem um uso mais amplo de atividades de avaliação de impacto (AI) já testadas por um membro líder da rede.
  • Esse artigo avalia a pertinência de intervenções patrocinadas por agências de ajuda que buscam atender às necessidades de segurança das mulheres na pós-reconstrução de Ruanda. Segurança pessoal, segurança econômica e segurança sócio-política são usadas como os principais sinais e indicadores de referência metodológica. As informações e dados utilizados no artigo foram reunidos durante diversas visitas à Ruanda em 2001 e 2002. O estudo revela que esforços têm promovido impactos positivos na vida das mulheres. Contudo, os resultados também mostram que estratégias específicas que visam aumentar a segurança das mulheres poderiam beneficiá-las mais se fossem mais consistentemente planejadas para levar em conta os modos pelos quais as questões de pobreza, gênero e segurança se interconectam.
  • Pequenos produtores rurais de economias em desenvolvimento enfrentam uma série de problemas de comercialização e de intercâmbio. Esse artigo examina a organização de mercados de vegetais em Gana, na qual as transações são caracterizadas pela incerteza, falta de confiança e relações de comprador-vendedor subdesenvolvidas. Ele recomenda a adoção de contratos escritos na forma padrão para melhorar as transações entre comprador-vendedor e sugere características-chave para os contratos. Os contratos oferecem grandes vantagens sobre os acordos verbais existentes ao especificarem os termos de um acordo pelos quais o desempenho pode ser medido, ajudarem a melhorar as atitudes de negócios e intensificarem a obrigação moral.
  • Um aumento recente de publicações, cursos de treinamento, conferências e declarações de políticas sobre abordagens baseadas em direitos mostra a importância que está sendo dada ao conceito por profissionais da área de desenvolvimento. Apesar disso, não há definição consensual adotada universalmente sobre o que se constitui uma abordagem baseada em direitos, nem as implicações de se adotar tal abordagem parecem ter sido amplamente questionadas. Esse artigo busca explorar algumas das questões-chave associadas à adoção de uma abordagem baseada em direitos que seja relevante às ONGs.
  • Esse artigo relata alguns dos resultados genéricos que surgiram a partir de pesquisa que está sendo realizada no Reino Unido, África do Sul e Uganda sobre as maneiras pelas quais as ferramentas de gestão atualmente promovidas por doadores oficiais são transmitidas pela "cadeia de ajuda", através de ONGs do Reino Unido, para organizações da sociedade civil no hemisfério sul. A competição crescente por fundos de doadores está pressionando as ONGs menores e também definindo uma abordagem cada vez mais padronizada, com a resultante perda em termos de diversidade. O mais inquietante ainda é que as ONGs em todos os níveis estão cada vez mais sigilosas sobre suas próprias falhas e relutantes em divulgar suas preocupações sobre o que está acontecendo, por medo de perder seus financiamentos. Esse ambiente, e as atitudes que ele promove, não levam ao aprendizado, permite que paradigmas e prioridades definidos pelos doadores dominem e ameaça destruir os valores e forças que as ONGs podem, no melhor de seu desempenho, trazer para o desenvolvimento.
  • Os projetos de desenvolvimento estão sob pressão para implementarem mudanças positivas na questão de gênero. Esse artigo oferece um exemplo prático de como um projeto na Tanzânia tentou atender a essa demanda. Mostra-se em detalhes como um projeto técnico convencional desenvolveu seu próprio entendimento sobre a que é ser sensível na questão de gênero e identificou as preocupações relativas a gênero que se poderia abordar. Os principais desafios do monitoramento tornaram-se aqueles relativos a como avaliar o significado de eventos registrados rotineiramente, tais como uma maior alocação de vacas para as mulheres, e a como incorporar as atividades de monitoramento que poderia concentrar-se em pesquisas de processos de mudança menos óbvios, menos visíveis e mais sutis dentro do ciclo do projeto. O artigo defende uma maior atenção para atender a esses desafios dentro dos projetos.
  • Nesse artigo, o Desenvolvimento Comunitário com Base em Recursos (ABCD - Asset Based Community Development) é apresentado como uma alternativa às abordagens baseadas nas necessidades do desenvolvimento. Após uma apresentação geral dos princípios e práticas do ABCD, quatro elementos importantes do ABCD são examinados à luz da literatura existente sobre pesquisas e práticas relevantes. Isso envolve explorar a teoria e prática da investigação apreciativa (appreciative inquiry), o conceito de capital social como um bem para o desenvolvimento comunitário, a teoria de desenvolvimento econômico comunitário e as lições aprendidas a partir das conexões entre desenvolvimento participativo, cidadania e sociedade civil. O artigo apresenta como o ABCD reflete e integra tendências nessas áreas e beneficia-se com as idéias geradas a partir desse trabalho.
  • Muitos leitores já devem estar familiarizados com o trabalho de Robert Chambers, incluindo seus seis "vieses" do profissional da área de desenvolvimento - isto é, espacial, de projeto, pessoal, sazonal, diplomático e profissional - e com suas sugestões para superá-los. Muitos também já estão familiarizados com o desafio de colocar os conselhos de Chambers em prática, notadamente em tarefas de curto prazo. A questão indagada aqui é se o consultor pode fazer qualquer coisa construtiva em relação àqueles que são os "últimos" na escada do desenvolvimento e, fazendo isso, tornar os invisíveis um pouco mais visíveis. Esse artigo oferece quatro ilustrações extraídas das experiências do autor em Moçambique, Malauí, Bangladesh e Zimbábue. Todas envolvem tentativas de aplicar parcialmente as idéias de Chambers. Todas são modestas em ambição, escala e escopo. O principal objetivo de descrever esses casos é estimular a discussão de possibilidades de incorporar as idéias de processos de desenvolvimento participativos e inclusivos no contexto não muito promissor de períodos de trabalho de duas ou três semanas.
  • Esse artigo documenta as lições aprendidas a partir de diversos anos de trabalho prático com uma série de processos e ferramentas da Gestão do Ciclo de Projeto e Programa (GCPP). A necessidade de treinamento em GCPP, e não simplesmente o treinamento em Estrutura Lógica, é enfatizada , assim como a importância de se utilizar uma metodologia de treinamento experimental. A propriedade institucional de ferramentas e abordagens de GCPP é considerada vital para o sucesso. Uma vez que tantos doadores agora utilizam as ferramentas de GCPP, a necessidade dos profissionais da área de desenvolvimento terem habilidade e conhecimento em GCPP é primordial. O valor dos logframes (quadros lógicos de referência) como ferramenta para aumentar a propriedade e a comunicação relativa ao programa/projeto é destacado. A importância do pensamento fora dos limites do logframe no estágio de revisão do projeto/programa é também enfatizada.
  • O dia 12 de setembro de 2003 marcou o vigésimo quinto aniversário da Declaração Alma Ata da Organização Mundial de Saúde para Estratégia do Ano 2000. A estratégia refletiu um otimismo de que a saúde poderia melhorar para as pessoas pobres e carentes de todo o mundo através da oferta de um serviço de saúde básico (SSB) abrangente. Na prática, o SSB tem sido aplicado apenas seletivamente e, no geral, com menos recursos do que o necessário. Dois grupos de saúde progressivos, o International Peoples Health Council (IPHC) e o Peoples Health Movement (PHM) desafiam a idéia de que um SSB seletivo em vez de abrangente é a abordagem correta e argumentam que a privatização dos serviços sociais relativos à saúde tem tido um efeito devastador na saúde pública do mundo inteiro. Essas organizações reivindicam que a OMS reviva o sonho da Declaração de Alma Ata como questão urgente.
  • Esse ensaio é organizado em termos de diversas propostas para discussão que conectam advocacy e dilemas de pesquisa. Para se saber se os pesquisadores podem fazer uma diferença para o Banco Mundial, é necessário haver uma avaliação mais ampla sobre se as campanhas com as quais eles trabalham estão tendo um impacto. Embora tenha havido alguns avanços espetaculares em termos de interromper ou redirecionar projetos do Banco potencialmente prejudiciais, a importância desses avanços em um prazo mais longo é menos clara. Conforme o discurso público do Banco torna-se mais esclarecido, o desafio para as organizações da sociedade civil e pesquisadores está aumentando a fim de destacar as contradições e falta de acordo em relação às suas próprias políticas e o insucesso de seus empréstimos e projetos em alcançar suas metas declaradas. Essa situação exige uma integração vertical ou coordenação sistemática entre os níveis diversos da sociedade civil - do local ao provincial, nacional e arenas internacionais para monitorar as parcerias paralelas entre o Banco Mundial e governos nacional, provincial e local. Finalmente, é feita uma reivindicação para que profissionais da área de desenvolvimento social que conduzem consultorias para o Banco Mundial façam a sua adesão a um código de ética requerendo transparência em seus relacionamentos com as comunidades e organizações sociais que são o alvo de sua pesquisa.
  • O fracasso do Estado pós-colonial em institucionalizar a democracia e regular o desenvolvimento em benefício dos pobres tem dado importância a atores privados, incluindo ONGs de desenvolvimento. Com estudos de caso a partir de Malauí, esse artigo mostra como as ONGs podem inadvertidamente promover a participação dos pobres em agendas de desenvolvimento que não os beneficiam. As imagens (como visões do mundo) que os atores sociais formam a respeito de aspectos diferentes do processo de desenvolvimento podem prejudicar as intenções de "empoderamento". Argumenta-se que uma análise das imagens de vários atores na gestão de assistência ao desenvolvimento deve informar a agenda em prol dos pobres das ONGs de desenvolvimento.
  • As mudanças rápidas de hoje em dia dentro e fora das ONGs do hemisfério norte e sul aumentam a incerteza sobre como atender a novos desafios e alcançar resultados. Nesse ambiente volátil, a gestão de risco é uma ferramenta para maximizar as oportunidades de uma ONG e minimizar os perigos para o sucesso. Isso permite aos tomadores de decisões das ONGs pensar estrategicamente todo o tempo.
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  • Esse artigo busca contribuir para o debate sobre a colaboração entre as ONGs nacionais e internacionais. Ele argumenta que é vital para o desenvolvimento de sociedades civis estáveis, independentes e viáveis que as ONGs internacionais promovam uma abordagem a partir da base em seu apoio e colaboração com as ONGs locais, especialmente entre aquelas emergindo de situações de conflito ou outros transtornos sociais profundos. A partir de um estudo realizado em Timor Leste, as autoras concluíram que existe uma grande discrepância entre a retórica e a prática em relação a tal apoio. Os múltiplos desafios da comunidade de ONGs internacionais persistem, embora diversos anos de trabalho de desenvolvimento têm oferecido muitas oportunidades de aprendizado. As autoras argumentam que tais desafios dizem menos respeito a uma questão de padrões e regras do que uma abordagem básica, atitudes e relações de poder. As autoras sustentam que se as ONGs internacionais e a comunidade internacional mais geral não alterarem sua abordagem, elas irão sufocar em vez de promover o desenvolvimento de uma sociedade civil viável e autônoma nos países nos quais elas operam.
  • Alguns indígenas estão tentando explorar algumas abordagens para definir e implementar o desenvolvimento sustentável de modo apropriado a eles. Em 1998, quatro organizações iwi (tribais) de Maori iniciaram um projeto de pesquisa com uma equipe da Universidade de Waikato sobre o planejamento de seu próprio desenvolvimento sustentável. As metas da pesquisa incluíram a capacitação de grupos para articular seus próprios valores e percepções sobre desenvolvimento, estabelecendo um conjunto abrangente de recursos e taonga (tesouros), identificando modos de avaliar custos/benefícios das opções de investimento e explorando métodos participativos para envolver a comunidade nas tomadas de decisões estratégicas. Lições úteis têm sido aprendidas e modelos testados para ajudar grupos baseados nas comunidades na implementação de seu próprio desenvolvimento sustentável.
  • O discurso sobre capital social continua na arena do desenvolvimento, dentro da qual o conceito é examinado tanto como um meio para um fim como um fim em si mesmo. O fortalecimento do capital social começa no nível da comunidade. Conforme as conexões tornam-se internalizadas e institucionalizadas, as redes criadas oferecem ao estado (fraco ou forte) e cidadãos uma maneira de incentivar as tomadas de decisões participativas, a identificação de problemas e a sua solução. Como o exemplo jamaicano mostra, o desenvolvimento em países pequenos formados por ilhas é um processo interativo e não um processo de cima para baixo. O artigo, portanto, demonstra o uso crítico do conceito como parte da estratégia de metas de desenvolvimento nacional.
  • O periódico Development in Practice tem adotado sempre uma perspectiva internacionalista. São incentivadas contribuições do mundo todo, independentemente do idioma, e são feitos esforços para que o periódico seja acessível, inclusive através da tradução. Além dos artigos traduzidos para o inglês, há a tradução dos resumos, inicialmente presentes no periódico e agora no website, para o francês, espanhol e português e a publicação em espanhol de cinco dos livros de leitura do Development in Practice. A Editora gostaria de saber se tais atividades representaram o melhor uso de seu limitado orçamento para tradução ou se existe potencial para que haja mais resultados. Esse é um sumário do relatório de um dos Consultores Editoriais, Mike Powell, que analisando outras organizações e conversando com assinantes e colaboradores do Development in Practice, tentou encontrar respostas para essa questão.
  • O papel de organizar e disseminar o conhecimento como um bem público global tem se tornado uma grande preocupação das organizações internacionais de desenvolvimento. Uma área na qual elas são particularmente ativas é no apoio a programas de microfinanças em países em desenvolvimento. Mais recentemente, as "melhores práticas" de microfinanças promovidas e disseminadas por essas organizações internacionais têm sido associadas com o capital social. Esse artigo examina as formas pelas quais a noção de capital social são empregados para explicar o sucesso dos programas de microfinanças. O autor argumenta que os vários tipos de interações sociais que são geradas em relação às operações de microfinanças bem-sucedidas são aleatoriamente chamadas de capital social. Isso significa que a presença de capital social não nos diz muito sobre que tipo de programa de microfinanças, em termos de modelo e implementação, deve ser identificado como boa prática.
  • No nordeste da Tailândia, as mulheres estão altamente envolvidas na aquacultura de pequena escala. Contudo, conforme a aquacultura torna-se mais intensiva, as mulheres estão participando menos. O poder das mulheres de tomar decisões na aquacultura e na família é mais forte quando as mulheres possuem mais recursos materiais e conhecimento do que seus maridos e os estudos de caso nos quais o artigo está baseado mostram que o importante não é o quanto as mulheres possuem mas o quanto elas possuem em relação aos seus maridos. Os estudos de caso também ilustram que as tarefas e responsabilidades de gênero das mulheres, assim como suas expectativas sociais, limitam o que elas ganharão através da aquacultura. Na aquacultura intensiva em particular, as mulheres devem investir todos os seus recursos nessa atividade para sustentar o empreendimento familiar.
  • Os resultados de um estudo de campo examinado nesse artigo mostram o extraordinário sucesso de um projeto de educação sobre saúde reprodutiva e comunidade de difícil acesso no Camboja que tem sido implementado pelo Ministério de Assuntos de Mulheres e Veteranos desde 1995, em termos dos níveis de atividade de voluntários e impacto do projeto sobre um maior conhecimento e prática em questões sobre saúde reprodutiva entre a população-alvo. Uma questão-chave para o sucesso do projeto parece ser sua adesão aos princípios identificados, mas raramente praticados, tais como um grande comprometimento com a capacitação em todos os níveis.
  • Associações de Pais e Mestres ou Comitês Gestores de Escolas (APMs/CGEs) são um importante caminho para promover a participação através da ação coletiva para melhorar a educação. Visitas de campo, pesquisa de literatura e um pequeno levantamento amostral são as três ferramentas utilizadas para explorar o status das APMs/CGEs que têm sido estabelecidas por governos e ONGs das províncias do Paquistão. O principal resultado é que as reformas do setor público para alterar a relação de poder entre pais, professores e representantes do governo, são necessárias para tornar a participação efetiva no ensino. Em geral, as escolas das ONGs tiveram um desempenho apenas marginalmente melhor do que as escolas do governo na participação de mulheres.
  • O autor utiliza a metáfora do praticante de desenvolvimento como psicoterapeuta para explorar as relações perversas de dependência e projeção que podem ser promovidas entre as agências de ajuda humanitária e "beneficiários", a menos que haja uma percepção clara de ambas as partes de que o objetivo principal é que os beneficiários devem assumir a responsabilidade de analisar sua situação e adotar medidas apropriadas para melhorá-la.
  • O autor examina a história do desenvolvimento comunitário (DC) de base na zona rural de Malauí, com referência a quatro estudos de caso. Os resultados ilustram que, embora os beneficiários visados de tais projetos de "auto-ajuda" precisam ser persuadidos de que os custos de participação são justificados, na realidade a decisão de participar ou não está mais freqüentemente sujeita a pressões sociais e outros tipos de pressão e no passado tem sido apoiada com sanções. O sucesso máximo do esforço do DC pode depender mais do nível de apoio político que ele pode mobilizar do que do apoio mostrado pelas comunidades pobres.
  • Zhuhai foi designada como zona econômica especial (ZEE) como um ponto experimental de liberalização econômica. Esse artigo traça o desenvolvimento da Zona Econômica Especial de Zhuhai, desde um humilde vilarejo até um significativo poder econômico no sul da China, concentrando-se na indústria, comércio, educação e logística.
  • A adoção de abordagens participativas tem se tornado praticamente a regra nos projetos de desenvolvimento rural, mesmo que seja apenas para satisfazer as demandas dos doadores como evidência de participação. Freqüentemente, porém, a PRA e seus derivados são utilizados como moda e não beneficiam as pessoas locais como desejado. Essa Nota Prática relata um projeto na Etiópia no qual a PRA foi utilizada. Uma avaliação conduzida com as mesmas comunidades após a fase de pesquisa ter sido concluída confirmou que certos aspectos da PRA haviam sido considerados, em particular as oportunidades para o aprendizado de grupos parceiros e o processo havia sido mais no sentido de cima para baixo do que a maioria gostaria. O documento conclui com algumas lições simples sobre como evitar as armadilhas mais óbvias e sobre como garantir que as pessoas locais aproveitem ao máximo a participação em um projeto de desenvolvimento.
  • In English only
  • Há mais de uma década, resoluções da ONU e da Comissão Européia têm destacado o sofrimento das mulheres durante as guerras e a injustiça do tratamento oferecido a elas no retorno à paz. Contudo, as injustiças e a hipocrisia continuam. As mulheres são reificadas como as construtoras da paz mas são excluídas dos processos de paz. O sofrimento das mulheres durante a guerra é exibido como prova da desumanidade pelas mesmas organizações que aceitam, ou até promovem, a marginalização das necessidades das mulheres durante os tempos de paz. A autora revê os processos pelos quais esses fenômenos são perpetuados e apresenta algumas maneiras futuras que poderiam ajudar a quebrar esses ciclos.
  • Esse artigo busca acabar com alguns mitos sobre a ausência das mulheres nas guerras e conflitos. Ele avalia alguns problemas sobre a vulnerabilidade das mulheres nessas circunstâncias e oferece algumas perspectivas feministas para se abordar esses problemas. O artigo avalia as demandas conflitantes que as mulheres enfrentam em períodos de guerra e revolução, e argumenta que processos históricos diferentes resultam em políticas diferentes relativas às mulheres após o conflito. Existem, porém, experiências comuns que universalmente marginalizam as mulheres nas fases de pós-conflito e reconstrução. Mesmo quando as mulheres participam ativamente em guerras e revoluções, elas são fortemente pressionadas para voltar para casa e reconstruir o domínio privado para assegurar a volta da paz e da "normalidade". Esse artigo afirma que a insistência em se colocar as mulheres dentro da esfera doméstica na era do pós-guerra pode ser contra-produtiva e considerada no desenvolvimento histórico da nacionalidade e nacionalismo como masculino em termos de seu caráter e demandas. Com o início do século vinte e um e a longa história de participação das mulheres em guerras, revoluções e realização de políticas, talvez agora seja possível utilizar a importância simbólica dada a elas em momentos de conflito para se articular uma percepção diferente da nacionalidade e do sentimento de pertencimento, criando uma abordagem mais cooperativa e menos competitiva e hierárquica para as políticas e reconstrução de nações e seu sentimento de pertence.
  • A Auditoria de Gênero (AG) e relatórios e revisões associados que são esboçados nesse artigo permitem uma avaliação sobre até que ponto os processos de intervenção em andamento em Kosova desde 1999 têm sido inclusivos em termos de análise de gênero e têm dado apoio às necessidades e interesses das mulheres e meninas. Esse levantamento avalia os pontos positivos e negativos de várias tentativas de utilizar e implementar projetos sensíveis à questão de gênero. A AG foi destinada a apoiar as políticas reconstrutivas feministas emergentes em Kosova. Suas constatações e recomendações lidam com aspectos de empoderamento, eqüidade e oportunidade, apresentando alguns desenvolvimentos do ativismo da comunidade, assim como os resultados da administração internacional. Avaliando-se os desenvolvimentos durante um período de dois anos, é possível colocar as questões de eqüidade e oportunidade no contexto de mudanças no decorrer do tempo, com mudanças nos níveis locais e nacionais conectadas com o desenvolvimento de diálogos internacionais. O artigo analisa o trabalho local realizado pela Rede de Mulheres de Kosova para combater a violência contra as mulheres na guerra e na paz doméstica, e revê o trabalho internacional com engajamento da Kosovo [sic] Women's Initiative (KWI). Muitas mulheres kosovares (de todas as etnias) reconhecem integralmente sua adesão à comunidade e reconhecem os riscos envolvidos ao se conversar sobre suas diferenças para se alcançar a segurança diária e a reconciliação. Relatórios e revisões internacionais como aqueles produzidos em 2002 pelo Secretário-Geral da ONU e pelo Fundo das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) sobre mulheres, guerra, paz e segurança, assim como a revisão da KWI, permitem uma avaliação de como os diálogos estão mudando e qual o impacto em potencial que tal mudança poderia ter no desenvolvimento de políticas e implementação.
  • O aumento no número de "pequenas guerras" tem levado à proliferação de esforços de reconstrução no pós-conflito. A experiência nos Bálcãs com a reconstrução no pós-guerra pode oferecer uma significativa contribuição para se avançar no aprendizado, uma vez que muito aprendizado ainda precisa ser obtido com a maneira confusa, mal concebida e caótica na qual o mundo exterior influenciou e tentou ajudar na década de 1990. Entre as lições mais importantes que surgiram está a necessidade de incluir-se integralmente as mulheres na construção da paz. No caso de Kosovo, como em todos os outros lugares, os esforços internacionais foram dominados por homens, com poucas idéias ou preocupação relativas à abordagem das desigualdades de gênero. Essa indiferença, por sua vez, impregna os programas de assistência, com efeitos particularmente prejudiciais para as mulheres locais.
  • O fato da guerra alterar os papéis e responsabilidades dentro da sociedade, ao mesmo tempo expondo homens e mulheres de todas as idades e classes a novas ameaças e oportunidades, tem se tornado cada vez mais reconhecido. Guerras civis atrapalham e destróem a vida dos civis. Os homens partem, morrem em combate, são brutalizados, perdem seu emprego ou recorrem ao desespero, violência ou apatia. As mulheres assumem enormes cargas de trabalho e todas as formas de tarefas e responsabilidades diferentes, perdem sua segurança e seus protetores e são vitimizadas e marginalizadas. Contudo, poucos membros de missões de paz possuem algum treinamento para lidar com a população civil, muito menos com as questões específicas relativas às relações de gênero. Em resposta a isso, um pacote de treinamento básico chamado "Operações de Apoio a Gênero e Paz" foi criado para ser utilizado em cursos de indução preliminares. Esse artigo descreve a base para o seu desenvolvimento e apresenta como ele deve ser utilizado e desenvolvido no futuro.
  • Muito tem sido escrito sobre a contribuição das mulheres palestinas à luta pela libertação de sua nação. Essas mulheres não apenas têm sobrevivido em uma atmosfera de violência contínua, mas também têm avançado significativamente em termos de seus direitos e desenvolvimento como mulheres. Uma questão que tem sido menos explorada é o impacto de longo prazo da violência contra as mulheres, seja em termos de seu bem-estar físico e psicológico ou de sua habilidade de participar de modo significativo no próprio conflito ou na situação após o conflito. Esse artigo argumenta que, embora as mulheres palestinas não sejam simplesmente vítimas mas também agentes da violência, tal violência -- seja ela violência aleatória ou institucionalizada, provocada pelo inimigo ou pelo seu próprio povo -- coloca uma significativa limitação na habilidade dessas mulheres de participar da luta de libertação nacional. Conseqüentemente, elas estão inadequadamente preparadas para contribuir para o processo de paz e, portanto, são impedidas de aproveitar integralmente seu potencial no novo estado.
  • À primeira vista parece que, apesar da participação vital das mulheres nos processos de paz, elas são em grande parte marginalizadas ou depreciadas. Contudo, afastando-se da idéia das mulheres como excluídas e/ou vítimas, encontramos evidências de seu envolvimento em projetos iniciados e dirigidos por elas e/ou em atividades nas quais elas trabalham em tarefas iguais juntamente com os homens. Muitas mulheres em áreas de conflito estão defendendo e trabalhando efetivamente com abordagens para a paz positiva e duradoura que transcende as estruturas e ideologias tradicionais dominadas pelos homens. Um grande número de mulheres, homens e crianças comuns está trabalhando em grande parte nos bastidores para alcançar a justiça e igualdade. As mulheres estão muito envolvidas, mas recebem muito menos reconhecimento do que os homens. A escala e diversidade dos esforços de base para a paz muitas vezes não-reconhecidas mas efetivas no mundo todo, particularmente entre as mulheres, requerem um reconhecimento muito maior por parte da comunidade internacional. Esse artigo é baseado em um projeto de pesquisa que utiliza uma abordagem de depoimentos orais e uma perspectiva multicultural para dar voz às mulheres que trabalham na área em uma ampla série de processos de transformação.
  • As relações de gênero se alteram através dos conflitos? Como o próprio conflito poderia ser estimulado por aspectos da identidade de gênero? Um projeto de pesquisa recentemente realizado, que combinou depoimentos orais com métodos de pesquisa mais convencionais, concluiu que o conflito, sem dúvida alguma, tem resultado em mais responsabilidades para as mulheres e com elas a possibilidade de exercer maior influência nas tomadas de decisões e aumentar sua participação política. A pesquisa esclarece o papel dos cidadãos comuns como "atores" respondendo à crise e descreve como as identidades de gênero são criadas em uma rede complexa de causa e efeito na qual a guerra pode ser vista como um "conflito de patriarcas".
  • Esse artigo, baseado na pesquisa de campo realizada em Cabul em fevereiro de 2002, começa discutindo como as mulheres vivenciam a guerra e conflitos violentos diferentemente dos homens, particularmente ao serem definidos tipos diferentes de violência contra as mulheres no Afeganistão. Em segundo lugar, ao identificar mulheres afegãs individualmente, assim como redes e organizações de mulheres, eu analiso suas diferentes estratégias para enfrentar o problema e os modos pelos quais redes de trabalho e formas diferentes de solidariedade em grupo tornaram-se mecanismos de empoderamento das mulheres. Em terceiro lugar, eu demonstro como, em meio a todas as regras dos Talibãs, várias mulheres arriscaram suas vidas ao tornarem suas casas redes clandestinas de escolas para meninas e moças. Eu argumento que, como atores sociais, elas criaram coesão e solidariedade em suas comunidades. Suas organizações secretas já lançaram a base para o desenvolvimento do capital social, que é crucial para o processo de reconstrução do Afeganistão. Na seção final, eu sustento que as mulheres no Afeganistão, como atores sociais, são otimistas e desejam participar do processo de reconstrução. Como pesquisadora, eu pretendo articular a voz, idéias e demandas dessas mulheres, que eu espero que sejam levados em consideração pelos formuladores de políticas e trabalhadores de ajuda humanitária.
  • Este artigo analisa o processo de industrialização em Hazira, situada no cinturão costeiro do sul de Gujarat, na Índia. O autor pretende medir o impacto do desenvolvimento industrial na distribuição de terra, nas oportunidades de emprego das pessoas locais, assim como no meio ambiente. As visões de diferentes participantes - moradores do vilarejo e industriais - são apresentadas. A condição das mulheres é examinada, em particular o tipo de ocupação em que elas estão envolvidas, suas habilidades e rendimentos, o tempo que elas gastam nas atividades econômicas e domésticas e a atitude dos membros da família do sexo masculino em relação ao trabalho delas.
  • Este artigo, baseado em uma pesquisa de famílias rurais beneficiárias e não-beneficiárias no distrito de Mpigi, em Uganda, analisa o esquema de entrega de Bezerros em fideicomisso (Heifer-in-Trust scheme). Embora o esquema vise aliviar as deficiências na nutrição e renda dos produtores rurais mais pobres através da produção de laticínios, os beneficiários na verdade tendem a ser menos pobres devido aos gastos envolvidos. Este é o destino de diversas iniciativas de desenvolvimento nas quais os benefícios freqüentemente não alcançam os alvos que elas pretendem, com o risco de ampliar o hiato da desigualdade. Por outro lado, aqueles que realmente se beneficiam com o esquema, embora estivessem em melhor situação desde o começo, foram analisados como sendo muito ativos e animados, e é óbvio que o esquema havia dado uma contribuição significativa para avanços na produção de laticínios. O desafio, então, permanece sendo a criação de maneiras pelas quais os produtores mais pobres possam ser alcançados.
  • Este artigo resume parte de um projeto de pesquisa realizado na zona rural de Níger. Ele visa oferecer uma idéia sobre o desenvolvimento e funcionamento de organizações de base e das comunidades nas quais elas operam. Surgindo a partir da pesquisa conduzida em cinco seminários, que envolveu quase 160 pessoas de 54 organizações baseadas na comunidade, as metáforas das árvores de baobá e eucalipto foram analisadas como tendo fortes associações culturais para os participantes e ajudaram a explicar a importância de intervenções de longo prazo e fortemente enraizadas em vez de projetos de curto prazo e efêmeros. Este artigo também contribui para o debate contemporâneo dentro das agências de desenvolvimento sobre capacitação de desenvolvimento humano sustentável.
  • A pesquisa resumida aqui aborda as ambigüidades e discrepâncias do dialeto de capacitação dentro da indústria da ajuda e desenvolvimento. Três temas inter-relacionados permeiam a literatura sobre capacitação, apesar de diversas persuasões ideológicas. A adequação destes temas dentro do discurso de capacitação é sujeita à análise crítica. Uma análise meta-teórica questiona a habilidade da construção funcionalista da capacitação de reduzir a pobreza ou alcançar o desenvolvimento sustentável. A partir de uma perspectiva de desenvolvimento comunitário, a transformação social eqüitativa ocorrerá apenas quando o enfoque de "desenvolvimento" envolver o fortalecimento de capacidades de todas as pessoas, comunidades e nações para criar um mundo justo e eqüitativo.
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  • Através de uma análise de como as ONGs bengalesas têm se institucionalizado, a autora examina modelos de burocratização e profissionalização para argumentar que as ONGs fazem parte de um processo de incorporação que faz a mediação da oposição à desigualdade de gênero e outras desigualdades estruturais. Duas tendências importantes--a parceria crescente entre ONGs, o Estado e agências doadoras e a mudança discursiva do bem-estar social e redistribuição para o individualismo, empreendimento e independência--exemplificam estes processos. O artigo mostra como a institucionalização, acompanhada pela reunião da sociedade civil e ONGs, mascara a perda da voz ativa de cidadãos-membro, canalizando a oposição através de ONGs de modo que freqüentemente compromete seus interesses.
  • Este artigo mostra como a visão local sobre desenvolvimento pode ser pesquisada empiricamente através de referências a experiências apresentadas em três oficinas de desenho realizadas com crianças da região de Ayacucho, nos Andes peruanos. As crianças foram solicitadas a desenhar figuras de como elas gostariam que sua comunidade estivesse no futuro. Seus desenhos foram analisados utilizando-se uma forma adaptada da Teoria Fundamentada nos Dados (Grounded Theory) e interpretados como expressões de discursos locais de desenvolvimento. Embora os três vilarejos estejam localizados dentro da mesma área e compartilhem uma história violenta de guerra e instabilidade, a pesquisa mostra como cada comunidade possui sua própria interpretação de desenvolvimento.
  • Este artigo reflete criticamente sobre questões da colaboração entre norte-sul e pesquisa participativa, surgindo de um projeto sobre gestão participativa e gestão ambiental sustentável no nível local na área periférica-urbana nos arredores de Kumasi, Gana. A rápida imigração, a conversão descoordenada das terras de cultivo em habitação, a exploração intensificada de recursos e o declínio da qualidade e disponibilidade de água são problemas particulares daqui. Os preparativos para pesquisa colaborativa com parceiros locais, assim como as relações participativas sustentadas com comunidades do vilarejo selecionadas foram centrais para este projeto. Em termos mais gerais, o artigo reflete sobre as questões institucionais relacionadas à dicotomia entre projetos de pesquisa e de assistência ao desenvolvimento, e suas implicações para as avaliações de projeto.
  • O "sistema lógico" e a "abordagem do sistema lógico" têm se tornado ferramentas comuns de planejamento, particularmente em projetos assistidos por doadores em países em desenvolvimento. Com seu formato simples e a clara relação entre variáveis, o sistema lógico é útil para resumir preocupações principais relacionadas a esquemas de desenvolvimento. Ao mesmo tempo o autor argumenta que as convenções atuais limitam a utilidade do sistema e sugere modificações que devem substancialmente melhorar sua aplicabilidade e capacidade de transferir informações. A abordagem do sistema lógico busca tratar de dimensões adicionais de planejamento. Contudo, ela é demasiadamente circunscrita por medidas e providências padronizados para ser defendida como uma metodologia de planejamento ubíqua como comumente ela é considerada. A "abordagem do sistema lógico" é aqui justaposta com um conceito mais amplo e mais flexível de "planejamento de desenvolvimento", com o qual ela não deve ser confundida.
  • A descentralização é uma característica comum de política em muitos países africanos. A questão da governança local, portanto, está tendo relevância mas ainda sem clareza. Baseado na experiência de um projeto de desenvolvimento em Kilimanjaro, Tanzânia, o artigo examina o caso da governança local em prática, utilizando para isto uma análise histórica e concentrando-se na relação entre o governo local e a sociedade civil. Através de um processo por etapas que vai desde os experimentos até testes piloto e lobby, o projeto PAMOJA desenvolve mecanismos de interface para estruturar o governo local - relações da sociedade civil no nível distrital. Três atores são identificados para o sucesso do projeto: o agente externo como facilitador do processo, padrinhos (champions) locais como agentes de mudança e parceiros estratégicos para o componente de lobby. Um resultado bem-sucedido no final fortaleceria os processos de descentralização.
  • Pesquisa participativa com grupos de produtores rurais bem estabelecidos e autônomos de Uganda e Gana examinou seus pontos de vista e prioridades a respeito de informações agrícolas. Em particular, ela buscou investigar meios pelos quais os produtores rurais identificaram novas idéias de interesse comum e explorou como estas idéias eram compartilhadas, modificadas e às vezes implementadas dentro do grupo ou da comunidade mais ampla. Após uma série de visitas, ficou claro que dentro de cada grupo em funcionamento certos indivíduos desempenharam um papel crucial, não apenas em relação à troca de informações mas também em seu apoio e incentivo à mudança e desenvolvimento dentro do grupo. Estes indivíduos, referidos como animadores, exibiram características inconfundíveis. Embora pertencendo à comunidade local, eles tendiam a ter níveis de alfabetização acima da média e normalmente eram mais amplamente viajados do que os outros produtores. O papel deles era normalmente apoiar e promover em vez de agir como líderes, e eles freqüentemente agiram como um canal crucial para compartilhar informações. Os animadores agiam como um catalisador importante na promoção do fluxo de novas idéias e informações e eles deveriam receber mais atenção e pesquisa para incentivar a mudança no desenvolvimento.
  • Este artigo busca entender o potencial de desenvolvimento humano de um esquema de irrigação elevada (lift-irrigation) introduzido por uma ONG de desenvolvimento no oeste da Índia. Em particular, ele se concentra nos modos pelos quais esta intervenção no nível micro tem sido capaz de criar condições para ampliar as escolhas dos pobres. Mostra-se que o impacto da intervenção, capturado no nível da fazenda e da família através de dados convencionais e PRA, aumentou a produtividade da terra, resultando em uma maior segurança alimentar, mais emprego e uma redução significativa na migração causada pela miséria, especialmente entre as mulheres. O sucesso da intervenção é atribuído à sua adequação às necessidades locais e à criação de um mecanismo institucional adequado. Dado o seu potencial demonstrado, o artigo enfatiza a necessidade de reaplicar-se tais intervenções mais amplamente.
  • The United Nations Intellectual History Project (UNIHP) is an independent activity located at The Graduate Center of the City University of New York. Originally concentrating on the economic and social arena, it was intended to include peace and security activities, thus covering the entire waterfront of UN activities. UNIHP comprises a series of books on 11 topics that range from international trade and finance to global governance via gender and global resource management (see www.unhistory.org/ for full details). Under each of these topics the history of ideas launched by the UN family will be traced. Did they come from within the Secretariat, or from outside the UN through governments, NGOs, or experts? Were these ideas discarded without discussion or after deliberation? Were they discussed, adapted (or distorted), and then mplemented? What happened afterwards?
  • In English only
  • Acknowledgements 2002
  • Este artigo descreve o projeto de uma ONG que visa aumentar o poder das mulheres de casta inferior que trabalham na indústria de fiação de seda na Índia através da oferta de microfinanças. O artigo registra o impacto que o projeto teve na condição econômica e social das mulheres durante um certo período de tempo e destaca as conseqüências negativas de terem sido excluídos os parentes do sexo masculino de participar em qualquer tarefa significativa. Ele sugere modos pelos quais o projeto poderia ter se tornado mais inclusivo para os homens, ao mesmo tempo garantindo ainda mais poder às mulheres. Ao mesmo tempo, reconhece-se que mesmo que a hostilidade dos homens ao projeto tivesse sido superada, as microempresas das mulheres provavelmente não teriam sido viáveis comercialmente. Isto acontece porque o projeto insistiu que as mulheres trabalhassem como um grupo em uma área de atividade econômica de alto risco, sem uma estratégia clara sobre como seu trabalho poderia ser sustentado.
  • Sucre é uma cidade de microempresas. As linhas entre os negócios e a família são freqüentemente indistintas: as contas são mistas, o espaço é compartilhado e parceiros de fora da família são raros. À primeira vista, este tipo de organização de negócios parece em grande parte inadequado para se alcançar sucesso econômico. Contudo, uma análise mais cuidadosa do funcionamento interno dos negócios de Sucre sugere que a busca complexa do "equilíbrio" entre os negócios e a família pode levar não a um gerenciamento descuidado (como as agências de desenvolvimento de microempresas argumentam freqüentemente), mas uma estratégia flexível para o bem-estar da família. Os negócios de Sucre essencialmente seguem a contabilidade da "linha de base tripla" (triple bottom line) no nível da família, levando em conta tanto os objetivos financeiros como os não-financeiros.
  • A Microfinanças--tanto o crédito como poupança--possui potencial para melhorar o bem-estar das mulheres pobres em países em desenvolvimento. Este artigo explora meios práticos para se atingir este potencial. Baseado nas lições dos mecanismos de poupança informal que as mulheres já utilizam, o artigo propõe dois serviços de poupança voltados para as questões de desenvolvimento que as mulheres enfrentam. As propostas sugerem a adoção de cofres de segurança para depósitos e de cadernetas de poupança combinadas para serviços de saúde e educação.
  • Este artigo explora questões de desenvolvimento a partir da perspectiva de dois vilarejos na zona rural do Líbano. Homens com estudo do vilarejo se vêem como iniciadores do desenvolvimento e utilizam a mesma linguagem dos funcionários de ONGs. As relações entre cliente-benfeitor e wasta (ato de acessar favores materiais, tais como projetos de desenvolvimento, através de detentores do poder) são modos destes homens alcançarem seus fins políticos. As mulheres e os homens com menos poder, que não fazem parte da rede de wasta, tendem a ser desconsiderados nas tomadas de decisões, mas apesar disto possuem fortes opiniões sobre as necessidades dos vilarejos. A visão islâmica enfatiza a vida moral.
  • As ONGs têm desempenhado uma importante tarefa no mundo todo ao tentar evitar a disseminação do vírus HIV/AIDS através de uma mudança de comportamento. As ONGs têm estado freqüentemente em evidência nas mudanças inovadoras, influenciando governos e atividades de programas internacionais. Este artigo identifica e analisa a evolução dos programas de HIV/AIDS de uma ONG na Tailândia durante um período de dez anos. Três gerações de programas são identificadas tanto através de abordagens distintas desta área de trabalho como também através da mudança de jargões que descrevem as pessoas que são alvo do programa.
  • Este artigo discute os prós e os contras da experiência do trabalho voluntário no exterior e tenta abordar uma lacuna na literatura sobre o que é requerido de tais voluntários. Após um breve esboço do voluntariado no exterior e os motivos para se seguir tal trajetória na carreira, o autor oferece uma análise em primeira mão sobre os prós e os contras desta vocação intrigante. Embora as vantagens sejam comumente conhecidas, o autor argumenta que os aspectos menos atraentes são comumente desconhecidos e são de igual importância em qualquer situação em que se encontre um indivíduo.
  • Em 1999, visando fortalecer o arranjo da Gestão Conjunta de Florestas (Joint Forest Management - JFM), o Departamento de Florestas do estado de Gujarat, em colaboração com a Fundação Aga Khan, iniciou uma agência central chamada de célula de JFM. Sua função é ajudar no fortalecimento e expansão da JFM em Gujarat ao oferecer treinamento, pesquisa e suporte de comunicações ao Departamento Florestal (DF) e ONGs. A célula encomendou um estudo para entender o processo de instituir a JFM no nível do vilarejo e o impacto de treinamento e comunicações pelo DF e ONGs neste contexto. Este texto é baseado nos resultados do estudo conduzido pelos autores.
  • Este artigo lida com alguns aspectos dos Estudos de Desenvolvimento como disciplina em desenvolvimento no Reino Unido. Especificamente, ele oferece reflexões após o Exercício de Avaliação de Pesquisa de 2001(RAE) realizado pelo Conselho de Financiamento do Ensino Superior da Inglaterra (HEFCE), no qual os Estudos em Desenvolvimento foram constituídos como um painel em separado pela primeira vez, embora experimentalmente. As autoras, ambas representantes no painel, apresentam estas idéias enquanto indivíduos.
  • In English only
  • Development and the Learning Organisation: An Introduction In English only
  • Este artigo propõe um aprendizado de baixo para cima como um sistema normativo para as ONGs internacionais. Ele explora a comum, mas freqüentemente não reconhecida, disparidade entre os valores e a missão da organização versus a prática real. A primeira parte do artigo levanta a questão dos problemas organizacionais de aprendizado seguido por uma análise das organizações aprendizes (learning organisations) e do aprendizado de baixo para cima em particular. A seção que resume brevemente os desenvolvimentos positivos na área é seguida por discussões sobre barreiras organizacionais e técnicas possíveis de mitigação. O artigo termina com um desafio para as ONGs internacionais para que elas analisem mais de perto sua capacidade de aprendizado, visando melhorar o serviço oferecido para as comunidades necessitadas.
  • Grandes companhias têm acelerado seu controle dos mercados básicos de commodities na última década. A autora descreve o que isto significa para os pequenos produtores dos países em desenvolvimento, que dependem destes mercados para obter uma certa renda em dinheiro a cada ano. As conseqüências do poder crescente dos distribuidores (cadeias de mercearias ou supermercados) e dos detentores de marcas dominantes são a pobreza rural persistente e a desvalorização ideológica e econômica dos métodos de produção agrícola sustentável e de pequena escala que são tão essenciais para os 70 por cento dos pobres do mundo que vivem em áreas rurais. A autora traça a história de uma parceria bem-sucedida de negócios iniciada em 1992, associando produtores de cacau da região oeste da África com amantes de chocolate do Reino Unido e dos EUA com princípios justos, uma iniciativa lançada diante da crítica direta e da grande pressão competitiva dos gigantes globais do chocolate, que têm mobilizado um novo tipo de coalizão e eleitorado.
  • O gerenciamento do aprendizado e do conhecimento são capacitações cruciais para muitas ONGs. Este artigo visa responder questões como: por que o aprendizado é visto como algo tão importante para as ONGs? Como ONGs bem-sucedidas realmente aprendem? E que papel indivíduos ou líderes centrais possuem neste processo? O artigo baseia-se imensamente nos resultados de um estudo de ONGs do sul da Ásia, que sugere que a habilidade de uma ONG aprender depende de sua cultura organizacional e em particular do desenvolvimento de uma cultura interna de aprendizado. Os estudos de caso do sul da Ásia revelam que a criação desta "cultura de aprendizado" deriva primeiramente da atitude de liderança em direção ao aprendizado: no coração de uma organização aprendiz está um "líder aprendiz".
  • Quando estão implementando uma visão e uma missão global transformadora, as ONGs internacionais enfrentam tipicamente três problemas: alinhar níveis diferentes de planejamento e estratégia, balancear análises e prioridades globais em relação às realidades locais e identificar medidas que indiquem progresso e promovam e incentivem a inovação. Este artigo relata os esforços da Unidade de Gerenciamento Regional da América Latina da CARE International para abordar estes problemas através da introdução de "mudanças em sentido contrário" de princípios e processos comuns de planejamento estratégico. Ele mostra aos gerentes de cargos médios nas ONGs como eles podem liderar "a partir do meio" e considera "a região" enquanto o nexo que permitirá que uma organização mude e aprenda em todos os múltiplos níveis hierárquicos.
  • As mudanças são direcionadas não apenas por boas idéias mas também pelo desacordo e frustração. Este artigo apresenta ao leitor uma história organizacional selecionada da ONG britânica ActionAid, de 1998 a 2001, analisando os eventos e mudanças que acompanharam a introdução e no impacto inicial do novo sistema de accountability da agência. Mudanças sistemáticas parecem ser muito assistemáticas. A transformação efetiva demorou um longo tempo para ocorrer e foi precedida por alguns experimentos mal-sucedidos. Parece que as frustrações deste momento foram necessárias para se desenvolver uma criatividade necessária para mudanças significativas. Os esforços começaram a dar frutos quando a organização começou a perceber o alinhamento da missão, estruturas, procedimentos e relacionamentos.
  • A Heifer International (HI) tem utilizado abordagens participativas para o desenvolvimento rural há quase 60 anos. Em termos organizacionais, a HI concentra-se na capacitação dos seus programas de países e das ONGs parceiras para trabalhar independentemente em direção a uma missão unificadora. Uma estrutura aberta permite à HI validar e incorporar a experiência rica e diversa dos detentores de seus projetos e escritórios de programa de país no planejamento organizacional e operações diárias. Este artigo analisa três iniciativas recentes da HI que incorporam processos deliberados para promover o aprendizado organizacional. Ele apresenta estratégias diferentes que a HI utiliza para institucionalizar o aprendizado sem impor limitações sobre ele.
  • A integração do aprendizado nos processos de desenvolvimento comunitário e o modo como este aprendizado pode estimular mudanças positivas impõem desafios que os praticantes do desenvolvimento têm enfrentado com taxas de sucesso variadas. Quem são os agentes de mudança mais efetivos, como eles podem ser apoiados e como seus esforços podem ser difundidos na comunidade e ampliados são questões-chave na literatura sobre desenvolvimento comunitário. Os autores desenvolveram e implementaram um projeto de ação-pesquisa no oeste do Quênia sobre vegetais tradicionais, recrutando alunos como co-pesquisadores. O objetivo da pesquisa era duplo. O primeiro era explorar a viabilidade de se aumentar o consumo de vegetais tradicionais através de um programa de horticultura na escola. O outro era aumentar a qualificação dos alunos como agentes de mudança efetivos, fortalecendo-os de maneiras culturalmente compatíveis. Os resultados oferecem lições para praticantes em relação a meios criativos para identificar e fortalecer os agentes de mudança dentro das organizações tradicionais e incentivar a criação inovadora e difusão de conhecimento
  • O trabalho de pesquisa do professor de Harvard, Chris Argyris, contribuiu em muito para o que hoje é chamado de Aprendizado Organizacional, uma abordagem subseqüentemente difundida por Peter Senge e sua equipe no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A primeira seção deste artigo argumenta sobre a relevância do Aprendizado Organizacional para as ONGs, apesar de suas origens no estudo do setor privado. A segunda seção descreve a intervenção de um projeto em particular baseada na teoria do Aprendizado Organizacional, que atualmente está em andamento em uma ONG brasileira.
  • Este artigo discute as implicações para o aprendizado organizacional de pesquisa recente sobre a atividade das ONGs na mitigação e preparação para desastres naturais. Ele identifica diversas barreiras institucionais e outras barreiras para o aprendizado das ONGs. Contudo, redes pessoais nas ONGs são freqüentemente fortes e determinadas e indivíduos bem-colocados podem forçar a aceitação de inovações significativas. Uma maior ênfase neste fator humano pode ser a chave para enfatizar a mitigação de desastres e outras novas ou marginais abordagens para o desenvolvimento.
  • Se a ajuda é vista como algo que apóia os esforços de guerra, as agências de ajuda e as pessoas que trabalham na área prática devem continuar a oferecê-la? A resposta retumbante dada pelos trabalhadores de ajuda humanitária em todo o mundo é a de que as necessidades das pessoas que sofrem são muito importantes para serem ignoradas e, além disto, não haveria justificativa para não se socorrer as pessoas que sofrem. Mas como alguém pode oferecer ajuda em um contexto de conflito sem exarcerbar o conflito? O Projeto de Capacitação Local para a Paz (Capacities for Peace Project - LCPP) foi formado em 1994 para aprender como a ajuda e os conflitos interagem para ajudar os trabalhadores de ajuda humanitária a encontrar um meio de abordar as necessidades humanas sem alimentar o conflito. Este artigo discute como o processo de aprendizado do LCPP foi montado, os resultados obtidos em cada etapa e como os resultados serviram de subsídio para as organizações participantes.
  • Os princípios organizacionais ou padrões de valores são considerados cruciais para manter a qualidade da assistência humanitária. Pesquisa feita entre funcionários-membros da organização Médicos Sem Fronteira-Holanda (MSF-H) mostrou que os funcionários de campo desenvolvem suas próprias interpretações sobre os princípios e prioridades em resposta às demandas feitas a eles na área de trabalho. Os princípios organizacionais são importantes para o desempenho e bem-estar dos voluntários: eles servem como faróis, marcadores de identidade e espécie de "cola" interpessoal. Também se torna aparente que embora na prática os funcionários-membros renegociam os princípios formais de sua organização, eles também aderem a modelos de cultura organizacional resultando em um número de princípios ordenadores que eles julgam ser típicos de sua organização.
  • As grandes agências de desenvolvimento possuem "Visões Oficiais" (com graus variantes de explicitação) sobre as questões complexas e controversas sobre desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o conhecimento é agora mais do que nunca reconhecido como algo central para o desenvolvimento - na idéia de um "banco de conhecimento" ou assistência ao desenvolvimento baseada no conhecimento. O autor argumenta que estas duas práticas estão em conflito direto. Quando uma agência adiciona a "marca do seu nome" a certas Visões Oficiais, torna-se muito difícil para ela ser também uma organização aprendiz ou fomentar um aprendizado genuíno em seus clientes. É apresentado um modelo de agência de desenvolvimento como uma organização de aprendizagem aberta, que contrasta amplamente com outros modelos organizacionais, tais como a Igreja ou Partido. Isto, por sua vez, permite que a agência adote uma abordagem mais autônoma-compatível de assistência ao desenvolvimento, com o país que está sendo auxiliado "sentado no banco do motorista" de um processo de aprendizado em vez de ser um recipiente passivo de políticas assistenciais-adocicadas promovidas pela agência.
  • Este artigo explora as tentativas de oito ONGs internacionais baseadas no Reino Unido atualmente engajadas em intervenções de desenvolvimento rural na Etiópia, para empregar Sistemas de Monitoramento e Avaliação (M&A) como uma maneira de fortalecer a accountability e o aprendizado institucional. Tendo como premissa a convicção de que tais ONGs incluem coalizões soltas de grupos de interesse em diferentes níveis governamentais dentro deles, o estudo explora como os entrevistados nas matrizes, em Addis Ababa e nos escritórios de campo entenderam e praticaram o M&A. Descobriu-se que as percepções sobre o M&A variam consideravelmente entre os níveis hierárquicos e podem ter um significativo impacto na prática. Tais percepções são também formadas por interesses individuais e, então, freqüentemente não conseguem refletir a realidade da prática de M&A. A história que se desdobra oferece idéias valiosas sobre os mitos e realidades atuais do M&A entre as ONGs internacionais.
  • Este artigo introduz os principais conceitos sobre Mapeamento de Resultado (Outcome Mapping) e discute a experiência do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento Internacional em desenvolver e implementar o Mapeamento de Resultado em organizações de pesquisa do hemisfério norte e sul. Ele explora como os princípios fundamentais de Mapeamento de Resultado relacionam-se com os princípios de aprendizado organizacional e os desafios associados com a aplicação da teoria na prática. Ele apresenta casos onde os processos de planejamento, monitoramento e avaliação têm sido usados para incentivar o aprendizado e o aperfeiçoamento e discute o potencial do Mapeamento de Resultado como uma ferramenta para o pensamento evolutivo para desenvolver o aprendizado em programas de desenvolvimento.
  • Este breve artigo descreve uma tentativa de atualizar os modelos de lógica de programa para incorporar o aprendizado organizacional. Ele começa com uma breve revisão dos conceitos de aprendizado, descreve a Análise de Sistema Lógico tradicional e conclui com um esboço de um modelo de programa alternativo, chamado de Modelo Lógico Temporal.
  • O campo do trabalho da advocacia está crescendo e mudando rapidamente e existe muito a ser feito na avaliação de não apenas qual a melhor forma de executar uma advocacia efetiva mas também qual a melhor maneira de usar as ferramentas de Monitoramento & Avaliação e Levantamento de Impacto (M&A/LI) para promover o aprendizado, melhorar a accountability e avaliar o valor da advocacia. Este artigo começa explorando a natureza complexa e variável do trabalho de advocacia, argumentando que as formas padronizadas de M&A/LI serão provavelmente inapropriadas - elas provavelmente irão oferecer informações enganosas, e podem criar incentivos perversos que destroem a ação conjunta. Contudo, embora existam perigos óbvios, existem algumas poucas respostas já prontas. Os autores sugerem que as ONGs envolvidas em advocacia em todos os níveis deveriam identificar elementos essenciais de seu trabalho no início e garantir que elas monitorem e avaliem as áreas que elas julguem serem as mais importantes . De fato, as evidências mostram que sucessos de curto prazo no trabalho de advocacia podem freqüentemente ser vencidos às custas de metas de mais longo prazo - tais como capacitação entre os parceiros e contribuição para mudanças mais fundamentais no futuro. Em todo o artigo, os autores argumentam que uma análise de poder e estruturas de poder deveriam orientar a estratégia de advocacia e os modos pelos quais a advocacia pode ser avaliada efetivamente. Uma abordagem bem-sucedida de M&A deve ser flexível o suficiente não apenas para se adaptar a eventos externos mas também para ser uma ferramenta para remodelar a campanha. Aqueles de nós preocupados em desenvolver ferramentas de M&A/LI para uma advocacia efetiva e responsável, precisam começar a desbravar novos caminhos.
  • No final da década de 70, cientistas sociais feministas começaram a desafiar alguns pressupostos que estavam por trás de paradigmas dominantes sobre as organizações, argumentando que elas refletem e são estruturadas por valores articulados dentro de arenas institucionais mais amplas nas quais elas estavam inseridas, reproduzindo então resultados discriminatórios em relação à questão de gênero. Este artigo disseca a "estrutura profunda" de uma ONG, Utthan, situada em Gujarat, Índia, para entender até que ponto ela é uma organização que enfatiza a questão de gênero. Ele sugere que, embora uma liderança sensível à questão de gênero, treinamento e recursos assumam um papel crítico em abordar a eqüidade de gênero na prática de desenvolvimento, a transformação organizacional é um processo muito mais difícil e longo, requerendo um comprometimento sustentável da liderança, dos funcionários e dos parceiros de financiamento.
  • As organizações aprendizes e sua ênfase em mudanças fundamentais têm sido vistas como detentoras de um grande potencial para tornar as organizações mais justas em termos de gênero e melhorar sua capacidade de realizar trabalhos sobre desenvolvimento ou direitos humanos que não sejam parciais em termos de gênero. Este artigo, desenvolvido pelo grupo Gênero em Trabalho Colaborativo, explora a utilidade de idéias relacionadas a organizações aprendizes em mudar as instituições em direção à eqüidade de gênero. Este conjunto de idéias e práticas é visto como útil mas uma desconstrução de pontos de aprendizado organizacionais mostra algumas dificuldades com este órgão de trabalho e propõe uma melhor caixa de ferramentas, que prestaria atenção a fatores como relações de poder, base espiritual do trabalho e "estrutura profunda" das organizações com ênfase na questão de gênero.
  • A Organização Aprendiz (Learning Organisation) é um conceito e uma metodologia particular dentro de um domínio mais amplo de Desenvolvimento Organizacional (DO). Para apreciar integralmente as premissas da Organização Aprendiz, é necessário recorrer às principais premissas do DO, começando com a visão da organização como um sistema aberto. Muitos dos conceitos estabelecidos na ciência de sistemas, como os aplicados a sistemas organizacionais - tais como solidez do sistema, inteligência do sistema e proatividade do sistema - têm uma relação direta com a capacidade de um aprendizado contínuo na organização. Movendo-se dos conceitos para a ação, uma organização precisa de um conjunto de práticas de trabalho para adquirir as características de uma Organização Aprendiz. Um "caminho" particularmente útil para o processo da Organização Aprendiz é um sistema de gerenciamento de desempenho abrangente que obrigue os membros da organização a reexaminar as idéias de desempenho e os pressupostos sobre os processos organizacionais que estão por trás das práticas de gerenciamento. O caminho segue o paradigma da Ação-Pesquisa e parece combinar bem com as ONGs de desenvolvimento sem fins lucrativos.
  • O potencial para a colaboração acadêmica-ONG é enorme, mas tal colaboração é muito mais difícil do que parece à primeira vista, mesmo quando os colaboradores compartilham um comprometimento e valores que apóiam uma causa ou questão em particular. Este artigo analisa alguns dos fatores que incentivam as colaborações acadêmico-praticas. Ele então identifica cinco modelos diferentes de colaboração e faz recomendações que, se observadas, devem eliminar algumas das tensões nos esforços colaborativos, enquanto que ao mesmo tempo oferece uma base para o aprendizado em andamento.
  • Muitas organizações não aprendem. Existem muitas razões para isto, e a falta de apoio dos doadores tende a ser citada como a mais importante. Mas esta não é a principal razão para a falta de aprendizado. Não conseguimos aprender porque somos incapazes de ver a importância de se fazer isto. Nós ficamos tão envolvidos em nossos negócios, em nossas demandas auto-impostas para agir, que paramos de valorizar o aprendizado. E nós perdemos de vista o fato de que sem o aprendizado, nossa ação está condenada à ineficácia. Se estamos dispostos ao desenvolvimento e não podemos medir como estamos atuando, como poderemos desenvolver uma prática rigorosa e efetiva?
  • Em muitos projetos de desenvolvimento, indivíduos de uma organização são designados e realocados para uma outra organização. Para que estes "convidados" sejam efetivos na oferta de assistência técnica é preciso que eles aprendam e se adaptem ao meio local. Usando um estudo de caso de Navajo, este artigo analisa como as práticas chamadas de atos permitem que os convidados dêem uma contribuição efetiva através do aprendizado e adaptação. Ele mostra que duas categorias de atos, calibragem e progresso, são cruciais a este respeito. A calibragem permite que os convidados avaliem a adequação dos pressupostos e o progresso permite que eles captem informações e explicações para ajudar a desenvolver a compreensão do contexto. Este conjunto de atos contribui para a competência comunicativa inter-cultural e, assim, para o sucesso do projeto de desenvolvimento.
  • O conceito de Organizações Aprendizes (Learning Organisations) está ganhando destaque no setor sem fins lucrativos. A maioria das organizações vê o conceito como uma maneira de alcançar mudança organizacional para obter um maior impacto no desenvolvimento. Embora os princípios do aprendizado organizacional (isto é, aprendizado de equipe, visão compartilhada, objetivo comum e estratégia) parecem ter produzido resultados expressivos no setor privado e em algumas organizações não-governamentais, a questão a saber é se estes princípios podem ser adaptados com resultados similares nos programas bilaterais complexos. O presente artigo explora esta questão em relação a um programa entre o governo holandês e o governo queniano em Keiyo Marakwet. Ele analisa o processo de institucionalizar a participação como um processo de aprendizado e processo de geração de conflito. No contexto altamente politizado de programas bilaterais, o aprendizado não é necessariamente transportado de uma fase para a próxima devido às rápidas mudanças nos atores, políticas nacionais, considerações diplomáticas e na agenda internacional de desenvolvimento.
  • Diversas agências de desenvolvimento buscam trabalhar em prol dos "pobres" e dos "mais pobres entre os pobres", freqüentemente criando definições externas de pobreza e de pessoas que vivem na pobreza que são baseadas em uma lista complexa de itens que os pobres não possuem. Existem outras que têm direcionado esforços para definir a pobreza com base em critérios derivados de membros de comunidades rurais (em grande parte), onde muitos seriam considerados pobres. Todas estas definições, no final, resultam em agrupamentos de pessoas em diversas categorias de "pessoas pobres". Ao criar uma lista de características da pobreza, as agências acreditam que elas serão mais capazes de alcançar "os pobres" como beneficiários das intervenções que visam erradicar a pobreza. Este artigo busca desafiar as agências de desenvolvimento (governamentais e não-governamentais) a irem além das simples definições de pobreza que estão baseadas em características estáticas. O artigo visa estimular os leitores a reavaliarem algumas de suas idéias sobre as definições de pobreza e criticamente examinarem o papel de sua agência no negócio da pobreza.
  • Este artigo baseia-se em um pequeno estudo realizado em nível micro para avaliar os impactos de mudanças sócio-econômicas recentes no Tadjiquistão sobre os meios de subsistência e bem-estar das mulheres em Gorno-Badakhshan. Ele examina o envolvimento recente de mulheres no comércio e nas atividades econômicas informais, focalizando os prós e contras que as mulheres têm enfrentado como resultado. Ele argumenta que a mudança em direção à economia de mercado em um ambiente econômico em depressão tem resultado em uma maior diferenciação sócio-econômica, meios de subsistência mais inseguros e declínio do capital social. O envolvimento das mulheres no comércio, juntamente com a retirada do Estado dos serviços sociais básicos, têm aumentado a carga de trabalho delas. A participação feminina na esfera política está declinando de uma base que já era pequena. A crescente pobreza material e várias tarefas e responsabilidades têm tornado difícil para as mulheres aproveitarem as oportunidades de participação pública, mesmo em nível local. O artigo conclui que existem barreiras estruturais para se reduzir a pobreza em Gorno-Badakhshan e levanta questões sobre as possibilidades de grupos e regiões em desvantagem se beneficiarem de um paradigma de desenvolvimento fortemente baseado no mercado.
  • O microcrédito tem sido introduzido em comunidades rurais de Bangladesh como uma forma de desenvolvimento econômico e social, mas há dúvidas crescentes sobre sua efetividade e sugestões que este esquema provoca abusos domésticos. Uma revisão de vários estudos indica que o microcrédito pode resultar em transtornos sociais através do aumento do conflito de gênero. O artigo sugere que é necessário um estudo em nível micro antes do crédito ser introduzido em comunidades locais.
  • Especialistas na questão de gênero que formulam planejamentos e estratégias para enfatizar as questões de gênero nas políticas e programas organizacionais normalmente caracterizam os formuladores e planejadores de política que não sejam especialistas como resistentes ativos ou implementadores passivos ao invés de agentes capazes de mudanças. Por esta razão, existe uma maior resistência à ênfase na questão de gênero do que seria necessário e os programas freqüentemente não conseguem levar em conta as necessidades e contribuições de planejadores como participantes. O artigo discute estas falhas e apresenta casos do sistema da ONU com os quais a autora esteve envolvida, onde a mudança organizacional e ênfase na questão de gênero eram baseadas na participação dos colaboradores que começaram a combater algumas limitações comumente identificadas.
  • Este artigo chama atenção para os problemas pessoais e profissionais dos trabalhadores de campo do setor de ONGs em Bangladesh. O artigo baseia-se em uma pesquisa de campo com trabalhadores de linha de frente de quatro ONGs, seus clientes, chefes superiores imediatos e gerenciamento sênior. Os trabalhadores de campo enfrentam problemas pessoais, tais como insegurança no trabalho, privações financeiras, dificuldades com acomodação e deslocamento de sua família. Estes problemas variam de acordo com o sexo, estado civil e idade. Os problemas profissionais incluem treinamento, promoção e transferência. Além disto, os trabalhadores de campo enfrentam problemas em seus relacionamentos externos, tais como suspeitas, resistência ou falta de cooperação dos líderes religiosos e da elite local, limitações de tempo e recursos, competição por clientes e o desejo dos beneficiários-alvo de simplesmente conseguirem acesso a benefícios financeiros ou materiais. O artigo argumenta que os pontos positivos dos trabalhadores de campo das ONGs do hemisfério sul têm sido altamente inexplorados e subestimados.
  • Este artigo baseia-se em um estudo analítico dos autores sobre as experiências das intervenções de desenvolvimento participativo em Moçambique, comparando como os diferentes projetos interpretaram e aplicaram o conceito e identificaram os problemas encontrados e as lições aprendidas ao usar tais abordagens.
  • Este artigo concentra-se nos riscos pessoais, sociais e psicológicos que as crianças e os idosos enfrentam nas instituições estatais da Rússia. O artigo desafia dois pressupostos: o de que os problemas da Rússia são puramente econômicos e o de que o Estado é o único responsável pelas soluções. Nós argumentamos que os problemas da Rússia são basicamente sociais e que a comunidade pode assumir a liderança na solução destes problemas. Nós apresentamos iniciativas de baixo custo, práticas, humanas e voltadas à comunidade como alternativa à rígida institucionalização. Este modelo é aplicável a outros locais e pode ser adaptado pela própria comunidade.
  • Dois projetos de desenvolvimento de energia foram examinados como base para a recomendação de melhorias em relação a como as questões de reassentamento são tratadas. Um destes projetos ilustrou os seguintes problemas: ausência de um canal de comunicação adequado do organismo implementador junto aos residentes locais; o fracasso em abordar as preferências próprias dos reassentados; o esquema de compensação para os reassentados não permite que eles reconstruam seus meios de subsistência; o emprego de pessoas locais em atividades relacionadas ao projeto foi apenas marginal e o desenvolvimento de comunidades e da indústria local não conseguiu beneficiar os reassentados.
  • Gana possui uma história de projetos mal sucedidos de desenvolvimento rural, e Tono parece estar a caminho de se tornar mais um destes casos. Este artigo analisa os relatos contrastantes sobre os sucessos de um projeto de desenvolvimento rural apresentados por oficiais públicos que o organizaram e pelos beneficiários-alvo locais. Os dados oficiais sustentam que o projeto é um grande sucesso. Os beneficiários-alvo, por sua vez, sentiram uma melhora material mínima em suas vidas. Eles também acreditam que houve um significativo transtorno em sua comunidade. Existem evidências de alienação devido à falta de envolvimento local com o projeto e a gradual retirada dele. A migração da área do projeto não está diminuindo. Este artigo indaga se os dados representam as duas visões sobre os mesmos fatos ou um cenário de um transtorno inevitável causado pela mudança social. Algumas sugestões são apresentadas sobre como os avanços materiais poderiam ser introduzidos na vida das pessoas com um mínimo de transtorno estrutural e dor para as pessoas envolvidas.
  • In English only
  • As reformas e o desenvolvimento nos campos da República de Camarões têm aumentado os custos dos materiais de construção, o que significa que os pobres talvez nunca sejam capazes de financiar a construção de sua própria casa, tendo então que alugá-la. Materiais localmente disponíveis têm sido desprezados e seu uso não é permitido em áreas urbanas. É verdade que os serviços médicos de estilo ocidental custam aos pacientes menos do que eles pagariam para tratamentos médicos tradicionais. Pela mesma razão, enquanto as armas importadas do Ocidente têm substituído armas tradicionais, os equipamentos agrícolas modernos são muito necessários para se reduzir o nível de pobreza nos campos da República de Camarões.
  • O financiamento internacional das organizações da sociedade civil dentro do esquema de apoio aos processos de democratização tem aumentado de maneira significativa nos últimos anos. No entanto, isto suscita algumas questões que vão muito além da efetividade das atividades das organizações receptoras. Quem são estes grupos? Quem eles representam? Quais efeitos o financiamento internacional produz sobre o trabalho organizacional delas e seu enraizamento nas sociedades locais e sistemas políticos? Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que examinou as fontes de financiamento, nível organizacional, eleitorado doméstico e relações com partidos políticos de 16 grupos da sociedade civil na América Latina que receberam apoio da Fundação Nacional para a Democracia [National Endowment for Democracy] em 1999. A pesquisa mostrou que, embora os grupos demonstrem uma grande diversidade em suas fontes de financiamento, todos eles recebem a maior parte dos financiamentos a partir de doadores internacionais. O autor argumenta, contudo, que dadas as escassas possibilidades de financiamento gerado domesticamente, esta dependência já é esperada. O artigo conclui com uma série de questões sobre o significado do apoio internacional para grupos locais em democracias em desenvolvimento e os efeitos em potencial que ele pode ter em desconectar tais grupos de seu sistema político e partidário mais geral.
  • O comércio mundial está cada vez mais condicionado às regras da Organização Mundial de Comércio (OMC). No caso da indústria de confecções isto significa a desativação gradual do Acordo Multifibras, que tem dominado o comércio dos produtos têxteis e das confecções desde 1974. Esta desativação é vista como benéfica para os países em desenvolvimento e as críticas concentram-se na maneira pela qual os EUA e a Europa estão atrasando o processo. É importante, porém, analisar quem exatamente irá ganhar ou perder. Nem todos os países pobres irão se beneficiar. Além disto, a maior parte dos lucros da produção de roupas vai para as companhias do hemisfério norte que controlam a indústria. Estas companhias irão se beneficiar de mercados mais abertos e da competição entre fornecedores globais. Ao mesmo tempo, para trabalhadores do hemisfério norte e sul, esta maior competição traz insegurança e ameaça de deterioração das condições de trabalho.
  • Este artigo investiga o impacto das atividades de consultoria antropológica nas universidades do Reino Unido e o papel do Departamento Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID) na condição de importante fornecedor de serviços de consultoria. O DFID e outros doadores vêem a consultoria antropológica como um instrumento útil principalmente no oferecimento de assistência técnica a projetos do Terceiro Mundo com uma dimensão comunitária ou de desenvolvimento social. O artigo mostra as tensões entre a consultoria baseada no Reino Unido e o desenvolvimento de base no terceiro mundo e também entre a antropologia aplicada e a autonomia relativa da antropologia como disciplina acadêmica. O autor sugere que uma pré-condição necessária para compreender a contribuição da antropologia para a política é a superação da falta de vontade dos governantes de questionar politicamente as relações de poder dentro das quais as ciências sociais, antropologia e as próprias atividades comissionadas estão alocadas. O objetivo principal do artigo é iniciar um debate sobre as relações entre poder, conhecimento, fortalecimento e trabalho de consultoria.
  • Em maio de 2000 um grupo da Ashoka, fundação humanitária com base nos EUA que concede financiamentos a 'empresários sociais' ou projetos inovadores para o bem comum, visitou alguns projetos para o desenvolvimento sustentável na costa de Oaxaca, no sul do México. O autor acompanhou o grupo e relata aqui suas observações e destaca questões desafiadoras sobre as contradições e riscos imprevistos nestes empreendimentos visionários.
  • O autor questiona quais as políticas públicas "em que todos ganham" que podem reduzir substancialmente o percentual de pessoas que vivem na pobreza absoluta e que permitam que os pobres se tornem mais ricos, mesmo que os ricos também se tornem mais ricos.
  • As estratégias voltadas especificamente para as questões de gênero têm se tornado muito populares, tendo como objetivo alcançar uma melhora sustentável na pobreza da zona rural da África. Contudo, existe uma preocupação crescente de que esta estratégia possui uma base conceitual muito fraca. Partindo de informações reunidas durante anos de envolvimento com projetos de desenvolvimento exclusivo para mulheres na Nigéria, os autores destacam alguns desafios conceituais importantes para esta estratégia e argumentam que, a menos que eles sejam combatidos, estes riscos irão por fim fazer com que a estratégia de alívio da pobreza voltada especificamente para as questões de gênero na Nigéria seja esquecida em um cemitério de paradigmas de desenvolvimento não utilizados.
  • Uma renda familiar insuficiente devido aos recursos degradantes e oportunidades limitadas tem provocado a migração, desnutrição e má qualidade de vida entre os tribais na Índia. Estes problemas têm sido efetivamente combatidos através da capacitação das pessoas para que elas possam reconstruir sua base de recursos e do fortalecimento da ação local através dos Gram Vikas Mandals (fóruns de desenvolvimento do vilarejo) e do desenvolvimento de recursos humanos em nível de vilarejo. O programa de criação de pomares descrito neste artigo atualmente atinge mais de 11.000 famílias e 4.000 alqueires de terras marginais foram convertidos em pomares. Este programa tem ajudado as pessoas a planejar outras ações de desenvolvimento, melhorar seu conhecimento e habilidade em assumir riscos e formar um grupo social coeso. Assim, ele tem permitido que o bem-estar dos tribais esteja em sintonia com o bem-estar do ecossistema. Este programa orientado para resultados foi agora considerado um modelo para o desenvolvimento dos tribais e de pessoas pobres da zona rural e é organizado pela Fundação para Pesquisa de Desenvolvimento BAIF e financiado pelo Governo Alemão através da KfW e da NABARD na Índia.
  • O artigo argumenta em prol de projetos que definem caminhos inovadores e revê a experiência do Projeto de Desenvolvimento de Terai, no norte de Bengal (Índia). Ele resume diversas lições: criando condições para a efetividade em termos de custos de "projetos internos", gerenciando iniciativas de boa vontade, promovendo a inovação através do ciclo completo de crescimento e consolidação, conectando programas governamentais e iniciativas privadas em andamento com desenvolvimento de políticas de base e utilizando talentos locais. Os autores defendem uma abordagem apropriada em relação ao desenvolvimento institucional e inovação de políticas, concentrando-se naquilo que pode ser feito para funcionar ao invés daquilo que é pré-concebido como o modo correto de se trabalhar.
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  • Este estudo baseado em fontes secundárias foi conduzido sob responsabilidade da UNICEF em Daca, capital de Bangladesh, para estabelecer quais informações estavam disponíveis sobre a violência de ataques com ácido, com o objetivo de possibilitar possíveis intervenções a fim de evitar os ataques. O estudo mostra que as mulheres jovens são as principais vítimas que, tendo rejeitado o assédio dos homens, são alvo de ataques de ácido como forma de vingança. Embora isto ocorra em toda Bangladesh, existem poucos dados de fontes confiáveis sobre o número real dos ataques, reabilitação das sobreviventes e as conseqüências para os culpados. O relatório sugere que são necessárias pesquisas adicionais para completar estes dados e que deve ser dado destaque à capacitação em gerenciamento de dados no ponto de oferecimento de serviços de apoio.
  • Este artigo concentra-se na medição do desempenho do programa de democracia e governança (DG) da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), em sua missão no Zimbábue. O artigo conta a estória de um indicador qualitativo utilizado para medir o progresso, chamado de 'Índice de Advocacia'. O autor traça a história deste indicador, desde sua razão fundamental e conceitos até as fases iniciais de implementação. O artigo discute os problemas de medição quantitativa e observa que tem havido um conjunto de respostas "qualitativas" sugeridas. Ele segue descrevendo a introdução do Índice de Advocacia pela missão USAID e as respostas de seus parceiros do Zimbábue e apresenta também algumas lições e questões preliminares suscitadas pela experiência.
  • Voluntários expatriados em Phnom Penh, Camboja, trabalham em um país onde muitos de seus colegas expatriados recebem um pagamento melhor do que o deles. Tais voluntários acreditam em geral que estas disparidades financeiras afetam as percepções que as pessoas têm a respeito deles. Este artigo analisa a auto-percepção dos voluntários trabalhando com o Serviço Voluntário do Exterior em Phnom Penh e enquadra estas percepções nas teorias recentes de motivação e engajamento. Duas questões são, então, levantadas: se estes voluntários estão interessados e capacitados o suficiente para oferecer assistência com qualidade e de que modo as percepções de seu status podem afetar sua habilidade em oferecer tal assistência.
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  • O comércio ético está se expandindo rapidamente no Reino Unido. Desde a implementação da Iniciativa Comercial Ética, muitas campanhias estão adotando códigos de conduta que tratam de condições de trabalho em suas cadeias de fornecimento, baseados em um processo de múltipla participação de acionistas. Abordar questões de gênero em sua implementação continua sendo um importante desafio para os que fazem política. Este artigo avalia de que modo a suscetibilidade a respeito da questão de gênero no monitoramento e avaliação dos códigos pode ser ampliada dentro de um sistema de multi-acionistas, baseando-se na evidência de um estudo de caso de exportação de horticultura na África do Sul. Os autores recomendam que as políticas atendam as necessidades dos trabalhadores mais marginalizados, muitos dos quais são mulheres.
  • Nunca anteriormente o Estado Boliviano havia feito um esforço tão grande para promover a participação de camponeses no desenvolvimento local. Em 1994, ele promulgou a Lei de Participação Popular, que institucionalizou uma metodologia de Planejamento Municipal Participativo. Embora reconhecendo amplamente sua natureza progressiva, não é muito difícil identificar detalhes autoritários dentro desta metodologia. Os autores argumentam que o conceito de participação deveria ser visto como "negociação" para aumentar a abrangência da participação dos camponeses no processo de planejamento. Isto por sua vez implicaria em algumas mudanças metodológicas significativas, mas resultaria em Planos de Desenvolvimento Municipal com a flexibilidade para lidar com situações específicas do campesinato boliviano.
  • Este artigo discute a relação entre a corrupção e o desenvolvimento econômico. Ele questiona a visão de que, sob certas condições, a corrupção pode melhorar a eficiência e argumenta que embora a corrupção possa beneficiar indivíduos poderosos, ela sem dúvida alguma irá levar a uma maior ineficiência e a um desperdício de recursos em nível macroeconômico. Após uma breve introdução, o autor sugere que uma possível causa da corrupção seja a frágil base produtiva, condição essencial para o surgimento de escassez que, por sua vez, estimula a corrupção. Alguns possíveis impactos da corrupção são então examinados. Embora não seja sugerida nenhuma medida política, um sistema político mais responsável e transparente significaria certamente um avanço na direção correta.
  • Existe uma carência amplamente reconhecida de esquemas institucionais inovadores que forneçam serviços financeiros a pessoas pobres, de forma que diversos esforços têm sido feitos para se alcançar este fim. Estes esforços vão desde a modificação dos serviços oferecidos por bancos existentes até a promoção de sistemas que priorizam as pessoas. Os programas que tratam da segunda opção, têm tendido a enfatizar uma abordagem abrangente de desenvolvimento, sendo os serviços financeiros uma das diversas atividades inter-relacionadas. Este artigo discute as principais características da organização e operação de sistemas que priorizam as pessoas, explora o significado de mobilização social neste contexto, indica uma série de benefícios que tais sistemas podem gerar e ilustra suas características, atividades e benefícios através de um estudo de caso.
  • A metodologia RAAKS (sigla em inglês de Avaliação Rápida de Sistemas de Conhecimento Agrícola), juntamente com ferramentas PRA (Avaliação Rural Participativa), foi utilizada de maneira bem-sucedida no programa de desenvolvimento rural integrado da organização CARE-Macina. A metodologia permitiu que a equipe da agência produzisse informações relevantes a respeito de organizações comunitárias em nível dos vilarejos e então destacasse alguns pontos positivos e negativos de seus esforços para reforçar sua capacidade organizacional. Isto provocou diversas mudanças importantes nas estratégias da agência. Os detalhes da metodologia utilizada pela equipe da Macina, alguns resultados do exercício e mudanças nas estratégias de programa a respeito do fortalecimento das organizações de base são discutidos no artigo.
  • Na ausência de um governo coeso e controlador no Afeganistão, as ONGs têm assumido grande parte do trabalho da área econômica e social, tornando-se, por procuração, os responsáveis pela política e os diretores da prática. Contudo, o poder imprevisível e ainda crescente dos Talibãs leva as ONGs a adiarem as políticas do governo em favor da manutenção de sua própria influência e implementação de projetos. Chegou o momento das ONGs abandonarem este papel de atuação por procuração e de buscarem engajar-se de maneira construtiva com as dinâmicas do governo emergente.
  • Este artigo descreve sete pequenas formas para que as microfinanças adquiram as mesmas virtudes das finanças informais, que são comumente entendidas como custos de transação reduzidos, fornecimento não somente de empréstimos mas também poupanças e seguros implícitos, sensibilidade para os obstáculos enfrentados pelas mulheres, substituição da confiança no caráter da pessoa por contratos de fiança, socialmente regulados e/ou auto-regulados e seqüências de transações repetidas.
  • Economias baseadas na solidariedade e apoio mútuo, e que são adequadas ao desenvolvimento humano e justiça social, representam a base de uma alternativa ao modelo neoliberal que está direcionando o atual processo de globalização e que tende a destruir a iniciativa e a expressão locais. O autor baseia-se em uma longa experiência na região sul do México para descrever esta visão econômica alternativa.
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  • Investimentos em pesquisas voltadas para processos e investimentos em pesquisas participativas com agricultores têm levado à emergência de soluções relacionadas à agrosilvicultura sustentável para problemas de degradação da terra, pobreza e insegurança alimentar em áreas rurais. Milhares de agricultores em diversas eco-regiões têm adotado inovações que demonstram o potencial da agrosilvicultura. Este artigo destaca a importância da mudança institucional através da abordagem adotada pelo Centro Internacional de Pesquisas em Agrosilvicultura para incrementar a adoção e impacto das inovações. Oito áreas de intervenção constituem os elementos-chave de uma estratégia de desenvolvimento, que visa oferecer a 80 milhões de pessoas pobres das áreas rurais melhores opções de subsistência até o ano 2010.
  • As organizações comunitárias de base estão cada vez mais sendo consideradas um modo sustentável de dinamizar os benefícios da pesquisa agrícola e desenvolvimento realizadas por alguns agricultores em áreas isoladas de projetos-piloto, para que se possam expandir estes benefícios mais amplamente em termos geográficos e sócio-econômicos e de maneira rápida. Este artigo descreve e ressalta as lições aprendidas com diversas organizações de pesquisa e desenvolvimento na região ocidental do Quênia, utilizando diferentes abordagens com base em comunidades para dinamizar a agrosilvicultura e outras opções biológicas com o objetivo de melhorar a fertilidade do solo entre os pequenos produtores com poucos recursos. Os principais benefícios de tais abordagens são que a conexão entre agricultores, governo e outros distribuidores de serviços é fortalecida, o fluxo de informações e a conscientização sobre as opções disponíveis são divulgados rapidamente entre os agricultores e a participação dos agricultores e a inovação são aumentadas. Para uma oferta efetiva de serviços, contudo, são necessários níveis mais altos de associação, que vão além dos agricultores ou grupos individuais, como as organizações de jovens, mulheres ou religiosas. Contudo, a experiência de um projeto-piloto envolvendo o Centro Internacional de Pesquisa em Agrosilvicultura e algumas importantes instituições de pesquisa nacional e desenvolvimento mostram que comitês em vilarejos e locais são freqüentemente inativos caso não haja uma estreito acompanhamento, que é melhor oferecido por instituições locais tais como equipes governamentais de extensão com vínculos com agricultores ou ONGs. A maior parte destas instituições, contudo, possuem recursos e informações limitados. Para atenuar estes problemas e melhor compartilhar as experiências entre organizações e projetos individuais na região, foi formado um consórcio estratégico de instituições-chave. Atualmente existe uma grande esperança em relação ao consórcio, embora ainda seja muito cedo para determinar sua efetividade.
  • Os estudos de caso demonstram a amplitude e riqueza das abordagens e lições aprendidas com os projetos de dinamização agrícola. Uma lição fundamental é que a estratégia de expansão é muito mais complexa do que simplesmente transferir informação e material de plantio. Ela implica desenvolver capacidade institucional em nível comunitário para promover e sustentar o processo de inovação. Um grande problema é a escassez de pesquisas sobre o processo de dinamização. Avaliações cuidadosas sobre os custos e benefícios relativos e as vantagens e desvantagens de estratégias diferentes são freqüentemente possíveis de serem realizadas e podem fortalecer imensamente a efetividade da dinamização.
  • A pesquisa participativa que combina o conhecimento dos agricultores e dos pesquisadores promove o desenvolvimento de uma variedade de opções de agrosilvicultura que podem atender às várias necessidades de diferentes agricultores e, então, explorar uma das maiores vantagens da agrosilvicultura--sua flexibilidade. A elaboração e avaliação dos sistemas de agrosilvicultura com oito grupos de pesquisa de agricultores no sudeste do México foram conduzidas através de levantamentos de objetivos de produção individual e limitações, assim como através de identificação de grupo, testes e análises de alternativas de produção. Testes realizados por agricultores foram utilizados como base para projetos de desenvolvimento da agrosilvicultura implementados pela comunidade e organizações governamentais, sendo então utilizados para disseminar as tecnologias que haviam sido testadas e adotadas por agricultores locais.
  • Valiosos recursos genéticos das árvores estão declinando em muitas comunidades agrícolas na região amazônica do Peru, limitando as opções dos agricultores para o desenvolvimento econômico. O Centro Internacional de Pesquisas em Agrosilvicultura está trabalhando com comunidades agrícolas para aumentar a produtividade e sustentabilidade de longo prazo de suas florestas e fortalecê-las para conservar os recursos genéticos das árvores. Este artigo descreve alguns princípios de gestão participativa de árvores e o modo como os pesquisadores estão trabalhando com os agricultores para selecionar materiais de plantio melhorados, reduzir o risco de não adaptação das árvores, assim como produzir e fornecer material de plantio de alta qualidade e ampliar a gestão participativa de árvores.
  • A região do sul da África enfrenta uma grande degradação de sua base de recursos naturais devido ao crescimento da população e da pobreza. A tecnologia da agrosilvicultura já se encontra disponível e possui um grande potencial para melhorar os meios de subsistência de diversas famílias. Os resultados do desenvolvimento da tecnologia e o modo como tal desenvolvimento evoluiu para um processo mais voltado aos usuários são descritos neste artigo. As tendências de desenvolvimento regional são avaliadas e seis opções de agrosilvicultura, que oferecem melhores opções de meios de subsistência para famílias de pequenos proprietários de terra, são também descritas. Além disto, problemas e sucessos vivenciados na promoção do uso mais amplo da agrosilvicultura são também discutidos. Lições aprendidas em parcerias, a estrutura de tempo dos impactos observados, a utilização de pequenos proprietários como agentes de mudança e a abordagem das necessidades especiais das mulheres são destacadas pelo autor. A ênfase do artigo recai no uso da agrosilvicultura como uma ferramenta de aprendizado na capacitação local para o desenvolvimento inovador.
  • Este artigo descreve os desenvolvimentos em agrosilvicultura em dois distritos do Quênia conduzidos sob a responsabilidade do Projeto de Extensão da Silvicultura de Nakuru e Nyandarua, de 1990-1995, e a influência subseqüente destes desenvolvimentos nas políticas de extensão relativas à agrosilvicultura no Quênia. O artigo oferece exemplos de aspectos inovadores dentro de um programa convencional de serviços-resultados e descreve com certo detalhe os sucessos, fracassos e oportunidades das atividades-piloto, utilizando uma metodologia de extensão participativa. Estas atividades, juntamente com outras testadas no país, têm contribuído para conceitualizar as abordagens de planejamento de base que sustentam o Programa Nacional de Extensão Agrícola e de Gado, um programa do governo que, juntamente com a restruturação governamental em andamento, tem substituído a prévia abordagem nacional dominante de Treinamento e Visita. O programa atual baseia-se no planejamento interdisciplinar e participativo em áreas delimitadas.
  • Para dinamizar a adoção da agrosilvicultura são necessárias inovações técnicas que sejam adaptadas ao ambiente, ajustadas à demanda, com baixo uso de capital e trabalho, assim como com resultados tangíveis em um curto espaço de tempo. Os requisitos básicos, normalmente informação e germoplasma, precisam estar disponíveis. Para alcançar as milhares de pessoas pobres das zonas rurais que requerem os produtos e serviços das inovações da agrosilvicultura, o processo de dinamização tem de ser eficiente em termos de custo e tempo. Freqüentemente, os resultados dos projetos são muito lentos e caros, de forma que as questões de gerenciamento de recursos naturais precisam ser abordadas em larga escala. As experiências a partir do sudoeste de Uganda sugerem que os governos locais e organizações podem ser incentivadas a iniciar uma estratégia efetiva em termos de custos e escala. O processo de descentralização introduzido recentemente em Uganda torna possível aos agricultores fazerem isto. Organizações de pesquisa e desenvolvimento concentram-se em suas vantagens comparativas, que estão relacionadas ao desenvolvimento de inovações e monitoramento.
  • Este artigo descreve a estrutura e impactos de um projeto de desenvolvimento realizado em Nagaland, na Índia. O projeto foi uma experiência em larga escala sobre o desenvolvimento participativo, que enfatizou a tecnologia local aperfeiçoada em testes em agrosilvicultura, onde os próprios agricultores selecionam as tecnologias, implementam os testes de campo e assumem a responsabilidade por disseminar os resultados localmente. Esta avaliação sugere que a agrosilvicultura tem se expandido rapidamente e tem sido adotada principalmente em terras que do contrário teriam sido utilizadas por agricultores tradicionais para a cultura de pousio. Assim, Nagaland parece estar a caminho de intensificar o uso de suas terras, baseando-se na agrosilvicultura, o que provavelmente irá frear as taxas de desflorestamento. A alta taxa de crescimento do projeto ocorreu graças a um sistema efetivo de direitos de propriedade, acesso a um mercado amplo e crescente de madeira, um processo contínuo de monitoramento e avaliação, fornecimento de sementes e mudas com baixo custo e uma estratégia de projeto participativo com atuação baseada na flexibilidade e fortalecimento comunitário.
  • As plantas de forragem oferecem um grande potencial para aumentar a renda de pequenos produtores de laticínios. Seguindo o sucesso dos testes em estações agrícolas e em fazendas, bem como a considerável difusão realizada de produtor para produtor no Distrito de Embu, no Quênia, foi iniciado um projeto para introduzir arbustos de forragem junto a produtores de sete distritos. Durante um período de dois anos, um agente promotor, trabalhando com parceiros baseados no campo, ajudou 150 grupos de produtores, compreendendo 2.600 agricultores, a desenvolver 250 centros de plantação. Os produtores plantaram uma média de 400 arbustos cada. A experiência tem comprovado que a promoção bem sucedida de projetos agrícolas requer muito mais do que a transferência de sementes e conhecimento sobre uma nova prática. Ela envolve a criação de parcerias com uma série de colaboradores, garantindo a adequação da prática e o interesse dos produtores nela, ajudando comunidades locais a serem efetivas na mobilização de recursos locais e externos e garantindo a participação efetiva de grupos de produtores e outros colaboradores nos testes, difundindo, monitorando e avaliando a experiência implementada.
  • O uso sustentável da terra é essencial para o desenvolvimento das terras altas das Filipinas, onde cerca de 18 milhões de pessoas vivem. Este artigo relata nossas experiências utilizando uma abordagem participativa para desenvolver práticas de agrosilvicultura e instituições para conservação da agricultura que garantam a segurança alimentar, reduzam a pobreza e protejam o meio ambiente em Claveria, norte de Mindanao, nas Filipinas. Nós verificamos que as faixas de vegetação naturais oferecem uma solução simples para as limitações técnicas de conservação do solo nas encostas. Elas são faixas intermediárias, situadas ao redor das áreas agrícolas, em que a vegetação natural pode voltar a crescer e tornar-se uma cobertura densa e protetora. As faixas também oferecem uma base para desenvolver sistemas mais complexos de agrosilvicultura, incluindo forragem, frutas e madeira de árvores. O grande avanço na adoção destes sistemas tem sido garantido pela abordagem conhecida como Landcare. Landcare é um movimento de organizações liderado por agricultores, que compartilham conhecimentos sobre agricultura sustentável e lucrativa nas terras de encosta, conservando ao mesmo tempo os recursos naturais. O movimento Landcare está se espalhando rapidamente para vários municípios em Mindanao e ilhas Visayan.
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  • Como resultado das reformas internas e externas introduzidas nas últimas duas décadas na Argentina, assim como na maioria dos países latino-americanos, as atividades manufatureiras das zonas urbanas têm sofrido um dramático processo de restruturação, criando novos conflitos sociais e ambientais. Em um contexto onde as estratégias macroeconômicas estão resultando em restruturação de longo prazo dos modelos de produção e conflitos localizados, é importante avaliar a sustentabilidade das atuais tendências de desenvolvimento urbano. Concentrando-se no estudo de caso da cidade de Mar del Plata, na Argentina, esse artigo analisa a restruturação da indústria pesqueira, passando de um sistema fechado nacionalmente para um sistema aberto internacionalmente. A autora examina de que modo e por qual razão as estruturas do governo que regulam a adequação e transformação da natureza têm sofrido mudanças durante o processo de restruturação e têm, conseqüentemente, redefinido a habilidade do Estado, das firmas e dos cidadãos-trabalhadores para proteger a base de recursos naturais da qual a economia local depende.
  • As condições de moradia de baixo nível e sem segurança são reconhecidas como um aspecto crucial da pobreza urbana. Na maioria das grandes cidades dos países em desenvolvimento, o mercado formal atende apenas a uma minoria da população. Estima-se que entre 30 e 70% da população vivem em alojamentos "irregulares" e que até 85% do total das novas moradias são produzidas de maneira ilegal, com graves conseqüências sociais e ambientais. O trabalho inovador de John Turner e a primeira conferência sobre Habitat ocorrida em 1976 marcou uma mudança de paradigma em direção a uma abordagem capacitante e participativa para o fornecimento de casas. Pouco progresso, porém, tem sido feito na transformação do novo paradigma em políticas práticas e sustentáveis. Os esquemas de realocação, moradias sociais, melhoria nas favelas, lugares e serviços são prejudicados por dois problemas que estão relacionados entre si: primeiramente, eles são realizados em uma escala muito pequena para atender à crescente demanda e, em segundo lugar, os produtos são muito caros para serem financiados para grupos de baixa renda. O artigo argumenta que a estratégia do setor informal de desenvolvimento incremental e a melhoria das moradias e infra-estrutura podem ser incorporadas pelas políticas públicas e mostra casos das Filipinas e Paquistão como exemplos de práticas eficientes realizadas nessa direção.
  • Grande parte do sistema habitacional urbano dos países em desenvolvimento e também de alguns países europeus é desenvolvida fora dos processos sancionados oficialmente. Isso se deve menos ao fato de haver um desejo global de infringir a lei do que à existência de regulações de planejamento, padrões e procedimentos administrativos inadequados. Muitos países herdaram ou importaram seu sistema regulatório de outros países e esse sistema foi destinado a atender condições muito diferentes daquelas que os países do sul atualmente enfrentam. Ao tentar impor tais sistemas para populações que invariavelmente são muito pobres para poder ajustar-se a eles, corre-se o risco de não haver o respeito à lei e às instituições oficiais em geral. Portanto, para que o desenvolvimento urbano seja socialmente, economicamente e institucionalmente sustentáveis, é crucial avaliar até que ponto as mudanças nos sistemas regulatórios são necessárias para abaixar os degraus da escada do sistema habitacional de modo a permitir que os pobres das áreas urbanas possam começar a subi-los. Esse artigo serve de referência para um projeto de pesquisa internacional para avaliar os custos sociais e econômicos de tais sistemas para um novo desenvolvimento urbano.
  • Grandes áreas das cidades do Zimbábue ainda refletem as tradições do planejamento colonial destinado a promover a segregação racial, que não mais atende adequadamente às demandas das áreas urbanas que estão duplicando de tamanho a cada 10-15 anos. Esse artigo avalia as influências políticas, econômicas e sociais sobre a produção e uso do espaço urbano em Harare e também até que ponto o sistema de planejamento e de regulamentação acomoda as demandas que competem pelo espaço público de uma cidade que cresce rapidamente. Alison argumenta que o espaço urbano é uma fonte crucial para as famílias pobres que não podem ser ignoradas no contexto de um desenvolvimento sustentável e que o fracasso das políticas oficiais e regulações em reconhecer sua importância inibe a habilidade dos pobres das zonas urbanas a ajudarem a si próprios. As iniciativas de políticas para restituir esse balanço são exploradas no texto.
  • Em Cuba, o fornecimento centralizado de moradias tem coexistido com uma demanda generalizada de esquemas que se baseiam na auto-ajuda para atender a procura por moradia, embora não tem havido nenhum mecanismo para articular as duas práticas entre si. O autor discute modos para reunir os recursos técnicos e financeiros do setor estatal com a criatividade e visão das pessoas que moram nas cidades e vilarejos de Cuba para criar esquemas que sejam socialmente e ecologicamente sustentáveis.
  • O Programa de Casa Própria do governo da cidade de Buenos Aires é um caso inovador de financiamento público-privado de um esquema de moradia social. O programa visa incentivar os investidores a construir casas em terras privadas para serem vendidas a compradores de baixa renda que recebem empréstimos "suaves" do estado. A experiência do Programa Casa Própria sugere que no hemisfério sul, onde o Estado normalmente carece de redes consolidadas de suporte social, o modelo de programas de moradia que teoricamente são sustentáveis para grupos de baixa renda tende a dar prioridade a variáveis financeiras ao invés de priorizar as preocupações sociais e ambientais. Isso cria contradições dentro de tais programas que resultam em impactos sociais e ambientais negativos.
  • A disparidade entre o hemisfério norte e sul no acesso às novas tecnologias de comunicação e informação é bem conhecida, mas é necessário agora ir além dos simples atos de medir e documentar essa diferença e desenvolver indicadores mais precisos sobre como tais tecnologias poderiam ser, e estão sendo, utilizadas por organizações populares (tais como as associações de moradores) a fim de dar mais voz aos interesses das pessoas que vivem na pobreza.
  • A metodologia MOLAND adota técnicas de observação da terra com equipamentos geo-processadores e dados estatísticos para monitorar mudanças ambientais e morfológicas em áreas urbanas. A metodologia auxilia a entender os processos de desenvolvimento urbano assim como serve de ferramenta para o planejamento. A metodologia MOLAND oferece informações territoriais detalhadas em escala regional, permitindo que as agências de desenvolvimento obtenham de maneira precisa alguns indicadores ambientais específicos e melhorem os atuais indicadores de sustentabilidade urbana. Esse artigo descreve os tipos de informação que podem ser produzidos com a metodologia MOLAND, os esforços para desenvolver séries de dados comparáveis no decorrer do tempo em locais diferentes e aplicações desses dados para planejar tarefas envolvendo crescimento populacional, mobilidade, segurança, avaliação estratégica, impacto ambiental em larga escala e crescimento urbano. Experiências recentes sobre a aplicação da metodologia nas cidades da Europa Oriental e do Terceiro Mundo também são discutidas no artigo.
  • Apesar das melhorias no acesso às terras e serviços urbanos que vêm ocorrendo desde a década de 1980 tanto no Brasil como no México, a consolidação dos loteamentos urbanos da periferia tem acentuado a segregação social. Tais tendências chamam a atenção para a contínua existência da pobreza em escala global. De que modo os planejadores e administradores urbanos têm escolhido enquadrar os desafios que as comunidades de baixa renda estão enfrentando? Até que ponto a linguagem utilizada pelos especialistas técnicos permite que eles se engajem em um diálogo com as pessoas que vivem nessas comunidades marginalizadas, que não confiam muito nos resultados das negociações com o Estado?
  • Fortalecer organismos locais urbanos na Índia para cumprir com as responsabilidades de desenvolvimento através do uso de intermediários financeiros no mercado de capital acarreta sérias implicações para o modelo de desenvolvimento urbano e para a organização do espaço dentro das cidades. A política de liberar os organismos locais dos controles do governo e do legislativo pode obrigar tais organismos a ficar sob direção ou controle indireto de instituições corporativas e financeiras, resultando no enfraquecimento de seus comprometimentos com as questões sociais. É importante manter uma vigilância no processo pelo qual as cidades são segmentadas e as comodidades básicas são negadas aos pobres devido a essa crescente dependência dos recursos privados para investimentos na infra-estrutura.
  • Com referência a Dar es Salaam, esse artigo examina as experiências até o momento com o conceito de Planejamento Ambiental Urbano e Gerenciamento (EPM), uma abordagem promovida pelas agências da ONU preocupadas com os alojamentos humanos (UNCHS) e meio ambiente (UNEP) para melhorar a capacidade dos governos locais de gerenciar o rápido crescimento urbano e o desenvolvimento em parceria com colaboradores importantes. O artigo destaca as oportunidades que o EPM oferece para revitalizar o gerenciamento urbano, particularmente em contextos onde há a falta absoluta de capacitação para gerenciamento, como aqueles encontrados na Tanzânia. Entre os fatores que vão contra as parcerias sustentadas entre governos locais e colaboradores-chave estão a falta de vontade política, a ênfase exagerada em resultados físicos de curto prazo, a relutância em dividir o poder e a natureza demorada do processo de EPM. Mudar atitudes e hábitos já incorporados pelas elites políticas e administrativas (como por exemplo: conservadorismo, inflexibilidade, mistificação do planejamento e gerenciamento urbano e monopolização do poder) torna-se fundamental para que o EPM possa ser institucionalizado dentro da Tanzânia. Outras questões incluem a de como sustentar um consenso entre diversos colaboradores, o balanço entre estratégias de longo prazo e expectativas imediatas ou de curto prazo em ambientes marcados pela pobreza e problemas de diálogo com grande participação da sociedade civil em democracias multipartidárias imaturas.
  • A democratização, os ajustes estruturais, a reforma do Estado (incluindo a descentralização) e a liberalização da economia (incluindo privatizações) têm introduzido mudanças dramáticas nas nações, sociedades e cidades da América Latina e Caribe (LAC). Como os governos centrais começam a repassar mais responsabilidades a eles, os governos locais são obrigados a desempenhar novas funções e a fortalecer sua capacidade gerencial para poder arcar com os crescentes problemas urbanos e demandas da população. Em resposta à inabilidade do Estado em resolver problemas locais, está havendo uma proliferação de organizações da sociedade civil (CSOs) engajadas em iniciativas de auto-ajuda, estabelecendo redes sociais e grupos de apoio mútuo para poderem atender suas necessidades básicas. Para fortalecer a democracia e promover a participação popular na solução de questões urbanas é necessário que haja clareza quanto aos princípios e metodologias de orientação. Esses princípios e metodologias devem estar baseados na rica experiência que as cidades latino-americanas têm adquirido no decorrer dos anos.
  • Utilizando Lima como exemplo, o autor analisa o significado do desenvolvimento sustentável e o modo como as organizações comunitárias de base podem contribuir para alcançá-lo nas megacidades. Atualmente existem demandas para que as cidades e países do hemisfério sul desenvolvam-se de maneira sustentável, embora as próprias nações do norte não façam isso. A "sustentabilidade" em escala global é então alcançável apenas às custas das pessoas que vivem na pobreza do hemisfério sul. O autor argumenta que a recente mudança em direção à estratégia de colocar os problemas e preocupações das megacidades do Terceiro Mundo de volta nas agendas nacionais e internacionais está mais fundada nas preocupações ambientais do que no desejo de combater a pobreza e a falta de serviços básicos. A fragmentação das questões e pessoas nos ambientes urbanos é vista como uma ameaça ao desenvolvimento genuíno, enquanto que as organizações comunitárias de base podem sugerir algumas maneiras de alcançar uma forma de desenvolvimento que integre as preocupações sociais e políticas e que sejam, portanto, sustentáveis. O artigo afirma que os "espaços públicos" são uma maneira de alcançar um modelo descentralizado para o desenvolvimento e democracia na megacidade, desde que eles tenham como base o conhecimento do indivíduo e da comunidade e uma visão de desenvolvimento e política.
  • As altas taxas de urbanização no hemisfério sul têm levado a um desenvolvimento insustentável em suas cidades. A forma de desenvolvimento que está ocorrendo é "parasita" no sentido de que exclui os pobres e segue o paradigma de desenvolvimento do hemisfério norte ao invés de seguir um modelo mais apropriado para as situações que o hemisfério sul enfrenta. O desenvolvimento sustentável é visto como uma forma de contrapor crescimento econômico com preocupações ambientais mas permanece a dúvida se isso é possível de ser alcançado uma vez que o impacto nos países do sul resultante de sua participação no mercado global tem se mostrado desastroso. Esse artigo destaca a necessidade da conscientização sobre a capacidade de "conduzir" e de "cuidar" de um país e argumenta que o trabalho em direção ao desenvolvimento sustentável precisa ser realizado a partir dos pobres. As Filipinas são um bom exemplo dessas preocupações, especialmente em relação às altas taxas de urbanização na Grande Manila, onde problemas ambientais e a falta de serviços têm levado à deterioração na qualidade de vida. Isso é visto pela autora como sendo responsabilidade de cinco grupos de poder que se sobrepõem - o Estado, o setor comercial, a igreja, a mídia e as agências humanitárias internacionais. Essas agências humanitárias citadas por último tendem a seguir o paradigma de desenvolvimento do hemisfério norte, o que coloca o hemisfério sul em uma posição vulnerável e força seus governos a agirem contra os interesses de seus países. Assim, é extremamente necessário que surja um novo paradigma de desenvolvimento que evite os erros do passado e melhore as perspectivas futuras para os pobres e para o meio ambiente.
  • O debate da corrente dominante sobre desenvolvimento urbano concentra-se no desenvolvimento urbano ou nas cidades sustentáveis e tende a deixar de lado as abordagens sobre desenvolvimento centradas nas pessoas. A corrente dominante trata de questões relacionadas ao crescimento econômico, enquanto a última abordagem trata dos problemas ambientais, excluindo as preocupações sobre desenvolvimento dos que vivem na pobreza. A nova perspectiva de Cidades Sustentáveis no hemisfério sul é uma "abordagem inclusiva", que traz a visão dos setores pobres e marginalizados para o centro da discussão e inclui todas as dimensões de desenvolvimento, de modo holístico e sinergético. O artigo apresenta tal visão de cidades sustentáveis na Índia e descreve atividades destinadas a alcançar essa visão.
  • Com 300 milhões de pessoas, a população urbana da Índia representa ainda menos de um terço do total de sua população. Projeta-se que até 2045 cerca de 800 milhões de indianos viverão em cidades - mais do que o total da população da Europa inteira atual. Atualmente, a infra-estrutura urbana de todas as seis mega cidades e 40 milhões de outras cidades da Índia já se encontram sob grande pressão. Os lençóis de água estão se esgotando rapidamente, a poluição vem alcançando níveis críticos, o sistema de transporte está confuso e os sistemas de esgoto e saneamento estão caóticos. Tudo isso está afetando a saúde e higiene pública. Essa situação explosiva não tem sido adequadamente considerada em nível nacional e internacional. Esse artigo analisa os programas e políticas adotadas até agora para corrigir a situação, identifica seus problemas e avalia as novas iniciativas que têm sido adotadas para tornar as cidades unidades de administração auto-sustentáveis e fornecedoras de serviços confiáveis.
  • A antiga cooperação internacional de apoio a projetos e programas urbanos, embora focalizando quase que exclusivamente as ações através de agências governamentais, tem se baseado em grandes mal-entendidos sobre as possibilidades limitadas da intervenção do governo e possui uma frágil ligação com as tentativas acadêmicas de conceitualizar os processos de urbanização. Os principais programas de cooperação urbana internacional, tais como nas áreas de transporte, saneamento e fornecimento de água, têm sido fragmentados e freqüentemente tornam-se insustentáveis em termos políticos, sociais e tecnológicos, mesmo a curto prazo. Estão emergindo novas iniciativas que realmente reconhecem a necessidade de se trabalhar com atores e colaboradores ao invés de governos e essas iniciativas estão produzindo resultados práticos muito diversos. Até agora, essas iniciativas permanecem limitadas e pouco trabalho tem sido realizado para desenvolver as implicações de se "promover" esse tipo de abordagem ou de criar um sistema coerente para buscar iniciativas de desenvolvimento urbano sustentáveis e efetivas.
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  • Até muito recentemente, o fluxo de capital privado para os países em desenvolvimento cresceu rapidamente. Com a crise financeira de 1997 do Leste Asiático, os investimentos estrangeiros diretos têm sido identificados como um ingrediente vital para restaurar e fortalecer as economias da região asiática e de outras regiões. Na tentativa de atrair capital externo e estimular o desenvolvimento econômico, países como as Filipinas têm avançado na adoção de políticas que permitam um maior acesso de investidores estrangeiros. Cada vez mais, a impressão é a de que o capital estrangeiro, fornecido através de empresas transnacionais, está pronto para substituir a ajuda humanitária oficial e promover o desenvolvimento econômico através dos benefícios sociais que lentamente se seguem. Esse artigo examina o papel de uma empresa transnacional chamada Alliance no desenvolvimento de Bohol, nas Filipinas, que seria resultante de uma proposta de tratamento e fornecimento de água, unindo as províncias da ilha de Bohol e Cebu. O resultado da pesquisa sugere que os objetivos econômicos tendem a receber mais prioridade frente ao desenvolvimento social. A empresa Alliance pareceu não se esforçar muito ao utilizar suas habilidades econômicas e técnicas para envolver e consultar as comunidades afetadas. Essa posição fez com que moradores ficassem de fora do processo de desenvolvimento e deu origem a um sentimento de desconfiança e ressentimento.
  • Em um setor altamente desregulado como o das ONGs, a Fundação Living Earth está pilotando um curso de aprendizado reconhecido externamente sobre Meio ambiente e Desenvolvimento de Comunidade, que faz parte de uma estratégia geral de capacitação das ONGs. O programa possui uma abordagem voltada para as necessidades, sendo que a estrutura e o oferecimento do curso são gerenciados através de consultas realizadas de maneira próxima com os próprios alunos. As vantagens de tal abordagem estão começando a se tornar aparentes aos alunos e estão divulgando o modo pelo qual a Fundação Living Earth promove um aprendizado com base nas comunidades.
  • A comunicação entre os colaboradores de projetos de ajuda internacional já é vista há muito tempo como problemática. Os autores desse artigo entrevistaram cinco diferentes colaboradores de um projeto chinês-australiano para analisar se (a) os colaboradores possuem pontos de vista globais diferentes ; (b) os produtores e agências doadoras vêem a agricultura como um sistema e (c) os colaboradores podem ser colocados em uma espiral de aprendizado, incorporando visões de sistema técnico-cêntricas, sócio-cêntricas e sócio-biológicas. Nessa amostragem, os colaboradores apresentaram visões distintas, onde apenas a agência doadora sustentava uma visão sistêmica balanceada. Agricultores que têm experimentado com formas de cultivo, por exemplo, estavam interessados nas vantagens em termos de volume de produção mas não na lucratividade ou nos possíveis benefícios ambientais que motivaram outros colaboradores. Percepções diferentes foram distribuídas em uma espiral de aprendizado, que foi utilizada como uma estrutura para reflexão sobre as medidas suplementares desejadas no processo de pesquisa e desenvolvimento, particularmente envolvendo uma administração coletiva que poderia criar um resultado mais inclusivo para todos os colaboradores.
  • Desde a queda da União Soviética, o governo da Geórgia tem lutado para oferecer serviços de saúde a uma população que está vivenciando a deterioração de seu sistema de saúde e ao mesmo tempo vem reestruturando e reformando a distribuição, prioridades, alocação de recursos e o foco geral desse sistema de saúde. As organizações humanitárias internacionais e de desenvolvimento da Geórgia podem aproveitar essa oportunidade histórica, servindo como auxiliadores e mentores no estímulo a um processo positivo de mudança social dentro dessa dinâmica de reforma. Esse processo, contudo, irá requerer estratégias e táticas amplamente inclusivas de atores internos e colaboradores e que podem ser colocadas em prática utilizando-se diversas abordagens participativas.
  • Quinze firmas egípcias produtoras de mercadorias e serviços foram divididas em dois grupos de acordo com seus método de finanças. Assim, ficou identificado um grupo de sete firmas islâmicas que dividem seus lucros versus um grupo de oito firmas não islâmicas. Entrevistados durante 1993 e 1994, os dois grupos foram identificados como sendo similares em suas relações com os consumidores, em termos de comportamento de mercado e em seu paternalismo com os funcionários. As firmas não islâmicas, contudo, tiveram uma taxa de lucro significativamente mais alta, enquanto que as firmas islâmicas pagaram um salário médio significativamente mais alto, sugerindo que as instituições culturais determinam o comportamento econômico mesmo em uma economia de mercado bem estabelecida.
  • O conceito de "comunidade" tornou-se moda no final do século vinte. Seu significado, contudo, está cada vez mais vago devido ao seu uso retórico na política e também nas áreas de desenvolvimento, gênero e meio-ambiente. Baseando-se na experiência da cidade de Mohlakeng e no Esquema de Serviço adotado entre 1990 e 1994, esse artigo examina algumas das implicações do uso flexível do termo `comunidade' na África do Sul.
  • Caso as mulheres tenham uma maior influência nas decisões sobre como gerenciar os recursos, é possível haver mais segurança em termos de subsistência e a criação de um meio ambiente sustentável na África? As evidências sugerem que a resposta a essa pergunta deve ser afirmativa. Poucas agências de desenvolvimento, contudo, realizam avaliações sistemáticas com dados desagregados sobre a questão de gênero, apesar da literatura existente sobre desenvolvimento descrever há quase duas décadas os riscos de não se fazer isso. Esse artigo explora justamente essa questão, utilizando análises de casos do Quênia, Nigéria, Malawi, Gâmbia e Ruanda, reunidos a partir de uma pesquisa literária de mais de 50 projetos sobre gerenciamento de recursos naturais em toda a África. Os autores destacam os fatores que facilitam o envolvimento efetivo de homens e mulheres no gerenciamento de recursos naturais e desenvolve indicadores para tornar mais claro o progresso alcançado em termos de impacto, processo e sustentação.
  • O autor argumenta que se as crianças recebessem mais atenção por parte dos doadores, isso poderia resultar em um uso mais efetivo dos recursos disponíveis para o combate à pobreza. Os serviços de assistência ao desenvolvimento, porém, deixam de lado algumas das necessidades mais prioritárias das crianças e não conseguem aproveitar as vantagens dos benefícios de longo prazo que seriam ganhos ao garantir às crianças o bem-estar físico e social. O artigo concentra-se especialmente nos ambientes de moradia das crianças que vivem na pobreza. Essa é uma área que recebe pouca atenção mas que é fundamental para a redução da pobreza. .
  • O desenvolvimento de uma sociedade civil depende da parceria entre governo, setor corporativo e representantes da sociedade civil. As ONGs participam do desenvolvimento da sociedade civil mas não possuem uma boa performance em relação aos outros parceiros pois não são independentes e raramente são representativas. Essas organizações necessitam desenvolver habilidades para vender suas causas e, assim, reduzir sua dependência, tornar-se mais transparente e enraizar-se dentro das sociedades nas quais operam.
  • As sociedades civis e as campanhas de base estão cada vez mais influenciando as políticas externas. Algumas dessas campanhas são conduzidas por grupos do hemisfério norte que são solidários com a luta do sul. Esse artigo analisa o papel do mártir como um fator motivante para a participação em grupos de solidariedade. Ele avalia os riscos de se confiar na imagem de um mártir, incluindo a discussão de uma controvérsia entre dois livros: Eu, Rigoberta Menchú e Rigoberta Menchú e a Estória de Todos os Pobres da Guatemala.
  • Cerca de quase metade da população mundial vive em áreas atingidas pela malária ou em lugares onde existe um grande risco da transmissão da doença. Avanços contra a malária continuam a ser conquistados apesar dos recursos serem limitados. Porém, quaisquer que sejam esses avanços biomédicos, eles irão tornar-se significativos apenas se puderem ser aplicados a essas áreas atingidas em grande escala. A complexidade de fatores humanos, parcialmente exemplificada nesse artigo, será crucial para que tal aplicação seja bem-sucedida. Seria lamentável se mais aspectos biomédicos da malária se tornassem conhecidos sem que houvesse um maior entendimento dos contextos humanos nos quais a doença ocorre e nos quais os avanços biomédicos têm de ser aplicados.
  • Muitos produtores agrícolas de países menos desenvolvidos não possuem informações abrangentes sobre os impactos severos e crônicos do uso de pesticidas sobre a saúde. Mesmo em pequenas doses, o uso de pesticidas pode causar problemas crônicos à saúde. Os resultados de uma pesquisa realizada entre os produtores de cana de açúcar em Fiji mostraram um significativo aumento das doenças entre os produtores que utilizam pesticidas comparado a um grupo que fazia uso controlado. Agências do governo, ONGs e grupos de doadores deveriam oferecer aos produtores informações sobre os riscos à saúde de curto e longo prazo na utilização de pesticidas. O acesso a mais informações irá permitir que os produtores tomem decisões racionais sobre os tipos de pesticidas que deverão utilizar ou se realmente devem utilizar algum tipo de pesticida. Do contrário, os países menos desenvolvidos deverão ter um aumento no nível de doenças crônicas acompanhando o aumento da produção agrícola.
  • In English only
  • Muitas vezes as primeiras barreiras para a melhoria na saúde da mulher têm suas raízes em fatores sócio-econômicos, legais e culturais. As mulheres geralmente ocupam uma posição subordinada em termos de poder econômico, tomadas de decisões e opções em relação à educação, trabalho e família. As leis nacionais freqüentemente restringem ou impedem a igualdade e capacidade de escolha dentro da sociedade. Assim, avanços na saúde reprodutiva não são apenas uma questão de intervenção eficiente na área de saúde mas também uma questão de justiça social e direitos humanos. Esse artigo discute como o sistema internacional de direitos humanos pode ser utilizado mais efetivamente na proteção e promoção dos direitos reprodutivos. Em particular, o artigo concentra-se em como os acordos do sistema internacional podem ter uma tarefa importante em fazer com que o Estado garanta os direitos da mulher em relação à saúde reprodutiva e sexual. O autor termina com um discussão sobre como o trabalho de defesa de direitos das ONGs pode colaborar mais com o monitoramento das decisões oficiais para que haja um avanço em relação ao direito à saúde reprodutiva da mulher.
  • Good governance is currently seen as a means to development with decentralisation acting as one of its main tools.This paper illustrates how development institutions use decentralisation as a technical tool, neglecting its essentially political aspects.
  • This paper is concerned with the requirements of microfinance organisations (MFOs) that seek both to reduce poverty and to become increasingly financially self-reliant. They need information on their impact in order to improve the services they offer. But impact assessment (IA) work has generally been carried out primarily to comply with the accountability requirements of their financial sponsors. This Note advocates re-orienting IA towards the MFO's own strategic decision processes, and integrating it more closely with internal monitoring.
  • This paper reports on an attempt in Zimbabwe to use methods and techniques commonly associated with rural contexts, Rapid Rural Assessment (RRA) and Participatory Rural Appraisal (PRA), to undertake an assessment of the needs and perceptions of private sector enterprises in two urban settings. These participatory methods were well received and also facilitated dialogue among different, and sometimes mutually hostile, stakeholders.
  • Os métodos participativos estão cada vez mais sendo utilizados no trabalho de desenvolvimento de base na África. Conceitos liberais do ocidente como "uma pessoa, um voto" são a base desses métodos. Tais conceitos, contudo, podem não ser facilmente compatíveis com a realidade popular na qual a etnia (isto é, identidades étnicas superiores e identidades étnicas subordinadas) é um importante fator que molda a ordem social. Esse artigo oferece uma visão da realidade sócio-política da etnia nos vilarejos de Botsuana. A tensão entre os métodos participativos e a realidade dos vilarejos estruturados etnicamente é ilustrada com exemplos de uma projeto que testou a relevância da Abordagem Rural Participativa (PRA) em Botsuana. Os autores identificam problemas e oportunidades gerados pelos métodos participativos ao enfrentarem as desigualdades existentes em comunidades divididas etnicamente.
  • Enquanto a questão do gênero tem se tornado um fator central no desenvolvimento, a questão da idade e dos idosos raramente é levada em conta e muitas organizações assumem um modelo assistencial "de cima para baixo" e não participativo. Isso ocorre mesmo quando essas organizações estão engajadas em um desenvolvimento sustentável e participativo. Esse artigo analisa como as pessoas mais idosas têm se envolvido com os esforços assistenciais comunitários e sustentáveis no sudeste da Ásia. O autor argumenta que o fator mais importante para o sucesso do projeto é a capacitação social - habilidade que um grupo social ou comunidade possui para trabalhar efetivamente e cuidar de seus membros mais idosos - que, por sua vez, depende da abordagem estratégica da participação adotada pelo projeto.
  • Atualmente tem sido dado bastante destaque ao envolvimento de comunidades no planejamento de seus próprios projetos. Muito dessa participação assume a forma de comunicação verbal, na qual os moradores dos vilarejos informam os funcionários que trabalham com desenvolvimento quais são seus problemas e como eles propõem resolvê-los. Baseando-se na experiência de dois projetos na Uganda e Etiópia, esse artigo argumenta que o ponto de partida para qualquer planejamento de projeto em um contexto comunitário é a prática existente naquela comunidade. Brehony sustenta que se avaliarmos as práticas, crenças e conhecimentos que a comunidade possui, nós teremos uma base mais firme para poderemos desenvolver um projeto.
  • As enchentes de 1998 que inundaram grande parte de Bangladesh tiveram um forte impacto na vida e no trabalho de crianças de favelas urbanas. A falta de oportunidade de trabalho e as idéias sobre as tarefas adequadas para as crianças mais novas fizeram com que as enchentes não provocassem um aumento na entrada de força de trabalho e em alguns casos houve até mesmo uma redução das oportunidades disponíveis. O trabalho doméstico infantil também foi afetado. O trabalho pago e doméstico das crianças teve um impacto importante na sobrevivência das famílias durante e após as enchentes. As conclusões do artigo destacam a natureza simultaneamente benéfica e prejudicial do trabalho infantil e são, assim, importantes para a análise dos dilemas que os governantes enfrentam nessa área. A pesquisa relatada nesse artigo também tem implicações para aqueles envolvidos na adoção de políticas assistenciais em situações de desastres.
  • O sistema de valores da assistência técnica ao trabalho de ajuda emergencial tem enfatizado a importância de se recrutar pessoas com adequada qualificação profissional e técnica para trabalhar sob as difíceis circunstâncias de desastres. Os autores utilizaram a Técnica para Incidentes Críticos para avaliar as qualificações profissionais que são consideradas cruciais para a conquista dos objetivos que os funcionários que trabalham com ajuda emergencial estão buscando. Quinze enfermeiros irlandeses, trabalhando predominantemente em campos de refugiados, identificaram mais de 60 tipos diferentes de objetivos de trabalho e 54 qualificações profissionais distintas. Os autores argumentam que deveria ser dada mais ênfase à variedade de objetivos que motivam tais trabalhadores. As qualificações profissionais identificadas foram primariamente as qualificações mais orientadas para o processo do que para os resultados e os autores sustentam que deveria ser dada mais ênfase ao desenvolvimento de qualificações flexíveis ao invés de qualificações fixas. As possibilidades de utilização da Técnica para Incidentes Críticos como mecanismo para aproveitar as experiências adquiridas na área e operacionalizar qualificações efetivas são também discutidas pelos autores.
  • O artigo apresenta as maiores diferenças entre as abordagens do planejamento de projeto conhecida como Abordagem da Estrutura Lógica (Logical Framework Approach - LFA) e Avaliação Rural Participativa (Participatory Rural Appraisal - PRA) e discute se elas podem ser utilizadas de uma maneira complementar. É sugerido que a LFA seja utilizada para oferecer a estrutura geral do processo de planejamento enquanto a PRA pode ser utilizada em discussões e para levar as tomadas de decisões para a base. This article is freely available as a chapter in Development Methods and Approaches: Critical Reflections
  • Stepping Stones is a training package on HIV/AIDS, gender, communication, and relationship skills designed both for use in existing HIV/AIDS projects and more generally. Narrating her experience of a training of trainers programme in India, the author explores the possibilities and challenges of using this as a means of integrating gender into HIV/AIDS projects.
  • MISSING ABSTRACT
  • Esse artigo busca tirar algumas lições a partir da experiência de ONGs que têm trabalhado com desenvolvimento no mundo todo durante as últimas cinco décadas. Tandon inicia o artigo descrevendo o significado do paradigma de desenvolvimento alternativo praticado por ONGs. Ele então examina algumas das grandes mudanças sócio-políticas que ocorreram nos últimos anos e o impacto que elas tiveram nas ONGs de desenvolvimento. Por último o autor apresenta alguns dos maiores dilemas que as ONGs de desenvolvimento enfrentam e suas implicações em potencial para as futuras tarefas e contribuições dessas ONGs no início do novo milênio.
  • As forças associadas à globalização econômica e a aparente supremacia das forças de mercado têm desencadeado processos políticos e sociais que estão servindo - e na verdade foram criados para isso - para enriquecer e fortalecer uma minoria às custas da maioria da população. Entre esses processos incluem-se fenômenos como o crescimento do conflito armado, ameaças à segurança alimentar, perda dos meios de subsistência e de tradicionais modos de vida de milhões de pessoas no mundo todo, comércio das provisões sociais, ataques à soberania nacional e privatização da cidadania. O autor, contudo, argumenta que o impacto mais importante da globalização é a `localização' das lutas sociais e políticas e o surgimento de novas formas de solidariedade internacional. Várias ONGs sucumbiram muito rapidamente à visão de que a globalização no estágio atual é inevitável e irreversível e estão se acomodando a ela ao trocarem seus valores essenciais pelo profissionalismo técnico, freqüentemente importado do setor privado. Contudo, para que as ONGs assumam sua posição no movimento de transformação que busca a justiça social, elas deverão redescobrir e fomentar os valores da participação dos cidadãos e desenvolver um respeito genuíno pela diversidade.
  • Esse artigo analisa a importância e a abrangência do processo de globalização, concentrando-se, de um lado, em suas implicações para a autonomia dos atores nacionais e, por outro, nas novas demandas que a governança global impõe sobre a ação multilateral. O autor argumenta que a forma atual de globalização é, de fato, compatível com um certo grau de ação social coordenada e autônoma fora da área de mercado. Isso nos permite fazer a diferenciação entre a realidade e a mistificação (isto é, a ideologia) que está por trás do conceito de globalização e rejeitar o discurso padrão e a terapia econômica que são oferecidos por certas organizações internacionais aos países em desenvolvimento. Se a globalização não elimina a possibilidade de uma ação autônoma em nível nacional, ela também estabelece a base para uma ação multilateral mais sólida e efetiva. Os fatores que apóiam a adoção de tal ação no futuro são analisados no artigo e essa ação é uma resposta às demandas por um maior gerenciamento dos bens públicos internacionais e aos apelos por uma governança global mais efetiva. O artigo termina fazendo uma análise das características necessárias em tal sistema multilateral para atender as necessidades que surgem a partir de uma nova realidade internacional.
  • Esse artigo examina o porquê do Banco Mundial ter adotado políticas econômicas neoliberais. O autor argumenta que o discurso neoliberal favoreceu os interesses de atores importantes do hemisfério norte e, mais surpreendentemente, que esse discurso permitiu que muitos atores do hemisfério sul mantivessem ou aumentassem seu poder político. Isso porque o discurso do Banco Mundial oferece pouca ou nenhuma análise política do Estado mas, ao contrário, concentra-se em questões `técnicas' de ajuste econômico. Embora possa estar havendo atualmente uma certa mudança no discurso do Banco Mundial em relação a uma maior aceitação da participação do Estado, prevalece ainda a ausência generalizada de uma análise política, o que faz com que aquelas relações de poder dominantes não sejam ainda fundamentalmente reconhecidas nem desafiadas.
  • Nos últimos anos, tanto as organizações do setor corporativo como as da sociedade civil, particularmente as ONGs internacionais, têm se tornado mais influentes nos debates e políticas sobre desenvolvimento. Está havendo dentro do setor corporativo uma crescente conscientização sobre a necessidade de se demonstrar responsabilidade social. Está havendo também um crescente consenso entre as ONGs de que a área de negócios é essencial para o crescimento econômico que, por sua vez, irá propagar o desenvolvimento social. Esse artigo mostra como os dois setores podem engajar-se construtivamente para estabelecer e monitorar determinados padrões, embora a autora também argumente que é necessário que alguns grupos de pressões persistam em uma agenda descompromissada e radical para que se mantenha vivo o debate crítico.
  • O interesse em realizar parcerias entre as ONGs internacionais e o setor corporativo está crescendo bastante uma vez que ambos os setores estão vendo suas tarefas se alterarem em resposta à crescente conscientização do consumidor em relação às questões sociais, ambientais e de direitos humanos. Esse artigo apresenta o caso da parceria entre a indústria de materiais esportivos, o Fundo da organização Save the Children (SCF) e várias organizações locais e internacionais no distrito de Sialkot, no Paquistão. O autor utiliza esse caso para discutir os elementos importantes em uma parceria inter-setorial, as considerações para as várias partes que formam tais parcerias e as implicações que as parcerias com o setor corporativo acarretam para o futuro das ONGs e sua visão sobre desenvolvimento.
  • As ONGs que trabalham com a questão de desenvolvimento estão em crise. Elas estão perdendo sua capacidade de engajamento em uma análise crítica, de propor soluções globais, de reagir ou aproveitar as iniciativas políticas ou de se situar em posições importantes nos processos sociais e políticos em que novas abordagens e soluções em potencial poderiam ser encontradas. Embora algumas ONGs têm procurado acomodar-se em torno das políticas e projetos dos doadores que se concentram em reduzir os efeitos negativos do ajuste estrutural, a razão da existência das ONGs é ter a autonomia, iniciativa e flexibilidade que o status não-governamental confere a elas. A crescente separação entre a capacidade das ONGs de fazer campanha, pesquisa e seu trabalho de base reflete uma divisão ainda mais profunda - tanto em termos práticos quanto teóricos - existente entre o conceito e processo de desenvolvimento e o conceito e processo da democratização. O autor argumenta que o desenvolvimento humano e a democracia participativa e representativa se reforçam mutuamente e são indivisíveis, e que o desafio que as ONGs enfrentam é fazer a conexão - teoricamente e praticamente - entre democracia e desenvolvimento.
  • In this overview essay, the co-editors examine the new challenges and opportunities facing development NGOs in relation to their relevance, their mission, relations between Northern and Southern NGOs and with other agents of power, including business, and their effectiveness. There is a balance to be drawn between keeping up with emerging issues and agendas, and retaining the values that underpin their integrity and unique nature. NGOs saw phenomenal growth in the neo-liberal policy environment that flourished in the late twentieth century, but this very prominence means that more questions are being asked about their accountability, and about their mandates. Will the twenty-first century see NGOs still living complacently in the past, or will they genuinely rise to the challenges ahead? This editorial overview is freely available as the opening chapter in Debating Development: NGOs and the Future.
  • Após 50 anos de trabalho extremamente bem-sucedido (principalmente o de promover a questão da igualdade, melhorar a qualidade da ODA, fomentar o trabalho das ONGs do hemisfério sul em nível internacional e organizar uma assistência humanitária rápida e efetiva), as ONGs de Desenvolvimento do Hemisfério Norte chegaram a um momento crucial. Van Rooy argumenta que a história da `categoria ocupacional' das ONGs, juntamente com um ambiente de mudanças políticas e econômicas (fim da guerra fria, crescimento do investimento internacional, declínio da OAD e o grande aumento da capacidade das ONGs do hemisfério sul) estariam fazendo com que a maioria das ONGs do hemisfério norte tivessem de parar de trabalhar. Ao contrário, porém, um renascimento caleidoscópico está previsto, onde as ONGs do norte permanecem realizando quatro funções fundamentais (como agentes humanitários, observadores político-econômicos, corretores norte-sul e defensores da responsabilidade corporativa). Essa mudança de trabalho anuncia boas notícias: a existência de evidências de que o projeto de justiça social global está avançando de maneira extremamente rápida.
  • Esse artigo questiona se as agências de desenvolvimento e seus funcionários são suficientemente claros, em qualquer nível (organizações comunitárias de base, ONGs nacionais e internacionais), em relação aos seus próprios valores e funções, e busca analisar as tensões e dilemas que surgem quando as funções estão confusas. A clareza sobre a função das pessoas e agências envolvidas é essencial para a criação de um movimento global de cidadãos que seja válido e que possa conectar os problemas e atores locais e globais e trabalhar em direção a soluções sustentáveis.
  • Toda organização possui certas convicções importantes sobre seus esforços e modos de trabalhar. Quando essas convicções são traduzidas em práticas relativamente duradouras, elas podem ser chamadas de valores organizacionais. Gerenciar o sistema de valores de uma organização é uma tarefa por si só importante e estratégica. Esse artigo, por sua vez, examina os conceitos e métodos para realizar essa tarefa.
  • Enquanto as forças da globalização têm intensificado a polarização econômica, movimentos sociais diversos do mundo todo estão lutando para defender o interesse público e promover uma forma baseada nos direitos e mais sustentável de organizar a sociedade humana. Ao aliarem-se com as causas dos mais pobres em nível local e aumentarem a conscientização internacional sobre tais questões, as ONGs possuem uma função na construção de uma ordem global mais igualitária. Essas ONGs, contudo, precisam urgentemente encontrar melhores maneiras de unir essas lutas com suas análises, ações e valores éticos.
  • Esse artigo relata os resultados e conclusões de um levantamento feito por ONGs do hemisfério norte durante 1998 e 1999, com o objetivo de testar as críticas generalizadas da defesa de direitos realizada por suas ONGs e servir de base para futuras pesquisas sobre o impacto das políticas adotadas pelo Escritório de Defesa de Direitos da Oxfam Internacional localizado em Washington. Baseando-se nos resultados da pesquisa, o autor desafia as ONGs do Norte a avaliarem mais profundamente suas políticas de defesa de direitos, de modo a que elas possam demonstrar efetivamente as conquistas realizadas nessa área. Ao fazerem isso, as ONGs irão investir com confiança uma proporção maior de seus recursos nos programas de defesa de direitos que efetivamente contribuem para alcançar seu objetivo de reduzir a pobreza.
  • As campanhas realizadas pelas ONGs têm recebido cada vez mais destaque nos últimos anos. Nesse artigo três exemplos recentes são examinados criticamente (Brent Spar, minas terrestres e dívida externa), tanto em termos dos vários ingredientes que estão por trás de seu sucesso como em relação ao seu significado real e seu impacto no longo termo. O autor avalia as vantagens, desvantagens, desafios e oportunidades para as campanhas financiadas pelas ONGs dentro de uma ordem política em transformação e com base no potencial oferecido pela Nova Mídia.
  • A crise cada vez mais profunda da dívida externa dos países do hemisfério sul tem se tornado o foco não apenas de debates sobre políticas multilaterais como também o assunto de uma campanha aberta contra a dívida externa, cuja influência mostrou-se de maneira clara durante o encontro frustrado promovido pela Organização Mundial do Comércio em Seattle, em dezembro de 1999. Embora efetiva, contudo, a campanha contra a dívida externa engloba várias posições diferentes, que resultam em estratégias e táticas diversas. Esse artigo analisa as razões e as implicações de tais diferenças, particularmente em relação à solidariedade e ação entre os hemisférios norte e sul. O autor também argumenta que os participantes e lobistas das campanhas do Norte devem assumir a liderança de grupos contrários à dívida externa que estejam mobilizando a opinião pública no Sul.
  • A política de defesa de direitos das ONGs às vezes é mostrada como algo heróico mas os esforços para influenciar as políticas econômicas apoiadas pelo Banco Mundial apresentam bastante ambigüidade. A influência é difícil de ser demonstrada mas a defesa de direitos deveria ser avaliada de modo mais rigoroso para haver transparência e eficiência. Duas soluções (parciais) para essa ambigüidade seriam concentrar-se no próprio processo das campanhas das ONGs e monitorar o impacto sobre as partes componentes de um modelo de mudança institucional no Banco. Esse artigo avalia uma recente campanha de defesa de direitos, testando-a em relação a cinco críticas da campanha das ONGs, e então propõe que as ONGs defendam a criação de um modelo prático de mudanças de políticas e monitorem e avaliem seus esforços em relação às partes componentes do modelo.
  • A dicotomia convencional (mas falsa) entre humanitarismo e desenvolvimento, até agora baseada nas diferenças conhecidas entre as leis humanitárias internacionais e leis de direitos humanos internacionais respectivamente, não é apenas inútil em termos práticos mas também serve para reduzir nossa compreensão sobre as questões compartilhadas presentes nos dois discursos. Existem, contudo, evidências que mostram um reconhecimento cada vez maior de que todos os trabalhos de desenvolvimento e ajuda humanitária são essencialmente baseados nas questões dos direitos e de esforços de integrar o pensamento e a prática em um conjunto comum de princípios.
  • Apesar da crescente ênfase que as agências humanitárias estão dando à participação e consulta local, os receptores da ajuda estão freqüentemente reagindo de forma variada, para não dizer hostil, à assistência recebida. As agências precisam reconhecer as desigualdades que são inerentes em uma relação de ajuda e ser mais prudentes ao determinarem suas tarefas. Finalmente, a autora conclui que os provedores e os receptores de ajuda precisam aceitar nossa igualdade humana inata e nossa desigualdade circunstancial para estabelecermos uma relação de mútuo respeito e apreciação de cada um.
  • Esse artigo examina a aplicação do esquema de Capacidades Locais para o projeto de paz nas atividades de campo do Sudão e identifica as lições aprendidas com o planejamento e implementação no programa Visão Mundial durante um período de 20 meses.
  • É preferível que as agências humanitárias dêem ouvido aos apelos proféticos e arrisquem sua suada credibilidade engajando-se na defesa de direitos que busca evitar desastres ou, ao contrário, é preferível que as ONGs sejam mais cautelosas? Escrito sob a perspectiva de um praticante de defesa de direitos, esse artigo analisa as pressões conflitantes que pesam sobre as ONGs, tanto para que elas aumentem como limitem o trabalho de defesa de direitos durante os desastres. É importante avaliar os motivos das ONGs e também o impacto de seus esforços preventivos de defesa de direitos: quando o assunto se trata da defesa de direitos, questões sobre transparência, veracidade e legitimidade nunca estão desconectados. O artigo termina com um apelo às ONGs para que elas arrisquem sua credibilidade de maneira séria quando for necessário, como parte da ética geral humanitária de salvar vidas. Os riscos que as ONGs correm de parecerem estar se auto-servindo ou de estarem enganadas são reais mas, no fundo, o potencial de se alterar eventos catastróficos é muito importante para ser renunciado facilmente.
  • O conceito de capacitação é evasivo e nossas abordagens atuais estão fadadas ao fracasso, não porque não possuímos modelos adequados mas porque essas abordagens são por elas mesmas inadequadas. Esse artigo busca apresentar algumas das mudanças fundamentais que uma nova forma de abordagem sobre capacitação iria acarretar. A primeira mudança seria do tangível para o intangível e a segunda seria de um modelo estático para uma abordagem desenvolvimentista. Algumas das consequências de tais mudanças são discutidas no artigo.
  • Com a mudança de século de acordo com o calendário ocidental, talvez seja apropriado ter em mente que, para grande parte do mundo, os séculos são diferentes e alteram-se em momentos diferentes e sob diferentes condições. Assim, embora nós moremos e comercializemos em um vilarejo global, nós ainda estamos divididos pelo tempo, espaço e ideologias. A esperança é a de que o século vinte nos permita ter uma visão mais próxima uns dos outros e que a rede global, os websites e os sistemas de correio eletrônicos trabalhem como uma ponte ao invés de uma nova forma de aumentar as distâncias. O artigo prega um maior entendimento sobre as prioridades e visões diferentes que as mulheres islâmicas possuem sobre elas mesmas, de seu lugar na história e os objetivos pelos quais elas necessitam lutar. O artigo também faz um apelo para a universalidade da fraternidade e também para que a solidariedade que foi forjada na última metade do século vinte não seja fragmentada em migalhas no novo milênio.
  • Enquanto os movimentos de mulheres na América Latina e em outros lugares estão sendo bem-sucedidos em colocar várias questões que são relevantes para as mulheres e para as relações de gênero na agenda política, e embora a maioria das agências humanitárias tem se esforçado para incorporar a análise sobre gênero em seus trabalhos, esse progresso não tem sido nem abrangente nem livre de problemas. Esse artigo concentra-se nos modos pelos quais a agenda de cooperação pelo desenvolvimento e as prioridades e métodos de trabalhar de agências de desenvolvimento e ONGs têm servido para distorcer a visão e prática das organizações das mulheres cujo trabalho eles procuram apoiar.
  • Esse artigo resume os resultados de um projeto de ação-pesquisa realizado em conjunto por algumas ONGs locais e internacionais, que envolveu estudos de caso em quatro países da África, três no sul da Ásia, um na América Latina e um no Reino Unido. O artigo busca situar a discussão da avaliação dos impactos no contexto de uma crescente crítica das OGs internacionais. De um modo geral, o artigo sugere que modelos simples de causa e efeito que unem insumos de projetos a resultados e impactos, embora importantes, são normalmente inadequados para avaliar o impacto do que as ONGs realizam. Ao contrário, a autora recomenda a criação de modelos que englobem o contexto mais amplo de influências e processos de mudança que envolvem projetos e programas e os amplos impactos resultantes. Uma conclusão importante que surge a partir dos estudos de caso é que é vital a habilidade de selecionar um conjunto adequado de instrumentos e métodos, bem como a seqüência de sua utilização. O artigo conclui analisando as implicações de políticas mais amplas dos estudos, notavelmente em relação a: lidar com problemas de atribuição e agregação; explorar a questão do alcance da pobreza, relações de gênero e prevenção contra o uso simplista da avaliação de impacto para alocação de recursos. O artigo também sugere que a avaliação de impacto pode ser parte de um `círculo virtuoso' de mudanças que podem promover uma maior transparência e aprendizado entre as ONGs internacionais.
  • A questão sobre como as agências de desenvolvimento deveriam avaliar seus impactos não possui respostas simples e, assim, ela freqüentemente não é indagada ou é formulada em termos que privilegia constatações quantitativas e limitadas. Descrevendo o projeto de um bairro de conjunto habitacional no Reino Unido, o autor pesquisa os entendimentos e percepções de diferentes colaboradores a respeito do que eles acreditam que tenha mudado durante a criação do projeto e a que eles atribuiriam aquelas mudanças. Os resultados da pesquisa sugerem que o impacto das intervenções de desenvolvimento depende sempre de diversos fatores e pode ser visto adequadamente apenas com o tempo. Os resultados sugerem também que grande parte dos fatores mais críticos na determinação de mudanças são intangíveis e estão relacionados a um amplo leque de relações sociais e à motivação humana e direcionamento, tanto individual quanto coletiva. O autor não apresenta um `esquema' sobre como conduzir a avaliação de impactos mas oferece algumas idéias sobre como enquadrar as questões e interpretar as respostas.
  • Esse artigo argumenta que valores comuns específicos permitem que muitas ONGs tenham uma vantagem sobre outros tipos de organizações. Essa perspectiva deve ser entendida no contexto do crescente desejo dos doadores de financiar atores de desenvolvimento não tradicionais, incluindo os militares, paraestatais, comissões nomeadas pelo governo, contratantes de serviços privados e firmas de consultoria. Para distinguirem-se de outras agências que recebem financiamentos de ajuda, as ONGs necessitam identificar, articular e nutrir seus valores mais importantes e sua identidade. O autor identifica alguns dos indicadores-chave que melhor refletem os valores e capacidades organizacionais que distinguem as ONGs das demais agências. A preocupação que se tem é a de que, se as ONGs perderem seus valores mais importantes, elas irão perder sua função.
  • Literacy programmes conventionally focus solely on non-literates and use a 'learn first, do later' model that is ill-suited to adult learning. Programmes based on existing groups (whether function- or location-based), and which use a 'learn through doing' approach, are more likely to be successful both in achieving literacy and in reinforcing other development goals. This paper reviews the theory and practice of adult literacy programmes.
  • Esse artigo descreve o Processo de Mudança Participativa (PCP), um modelo que promove a formação e ação de organizações de base sustentáveis em comunidades pobres e marginalizadas, utilizando métodos de aprendizado participativo e ação para fazer com que as pessoas adquiram capacitação, auto-confiança e estruturas organizacionais necessárias para planejar e implementar projetos de desenvolvimento e influenciar formação de políticas. This article is freely available as a chapter in Development Methods and Approaches: Critical Reflections
  • Conferences are typically organised around specialist presentations and panel discussions in ways that do not foster broad participation or effective knowledge-sharing. The paper describes a computer-based method to facilitate focused dialogue among participants.
  • The author reports on the triennial conference of the European Association of Development Research and Training Institutes (EADI), held in Paris in 1999. He found a disturbing lack of historical analysis and awareness, and a surprising dearth of discussion of the value of knowledge, or information sharing, in the North-South relationship of the future.
  • The author reports on this conference held in Tromsö, Norway, in June 1999. Discussion centred on the discourse of `gender' and on the women's movement, and the author considers these themes from the dual viewpoint of the practitioner and the academic.
  • This Conference Report presents the recommendations taken from a Summary Report of the South Asian Agenda Regional Meeting for South Asia, held in New Delhi, India in 1999. The event was convened by the Disaster Mitigation Institute (DMI) and supported by the Department for International Development (DfID) of the British government. Measures to reduce the disaster vulnerability of poor communities, to improve the standard of, and review public expenditure on, relief, for example, are discussed.
  • In English only
  • Esse artigo analisa as lições aprendidas com a revisão de duas campanhas internacionais de longo prazo. Uma dessas campanhas visava promover o aleitamento materno em Gana e a outra objetivava combater o uso de trabalho infantil na indústria de tapete da Índia. O artigo concentra-se particularmente no entendimento da natureza das campanhas e nos elementos que as tornam eficazes. Os autores afirmam que as campanhas não são lineares ou mecanicistas e que é necessário entender que elas passam por diversos estágios, requerendo diferentes tipos de ações nos diferentes níveis e em diferentes momentos. A variedade de trabalhos e qualificações necessários em uma campanha faz com que seja crucial que as várias organizações envolvidas colaborem umas com as outras. As mobilizações de base, em particular, possuem um importante papel para produzir mudanças sustentadas nas políticas, algo que é freqüentemente esquecido.
  • Nos anos 90 o comércio justo, na medida em que foi sendo praticado por Organizações Comerciais Alternativas (OCAs), evoluiu de um modelo de solidariedade para um modelo de parceria. Esse artigo explora justamente a natureza da parceria do comércio justo, utilizando como base um estudo de caso da Cafédirect e de um de seus fornecedores, o KNCU, na Tanzânia. Para as OCAs, o comércio justo está articulado em termos de parceria com produtores e consumidores. Essa parceria é concebida pela autora como uma fusão entre mercado e ética na cadeia de fornecimento do produtor e consumidor. A parceria principal seria aquela entre a OCA e a organização produtora. O estudo de caso é utilizado para destacar os elementos da parceria que são necessários para que a relação comércio justo `funcione', chamando a atenção para a importância da participação do parceiro produtor.
  • As cooperativas agrícolas estão sendo promovidas nos programas de desenvolvimento econômico da Índia como modo de incentivar a produção agrícola em larga escala e, ao mesmo tempo, garantir a cooperação comunitária e a igualdade. Analisando as cooperativas produtoras de açúcar no estado de Gujarat, região oeste da Índia, o autor mostra que essas cooperativas têm sido bem sucedidas na promoção da produção em larga escala e da melhoria dos níveis econômicos e sociais de seus membros. Esse sucesso, contudo, tem sido alcançado com base na exploração e empobrecimento das comunidades dos sem-terra locais e trabalhadores migrantes. Como resultado, tem havido uma crescente diferenciação no campesinato do sul de Gujarat.
  • Ao analisar duas abordagens sobre mudança organizacional - gênero e desenvolvimento organizacional (DO) - a autora argumenta que a perspectiva de DO é falha uma vez que ela perpetua as desigualdades entre homens e mulheres ao não conseguir tratá-las adequadamente. Em contraste, a abordagem que se concentra na questão do gênero provoca mudanças tanto para as mulheres como para os homens e está contextualizada em uma agenda mais ampla de transformação social. A análise sobre como fortalecer a posição das mulheres é o ponto de partida crucial. Embora a questão do gênero não esteja desconectada de outras formas de opressão - como raça e classe - é necessário que se dê atenção especial ao gênero porque a experiência tem mostrado que essa questão está sendo `deixada de lado'. O artigo busca dar sua contribuição a uma nova área em teoria e prática, visando promover organizações que sejam igualitárias e eficazes.
  • Esse artigo analisa a eficácia das diferentes estratégias utilizadas pelas agências de desenvolvimento nas áreas urbanas para reduzir a pobreza, incluindo os méritos relativos da geração de renda e das políticas de melhoria nas condições de moradias e bairros. Baseando-se nos resultados de estudos de caso recentes, a autora sugere que as vantagens alcançadas pelas políticas que visam melhorar as condições de moradias e bairros podem estar sendo subestimadas. Ela sugere também que a questão da integração de políticas de melhoria de moradias e bairros com a geração de renda tem recebido pouca atenção.
  • Educational and societal development programmes in the Third World have paid too little attention to the facilitative and motivational merits of using indigenous languages. From primary education through to development activities among adults, the use of a non-indigenous language may in itself hinder the development process. In academic institutions, more interaction between the two fields of language planning and development studies is needed.
  • The author examines the contemporary liwac or barter system in Addis Ababa, a thriving part of the informal economy which involves the exchange of household goods for second-hand clothes and shoes. He concludes that this form of transaction positively co-exists with and is not superseded by the monetised economy.
  • This paper describes the relative advantages and disadvantages of formal Rotating Savings and Credit Associations (RoSCAs), in contrast with informal RoSCAs, as seen in Argentina. NGOs, it is argued, are not in a good position to use the formal RoSCA structure to developmental advantage, since they could not manage the risk assessment or legal framework necessary with formal RoSCAs, which do not rely on social censure and capital for their operation.
  • Based on primary research, this paper describes the negative human, occupational, and environmental impacts of the Kiraz Dere dam project in Turkey, concluding that financial compensation for people who are displaced by such projects is unlikely in itself to lead to the resettlement recommended by agencies such as the World Bank.
  • In English only
  • As crenças sobre a origem e natureza do universo e sobre o lugar que a humanidade ocupa dentro dele raramente têm sido consideradas importantes para a teoria e prática econômica. Contudo, para a grande maioria das pessoas de todas as partes do mundo, a formação de princípios éticos fortes, baseados em sua fé religiosa, é um pré-requisito essencial para o progresso econômico a longo prazo. A entidade The World Faiths Development Dialogue está explorando a possibilidade de fazer a ponte entre o aparente abismo que separa as agências seculares de desenvolvimento, como o Banco Mundial, e as religiões existentes no mundo. Quais visões as comunidades da fé têm para oferecer? Existe uma genuína convergência de interesses?
  • MOPAWI is an NGO in La Mosquitia, Honduras, working with indigenous communities in the region to create ecological sustainability and to strengthen technical knowledge and resource management. This paper presents the findings of research into how MOPAWI has `created linkages among the grassroots, the state, and ultimately the international level of politics in practice.' The strategic role of NGOs, and their ability to work across these levels, is discussed.
  • The author discusses the importance of rural family poultry (RFP) in Africa as an income generating and/or subsistence asset for families, particularly highlighting the gender dimension of RFP, since women are often the main owners of, and carers for, chickens. RFP development programmes must take account of other demands on women's time, but should aim to keep profits in the hands of women, increase production (for nutritional and financial gains), facilitate setting up co-operatives and, through these, the provision of training and supplies (making use of economies of scale).
  • This paper examines a Community Banking Scheme set up in Nigeria in 1991, in terms of its financial capabilities - `deposit mobilisation capability, and the value and ratio of its loan portfolio' - and considers four examples of its non-banking development functions. The author believes community banks have much development potential, and, while stating that the Scheme `has had mixed achievements', argues that the growth of non-banking facilities, and increased collaboration with self-help groups or NGOs, should lead to greater success.
  • The author summarises the results of research into the health of older adults in Malawi, India, and Tanzania, which found high levels of malnutrition and anaemia among them, as well as, and linked to, poor functional ability. The data suggests the need for development agencies to specifically consider older adults - who form an increasing proportion of the population - in their programme work, since the problems highlighted arise from poverty-related factors.
  • The author reports on this conference, held in Tokyo in 1999, which brought together leading development thinkers and practitioners, and finance experts. The main discussions are summarised, often with reference to the recent Asian financial crisis, and the author states that the IMF's apparent neglect of the link between finance and development was worrying, and evidence of the need for its reform.
  • Como parte de uma campanha educacional sobre direitos humanos, o Comitê Bengalês para o Progresso Rural (BRAC) fixou 700.000 cartazes em todo o Bangladesh. Tal fato provocou contestações por parte de algumas organizações religiosas. Esse artigo investiga a natureza e a causa dessa reação e desenvolve estratégias sobre como as organizações de desenvolvimento podem alcançar seus objetivos ao enfrentar resistência. A causa da contestação foi identificada como uma reação às interpretações dos cartazes baseadas no sagrado Corão e práticas islâmicas e também como uma intromissão no território profissional das organizações religiosas, que afetou os interesses sócio-econômicos dos representantes dessas organizações. Desse modo, os autores concluem que as organizações de desenvolvimento deveriam antecipar tal oposição ao explicitar seus objetivos aos críticos em potencial, assim como formular programas que não ofereçam espaço para os oponentes prejudicarem as atividades que promovam o desenvolvimento.
  • A espiritualidade é um aspecto central que influencia muitas das decisões diárias que as pessoas do "hemisfério sul" tomam em relação a elas próprias e em relação ao desenvolvimento de suas comunidades, incluindo a decisão de participar ou não de uma arriscada mas potencialmente benéfica ação social. Apesar de ser importante, a literatura que trata da questão do desenvolvimento e suas práticas evita sistematicamente esse tópico da espiritualidade. Tal desconsideração tem como resultado uma pesquisa de nível inferior e programas menos eficientes e, no final, não se consegue oferecer aos participantes a oportunidade deles refletirem sobre como o seu desenvolvimento e sua espiritualidade deverão influenciar uns aos outros. O autor apresenta algumas possíveis explicações para a falta de estudo sobre esse tópico e sugere algumas maneiras de abordar as questões da espiritualidade na teoria e na prática do desenvolvimento.
  • Em 1997, 30 mulheres e homens de diferentes idades e de diferentes níveis culturais, religiosos, sociais e geográficos participaram de um encontro visando aprofundar seu entendimento sobre os impactos que as questões da "feminilidade" e da "masculinidade" provocam em suas vidas e sociedades. Todos os participantes responderam por escrito a questões do tipo: de que modo eu me tornei consciente da condição de ser "mulher" e "homem"? Como essas diferenças são expressas em minha sociedade? Até que ponto eu vejo as mudanças sociais que estão ocorrendo como resultado dos 50 anos de atividades do movimento feminista? O processo representou um desafio para se transpor a divisão feminina/masculina em direção a questões fundamentais sobre a dignidade humana. Esse artigo baseia-se nas contribuições escritas e faladas dos participantes.
  • A organização ABANTU para o Desenvolvimento iniciou um programa regional que visa fortalecer a sociedade civil para que ela possa engajar-se na política através de uma perspectiva de gênero. A ABANTU havia desenvolvido anteriormente na Nigéria uma atividade que envolveu um estudo aprofundado sobre a capacitação da ONG para o engajamento político durante o período recente do regime militar. Ao manter os compromissos da ABANTU como uma rede de recursos humanos regional dedicada a promover o desenvolvimento e a igualdade entre os sexos, a partir de uma perspectiva africana, a equipe de pesquisa local utilizou uma metodologia de ação participativa para reunir e interpretar os resultados, de modo a privilegiar as perspectivas da ONG local e formas de entender o gênero e a política. O exercício produziu informações inéditas e material sobre estudos de caso experimentais além de, simultaneamente, identificar e reunir um grupo importante de ONGs no desenvolvimento e planejamento do programa de treinamento subseqüente. Mais importante ainda, a atividade ofereceu à rede de treinamento regional um conhecimento mais profundo sobre as culturas indígenas e políticas de gênero locais. Esse resultado foi influenciado pelas dinâmicas culturais locais e também pelos legados contraditórios de programas voltados para as mulheres, desenvolvidos por um governo controlado pelos militares. Essas influências limitam a extensão da atividade de gênero, especialmente quando tal atividade é monitorada através do engajamento direto com políticas governamentais.
  • The author describes the movement of the Tobas indians from their nomadic, rural lifestyle in northern Argentina (due mainly to industrial deforestation) to Rosario, a city of around 1 million inhabitants. He highlights the difficulties the Tobas face in Rosario; their economic destitution, and the lack of education in their own language. He advocates economic support for co-operatives and training in traditional crafts, and changing the education system - or failing that, supporting non-formal workshops - to reflect the Tobas' own cultural values.
  • The author analyses the concept of social exclusion, arguing that the term has become a label for `another `vulnerable group' with no differentiation, complexity, agency, or resistance'. She instead suggests that we look to broader ideas of justice, participation, and citizenship, to bring the `social' aspect back into the concept, which should be more synonymous with discrimination and marginalisation than with the failure of formal (education, employment, legal etc.) systems.
  • Women's groups in Papua New Guinea, often under the influence of colonial and church governance in the past, still have an ambiguous function which serves to isolate women and `women's issues' rather than spread gender sensitivity. The author concludes that the existence of these forums for women actually encourages the continued marginalisation of women from governing and decision-making structures, since women's groups `tend to operate from separate and unequal spheres of influence'.
  • The author provides a matrix examining gender-based financial, economic, social/cultural, and political/legal obstacles to women benefiting from microfinance and enterprise. She goes on to discuss how impact assessment work can be approached in the light of this matrix, highlighting the importance of establishing the nature of gender relations prior to projects, considering the potential outcomes that assessors should look out for, and carrying out gender-sensitive assessment.
  • In English only
  • Os autores exploram os efeitos perversos da globalização econômica sobre a população dos Estados Unidos e explicam o surgimento de organizações formadas por pessoas pobres como uma resposta a essas condições. Eles observam os impactos dessas mudanças econômicas em termos de políticas públicas e argumentam que a economia global está impedindo que um número cada vez maior de pessoas seja capaz de atender suas necessidades básicas ao limitar ou eliminar empregos com salários razoáveis e programas de bem-estar social. As pessoas carentes dos EUA, contudo, estão organizando-se para acabar com a pobreza e os autores utilizam o exemplo da Kensington Welfare Rights Union (União pela Defesa dos Direitos de Bem-Estar Social) como um estudo de caso. Por fim, os autores discutem os desafios enfrentados por assistentes sociais e como eles podem tornar-se mais efetivos em face de um estado de bem-estar social decadente e uma situação cada vez mais comum de exploração e exclusão dos pobres.
  • The author describes incentives used by governments to attract foreign investment and create export processing zones (EPZs), also known as special economic or free trade zones. The low cost of labour, mostly provided by women, is one of these incentives. Making special reference to Jamaica, Belize, and Barbados, the author discusses the impact of EPZs on the Caribbean, and the challenges facing small countries in the face of monopoly agreements.
  • The author argues, using the example of microfinance institutions, that it is essential to build genuinely solid and alternative institutions if development is to take its direction from the poor and vulnerable. He sets out his view of the characteristics such institutions would have, and the vulnerabilities currently seen in microfinance institutions.
  • In this personal Viewpoint, the author argues that globalisation has led to increased inequity in health and healthcare provision, just as it aggravates social inequity in general. He highlights the growing sacrifice of equity to efficiency, and the complicity of `elite' countries and companies in the deterioration of social conditions. Medical knowledge is being traded as a for-profit commodity, and the benefits of globalisation and liberalisation are bypassing poorer countries because of the concern for profit.
  • With reference to a recent visit to Dhaka, Bangladesh, the author gives his personal view on the spread of IT technology that accompanies globalisation. He comments particularly on the communication potential of the Internet and email, and the tendency of the technology to aggravate existing inequalities.
  • Cyberfeminists share the belief that women should `take control of and appropriate the use of cybertechnologies in an attempt to empower ourselves.' The author argues that the demystification of technology is necessary, but not sufficient, for empowerment (or re-empowerment, a term she prefers) since mainstream cyberfeminism fails to `address the complexities of the lived contexts of women in the South.'
  • The author argues that Northern NGOs are increasingly moulding themselves in the image of, and accepting the impetus of governments to become, a delivery service for global welfare. Commins believes that NGOs can, and should, avoid this by reassessing themselves on a variety of levels, including where they fit in complex emergency situations and how the new vocal presence of Southern NGOs presents a challenge for their role. This article is freely available as a chapter in Development NGOs and Civil Society.
  • This international NGO conference was held in Birmingham, England, in January 1999, to explore `the opportunities for civic action that global trends are creating for NGOs.' Discussions around NGOs and aid, capacity building, civil society, social capital, complex political emergencies, community development, advocacy, gender and microfinance took place, and the author highlights the most interesting points from each of these sessions.
  • There has been growing concern in Bangladesh that access to higher education is restricted to high-income families. Here, the author reports on the early findings of research into the socio-economic backgrounds of students at Bangladesh's major universities. These findings indicate that the average student is from an affluent, probably land-owning, family. The results are worrying since they suggest that doing well in the education system prior to university is not enough to ensure one has access to higher education.
  • In the context of inequity which makes achieving `health for all' extremely difficult, Where Women Have No Doctor attempts to give access to health information to those who lack it. The authors applaud the book, and stress that there is great need for this information, despite criticism from the book's reviewer in Development in Practice 8(3).
  • Recentes iniciativas da OCDE, do Banco Mundial e de outras organizações sobre a questão da corrupção têm recebido muita atenção. O autor argumenta, porém, que a incidência da corrupção está intimamente conectada com terceirização, concessões e privatizações, onde multinacionais com sede nos países da OCDE usufruem de negócios altamente lucrativos. Os incentivos que o Banco Mundial ofereceu às privatizações e os benefícios econômicos que as multinacionais dos países da OCDE usufruem nesse negócio fazem com que as medidas contra a corrupção necessitem envolver sanções efetivas por parte dos países em desenvolvimento contra as multinacionais que se engajarem em práticas corruptas; maior transparência política para remover o sigilo que encoberta a corrupção e ainda resistência contra a privatização generalizada sem critérios. Esse artigo baseia-se em evidências empíricas sobre o assunto.
  • Esse artigo analisa a natureza e extensão das privatizações que estão ocorrendo em todo o mundo, incluindo um estudo sobre os grupos ou interesses que promovem esse "receituário". O autor identifica algumas políticas que os sindicatos do setor público têm adotado frente às políticas de privatização, especialmente quando essas últimas envolvem questões ideológicas. O artigo oferece alguns exemplos de soluções encontradas por sindicatos para desenvolver seus próprios modelos e propostas para a modernização dos serviços públicos e mostra como aqueles têm representado tanto um desafio como um benefício para os sindicatos e o público em geral. O artigo mostra ainda como agências como o Banco Mundial têm reagido frente a essas iniciativas.
  • Como ainda existe uma grande expectativa sobre o que vai ocorrer em Kosovo e Sérvia, a Eslavônia Oriental oferece uma experiência sobre transição e prazos a serem cumpridos que pode nos servir como exemplo. Cada caso possui suas especificidades em termos históricos e políticos e quanto à natureza da intervenção internacional. Contudo, as questões sobre transição e direitos das minorias são típicas em toda a região. Embora a Eslavônia Oriental seja uma das regiões pertencentes à ex-Iugoslávia que sofreu um dos conflitos mais violentos na guerra servo-croata em 1991, atualmente apenas poucas agências humanitárias internacionais permanecem no local. O acordo de Dayton de 1995 estipulou o período de um ano de transição para a sua reintegração à Croácia, sob a tutela de uma missão especial da ONU (UNTAES). Com base em um extensivo trabalho de campo, esse artigo analisa de maneira detalhada as limitações do trabalho da ONU junto às estruturas sociais e civis e descreve a rede kafkiana de obstáculos legais e burocráticos, além da discriminação econômica e de outros tipos que grupos minoritários estão agora enfrentando ao morar ou retornar à Croácia. Sem um compromisso firme do governo para oferecer um tratamento verdadeiramente igualitário e justo a todos os cidadãos, o modelo violento de "limpeza étnica" pode voltar a se repetir.
  • The author differentiates between globalism, an ideology, and globalisation, a process that affects us all. He compares globalism and nationalism, considering the positive, negative, and similar, aspects of each, using examples from Eastern Europe where a struggle is taking place between the two, interdependent, ideologies. He advocates 'the constant presence of both to avoid the hegemony of either'. This article is freely available as a chapter in Development and Culture.
  • The author, the former president of Tanzania, answers this question resoundingly in the negative, arguing that while universal social principles may be possible, the inequity of wealth alone between countries means that social standards cannot currently be universally applied and adhered to. He goes on to argue that the equality of sovereign nations should be the basis for international economic, social, and political relations.
  • Describing the way globalisation has affected India over the last decade, the author considers the impact of these changes on women, in the main areas of `development' due to globalisation: commercialisation, capitalisation, foreign trade orientation, and financialisation and industrial restructuring. She develops the point that the `skewed income and wealth' structure in India, and the gender discrimination suffered by women, has not altered in the face of the changes brought by globalisation: women continue to lose out, and are losing out more severely than before.
  • A fundamental question to be decided at the November/December 1999 World Trade Organisation (WTO) ministerial meeting is whether to support or resist a new round of trade negotiations. The author argues that while many developing countries, and development NGOs, are right to feel that the earlier Uruguay round produced results skewed in favour of developed countries, there is nothing to be gained from resisting a new round: rather, developing countries should signal their willingness to get involved, but only if certain conditions are met. `[C]onstructive, but critical, support' is the only way to realise benefits and avoid further marginalisation.
  • Since the North American Free Trade Agreement (NAFTA) was agreed, thousands of maquiladoras (assembly plants) have sprung up along the Mexican side of the Mexico/US border. Around a million workers are subject to violations of their human, labour, and health rights, the author argues, and this is a by-product of `free trade'. Abell advocates worker organising, appropriate training and access to information, and international solidarity, in order to avoid such abuses here and in the growing number of export processing zones (EPZs) around the world.
  • In English only
  • Enquanto no mundo inteiro os problemas de pobreza, desigualdade e conflitos sociais estão aumentando, a linguagem utilizada pelas agências de desenvolvimento e por especialistas em desenvolvimento soa cada vez mais radical e idealista. As novas condições sócio-políticas estão sendo retiradas de contextos reais no hemisfério sul apenas para serem reimpostas junto aos "parceiros" do hemisfério sul. Noções sobre aumento de poder, participação e governabilidade são paradoxalmente forçadas de cima para baixo, como intervenção externa. A parábola de Hans Christian Andersen sobre as novas roupas do imperador chama a atenção para a natureza ilusória dessas políticas reaproveitadas de desenvolvimento na década de 1990. Uma das grandes dificuldades é a de que as condicionalidades sócio-políticas em níveis micro e intermediário permanecem subordinadas à liberalização econômica em nível macro.
  • KwaZulu-Natal has the highest HIV infection rate in South Africa. The authors here report on a workshop using a participatory approach to train doctors, nurses and Environmental Health Officers from the region. The methodology, an adaptation of SARAR techniques, successfully provided an open forum for discussion, and, the authors feel, could help in developing household coping strategies and highlighting ways health care professionals can provide support at a community level.
  • The author, founder and Chairman of WorldSpace Corporation, describes the creation of the WorldSpace Foundation to promulgate access to information in the developing world. WorldSpace has launched a digital radio service, and has gained licences to broadcast in Africa, Asia, Latin America and the Middle East, with the aim of closing the gap between rich and poor countries' access to information. He argues that such access is a sufficient condition for development.
  • Many NGO financial institutions and co-operatives are, arguably, incorporating the rules and norms of banking which, as `alternative' institutions, they sought to avoid. Here, the author uses CARUNA (the National Savings and Credit Co-operative `Caja Rural', in Nicaragua) as a case study through which to discuss what makes a truly alternative financial institution, with a gender focus. These institutions should recognise the value of promoting `innovative services that support social reproduction and food security activities, and promote participation by and accountability to communities.'